{"id":21541,"date":"2006-12-06T12:57:26","date_gmt":"2006-12-06T12:57:26","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/12\/06\/o-tempo-do-advento\/"},"modified":"2006-12-06T12:57:26","modified_gmt":"2006-12-06T12:57:26","slug":"o-tempo-do-advento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-tempo-do-advento\/","title":{"rendered":"O Tempo do Advento"},"content":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria, simbolismo e celebra\u00e7\u00f5es do tempo lit\u00fargico que antecede durante quatro semanas, na Igreja Cat\u00f3lica, a celebra\u00e7\u00e3o do Natal <!--more--> <b>1. Como se formou o Tempo do Advento<\/b> O Tempo do Advento s\u00f3 se encontra nos livros lit\u00fargicos ocidentais. Nenhuma fam\u00edlia lit\u00fargica oriental o possui. Por\u00e9m, na liturgia romana, \u00e9 por ele que come\u00e7a o Missal, o Leccionaria e a Liturgia das Horas. As suas origens encontram-se na G\u00e1lia e na Espanha, e remon\u00adtam ao s\u00e9culo IV. Mas ainda se lhe n\u00e3o chamava ent\u00e3o Advento. Na G\u00e1lia, por volta do de 360, Santo Hil\u00e1rio, Bispo de Poitiers, referia-se a um per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o de tr\u00eas semanas para a Epifania, com in\u00edcio no dia 17 de Dezembro e termo no dia 6 de Janeiro. Em Espanha, no ano 380, o Concilio de Sarago\u00e7a determinava: &#8220;ningu\u00e9m deve faltar \u00e0 igreja nas \u00adtr\u00eas semanas que precedem a Epifania&#8221;. Por que raz\u00e3o falam esses dois testemunhos de Epifania e n\u00e3o de Natal? Porque ainda n\u00e3o se celebrava o Natal, festa que viria a nascer em Roma s\u00f3 por volta do ano 375, e demorou alguns anos a ser acolhida por todas as Igrejas do Ocidente. Como institui\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, o Tempo do Advento s\u00f3 se formou nos finais do s\u00e9culo VI. Consistia ent\u00e3o em seis semanas de prepara\u00e7\u00e3o para o Natal. Foi S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno (590-604) que o reduziu a quatro semanas, dura\u00e7\u00e3o que ainda mant\u00e9m. Hoje, quando o Advento come\u00e7a, sente-se que est\u00e3o pr\u00f3ximas as festas com que os crist\u00e3os celebram, todos os anos, o nascimento de Jesus.   <b>2. Os dois Adventos de Cristo<\/b> A palavra advento significa vinda ou chegada. Escrevendo a Tito, Paulo refere-se, nestes termos, aos dois adventos ou vindas de Cristo: Manifestou-se a gra\u00e7a de Deus, fonte de salva\u00e7\u00e3o para todos os ho\u00admens, ensinando-nos a renunciar \u00e0 impiedade e aos desejos mundanos, e a viver no mundo presente com toda a sobriedade, justi\u00e7a e piedade (1\u00aa. vinda), aguardando a bem-aventurada esperan\u00e7a e a manifesta\u00e7\u00e3o gloriosa do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo (2\u00aa. vinda). Na sequ\u00eancia da doutrina da revela\u00e7\u00e3o ensinada por Jesus e lembrada pelo Ap\u00f3stolo, S. Cirilo de Jerusal\u00e9m explicava, no s\u00e9culo IV, aos seus ne\u00f3fitos: &#8220;Anunciamos o advento de Cristo. N\u00e3o, por\u00e9m, um s\u00f3, mas tamb\u00e9m o segundo, muito mais glorioso que o primeiro. Aquele revestiu um aspecto de sofrimento; este trar\u00e1 consigo o diadema do reino divino. No seu primeiro advento, Cristo foi envolvido em faixas e deitado num pres\u00e9pio; no segundo, ser\u00e1 revestido com um manto de luz. No primeiro suportou a Cruz, sem recusar a ignom\u00ednia; no segundo, aparecer\u00e1 glorioso, escoltado pela multid\u00e3o dos Anjos. Por esse motivo, afirmamos na nossa profiss\u00e3o de f\u00e9, tal como a recebemos por tradi\u00e7\u00e3o, que acreditamos naquele que subiu aos C\u00e9us e est\u00e1 sentado \u00e0 direita do Pai e que h\u00e1-de vir em sua gl\u00f3ria para julgar os vivos e os mortos, e o seu reino n\u00e3o ter\u00e1 fim&#8221;(LH, vol. I, p. 135-136). \u00c9 precisamente dessas duas vindas de Cristo e da prepara\u00e7\u00e3o para elas pela catequese e pela penit\u00eancia que falam as ora\u00e7\u00f5es e leituras do Tempo do Advento, o que d\u00e1 a este per\u00edodo lit\u00fargico caracter\u00edsticas algo semelhantes \u00e0s da Quaresma.  <b>3. Liturgia do Advento<\/b> <i>3.1 Dura\u00e7\u00e3o e import\u00e2ncia do Tempo do Advento<\/i> O Tempo do Advento come\u00e7a com as I V\u00e9speras do domingo mais pr\u00f3ximo do dia 30 de Novembro e termina antes das I V\u00e9speras do Natal (NUALC 40). Dada a varia\u00e7\u00e3o da data do seu in\u00edcio, que pode ir de 27 de Novembro at\u00e9 3 de Dezembro, este tempo lit\u00fargico n\u00e3o tem extens\u00e3o uniforme. A sua dura\u00e7\u00e3o m\u00e1xima \u00e9 de 28 dias (4 semanas completas) e a dura\u00e7\u00e3o m\u00ednima de 22 dias (4 semanas incompletas). Nessas quatro semanas, nem todos os dias t\u00eam a mesma import\u00e2ncia lit\u00fargica. Em primeiro lugar salientam-se os quatro Domin\u00adgos do Advento, cuja designa\u00e7\u00e3o de domingos privilegiados significa que nenhuma solenidade tem preced\u00eancia sobre eles. Tal \u00e9 o caso da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, transferida para o dia 9 de Dezembro sempre que o dia 8 cai ao domingo. Seguem-se, em import\u00e2ncia, os sete dias que v\u00e3o de 17 a 24 de Dezembro, orientados de modo mais directo para a prepara\u00e7\u00e3o do Natal, e, por fim, os restantes dias feriais, anteriores ao dia 17 de Dezembro. Esta import\u00e2ncia relativa dos dias do Advento h\u00e1-de ser vista como pedagogia pastoral em ordem \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is na sua cele\u00adbra\u00e7\u00e3o. Assim, se cada um dos domingos do ano lit\u00fargico \u00e9 dia do Senhor e dos crist\u00e3os, s\u00e3o-no muito mais os Domingos do Advento, pelo que nenhum fiel deve faltar \u00e0 assembleia eucar\u00edstica dominical, pois \u00e9 particularmente nesses domingos que &#8220;por meio da mem\u00f3ria da primeira vinda do Filho de Deus aos homens, as nossas mentes se dirigem para a expectativa da segunda vinda de Cristo no fim dos tempos (NUALC 39).  <i>3.2 Aspectos celebrativos pr\u00f3prios do Advento<\/i> Alguns pormenores celebrativos chamam a nossa aten\u00e7\u00e3o para aspectos espec\u00edficos do Advento: por um lado, devem p\u00f4r-se flores nos altares, mas com a modera\u00e7\u00e3o que conv\u00e9m \u00e0s caracter\u00edsticas deste tempo para n\u00e3o antecipar a plena alegria do Natal do Senhor (CB 236); os paramentos s\u00e3o roxos, para se acentuar o car\u00e1cter penitencial do Advento; a Missa n\u00e3o tem Gl\u00f3ria, para que este c\u00e2ntico, cujas palavras iniciais foram cantadas pela primeira vez pelos Anjos e escutadas pelos pastores perto do lugar onde Jesus acabava de nascer, possa ser retomado e ressoar com novidade na Missa da Noite de Natal. Mas, por outro lado, a proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho \u00e9 precedida do canto do Aleluia, para nos recordar que o Advento \u00e9 tempo de &#8220;piedosa e alegre expectativa&#8221; (NUALC 39) e n\u00e3o de penit\u00eancia quaresmal, e o Of\u00edcio de Leitura da Liturgia das Horas, em cada um dos domingos do Advento, conclui-se pelo hino Te Deum, o que n\u00e3o acontece na Quaresma. Sempre que os fi\u00e9is se derem conta destes pormenores e compreenderem o seu significado, no que h\u00e3o-de ser ajudados pela catequese que os pastores lhes h\u00e3o-de fazer principalmente na homilia, estar\u00e3o a crescer na intelig\u00eancia da f\u00e9 e a experimentar o mist\u00e9rio da presen\u00e7a de Cristo na liturgia.  <i>3.3 As Missas do Tempo do Advento<\/i> As celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas t\u00eam em conta as duas caracter\u00edsticas que recordamos acima: prepara\u00e7\u00e3o do Natal e da \u00faltima vinda de Cristo. No que se refere \u00e0 Missa, a melhor s\u00edntese dessa dupla perspectiva \u00e9 aquela que apresentam os dois Pref\u00e1cios do Tempo do Advento. O Pref\u00e1cio I, que se diz desde o primeiro domingo do Advento at\u00e9 ao dia 16 de Dezembro, declara que Cristo &#8220;veio a primeira vez, na humildade da natureza humana (&#8230;), e de novo h\u00e1-de vir, no esplendor da sua gl\u00f3ria&#8221;. O pref\u00e1cio II, que se diz desde o dia 17 at\u00e9 ao dia 24 de Dezembro, recorda-nos que \u00e9 Cristo &#8220;que nos d\u00e1 a gra\u00e7a de nos prepararmos com alegria para o mist\u00e9rio do seu nascimento&#8221;.  a) As leituras As Leituras das Missas ilustram os diversos aspectos do mist\u00e9rio do Advento. Os textos do Antigo Testamento nos quatro domingos recordam doze profecias messi\u00e2nicas, abrangendo um per\u00edodo de mais de quinhentos anos, desde a de Nat\u00e3, no tempo de David, at\u00e9 \u00e0s dos profetas da \u00e9poca p\u00f3s-ex\u00edlica. As mais importantes s\u00e3o as do 4\u00ba. Domingo, todas relacionadas com a maternidade de Maria: &#8220;O Senhor anuncia que te vai fazer uma casa. O teu trono ser\u00e1 consolidado para sempre&#8221; (Ano B); &#8220;De ti, Bel\u00e9m-Efrata, a mais modesta entre as fam\u00edlias de Jud\u00e1, de ti \u00e9 que h\u00e1-de nascer Aquele que reinar\u00e1 sobre Israel&#8221; (Ano C); &#8220;Eis que uma Virgem conceber\u00e1 e dar\u00e1 \u00e0 luz um filho chamado Emanuel&#8221; (Ano A). Os Evangelhos dominicais insistem na necessidade de vigiar, pois ningu\u00e9m sabe quando o Senhor chegar\u00e1 no fim dos tempos (1\u00ba. Domingo); falam do minist\u00e9rio de Jo\u00e3o Baptista (2\u00ba. e 3\u00ba. Domingos); descrevem a Anuncia\u00e7\u00e3o do Anjo a Maria e o mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o do Verbo de Deus (4\u00ba. Domingo).  b) As ora\u00e7\u00f5es As Ora\u00e7\u00f5es das duas primeiras semanas evocam principalmente a \u00faltima vinda de Cristo no fim dos tempos: Senhor, fazei-nos esperar ansiosamente a vinda do vosso Filho, para que Ele nos encontre vigilantes na ora\u00e7\u00e3o e alegres no seu louvor (2\u00aaf. da 1\u00aa. S.); Preparai, Senhor, os nossos cora\u00e7\u00f5es para que, no dia da vinda do vosso Filho, mere\u00e7amos entrar no banquete da vida eterna (4\u00aaf. da 1\u00aa. S.); Deus misericordioso, que os cuidados deste mundo n\u00e3o sejam obst\u00e1culo para caminharmos generosamente ao encontro de Cristo (2\u00ba. Dom.) . Mas a partir do dia 17 de Dezembro privilegiam a prepara\u00e7\u00e3o da solenidade do Natal: Deus omnipotente, preparai-nos para acolher com alegria a gl\u00f3ria do Salvador no seu nascimento (3\u00aaf. da 2\u00aa. S.); Deus de infinita bondade, fazei-nos chegar \u00e0s solenidades da nossa salva\u00e7\u00e3o e celebr\u00e1-las com renovada alegria (3\u00ba. Dom.); Deus omnipotente, que o esperado nascimento do vosso Filho Unig\u00e9nito nos liberte da antiga escravid\u00e3o do pecado (18\/12); Ao aproximar-se o nascimento do vosso Filho em nossa carne mortal, fazei-nos sentir, Senhor, a abund\u00e2ncia da vossa miseric\u00f3rdia (23\/12). Trata-se de duas perspectivas complementares. O Advento recor\u00adda e faz participar no mist\u00e9rio do nascimento do Filho de Deus que j\u00e1 veio na humildade da natureza humana e na pobreza de Bel\u00e9m, e que h\u00e1-\u00adde voltar no esplendor da sua gl\u00f3ria para julgar os vivos e os mortos.  <b>4. Teologia e espiritualidade do Advento<\/b> Come\u00e7\u00e1mos por dizer que o Advento foi o \u00faltimo tempo lit\u00fargico a constituir-se, e que apenas \u00e9 celebrado pelas liturgias ocidentais. Tal facto n\u00e3o significa, por\u00e9m, que o Advento tenha menor import\u00e2ncia que outros tempos do ano crist\u00e3o. Apenas quer dizer que s\u00f3 a Igreja do Ocidente sentiu a necessidade duma prepara\u00e7\u00e3o mais adequada para a celebra\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios da primeira vinda de Cristo, no Natal, e da sua \u00faltima vinda na gl\u00f3ria, no fim dos tempos.  <i>4.1 Vinde, Senhor<\/i> Sabemos que Cristo j\u00e1 veio. Aquele que os profetas anunciaram e desejaram ver fez-Se carne no seio de Maria, nasceu em Bel\u00e9m, foi contemplado pelos homens. Mas voltou para o Pai, onde intercede continuamente por n\u00f3s. Por\u00e9m a Igreja acredita que os fi\u00e9is de todos os tempos t\u00eam necessidade de fazer experi\u00eancia id\u00eantica \u00e0 dos filhos de Israel que viveram antes da vinda do Messias. Dai a sua proposta, no in\u00edcio de cada ano lit\u00fargico. As leituras do Advento fazem ouvir \u00e0s comunidades crist\u00e3s de hoje a voz de Isa\u00edas que as convida a preparar os caminhos do Senhor, e a de Jo\u00e3o Baptista que proclamou estar para vir Aquele que os profetas anunciaram, e O mostrou j\u00e1 presente no meio dos homens. S\u00e3o ainda essas leituras que lhes permitem contemplar, em Maria, a serva de Deus que esperou Cristo com inef\u00e1vel amor, enquanto as ora\u00e7\u00f5es as levam a pedir a gra\u00e7a de se prepararem com alegria para o mist\u00e9rio do seu nascimento. E quando as comunidades e cada um dos seus membros, vigilantes na ora\u00e7\u00e3o e celebrando os louvores de Cristo repetem &#8220;Maranath\u00e1&#8221; (= Vinde, Senhor), est\u00e3o a apressar a vinda definitiva d\u2019Aquele que nos dar\u00e1 em plenitude os bens prometidos. A celebra\u00e7\u00e3o do Advento encerra uma for\u00e7a peculiar e uma efic\u00e1cia sacramental. Atrav\u00e9s dela, o pr\u00f3prio Cristo, no mist\u00e9rio das suas duas vindas, continua a realizar a sua ac\u00e7\u00e3o de imensa miseric\u00f3rdia, de tal modo que os fi\u00e9is n\u00e3o s\u00f3 as meditam, mas entram em contacto com elas, comungam nelas e por elas vivem (cf. CB 231). As perspectivas lit\u00fargicas da Igreja sobre o Advento n\u00e3o s\u00e3o, pois, as de um mero tempo de ontem, anterior \u00e0 primeira vinda do Filho de Deus, mas principalmente as de um tempo de hoje, bem real para n\u00f3s. Embora com ra\u00edzes no passado, o Advento aponta prevalentemen\u00adte para o futuro, para esse &#8220;dia do Senhor&#8221;, desconhecido dos pr\u00f3prios Anjos. \u00c9 esse dia que, cheios de confian\u00e7a, n\u00f3s ousamos esperar.  <i>4.2 Vinde, Esp\u00edrito Santo <\/i> No princ\u00edpio, quando Deus criou o c\u00e9u e a terra, o Esp\u00edrito pairava sobre as \u00e1guas e nelas infundiu a for\u00e7a criadora da vida. Na hora da Anuncia\u00e7\u00e3o do Anjo, foi ainda o Esp\u00edrito que gerou no ventre da Virgem Maria o Filho Unig\u00e9nito de Deus, dando in\u00edcio aos novos c\u00e9us e \u00e0 nova terra. No princ\u00edpio, o Esp\u00edrito precedeu a vida; na Anuncia\u00e7\u00e3o, precedeu o Verbo. O mesmo Esp\u00edrito que esteve na origem da primeira vinda de Cristo, h\u00e1-de ser invocado para apressar a segunda. O Advento \u00e9, pois, tempo de clamar: &#8220;Vinde, Esp\u00edrito Santo&#8221;, pois s\u00f3 o Esp\u00edrito \u00e9 capaz de preparar a lgreja e o mundo para a vinda defi\u00adnitiva do Filho de Deus, e simultaneamente o cora\u00e7\u00e3o de cada homem e de cada mulher para neles se ir completando a obra da reden\u00e7\u00e3o que teve in\u00edcio na Encarna\u00e7\u00e3o do Verbo. \u00c9 isso o que a lgreja ensina ao orar deste modo, em tr\u00eas Missas do Advento: Senhor, que pela anuncia\u00e7\u00e3o do Anjo, quisestes que a Virgem Imaculada, envolvida na luz do Esp\u00edrito Santo, fosse consagrada templo da divindade, ajudai-nos a cumprir fielmente, como ela, a vossa vontade (20\/12, Colecta); Senhor, santificai estes dons com o mesmo Esp\u00edrito que, pelo poder da sua gra\u00e7a, fecundou o seio da Virgem Santa Maria (4\u00ba. Dom. Adv., SO); Senhor, que nos alimentais com o p\u00e3o da vida, concedei-nos que, inflamados pelo fogo do vosso Esp\u00edrito, brilhe\u00admos como l\u00e2mpadas resplandecentes quando vier o Senhor (17\/12, DC). Estas ora\u00e7\u00f5es falam do Esp\u00edrito Santo como Dom de Deus que precedeu Cristo na Encarna\u00e7\u00e3o ao descer sobre Maria, que precede Cristo no p\u00e3o e no vinho para os tornar Corpo e Sangue do Redentor, que precede na vida os fi\u00e9is que comungaram, para os fazer brilhar como l\u00e2mpadas quando o Senhor vier. O Esp\u00edrito, diz-nos a liturgia do Advento, vem sempre antes de tudo o que acontece na economia da salva\u00e7\u00e3o. Vem antes de cada celebra\u00e7\u00e3o do Natal e vir\u00e1 antes da \u00faltima vinda de Cristo. O Advento preparar\u00e1 tanto mais o cora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is para a festa do Natal e para a \u00faltima vinda de Cristo, quanto mais for tempo de inten\u00adsa invoca\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, de profunda vida na intimidade do Esp\u00edrito. N\u00e3o est\u00e1 nas tuas m\u00e3os evitar que muitos homens e mulheres vivam um Natal sem Deus, vazio de Cristo. Mas est\u00e1 nas tuas m\u00e3os fazer com que o Natal comece a ser crist\u00e3o em ti, se fores capaz de viver o Advento na mesma atitude em que o viveram, h\u00e1 muitos s\u00e9culos, Isa\u00edas, Jo\u00e3o Baptista e Maria.  <i>4.3 Viver em clima de Advento, com Maria<\/i> Os pobres de Jav\u00e9 s\u00e3o aqueles filhos de Israel que, nos tempos da Antiga Alian\u00e7a, acreditaram na promessa dum Salvador, suplicaram a Deus a vinda desse dia, e souberam esperar o Messias prometido. Maria ocupa, entre esses pobres, o primeiro lugar. O Advento \u00e9, mais do que nenhum outro tempo lit\u00fargico, o tempo dos novos pobres de Jav\u00e9, pois \u00e9 no Advento que a Igreja pede com maior insist\u00eancia a vinda da salva\u00e7\u00e3o: Des\u00e7a o orvalho do alto dos C\u00e9us e as nuvens chovam o Justo. Abra-se a terra e germine o Salvador (AE 4\u00ba. Dom. Adv); Aquele que h\u00e1-de vir n\u00e3o tardar\u00e1. Ele \u00e9 o Salvador do mundo (AE 19\/12); O Senhor vir\u00e1 com poder e majestade e iluminar\u00e1 os olhos dos seus fieis (AC 4\u00aa f. 3\u00aa. Sem); Virei sem demora, diz o Senhor, para dar a cada um a recompensa das suas obras (S\u00e1b 2\u00aa. Sem). N\u00e3o admira, por isso, que Maria ai ocupe lugar de grande relevo (cf. Marialis Cultus, 3-4). Deus iniciou pela Virgem Maria a obra da reden\u00e7\u00e3o humana, ao preservar de toda a mancha do pecado aquela que viria a ser a M\u00e3e de Cristo (cf. Col. 8\/12). \u00c9 pois, com toda a naturalidade, que celebramos, nos primeiros dias do Advento, a solenidade da Imaculada, prepara\u00e7\u00e3o radical da Virgem para a vinda do Salvador e feliz aurora da lgreja (cf. Marialis Cultus, 3). As afirma\u00e7\u00f5es que melhor exprimem a f\u00e9 da lgreja para com a M\u00e3e de Deus encontram-se nos dias 17 a 24 de Dezembro: O Anjo do Senhor disse a Maria: Conceber\u00e1s e dar\u00e1s \u00e0 luz um Filho e o seu nome ser\u00e1 Jesus (AC 20\/12); Bendita sejais, \u00f3 Virgem Maria, porque em v\u00f3s se h\u00e1-de cumprir a palavra do Senhor (AC 21\/12); Senhor, que no seio da bem-aventurada Virgem Maria quisestes realizar o grande mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o do Verbo (C 17\/12); Deus eterno e omnipotente, ao aproximar-se o nascimento do vosso Filho, fazei-nos sentir a abun\u00add\u00e2ncia da vossa miseric\u00f3rdia, que O fez encarnar no seio da Virgem Maria (C 23\/12). A minha alma glorifica o Senhor, porque o Todo-Poderoso fez em mim maravilhas (AC 22\/12). Mas \u00e9 sobretudo no 4\u00ba. Domingo do Advento que a presen\u00e7a da Virgem atinge a sua m\u00e1xima express\u00e3o, nas leituras b\u00edblicas, nas ora\u00e7\u00f5es e na bela ant\u00edfona da comunh\u00e3o: Eis que uma Virgem conce\u00adber\u00e1 e dar\u00e1 \u00e0 luz um Filho chamado Emanuel (AC 4\u00ba. Dom. Adv). A presen\u00e7a de Maria na liturgia do Advento tem um profundo sentido de exemplaridade. Assim como Deus p\u00f4s os olhos na humildade da sua serva, do mesmo modo os p\u00f5e em cada crente que a imita. A exemplaridade de Maria h\u00e1-de ser ponto de refer\u00eancia para a lgreja e para cada crente que, em continuidade com ela, t\u00eam a miss\u00e3o de preparar o mundo para a \u00faltima vinda de Cristo Salvador. Na aurora dos novos tempos, foi em Maria que a promessa feita por Deus aos patriarcas e aos profetas se transformou em Dom. Nos nossos, que s\u00e3o os \u00faltimos, h\u00e1-de ser atrav\u00e9s de cada homem e de cada mulher que vivam \u00e0 maneira de Maria, que Deus apressar\u00e1 a \u00faltima vinda do seu Filho, e nos dar\u00e1 a gra\u00e7a de alcan\u00e7armos a heran\u00e7a do c\u00e9u, onde, com a cria\u00e7\u00e3o inteira, cantaremos eternamente a gl\u00f3ria do Senhor.  <b>5. Viver um Advento Crist\u00e3o<\/b> O Tempo do Advento come\u00e7a nos \u00faltimos dias de Novembro ou nos primeiros dias de Dezembro. Porque antecede o Natal e o fim do ano civil, \u00e9 um per\u00edodo muito importante para a manifesta\u00e7\u00e3o dos mais nobres sentimentos da pessoa humana. Que o digam as inumer\u00e1veis festas de car\u00e1cter social que nele acontecem, conhecidas pelo nome de &#8220;natais&#8221;: natal dos hospitais, natal da TV, natal dos trabalhadores da empresa X. Mas a vis\u00e3o crist\u00e3 do Advento vai mais longe. Ela parte da actividade prof\u00e9tica, nomeadamente por parte de Jo\u00e3o Baptista, e dela deduz que o Advento tem, como finalidade, preparar as comunidades para uma celebra\u00e7\u00e3o crist\u00e3 do Natal e lembrar tamb\u00e9m que a \u00faltima vinda do Senhor est\u00e1 agora mais pr\u00f3xima do que no momento em que abra\u00e7\u00e1mos a f\u00e9. A vis\u00e3o crist\u00e3 do Advento faz de Deus e n\u00e3o do homem a medida de todas as coisas. Trata-se duma maneira de olhar as coisas e o mundo que contrasta com a vis\u00e3o que a cultura, a pol\u00edtica e o social t\u00eam dessas mesmas realidades, e que \u00e9 inc\u00f3moda. Por isso, a liturgia do Advento deveria interpelar fortemente os que a frequentam, apontando-lhes como objectivo final a \u00faltima vinda de Cristo, e como metas inter\u00adm\u00e9dias as celebra\u00e7\u00f5es do Natal e as manifesta\u00e7\u00f5es de solidariedade humana, a viver em jubilosa esperan\u00e7a. Deveria tamb\u00e9m, nomeadamente nas celebra\u00e7\u00f5es do sacramento da Penit\u00eancia, fazer ressaltar, atrav\u00e9s da atitude humanamente acolhe\u00addora e fraterna dos ministros, a inigual\u00e1vel humanidade de Deus que se compadece de todas as fraquezas dos homens, e cujo perd\u00e3o \u00e9 imen\u00adsamente maior do que os pecados de todos os homens de todos os tempos. Os crist\u00e3os, por seu lado, na sua vida quotidiana, deveriam estar atentos \u00e0s tentativas do poder econ\u00f3mico que pretende transformar o Advento num per\u00edodo de louco consumismo, verdadeiro atentado \u00e0 dignidade de todos os homens que Cristo veio salvar, e \u00e0 igualdade e fraternidade que o Natal proclama. O comportamento de cada crist\u00e3o deveria estar de acordo, n\u00e3o com os modelos culturais que os meios de comunica\u00e7\u00e3o criam e imp\u00f5em, mas com as li\u00e7\u00f5es que se aprendem ao ler as p\u00e1ginas do Evangelho que narram o nascimento de Cristo, ou ao contemplar a simplicidade e pobreza do primeiro pres\u00e9pio: uma gruta, uma manjedoira, um Menino, que sendo rico Se fez pobre para ensinar aos homens a mais bela das li\u00e7\u00f5es: Felizes os que t\u00eam um cora\u00e7\u00e3o de pobre, porque deles \u00e9 o reino dos c\u00e9us. Onde est\u00e3o os mestres que queiram dizer isto com palavras e com a vida? Os disc\u00edpulos n\u00e3o tardariam em ser multid\u00e3o. \u00c9 que o Advento nasceu para introduzir os fi\u00e9is no mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o, mist\u00e9rio que faz nascer Deus para o homem e conduz o homem para Deus.  <i>Jos\u00e9 de Le\u00e3o Cordeiro, Boletim de Pastoral Lit\u00fargica, n.\u00ba 60 \u2013 1990<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria, simbolismo e celebra\u00e7\u00f5es do tempo lit\u00fargico que antecede durante quatro semanas, na Igreja Cat\u00f3lica, a celebra\u00e7\u00e3o do Natal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[100,127,168,187,191,199,206,231,246,267,91,314],"class_list":["post-21541","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-advento","tag-catequese","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-do-porto","tag-economia","tag-espiritualidade","tag-familia","tag-imaculada-conceicao","tag-liturgia","tag-natal","tag-quaresma","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21541","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21541"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21541\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21541"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21541"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21541"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}