{"id":21558,"date":"2006-12-07T12:31:45","date_gmt":"2006-12-07T12:31:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/12\/07\/levo-de-braga-a-imagem-e-o-testemunho-de-uma-diocese-com-quem-aprendi-imenso\/"},"modified":"2006-12-07T12:31:45","modified_gmt":"2006-12-07T12:31:45","slug":"levo-de-braga-a-imagem-e-o-testemunho-de-uma-diocese-com-quem-aprendi-imenso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/levo-de-braga-a-imagem-e-o-testemunho-de-uma-diocese-com-quem-aprendi-imenso\/","title":{"rendered":"\u00abLevo de Braga a imagem e o testemunho de uma diocese com quem aprendi imenso\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, Bispo Auxiliar de Braga desde Mar\u00e7o de 2005, toma posse amanh\u00e3, \u00e0s 16h00, da diocese de Aveiro. <!--more--> D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, Bispo Auxiliar de Braga desde Mar\u00e7o de 2005, toma posse amanh\u00e3, \u00e0s 16h00, da diocese de Aveiro, durante uma celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica que ter\u00e1 lugar na S\u00e9 Catedral local. O prelado nasceu a 29 de Agosto de 1948 em Tendais, no concelho de Cinf\u00e3es, \u00e9 padre desde 8 de Dezembro de 1972 e, actualmente, \u00e9 o presidente da Comiss\u00e3o Episcopal Voca\u00e7\u00f5es e Minist\u00e9rios.  Nesta entrevista ao Di\u00e1rio do Minho e R\u00e1dio Renascen\u00e7a, reconhece que a passagem pela Arquidiocese de Braga a caminho de Aveiro foi curta, mas vivida \u00abcom grande alegria\u00bb, e que \u00abn\u00e3o ser\u00e1 tarefa f\u00e1cil\u00bb suceder a D. Ant\u00f3nio Marcelino, um dos poucos bispos com interven\u00e7\u00e3o regular na comunica\u00e7\u00e3o social.    <b>Di\u00e1rio do Minho\/R\u00e1dio Renascen\u00e7a<\/b> \u2014 Escolheu o dia 8 de Dezembro para a entrada em Aveiro como bispo titular, indo substituir D. Ant\u00f3nio Marcelino. Houve alguma raz\u00e3o especial para preferir tomar posse da diocese nesta data? <b>D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos<\/b> \u2014 Eu escolhi o dia 8 de Dezembro para tomar posse da diocese de Aveiro, sabendo que \u00e9 o dia da solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o \u2013 essa \u00e9 a raz\u00e3o primeira e a raz\u00e3o maior. O v\u00ednculo de grande devo\u00e7\u00e3o filial a Nossa Senhora e \u00e0 Imaculada Concei\u00e7\u00e3o levou-me a escolher esta data. Em segundo lugar, \u00e9 tamb\u00e9m uma refer\u00eancia ao dia da minha ordena\u00e7\u00e3o de presb\u00edtero, em 8 de Dezembro de 1972.  Por outro lado, \u00e9 tamb\u00e9m uma liga\u00e7\u00e3o muito directa aos bispos que me antecederam. A minha nomea\u00e7\u00e3o para Bispo de Aveiro foi anunciada em 21 de Setembro [do corrente ano], dia do anivers\u00e1rio de D. Ant\u00f3nio Marcelino e dia da sua ordena\u00e7\u00e3o episcopal. E a tomada de posse acontecer\u00e1 a 8 de Dezembro, que foi o dia da tomada de posse de D. Manuel de Almeida Trindade, em 1962, como Bispo de Aveiro. Portanto, esta liga\u00e7\u00e3o aos dois bispos que me precederam, e que felizmente ainda s\u00e3o vivos, \u00e9 tamb\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o de comunh\u00e3o com a diocese e com aqueles que a serviram como bispos.  <b>DM\/RR<\/b>\u2014 \u00c9 bispo h\u00e1 pouco tempo, menos de dois anos \u2014 a ordena\u00e7\u00e3o foi em 19 de Mar\u00e7o de 2005\u2026 Foi pouco tempo em Braga, mas foi o necess\u00e1rio para uma diocese exigente como \u00e9 Aveiro? <b>D. AFS<\/b> \u2014 Foi muito pouco tempo em Braga, menos do que eu sempre imaginei, mas foi o tempo que a Santa S\u00e9 julgou tempo poss\u00edvel para me enviar para Aveiro. A surpresa da minha nomea\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m tendo em aten\u00e7\u00e3o o t\u00e3o pouco tempo do meu minist\u00e9rio episcopal, foi superada pela minha disponibilidade e pela decis\u00e3o que o Santo Padre Bento XVI tomou, na certeza de que o Senhor que me envia me ajudar\u00e1 a fazer que o pouco tempo que vivi aqui em Braga seja transformado em frutos abundantes porque foi tempo de semear, foi tempo tamb\u00e9m de aprender e foi, certamente, tempo para prosseguir o caminho no meu minist\u00e9rio episcopal agora onde o Santo Padre me pede que v\u00e1.  <b>DM\/RR<\/b> \u2014 Nessa perspectiva, esta passagem pela Arquidiocese de Braga foi um bom est\u00e1gio\u2026  <b>D. AFS<\/b> \u2014 Eu creio que foi uma \u00f3ptima aprendizagem. Pela minha parte, foi uma oportunidade maravilhosa de comunh\u00e3o fraterna com o senhor Arcebispo Primaz, com o senhor D. Antonino Dias, com os sacerdotes, com os religiosos e religiosas e com os leigos desta extraordin\u00e1ria Arquidiocese de Braga. Eu costumo dizer que foi pouco tempo, mas vivido intensamente com grande alegria. Parto daqui com imensa gratid\u00e3o.  <b>DM\/RR<\/b> \u2014 Sai de Braga, vai para Aveiro, uma diocese muito exigente onde h\u00e1 uma grande actividade dos leigos. Tem no\u00e7\u00e3o daquilo que vai encontrar nesta sua nova caminhada?  <b>D. AFS<\/b> \u2014 Sim, e tenho de dar gra\u00e7as a Deus por este dinamismo que toda a diocese, a n\u00edvel dos sacerdotes, dos religiosos e dos leigos, tem manifestado, resultado do grande esfor\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o e de dinamiza\u00e7\u00e3o dos leigos na Igreja de Aveiro.  N\u00e3o posso esquecer, e tenho procurado aprofundar na leitura, na reflex\u00e3o e na ora\u00e7\u00e3o, quanto a diocese de Aveiro tem percorrido depois de ser restaurada em 1938.  Nestes 68 anos de vida, o primeiro e segundo s\u00ednodo diocesano foram momentos importantes na valoriza\u00e7\u00e3o da diocese. Esta consci\u00eancia que tenho \u00e9, sobretudo, uma oportunidade para agradecer o caminho percorrido e para ser capaz de o incentivar e de fazer-me ao largo, numa terra voltada para o mar.  Faz-me bem ouvir as palavras de Cristo a Pedro: faz-te ao largo, caminha, olha em frente, s\u00ea corajoso, vive a esperan\u00e7a e proclama isso aos diocesanos de Aveiro, a come\u00e7ar pelos sacerdotes, os di\u00e1conos, os religiosos e os leigos.  <b>DM\/RR<\/b> \u2014 Sucede a D. Ant\u00f3nio Marcelino, um dos poucos bispos com interven\u00e7\u00e3o regular na comunica\u00e7\u00e3o social. N\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil?  <b>D. AFS<\/b> \u2014 N\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil, certamente, suceder e continuar o trabalho t\u00e3o manifestamente afirmado dos quatros bispos que me precederam, e concretamente do senhor D. Ant\u00f3nio Marcelino. Mas estou convencido que a sua perman\u00eancia na diocese continuar\u00e1 a ser, tamb\u00e9m para mim, um aux\u00edlio e uma oportunidade de valoriza\u00e7\u00e3o constante.  Com a sua presen\u00e7a e com o seu dinamismo, com a sua interven\u00e7\u00e3o t\u00e3o interpelativa, mesmo na comunica\u00e7\u00e3o social, o senhor D. Ant\u00f3nio Marcelino constituiu para a diocese de Aveiro uma refer\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel substituir, nesse aspecto, nem copiar. Mas, com a particularidade da minha maneira de ser, procurarei continuar este esfor\u00e7o de um di\u00e1logo atento, de um di\u00e1logo l\u00facido e de um di\u00e1logo corajoso que a comunica\u00e7\u00e3o social nos prop\u00f5e e nos proporciona.  <b>DM\/RR<\/b> \u2014 Na sua passagem pela Arquidiocese de Braga, o senhor D. Ant\u00f3nio ficou no cora\u00e7\u00e3o de muita gente simples, no cora\u00e7\u00e3o do povo. Visitou uma grande parte das par\u00f3quias, quase todos os santu\u00e1rios marianos\u2026 O que \u00e9 que leva, o que \u00e9 que o enriqueceu mais, sabendo que do outro lado est\u00e1 gente que o olha com bons olhos?  <b>D. AFS<\/b> \u2014 Eu tenho de agradecer a Deus, diariamente, esse dom dos bons olhos das pessoas que sempre me acolheram em todo o lado. Aqui em Braga, sempre me receberam e acolheram com uma generosidade inexced\u00edvel.  Por outro lado, quero dizer que parti sempre para a miss\u00e3o com imensa alegria e que regressei sempre do trabalho realizado com imensa gratid\u00e3o.  Levo daqui o testemunho extraordin\u00e1rio de um povo simples e bom, de um povo que me acolheu de cora\u00e7\u00e3o aberto e, ao mesmo tempo, de sacerdotes extraordinariamente dedicados ao servi\u00e7o do povo, de religiosos empenhados na vida e na presen\u00e7a da Igreja. Levo daqui a imagem e o testemunho de uma diocese com quem eu aprendi imenso \u2013 foi muito mais, cem por um como diz o Evangelho, aquilo que recebi do que aquilo que aqui deixei e aquilo que aqui realizei nos quase dois anos que vivi como Bispo Auxiliar de Braga.  <b>DM\/RR<\/b> \u2014 Trabalhou numa equipa e com uma equipa de bispos, agora como titular da diocese de Aveiro trabalhar\u00e1 com outra equipa. O que \u00e9 que espera quanto \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o do senhor D. Ant\u00f3nio Marcelino e do senhor D. Manuel de Almeida Trindade?  <b>D. AFS<\/b> \u2014 Eu tive sempre a gra\u00e7a, desde a minha ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal, de viver em equipa sacerdotal nas v\u00e1rias actividades a que fui chamado e nas v\u00e1rias miss\u00f5es que cumpri por mandato dos meus bispos diocesanos de Lamego.  Vivi sempre em equipa, e por isso sou um fervoroso defensor do trabalho em comunh\u00e3o e em equipa. Tive a gra\u00e7a de iniciar o meu minist\u00e9rio episcopal na equipa episcopal de Braga com o senhor Arcebispo Primaz, com o senhor D. Antonino Dias, e nesta amizade fraterna e episcopal incluo o senhor Arcebispo Em\u00e9rito D. Eurico Nogueira e o senhor D. Carlos Pinheiro, que foi Bispo Auxiliar.  Vou para uma diocese que \u00e9 \u00fanica em Portugal, que tem dois bispos em\u00e9ritos ainda vivos. Uma das primeiras visitas que realizei depois da minha nomea\u00e7\u00e3o episcopal foi ao senhor D. Ant\u00f3nio Marcelino e ao senhor D. Manuel de Almeida Trindade.  O senhor D. Manuel de Almeida Trindade vive no Semin\u00e1rio Maior de Coimbra, onde foi reitor durante v\u00e1rios anos. Marcado j\u00e1 pela fragilidade pr\u00f3pria da idade avan\u00e7ada e da doen\u00e7a, continua a ser uma b\u00ean\u00e7\u00e3o na ora\u00e7\u00e3o, na estima, no testemunho, nos livros que escreveu, no bem que realizou e, por isso, eu quero ser muito pr\u00f3ximo e recorrer a ele. O seu testemunho e a sua vida \u00e9 um monumento espiritual que eu nunca me cansarei de agradecer e com quem eu gostaria de aprender imenso.  O senhor D. Ant\u00f3nio Marcelino, por decis\u00e3o dele e por vontade minha, fica a viver em Aveiro e, por isso, ser\u00e1 um irm\u00e3o mais pr\u00f3ximo, um pastor sol\u00edcito, de quem eu tenho tanto a receber e com quem tenho imenso a aprender.   <b>\u00abN\u00e3o \u00e9 pelo caminho do mais f\u00e1cil que se resolvem os problemas\u00bb Di\u00e1rio do Minho\/R\u00e1dio Renascen\u00e7a<\/b> \u2014 Foi nomeado bispo por Jo\u00e3o Paulo II, estamos no pontificado de Bento XVI\u2026 Encontra diferen\u00e7as ao olhar para estes dois Papas?  <b>D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos<\/b> \u2014 Eu encontro, sobretudo, uma grande riqueza dos dons e das gra\u00e7as de Deus, que se manifesta nos Papas que nos tem concedido.  De facto, Jo\u00e3o Paulo II foi o Papa que me nomeou bispo e foi o Papa que eu pude encontrar em alguns momentos, concretamente aqui em Braga no dia 15 de Maio de 1982. Foi no seu pontificado que decorreu quase todo o meu percurso de vida sacerdotal, com marcas muito profundas e com refer\u00eancias que nunca mais se esquecem. Impressionou- me o seu carisma e a sua capacidade de doa\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja e de entrega ao servi\u00e7o da humanidade, a abertura na afirma\u00e7\u00e3o do Evangelho e a coragem com que levou o an\u00fancio de Jesus Cristo a todos os confins da terra. S\u00e3o, certamente, marcas que nenhum de n\u00f3s vai esquecer e que para mim, que me escolheu e me enviou como bispo \u00e0 Arquidiocese de Braga, s\u00e3o uma refer\u00eancia constante na minha ora\u00e7\u00e3o e na minha gratid\u00e3o.  A presen\u00e7a do Papa Bento XVI constitui, hoje, um grande dom oferecido \u00e0 Igreja. Basta atender ao testemunho exemplar e corajoso que nos deu na viagem \u00e0 Turquia \u2013 o testemunho exemplar e corajoso de grande compreens\u00e3o daquilo que Deus nos pede nos tempos de hoje. A n\u00f3s bispos, cumpre-nos estar atentos \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es, ao magist\u00e9rio, ao exemplo, ao testemunho de serenidade, de ousadia e de procura do essencial que este Santo Padre nos tem ajudado a compreender e a descobrir.  <b>DM\/RR<\/b> \u2014 Falou da recente visita de Bento XVI \u00e0 Turquia, onde o Papa fez um apelo ao di\u00e1logo com o Isl\u00e3o. De que forma \u00e9 que o senhor D. Ant\u00f3nio encara o di\u00e1logo inter-religioso?  <b>D. AFS<\/b> \u2014 N\u00f3s vivemos numa sociedade com uma grande diversidade e uma Interculturalidade que a todos nos interpela e que exige da Igreja uma presen\u00e7a atenta, sem abdicar dos seus princ\u00edpios essenciais, mas com uma capacidade de compreens\u00e3o da diversidade e da diferen\u00e7a.  O di\u00e1logo inter-religioso, concretamente com o isl\u00e3o, \u00e9 um caminho que urge percorrer e \u00e9 um esfor\u00e7o que importa realizar. Visitando a Turquia, contrariando os conselhos daqueles que temiam pela sua seguran\u00e7a, o Papa Bento XVI deu-nos o testemunho de que \u00e9 preciso ir ao encontro de quem, no respeito pela sua diferen\u00e7a mas tamb\u00e9m no respeito pelas suas convic\u00e7\u00f5es religiosas, merece uma palavra de \u00e2nimo e ao mesmo tempo um di\u00e1logo clarividente que nos fa\u00e7a respeitar a humanidade na sua diferen\u00e7a, mas tamb\u00e9m construir a comunh\u00e3o naquilo que \u00e9 essencial e poss\u00edvel. E com todos, \u00e9 muito aquilo que nos une!  <b>DM\/RR<\/b> \u2014 O di\u00e1logo inter-religioso \u00e9, sem d\u00favida, um dos desafios da Igreja Cat\u00f3lica na actualidade. Olhemos um pouco para dentro da pr\u00f3pria Igreja: ainda estamos a poucos anos do Conc\u00edlio Vaticano II, que pede uma actualiza\u00e7\u00e3o da doutrina e dos m\u00e9todos\u2026 H\u00e1 poucos dias, o Vaticano anunciou uma reuni\u00e3o do Papa com os cardeais para discutir o celibato dos sacerdotes\u2026 \u00c9 uma preocupa\u00e7\u00e3o para a hierarquia da Igreja?  <b>D. AFS<\/b> \u2014 \u00c9, certamente, uma preocupa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 para poder dar resposta \u00e0s interpela\u00e7\u00f5es que surgem um pouco de todo o lado. Contudo, \u00e9 necess\u00e1rio \u2013 tamb\u00e9m no campo concreto da vida sacerdotal, da vida religiosa e das voca\u00e7\u00f5es \u2013 afirmar que n\u00e3o \u00e9 pelo caminho do mais f\u00e1cil que se resolvem os problemas e que se vencem os desafios. A vida do sacerdote, concretamente, \u00e9 sempre uma vida de entrega e de doa\u00e7\u00e3o. A ren\u00fancia, o despojamento e a doa\u00e7\u00e3o implicam esta capacidade de disponibilidade absoluta ao servi\u00e7o do Reino de Deus. Creio que a Igreja tem consagrado ao longo dos \u00faltimos s\u00e9culos este grande respeito pela vida celibat\u00e1ria dos sacerdotes e a valoriza\u00e7\u00e3o na sua entrega a Deus e na sua disponibilidade ao servi\u00e7o dos seus fi\u00e9is.  <b>DM\/RR<\/b> \u2014 O senhor D. Ant\u00f3nio, em Portugal, \u00e9 o presidente da Comiss\u00e3o Episcopal Voca\u00e7\u00f5es e Minist\u00e9rios. Como \u00e9 que estamos, quanto \u00e0s voca\u00e7\u00f5es?  <b>D. AFS<\/b> \u2014 Reconhecemos que a n\u00edvel dos n\u00fameros s\u00e3o relativamente poucas as voca\u00e7\u00f5es e t\u00eam sido poucas as ordena\u00e7\u00f5es para o presbiterado, sobretudo nos presb\u00edteros diocesanos. Mas, temos feito um esfor\u00e7o, marcados pela esperan\u00e7a e animados por uma firme convic\u00e7\u00e3o de que continuam a surgir jovens generosos capazes de responder \u00e0 voca\u00e7\u00e3o.  \u00c9 necess\u00e1rio que n\u00f3s sejamos capazes de viver a alegria de ser chamados e de testemunhar a coragem de chamar, porque o Senhor da messe continua a fazer despertar na juventude de hoje, que \u00e9 t\u00e3o generosa como foi a de sempre, voca\u00e7\u00f5es para a vida sacerdotal, religiosa e mission\u00e1ria. H\u00e1 testemunhos maravilhosos de algumas congrega\u00e7\u00f5es e de algumas dioceses que nos fazem sentir que surgem sinais de esperan\u00e7a e sinais de algum encanto a n\u00edvel de voca\u00e7\u00f5es, algumas com maturidade afirmada quer na idade, quer na prepara\u00e7\u00e3o, quer no percurso humano, profissional e crist\u00e3o que fizeram.  N\u00e3o podemos ter medo nem viver alarmismos, temos de ser realistas e confiar que s\u00f3 com a ora\u00e7\u00e3o, com o trabalho e com a perseveran\u00e7a, somos capazes de cumprir o mandato de Cristo, que nos diz: Pedi ao Senhor da messe que envie oper\u00e1rios para a sua messe. Ele cuida da sua messe, saibamos n\u00f3s ser mediadores desta certeza e mensageiros desta convic\u00e7\u00e3o.   <b>\u201cN\u00e3o\u201d no referendo ao aborto e \u201csim\u201d na reorganiza\u00e7\u00e3o das dioceses em Portugal<\/b> <b>Di\u00e1rio do Minho\/R\u00e1dio Renascen\u00e7a<\/b> \u2014 Aproxima- se o referendo sobre a interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez. Qual \u00e9 a sua vis\u00e3o sobre este assunto, sabendo-se que a hierarquia da Igreja j\u00e1 tornou p\u00fablica uma posi\u00e7\u00e3o?  <b>D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos<\/b> \u2014 A Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa tem um comunicado que \u00e9 muito claro, muito expressivo, com o t\u00edtulo \u201cRaz\u00f5es para escolher a vida\u201d.  A realiza\u00e7\u00e3o do referendo \u00e9 uma oportunidade para afirmarmos ainda mais, em v\u00e1rias frentes de an\u00fancio, as raz\u00f5es que nos levam a escolher a vida, que \u00e9 um bem e um valor que deve ser preservado intoc\u00e1vel desde a sua concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 sua morte natural; e, por outro lado, \u00e9 um dom de Deus para aqueles que acreditam.  Afirmar a vida \u00e9 tamb\u00e9m ser capaz de reconhecer o valor de tantas institui\u00e7\u00f5es que t\u00eam dado ao acolhimento e ao cuidado pela vida, como diz o senhor Arcebispo Primaz na nota pastoral que publicou h\u00e1 poucos dias, aten\u00e7\u00e3o, desvelo, carinho\u2026 S\u00e3o institui\u00e7\u00f5es da sociedade civil muitas delas, mas a maior parte s\u00e3o da Igreja.  N\u00e3o nos podemos perder em palavras v\u00e3s porque a vida na sua dimens\u00e3o sagrada n\u00e3o nos pode deixar perder nessas palavras v\u00e3s, mas sim em cuidar com aten\u00e7\u00e3o, com realismo e mostrando aquilo que j\u00e1 se faz de bem para acolher e para valorizar a vida. A resposta que temos de dar \u00e9 resposta \u00e0queles que precisam de sentir o apoio e a ajuda nos momentos de decis\u00f5es dif\u00edceis. A op\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e9, sem d\u00favida, pela defesa da vida humana.  <b>DM\/RR<\/b> \u2014 A imigra\u00e7\u00e3o \u00e9 outro dos assuntos sempre actuais. Portugal precisa de imigrantes?  <b>D. AFS<\/b> \u2014 Portugal n\u00e3o se pode esquecer que foi sempre um pa\u00eds de onde partiram centenas e milhares de membros da nossa comunidade nacional, e que pedimos que fossem sempre bem recebidos nos pa\u00edses para onde emigravam. Agora, n\u00f3s somos um pa\u00eds que recebe imigrantes vindos de outros pa\u00edses. Temos, sem d\u00favida, necessidade dessas levas de gente que nos v\u00eam de todos os continentes do mundo. Por isso, temos de os saber receber bem.  Os imigrantes nunca s\u00e3o uma afronta a quem vive nos pa\u00edses que os acolhe. S\u00e3o sempre um desafio a que tenhamos horizontes mais amplos para acolher aqueles que v\u00eam como estrangeiros mas que devem ser recebidos como irm\u00e3os.  <b>DM\/RR<\/b> \u2014 A Igreja tem sido uma ac\u00e9rrima defensora dos direitos dos imigrantes. E o Estado? Entende que, ao n\u00edvel do Estado portugu\u00eas, tudo tem sido feito no sentido de integrar quantos procuram o nosso pa\u00eds em horas dif\u00edceis?  <b>D. AFS<\/b> \u2014 Se quisermos mudar o mundo temos que gastar a nossa vida pelos mais pobres, pelos mais simples, por aqueles que n\u00e3o t\u00eam voz e os imigrantes s\u00e3o muitas vezes colocados no n\u00famero dos mais pobres, dos mais simples e daqueles que n\u00e3o t\u00eam voz. A\u00ed, \u00e9 o lugar da Igreja, que deve fazer comprender ao Estado que esta miss\u00e3o lhes diz respeito por inteiro.  <b>DM\/RR<\/b> \u2014 \u00c9 natural da diocese de Lamego, conheceu Braga e est\u00e1 a caminho de Aveiro\u2026 Considera que est\u00e1 na hora de uma reorganiza\u00e7\u00e3o das dioceses, em Portugal?  <b>D. AFS<\/b> \u2014 A divis\u00e3o administrativa das dioceses portuguesas responde a situa\u00e7\u00f5es concretas que v\u00e3o evoluindo e mudando ao longo dos s\u00e9culos. A nova industrializa\u00e7\u00e3o e o crescimento das cidades do litoral e a concentra\u00e7\u00e3o de muita popula\u00e7\u00e3o junto do litoral fez mudar a organiza\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o portuguesa pelas v\u00e1rias zonas do pa\u00eds. Por isso, eu sou favor\u00e1vel a que se equacione, a que se repense a reorganiza\u00e7\u00e3o administrativa, quer a n\u00edvel civil e do Estado, quer a n\u00edvel da Igreja.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, Bispo Auxiliar de Braga desde Mar\u00e7o de 2005, toma posse amanh\u00e3, \u00e0s 16h00, da diocese de Aveiro.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[93,120,144,147,159,167,170,172,174,176,231,237,251,261,297,303],"class_list":["post-21558","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-aborto","tag-bento-xvi","tag-concilio-vaticano-ii","tag-conferencia-episcopal-portuguesa","tag-d-antonio-francisco-dos-santos","tag-dialogo-inter-religioso","tag-diocese-de-aveiro","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-de-lamego","tag-imaculada-conceicao","tag-joao-paulo-ii","tag-marianos","tag-missoes","tag-santa-se","tag-santuarios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21558","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21558"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21558\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}