{"id":215218,"date":"2021-08-22T18:03:58","date_gmt":"2021-08-22T17:03:58","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=215218"},"modified":"2021-08-22T18:06:46","modified_gmt":"2021-08-22T17:06:46","slug":"lusofonias-senhora-do-socorro-a-chuva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-senhora-do-socorro-a-chuva\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Senhora do Socorro \u00e0 chuva\u2026"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, na Calheta de S. Miguel, Cabo Verde<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/CaboVerde-RuinasCatedral-CidadeVelha.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-215220\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/CaboVerde-RuinasCatedral-CidadeVelha.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/CaboVerde-RuinasCatedral-CidadeVelha.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/CaboVerde-RuinasCatedral-CidadeVelha-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/CaboVerde-RuinasCatedral-CidadeVelha-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/CaboVerde-RuinasCatedral-CidadeVelha-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/CaboVerde-RuinasCatedral-CidadeVelha-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/CaboVerde-RuinasCatedral-CidadeVelha-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/CaboVerde-RuinasCatedral-CidadeVelha-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Rezar pela chuva \u00e9 peti\u00e7\u00e3o constante em todas as celebra\u00e7\u00f5es em que participo aqui em Cabo Verde. A raz\u00e3o \u00e9 \u00f3bvia, porque as nuvens esquecem-se destas Ilhas na hora de chover e as secas s\u00e3o uma constante na vida das popula\u00e7\u00f5es que, apesar de todas estas contrariedades clim\u00e1ticas, insistem em sobreviver entre ribeiras, achadas, cutelos e outras marcas da geografia acidentada destas terras vulc\u00e2nicas.<\/p>\n<p>Encontrei um pa\u00eds de cor castanha e vou deixa-lo completamente verde. Tudo porque bastam uns pingos de chuva para mudar a cor desta terra e dar alegria a este bom povo. Estava ainda no Cap\u00edtulo Espiritano na Praia, quando o povo vibrou com a queda dos primeiros pingos. Estava um calor de matar e todos diziam que era desta que a chuva vinha. Veio, \u00e9 verdade, a 5 de Agosto, mas de forma ainda muito t\u00edmida. Foi, contudo, o suficiente para que o verde fosse colorindo as montanhas e os vales. E mais: quando, no dia seguinte, fiz a viagem da Praia para a Calheta, percorri 50 kms cheios de gentes a semear milho e feij\u00e3o pelas escarpas rochosas da Ilha, mostrando f\u00e9, resili\u00eancia e vontade de trabalhar. Tudo germinaria, mas era precisa mais \u00e1gua com urg\u00eancia, sob pena de tudo se perder.<\/p>\n<p>E, a 15 de Agosto, numa das grandes festas da Calheta de S. Miguel, a de Nossa Senhora do Socorro, com milhares de pessoas protegidas por uma rede de sombra, eis que a chuva come\u00e7ou a cair, quase s\u00f3 parando no fim da missa. O povo agradeceu \u00e0 M\u00e3e, aplaudiu e continuou \u00e0 chuva como se nada fosse, tal a alegria de ver os campos irrigados e o milho a crescer. A origem vulc\u00e2nica das terras garante uma fertilidade que n\u00e3o se consegue imaginar. As sementes rebentam dois ou tr\u00eas dias depois e, em pouco dias, j\u00e1 temos o milho e o feij\u00e3o a precisar de sacha urgente. Agora, ao percorrer diversas estradas da Ilha de Santiago, podemos ver a paisagem pintada de verde e centenas de pessoas a trabalhar os campos. Em certas encostas \u00edngremes e pedregosas, custa a crer como \u00e9 poss\u00edvel cultivar e dali tirar frutos\u2026Mas o pedido de mais chuva continua, pois n\u00e3o est\u00e1 garantido que as plantas resistam com a ainda pouca humidade dos solos e, sobretudo, com o calor insuport\u00e1vel que nos banha de suor e quase impede de respirar\u2026<\/p>\n<p>Basta passar um m\u00eas com este povo para perceber a sua f\u00e9, a sua coragem e a sua capacidade de remar contra ventos e mar\u00e9s. Bastam uns pingos de chuva para as pessoas acreditarem que o ano agr\u00edcola vai ser excelente\u2026<\/p>\n<p>Esta terra e esta Igreja percorreram j\u00e1 um longo caminho. 2033 marcar\u00e1 os 500 anos da cria\u00e7\u00e3o da Diocese de Santiago. \u00c9 das Igrejas mais antigas implantadas fora da Europa. Celebrar meio mil\u00e9nio de Miss\u00e3o da Igreja cat\u00f3lica pede uma longa prepara\u00e7\u00e3o, acompanhada de muita reflex\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o. Por isso, a Diocese de Santiago est\u00e1 j\u00e1 a preparar-se para t\u00e3o grande evento. O lema das comemora\u00e7\u00f5es jubilares est\u00e1 escolhido: \u2018Ide e ensinai\u2026Eu estarei sempre convosco\u2019 (cf. Mt 28, 19-20) e o tema \u00e9 \u2018Diocese de Santiago de Cabo Verde \u2013 500 anos de uma Igreja consciente e mission\u00e1ria\u2019. H\u00e1 j\u00e1 uma Comiss\u00e3o a trabalhar, tendo apostado na investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. A Evangeliza\u00e7\u00e3o come\u00e7ou pela Ribeira Grande, sendo a Igreja de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, na Cidade Velha, a mais antiga, constru\u00edda a partir de 1495. Depois de v\u00e1rios s\u00e9culos de missiona\u00e7\u00e3o, a Igreja de Cabo Verde contou com a presen\u00e7a dos Mission\u00e1rios do Esp\u00edrito Santo desde 1941, com a nomea\u00e7\u00e3o do P. Faustino Moreira dos Santos para Bispo. Os Espiritanos est\u00e3o a celebrar 80 anos de presen\u00e7a mission\u00e1ria em Cabo Verde.<\/p>\n<p>Os investigadores que se dedicaram \u00e0 hist\u00f3ria destes quase 500 anos de presen\u00e7a da Igreja cat\u00f3lica em Cabo Verde consideram decisivo o contributo que esta institui\u00e7\u00e3o deu e continua a dar para o bem estar das popula\u00e7\u00f5es, marcando a identidade do povo.<\/p>\n<p>Agora, venha mais chuva e acabe de vez esta pandemia que est\u00e1 a asfixiar a economia e a impedir que a pobreza se combata e as fam\u00edlias se re\u00fanam e fa\u00e7am festa. Se desse para resumir as ora\u00e7\u00f5es do povo, eu diria: \u2018pela chuva e contra a pandemia!\u2019.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-215218-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/lusofonias-chuvaCaboVerde.20-8-2021.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/lusofonias-chuvaCaboVerde.20-8-2021.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/lusofonias-chuvaCaboVerde.20-8-2021.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, na Calheta de S. 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