{"id":215223,"date":"2021-08-23T11:40:57","date_gmt":"2021-08-23T10:40:57","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=215223"},"modified":"2021-08-24T10:54:03","modified_gmt":"2021-08-24T09:54:03","slug":"censo-2021-catastrofe-e-castigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/censo-2021-catastrofe-e-castigo\/","title":{"rendered":"Censo 2021: cat\u00e1strofe e castigo?"},"content":{"rendered":"<p><em>Henrique Ferreira, Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Henrique_Ferreira_braganca.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-197845 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Henrique_Ferreira_braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Henrique_Ferreira_braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Henrique_Ferreira_braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Henrique_Ferreira_braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Henrique_Ferreira_braganca.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Com este trabalho, damos continuidade aos estudos que, desde 1993, temos encetado sobre as din\u00e2micas demogr\u00e1ficas e educativas em Portugal, <\/strong>particularmente nos territ\u00f3rios do Interior do pa\u00eds. O conceito de \u00abTerrit\u00f3rio Interior\u00bb \u00e9 equ\u00edvoco mas foi assumido pela comunidade pol\u00edtica aut\u00e1rquica por oposi\u00e7\u00e3o a \u00abTerrit\u00f3rio Litoral\u00bb enquanto categoria reivindicativa e opositiva. Utilizamos os termos nesta condi\u00e7\u00e3o, na consci\u00eancia de que h\u00e1 muitos litorais e muitos interiores, que n\u00e3o podem ser sintetizados s\u00f3 em duas categorias antin\u00f3micas.<\/p>\n<p>Como adiante veremos, deixou de fazer sentido usar o conceito de territ\u00f3rio litoral porque, pura e simplesmente, ele \u00e9 uma fal\u00e1cia constitu\u00edda por v\u00e1rios litorais que, no seu conjunto, n\u00e3o representar\u00e3o mais que 30% da costa litoral. J\u00e1 o Interior, vai sendo assumido como categoria sociol\u00f3gica que abarca 90% do territ\u00f3rio do pa\u00eds porque, desde 2001, integrou todas as costas alentejana, estremenha, beir\u00e3 e verde (a norte do rio Douro) como territ\u00f3rios subdesenvolvidos e de baixa densidade.<\/p>\n<p>Neste artigo, procuramos responder \u00e0 quest\u00e3o de <strong>o que \u00e9 que aconteceu a Portugal, na \u00faltima d\u00e9cada, a n\u00edvel demogr\u00e1fic<\/strong>o, que justifique o ep\u00edteto de <strong>cat\u00e1strofe demogr\u00e1fica?<\/strong> \u00a0Para responder-lhe tivemos de fazer uma longa viagem aos anos 20 do S\u00e9culo passado para descrever as diferentes din\u00e2micas demogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p><strong>As melhores perspetivas te\u00f3ricas que conseguimos encontrar para a explica\u00e7\u00e3o s\u00e3o a estruturalista e a sist\u00e9mica<\/strong>. \u00c0 medida que uma realidade entra em d\u00e9fice, os elementos externos n\u00e3o integrados positivamente no sistema v\u00e3o agravando os d\u00e9fices deste pauperizando-lhe as estruturas. Assim, n\u00e3o era dif\u00edcil antever os dramas demogr\u00e1ficos de Portugal nos anos da d\u00e9cada de 10 do S\u00e9culo XXI. \u00c9 melhor tomarmos consci\u00eancia deles porque a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mesmo dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>Qualquer cr\u00edtica ou sugest\u00e3o deve ser encaminhada para <a href=\"mailto:hc-ferreira@hotmail.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">hc-ferreira@hotmail.com<\/a> ou para <a href=\"mailto:cjusticaepaz@gmail.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cjusticaepaz@gmail.com<\/a> .<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Desde 1920, as din\u00e2micas demogr\u00e1ficas de Portugal evidenciam <strong>catorze tend\u00eancias mais marcantes: <\/strong><\/p>\n<p>1) aumento da popula\u00e7\u00e3o entre 1864 e 1960, apesar da I Guerra Mundial e da gripe pneum\u00f3nica (1918-1920);<\/p>\n<p>2) quebra da popula\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 60, expressa no Censo (pouco cred\u00edvel) de 1970, elaborado por proje\u00e7\u00e3o estat\u00edstica a -20%, presumivelmente em consequ\u00eancia da onda emigrat\u00f3ria;<\/p>\n<p>3) relativo reequil\u00edbrio da popula\u00e7\u00e3o com o retorno, entre 1974 e 1976, de cerca de 400.000 nacionais emigrados nos ex-territ\u00f3rios ultramarinos, reequil\u00edbrio expresso no Censo de 1981;<\/p>\n<p>4) aumento cont\u00ednuo da popula\u00e7\u00e3o entre 1981 e 2011, mas pouco expressivo entre 1981 e 1991, essencialmente \u00e0 custa de popula\u00e7\u00e3o imigrante a partir de 1978, aumento expresso nos censos de 1991, 2001 e 2011;<\/p>\n<p>5) queda abrupta, embora esperada, da popula\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 2011-2020, com infra-juveniliza\u00e7\u00e3o e super-envelhecimento, tendo o pa\u00eds perdido grande parte da sua capacidade de atra\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o imigrante devido \u00e0s crises econ\u00f3micas mais recentes e \u00e0s m\u00e1s pol\u00edticas de planeamento e de integra\u00e7\u00e3o multiracial, multi\u00e9tnica e multicultural;<\/p>\n<p>6) aliena\u00e7\u00e3o de 80% do territ\u00f3rio do pa\u00eds, designado, desde a d\u00e9cada de 1970, como \u00abInterior\u00bb, a partir da d\u00e9cada de 80 como territ\u00f3rio agr\u00edcola n\u00e3o industrializado quando n\u00e3o territ\u00f3rio subdesenvolvido, e, a partir de 2015, como \u00abterrit\u00f3rio de baixa densidade\u00bb ou zona desfavorecida;<\/p>\n<p>7) investimento e satura\u00e7\u00e3o cont\u00ednuos nos sete polos de atra\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica, a saber, Litoral Algarvio, Pen\u00ednsula de Set\u00fabal, \u00c1reas Metropolitanas de Lisboa e Porto, Bacia do Baixo Vouga, \u00c1rea Metropolitana Bracarense e \u00c1rea Metropolitana Leiriense, e pouco investimento nos territ\u00f3rios do Interior ou de Baixa Densidade;<\/p>\n<p>8) acentuado envelhecimento demogr\u00e1fico, com taxas insustent\u00e1veis de juveniliza\u00e7\u00e3o (20% em 35% desej\u00e1veis) e de envelhecimento (23% em 13% desej\u00e1veis), o qual se foi alastrando a todo o pa\u00eds;<\/p>\n<p>9) incapacidade de manuten\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios de baixa densidade por aus\u00eancia de popula\u00e7\u00e3o feminina em idade reprodutiva e por super-envelhecimento das respetivas popula\u00e7\u00f5es (mais de 35% de pessoas acima dos 64 anos);<\/p>\n<p>10) Inexist\u00eancia de verdadeiras pol\u00edticas de combate a estas assimetrias \u2013 com exce\u00e7\u00e3o do mandato de Elisa Ferreira no planeamento nacional e regional (1995-2000) &#8211; <strong>como se houvesse um desiderato nacional para matar lentamente os portugueses e substitu\u00ed-los por outros povos<\/strong>;<\/p>\n<p>11) prossecu\u00e7\u00e3o ac\u00e9fala de pol\u00edticas econ\u00f3micas concentracion\u00e1rias ou de larga escala em detrimento de micropol\u00edticas territorialmente deslocalizadas;<\/p>\n<p>12) em consequ\u00eancia, enorme fragilidade da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e da economia deste para fazer face \u00e0s crises econ\u00f3micas c\u00edclicas do sistema de produ\u00e7\u00e3o-consumo;<\/p>\n<p>13) aumento cont\u00ednuo (desde 1950) da diferen\u00e7a entre homens e mulheres (de 380.000 para 502.000), por emigra\u00e7\u00e3o ou morte prematura dos homens, agravando-se a diferen\u00e7a em 120.000 mulheres, 60.000 das quais na d\u00e9cada de 2010-2020;<\/p>\n<p>14) nas d\u00e9cadas de 2000-2010 e 2010-2020, aumento demogr\u00e1fico da \u00e1rea metropolitana de Lisboa e d a costa algarvia, essencialmente por procura da primeira por popula\u00e7\u00e3o estrangeira e da segunda por aposentados estrangeiros, de origem essencialmente no norte da Europa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta s\u00edntese caracterizadora da demografia do pa\u00eds vem a prop\u00f3sito da divulga\u00e7\u00e3o dos resultados do XIII Recenseamento Geral da Popula\u00e7\u00e3o (Censos 2021 <a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a> ) os quais revelam um pa\u00eds em vias de autodestrui\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica e, por via desta \u2013 ou por causa desta -, econ\u00f3mica, social, cultural e, no fim, pol\u00edtica pois deixar\u00e1 de haver pa\u00eds quando n\u00e3o houver territ\u00f3rio, popula\u00e7\u00e3o e cultura, em simult\u00e2neo ou na aus\u00eancia de qualquer um destes elementos.<\/p>\n<p>Com efeito, <strong>na d\u00e9cada de 2010-2020 inverteu-se n\u00e3o s\u00f3 um ciclo de crescimento demogr\u00e1fico reiniciado na d\u00e9cada de 1970 (porque interrompido <\/strong>\u00a0aparentemente <a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a> na d\u00e9cada de 1960, com a Guerra Colonial e com o recrudescimento do ciclo de emigra\u00e7\u00e3o) \u00a0com a perda de 214000 pessoas em rela\u00e7\u00e3o a 2011 <a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a>., <strong>como tamb\u00e9m se deu o golpe de miseric\u00f3rdia em 90% dos territ\u00f3rios de baixa densidade <\/strong>(nestes, j\u00e1 s\u00f3 as \u00e1reas metropolitanas de Viseu, de Coimbra e de Leiria parecem ter capacidade de recupera\u00e7\u00e3o), a maioria dos quais est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o irrecuper\u00e1vel face ao envelhecimento da sua popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como ainda <strong>deixou de fazer qualquer sentido falar em Litoral e Interior porque, pura e simplesmente, j\u00e1 s\u00f3 existem as ilhas que mencion\u00e1mos no in\u00edcio deste artigo e que ocupar\u00e3o apenas 30% da costa mar\u00edtim<\/strong>a, sendo que a de Leiria, a de Braga e a de Coimbra nem sequer est\u00e3o pr\u00f3ximas da costa mar\u00edtima, o que demonstra que teria sido poss\u00edvel ir recuperando o Interior se, nos anos 80, se tivesse apostado mais nas comunidades com maior potencial: Coimbra-Figueira da Foz-Pombal; Caldas da Rainha-Torres Vedras; Vila Real \u2013 Lamego \u2013 Chaves; Viseu-Tondela- Mangualde; \u00a0Abrantes-Torres Novas-Entroncamento; Guarda-Covilh\u00e3-Castelo Branco;\u00a0 \u00c9vora-Beja; e Bragan\u00e7a-Macedo de Cavaleiros-Mirandela.<\/p>\n<p><strong>A trag\u00e9dia que qualquer estudioso da demografia adivinhava est\u00e1 a consumar-se<\/strong>. A interpreta\u00e7\u00e3o que encontramos \u00e9 a de que <strong>os portugueses<\/strong>, fruto de uma conjun\u00e7\u00e3o de fatores entre os quais as crises econ\u00f3micas, a instabilidade no emprego, as baixas remunera\u00e7\u00f5es, o desajustamento das sobrequalifica\u00e7\u00f5es e o apelo capitalista-consumista e do Estado Social ao hedonismo, <strong>j\u00e1 n\u00e3o querem ter o sacrif\u00edcio de criar filhos, arriscando facilmente deixar de existir como povo alienando o territ\u00f3rio a uma ocupa\u00e7\u00e3o f\u00e1cil. <\/strong><\/p>\n<p>Regi\u00f5es como o Douro e o Minho, em 2001 designadas como o celeiro demogr\u00e1fico da Europa, est\u00e3o hoje em vias de envelhecimento acelerado <a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a>, salvando-se a \u00e1rea metropolitana de Braga gra\u00e7as \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o. <strong>A \u00c1rea Metropolitana do Porto, com crescimento negativo, est\u00e1 em vias de deixar de ser polo de atra\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica, o que deixar\u00e1 o pa\u00eds na triste situa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ter contrabalan\u00e7o \u00e0 tend\u00eancia superconcentracion\u00e1ria na \u00c1rea Metropolitana de Lisboa, englobando os concelhos das duas margens do Tejo e arrastando para si as boas din\u00e2micas demogr\u00e1ficas da Pen\u00ednsula de Set\u00fabal.<\/strong><\/p>\n<p>Apresento alguns dados quantitativos, divididos em din\u00e2micas positivas e din\u00e2micas negativas, nos <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/HCF_Evolucao_Historica_Quadros-horizontais_2021_final.pdf\">tr\u00eas quadros anexos<\/a>:<\/p>\n<p>Quadro I \u2013 <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/HCF_Evolucao_Historica_Quadros-horizontais_2021_final-1.pdf\">Din\u00e2mica demogr\u00e1fica das regi\u00f5es de Portugal<\/a><\/p>\n<p>Quadro II \u2013 <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/HCF_Evolucao_Historica_Quadros-horizontais_2021_final-2.pdf\">Din\u00e2micas demogr\u00e1ficas dos distritos de Portugal<\/a><\/p>\n<p>Quadro III \u2013 <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/HCF_Evolucao_Historica_Quadros-horizontais_2021_final-3.pdf\">Din\u00e2micas demogr\u00e1ficas dos munic\u00edpios em que aumentou a popula\u00e7\u00e3o<\/a><\/p>\n<p>Apresentarei em outro momento a descri\u00e7\u00e3o dos munic\u00edpios em situa\u00e7\u00e3o de cat\u00e1strofe demogr\u00e1fica.<\/p>\n<p><strong>Da an\u00e1lise destes quadros ressalta que, em rela\u00e7\u00e3o a 2011:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Todas as regi\u00f5es, com exce\u00e7\u00e3o da Regi\u00e3o de Lisboa ou \u00c1rea Metropolitana de Lisboa, que aumentou 1,7%, perderam popula\u00e7\u00e3o, aparecendo a Regi\u00e3o Centro em situa\u00e7\u00e3o de cat\u00e1strofe com uma perda de 99.843 pessoas;<\/li>\n<li>S\u00f3 os distritos de Aveiro, Lisboa, Set\u00fabal e Faro aumentaram a sua popula\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>No Interior, s\u00f3 o Concelho de Viseu aumentou a popula\u00e7\u00e3o \u2013 mesmo assim, residualmente;<\/li>\n<li>Em todo o pa\u00eds, a popula\u00e7\u00e3o s\u00f3 aumentou em 51 concelhos, pertencentes a 11 distritos, conforme a reparti\u00e7\u00e3o que segue:<\/li>\n<\/ul>\n<p>Braga (3),<br \/>\nPorto (4),<br \/>\nAveiro (5),<br \/>\nViseu (2)<br \/>\nLeiria (3),<br \/>\nLisboa (11),<br \/>\nPonta Delgada (1)<br \/>\nSantar\u00e9m (1)<br \/>\nSet\u00fabal (9),<br \/>\nBeja (1),<br \/>\nFaro (11).<\/p>\n<ul>\n<li>Passaram a fazer parte dos distritos do Interior, tamb\u00e9m os de Braga, Viana do Castelo, Coimbra e Leiria, para l\u00e1 de todos os outros, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o dos de Porto, Aveiro, Lisboa, Set\u00fabal e Faro;<\/li>\n<li>Os distritos do Interior perderam, em m\u00e9dia, entre 5% e 11,5% da sua popula\u00e7\u00e3o, numa homogeneidade que entra em confronto com a realidade centralizadora do pa\u00eds mas que n\u00e3o esconde que temos quatro concelhos com mais de 20% de perda; 14 com entre 15% e 19,999% de perda; 79 com entre 10% e 14,999% de perda; 100 com entre 5% e 9,999% de perda; e 60 com perda at\u00e9 4,999%. E apenas 51 concelhos que ganham popula\u00e7\u00e3o (cf Quadro III);<\/li>\n<li>Os distritos de Braga, Leiria e Coimbra perderam entre 1% e 5% da sua popula\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Neste universo, o ret\u00e2ngulo entre os eixos Chaves-S\u00e3o Bartolomeu de Messines e Bragan\u00e7a-Castro Marim, que inclui o litoral alentejano, acrescido dos Distritos de Viana do Castelo e Santar\u00e9m, est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de cat\u00e1strofe demogr\u00e1fica;<\/li>\n<li>Para l\u00e1 caminham os distritos de Braga, de Coimbra e de Leiria, por todas as raz\u00f5es que j\u00e1 evidenci\u00e1mos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Face a esta realidade, os poderes organizadores t\u00eam de tomar medidas para salvar o pouco que ainda se pode salvar.<\/p>\n<p>Caso contr\u00e1rio, sobrar\u00e3o idosos abandonados para acolher e muito poucos jovens e adultos que possam pagar a Seguran\u00e7a Social com que possamos amparar a velhice \u00e0queles.<\/p>\n<p><strong>Inspiremo-nos na solidariedade que Deus nos recomendou seguir e n\u00e3o deixemos que os outros tomem decis\u00f5es por n\u00f3s. As potencialidades dos seres humanos s\u00e3o o melhor com que podemos construir a felicidade entre os homens.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Henrique da Costa Ferreira<br \/>\n<\/strong>(Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz \u2013 Bragan\u00e7a-Miranda do Douro<strong>)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Fontes principais do texto<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Moreira, Maria Jo\u00e3o G. e Teresa Ferro Rodrigues ( ). <strong><em>As regionalidades Demogr\u00e1ficas do Portugal Contempor\u00e2neo.<\/em><\/strong> Investiga\u00e7\u00e3o integrada no Projecto POCI\/DEM\/58366\/2004, <em>Regionalidade Demogr\u00e1fica e Diversidade Social,<\/em> financiado pela FCT Porto: CEPESE (Centro de Estudos de Popula\u00e7\u00e3o, Sociedade e Educa\u00e7\u00e3o). Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.cepese.pt\/portal\/pt\/publicacoes\/colecoes\/working-papers\/populacao-e-prospectiva\/as-regionalidades-demograficas-do-portugal-contemporaneo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.cepese.pt\/portal\/pt\/publicacoes\/colecoes\/working-papers\/populacao-e-prospectiva\/as-regionalidades-demograficas-do-portugal-contemporaneo<\/a> .<\/p>\n<p>Val\u00e9rio, Nuno (Coordenador, 2001). <strong><em>Estat\u00edsticas Hist\u00f3ricas de Portugal.<\/em><\/strong> Lisboa: INE. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.ine.pt\/xportal\/xmain?xpid=INE&amp;xpgid=ine_publicacoes&amp;PUBLICACOESpub_boui=138364&amp;PUBLICACOESmodo=2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ine.pt\/xportal\/xmain?xpid=INE&amp;xpgid=ine_publicacoes&amp;PUBLICACOESpub_boui=138364&amp;PUBLICACOESmodo=2<\/a><\/p>\n<p>Portugal. Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE). <strong><em>Relat\u00f3rios dos VIII, IX, X, XI e XII Censos da popula\u00e7\u00e3o e da habita\u00e7\u00e3o \u2013 1960, 1970, 1981, 1991, 2001, 2011<\/em><\/strong>. Lisboa: INE. Hoje, quase todos os elementos destes recenseamentos est\u00e3o dispon\u00edveis na WEB<\/p>\n<p>Portugal. Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE, 2021). <strong><em>S\u00edntese informativa dos resultados provis\u00f3rios do Censo 2021 (popula\u00e7\u00e3o e habita\u00e7\u00e3o) \u2013 plataforma interativa<\/em>.<\/strong> Em <a href=\"https:\/\/ine.pt\/scripts\/db_censos_2021.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/ine.pt\/scripts\/db_censos_2021.html<\/a><\/p>\n<p>P\u00fablico, jornal di\u00e1rio (2021). <strong><em>Plataforma inform\u00e1tica, informativa e interativa dos resultados preliminares do Censo 2021<\/em>. <\/strong>\u00a0Dispon\u00edvel em <strong>&#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2021\/07\/29\/sociedade\/noticia\/populacao-concelho-freguesia-subiu-desceu-ultima-decada-1972283\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>https:\/\/www.publico.pt\/2021\/07\/29\/sociedade\/noticia\/populacao-concelho-freguesia-subiu-desceu-ultima-decada-1972283<\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> \u00a0\u00a0\u00a0 Entre os dem\u00f3grafos e historiadores prevalece a palavra Censo. Por\u00e9m, no Recenseamento de 1970, iniciou-se o censo da habita\u00e7\u00e3o e o Governo, atrav\u00e9s do INE, adotou a palavra Censos quando fazemos refer\u00eancia aos dois \u2013 da popula\u00e7\u00e3o e da habita\u00e7\u00e3o -, e Censo quando fazemos refer\u00eancia s\u00f3 a um deles.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> \u00a0\u00a0\u00a0 Dizemos aparentemente porque os dois Censos de 1970 \u2013 o VIII da popula\u00e7\u00e3o e o primeiro da habita\u00e7\u00e3o, n\u00e3o t\u00eam qualquer credibilidade por terem sido elaborados nos gabinetes do INE com base em proje\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas. Assim, a afirma\u00e7\u00e3o de que a d\u00e9cada de 60 do S\u00e9culo XX constituiu a primeira crise demogr\u00e1fica pela onda emigrat\u00f3ria que ter\u00e1 levado um milh\u00e3o e meio de portugueses e portuguesas para o estrangeiro (oficialmente s\u00f3 850.000) deve ser emitida com precau\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> \u00a0\u00a0 Note-se que, no Censo de 1950, a diferen\u00e7a entre homens e mulheres era j\u00e1 de 380.000 a favor destas, e foi subindo, particularmente a partir de 1991, at\u00e9 440.000 em 2011.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> \u00a0\u00a0 \u00c9 not\u00e1vel como em apenas 20 anos, a regi\u00e3o do C\u00e1vado e Ave passou de um excelente exemplo de vitalidade populacional, com uma taxa de envelhecimento de apenas 50%, em 2001, para uma taxa m\u00e9dia de 120%, em que 100 crian\u00e7as e jovens j\u00e1 n\u00e3o correspondem a 100 idosos mas sim a 120.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Henrique Ferreira, Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz Diocese de 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