{"id":21531,"date":"2006-12-06T10:47:18","date_gmt":"2006-12-06T10:47:18","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/12\/06\/uma-cidade-atenta-as-periferias\/"},"modified":"2006-12-06T10:47:18","modified_gmt":"2006-12-06T10:47:18","slug":"uma-cidade-atenta-as-periferias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-cidade-atenta-as-periferias\/","title":{"rendered":"Uma cidade atenta \u00e0s periferias"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Arcebispo de Braga na Festa de S\u00e3o Geraldo <!--more--> Estamos a homenagear S. Geraldo, avivando a nossa mem\u00f3ria hist\u00f3rica, recordando-o na vertente de restaurador e reorganizador desta Cidade e Arquidiocese de Braga. As vicissitudes da \u00e9poca colocaram o Arcebispo atento \u00e0s coisas materiais e, em simult\u00e2neo, dedicado aos servi\u00e7os eclesi\u00e1sticos. A situa\u00e7\u00e3o era de anarquia generalizada e impunha-se uma concentra\u00e7\u00e3o de energias para, restituindo o prest\u00edgio doutras \u00e9pocas, servir o povo num ambiente ainda rural mas que se tornaria, dentro em breve, muito dependente das cidades. Na verdade, a Idade M\u00e9dia construiu uma civiliza\u00e7\u00e3o urbana e as respostas, que a Igreja da \u00e9poca proporcionou, foram, em grande medida, a partir da cidade, tal como acontecera nos prim\u00f3rdios do cristianismo. Sabemos que a segunda metade do s\u00e9culo passado voltou a centralizar-se na cidade, tornando o urbanismo uma \u201cnova\u201d realidade. As cidades cresceram em territ\u00f3rio e em habitantes. Surgiram novos espa\u00e7os populacionais, com novos desafios \u00e0 Igreja. Se os antepassados souberam criar meios de evangeliza\u00e7\u00e3o, hoje, seguindo S. Geraldo e tantos outros, teremos de potencializar os existentes e suscitar novas din\u00e2micas. O presente est\u00e1 nas cidades e o futuro depende delas. Deixando de lado m\u00faltiplas caracteriza\u00e7\u00f5es sociol\u00f3gicas, sublinharei apenas a crescente fixa\u00e7\u00e3o populacional nos aglomerados antigos que se expandiram e noutros que, talvez em dimens\u00f5es mais reduzidas, adquiriram um estatuto de import\u00e2ncia \u00fanica para as entidades civis e religiosas. A Igreja, pela parte que lhe diz respeito, n\u00e3o pode desconsiderar o urbanismo mas ter\u00e1 de valorizar a cidade naquilo que ela \u00e9 e significa. A cidade \u00e9 um centro \u00e0 volta do qual gravitam diversas periferias, n\u00e3o s\u00f3 geogr\u00e1ficas e mas outras que poder\u00edamos classificar de verdadeiras margens ou franjas sociais. A cidade tem uma for\u00e7a centr\u00edpeta, atraindo pessoas de todas as condi\u00e7\u00f5es sociais, e, simultaneamente, centr\u00edfuga pela influ\u00eancia que, verdadeiramente, exerce. Prescindindo de outras an\u00e1lises, quero, na esteira dos Arcebispos que, como Senhores de Braga, foram servos das \u201cmargens\u201d da sociedade, inspirando-me no milagre das frutas de S. Geraldo, quero, dizia, olhar para as novas pobrezas que inundam os nossos lares e as nossas ruas. Aumenta o n\u00famero de mendigos, de sem-abrigo, de desempregados, de abandonados, de marginalizados, de habita\u00e7\u00f5es inadequadas, etc\u2026 De entre estas pessoas, umas nasceram c\u00e1, outras sentiram o apelo da cidade e vieram das nossas aldeias, doutros pa\u00edses pertencendo a v\u00e1rias etnias. Este n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno exclusivo de Braga. Todas as cidades t\u00eam essa for\u00e7a centr\u00edpeta, sendo procuradas, muitas vezes na ilus\u00e3o duma felicidade mais humana. A par desta \u201cconcentra\u00e7\u00e3o\u201d que constitui um desafio para a sociedade civil e para a Igreja, n\u00e3o podemos ignorar a for\u00e7a centr\u00edfuga que leva a sair dos per\u00edmetros urbanos e reparar na situa\u00e7\u00e3o das periferias. A procura da cidade \u00e9 motivada por muitas raz\u00f5es e existem propostas existenciais que influenciam negativamente as popula\u00e7\u00f5es que nela residem ou que por ela passam ocasionalmente. Parece-me ser necess\u00e1ria uma reflex\u00e3o sobre mundos escuros de moralidade desconcertante que alimentam lucros e interesses de pessoas de fora das cidades e semeiam a desorienta\u00e7\u00e3o na vida das pessoas e das fam\u00edlias. Ser\u00e1 necess\u00e1rio enumerar algumas redes? Prefiro deixar a interroga\u00e7\u00e3o e solicitar a todos os habitantes das cidades que reparem no que acontece ao seu lado e que est\u00e1 a exercer uma influ\u00eancia p\u00e9rfida no quotidiano de muita gente mas, particularmente, de popula\u00e7\u00f5es jovens que demandam a cidade e partem com marcas que ir\u00e3o estruturar o seu futuro. Levantar estas quest\u00f5es, significa, para mim, interessar-me e comprometer-me na constru\u00e7\u00e3o da cidade de Braga e de todos os outros centros urbanos da Arquidiocese. Reconhecem-se muitos problemas no quotidiano das nossas cidades. Se estamos comprometidos na \u201cFam\u00edlia Solid\u00e1ria\u201d sinto que a Igreja ter\u00e1 de chegar a estes espa\u00e7os. Parece-me que o centro do poder \u2013 eclesi\u00e1stico e civil \u2013 dever\u00e1 expandir-se colocando-se ao servi\u00e7o das periferias, sociais e morais, assumindo-se como int\u00e9rprete e profeta dum verdadeiro bem comum. Trabalhamos para todos e com todos queremos construir uma cidade onde seja gratificante viver e conviver. Saibamos acolher e procuremos contribuir para elevar o n\u00edvel humano, num empenho conjunto pela elimina\u00e7\u00e3o de certas situa\u00e7\u00f5es indignas e inaceit\u00e1veis. Somos ungidos e enviados a \u201c anunciar a boa nova aos infelizes, a curar os cora\u00e7\u00f5es atribulados, a proclamar a reden\u00e7\u00e3o aos cativos, a liberdade aos prisioneiros (\u2026) a consolar todos os aflitos\u201d, a trocar o \u201ctrajo de luto\u201d pelo \u201c\u00f3leo da alegria\u201d(Is 61, 1-3 [1\u00aa leitura]). Das pessoas devemos \u201cser servos por causa de Jesus\u201d que n\u00e3o \u201cdesanimou\u201d nem \u201cfalsificou a palavra de Deus\u201d, conscientes de somos barro e \u00e9 \u201cem vasos de barro\u201d que trazemos a miss\u00e3o que nos foi confiada resplandecendo assim no bem que fizermos a for\u00e7a de Deus (2Cor 4, 1-7 [2\u00aa leitura]). O nosso trabalho \u00e9 de administradores, fi\u00e9is, prudentes e vigilantes, de bens que n\u00e3o s\u00e3o nossos mas que foram confiados \u00e0 nossa responsabilidade. Para uns pela escolha soberana do povo, para outros por elei\u00e7\u00e3o graciosa da Igreja. Num e noutro caso, n\u00e3o somos donos da casa mas simplesmente administradores ( Lc 12,35-44). S. Geraldo, fiel e diligente reorganizador da vida desta Arquidiocese com implica\u00e7\u00f5es no rosto desta urbe e dos seus habitantes, patrocine, com a sua intercess\u00e3o e a sua heran\u00e7a cultural, os projectos de todos em vista do bem comum. Neste dia, quero expressar as minhas sinceras felicita\u00e7\u00f5es pelo caminho percorrido pelos respons\u00e1veis das nossas autarquias, c\u00e2mara e juntas de freguesia. Que S. Geraldo nos fa\u00e7a compreender que nem tudo \u00e9 progresso. A Igreja est\u00e1 convosco na constru\u00e7\u00e3o duma cidade que seja centro de vida animador das periferias e digna herdeira de tantos ilustres antepassados que a ela devotaram as suas vidas.   S\u00e9 Catedral, 5 de Dezembro de 2006 <i>Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo Primaz<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Arcebispo de Braga na Festa de S\u00e3o Geraldo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[172,206],"class_list":["post-21531","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braga","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21531","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21531"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21531\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21531"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21531"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21531"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}