{"id":21509,"date":"2006-12-05T11:09:16","date_gmt":"2006-12-05T11:09:16","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/12\/05\/os-cristaos-e-o-poder\/"},"modified":"2006-12-05T11:09:16","modified_gmt":"2006-12-05T11:09:16","slug":"os-cristaos-e-o-poder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-cristaos-e-o-poder\/","title":{"rendered":"Os crist\u00e3os e o poder"},"content":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral de Bento XVI para o m\u00eas de Dezembro <!--more--> 1.\t<b>O poder pol\u00edtico<\/b>. \u00abSabeis que os chefes das na\u00e7\u00f5es as governam como seus senhores, e que os grandes exercem sobre elas o seu poder&#8230;\u00bb (Mt 20, 25). Olhando o ambiente pol\u00edtico e social de h\u00e1 dois mil anos, n\u00e3o se poderia ser mais certeiro: os povos tinham chefes, reis, imperadores \u2013 alguns arrogando-se o t\u00edtulo de \u00abdeuses\u00bb; e o poder era visto como um direito dos \u00absenhores\u00bb sobre os povos. Lentamente, e muito por influ\u00eancia da tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, este modelo de autoridade civil foi sendo limitado \u2013 primeiro, pela afirma\u00e7\u00e3o de que reis e imperadores n\u00e3o eram deuses nem humanos filhos de deuses, mas homens cujo poder provinha de Deus e era exercido em seu nome; depois, pela compreens\u00e3o de que o poder n\u00e3o vinha directamente de Deus para o rei, mas para o povo, e que o poder do rei era recebido do povo e para servi\u00e7o deste; finalmente, surgiu a no\u00e7\u00e3o do poder como algo que reside no povo e \u00e9 por este temporariamente delegado em alguns dos seus, eleitos para esse fim. Hoje, esta compreens\u00e3o do poder pol\u00edtico \u00e9 geralmente considerada a mais respeitadora dos direitos civis e a melhor forma de organizar a vida em sociedade&#8230;  2.\t<b>O poder pol\u00edtico como servi\u00e7o<\/b>. \u00c9 o modo mais nobre de entender e exercer o poder pol\u00edtico. Este servi\u00e7o sup\u00f5e que o exerc\u00edcio da autoridade esteja submetido ao imp\u00e9rio da lei e que todos possam viver ao abrigo de leis justas, pensadas tendo em vista o bem comum. Assumir o poder pol\u00edtico como servi\u00e7o implica uma preocupa\u00e7\u00e3o genu\u00edna com os concidad\u00e3os, alheia a c\u00e1lculos de sobreviv\u00eancia partid\u00e1ria, antes apostada serenamente em tornar mais dignas as condi\u00e7\u00f5es de vida de todos, sobretudo dos mais fr\u00e1geis. Por seu lado, os cidad\u00e3os devem poder confiar nos detentores do poder, sabendo que estes o exercem de modo provis\u00f3rio e o fazem segundo uma ordem justa \u2013 e, como dizia algu\u00e9m, sabendo tamb\u00e9m que a virtude maior de uma democracia n\u00e3o \u00e9 os cidad\u00e3os poderem eleger os seus governantes, mas o facto de, passado algum tempo, os poderem \u00abdespedir\u00bb, sem traumas nem viol\u00eancias. Infelizmente, grande parte da humanidade ainda nem sequer se aproximou desta possibilidade, mantendo-se perfeitamente actual aquele evang\u00e9lico \u00absabeis que os chefes das na\u00e7\u00f5es as governam como seus senhores&#8230;\u00bb, citado no n\u00famero anterior.  3.\t<b>Responsabilidade e sabedoria no uso do poder<\/b>. \u00c9 o que se espera de todos os respons\u00e1veis das na\u00e7\u00f5es, entre os quais avultam aqueles que det\u00eam o poder pol\u00edtico \u2013 executivo e legislativo. Espera-se daqueles que exercem o poder em regimes democr\u00e1ticos e daqueles que det\u00eam o poder ao abrigo de outros modelos de governa\u00e7\u00e3o. Uns e outros s\u00e3o chamados \u00e0 responsabilidade \u2013 porque das suas decis\u00f5es depende o bem-estar de indiv\u00edduos e povos inteiros e, em muitos casos, o bem-estar de toda a comunidade humana; uns e outros s\u00e3o convidados \u00e0 sabedoria \u2013 porque quem exerce responsabilidades t\u00e3o graves n\u00e3o se deve dar ao luxo de decis\u00f5es inconsequentes ou fundadas na megalomania, na vaidade, no orgulho, na mesquinhez ideol\u00f3gica&#8230; A sabedoria, por\u00e9m, \u00e9 muitas vezes maltratada nos corredores do poder, e a responsabilidade fica frequentemente \u00e0 porta dos gabinetes ministeriais&#8230;  4.\t<b>Os crist\u00e3os e os \u00abpoderes\u00bb<\/b>. Rezar para que os respons\u00e1veis das na\u00e7\u00f5es sejam s\u00e1bios no exerc\u00edcio das suas responsabilidades faz parte do servi\u00e7o que o crist\u00e3o presta \u00e0 sociedade. Mas esta ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser desencarnada e h\u00e1-de evitar, tal como resulta da leitura do Novo Testamento, dois extremos: a subvers\u00e3o, em nome de Deus, da ordem estabelecida e a subservi\u00eancia face a qualquer poder, \u00abgrande\u00bb ou \u00abpequeno\u00bb. O crist\u00e3o \u00e9 chamado a \u00abrezar\u00bb pelas autoridades constitu\u00eddas, para que estas sirvam o bem comum; e \u00e9 tamb\u00e9m chamado a afirmar claramente, quando est\u00e1 em causa a dignidade humana, que \u00abmais vale obedecer a Deus do que aos homens\u00bb. Entre estes dois extremos, h\u00e1 um enorme espa\u00e7o dispon\u00edvel para o compromisso do crist\u00e3o na vida social e pol\u00edtica. Em sociedades democr\u00e1ticas \u2013 nas quais a regra \u00e9 a competi\u00e7\u00e3o entre diferentes propostas de sociedade \u2013 os crist\u00e3os s\u00e3o chamados a agir, escolhendo aquelas propostas mais concordes com os valores evang\u00e9licos. E, se necess\u00e1rio, devem organizar-se para tornar tais valores presentes e activos na transforma\u00e7\u00e3o da sociedade \u2013 sem confus\u00e3o entre \u00abIgreja\u00bb e \u00abEstado\u00bb, mas tamb\u00e9m n\u00e3o deixando que o cristianismo seja expulso da pra\u00e7a p\u00fablica, como se nada tivesse a dizer de relevante. O crist\u00e3o testemunhar\u00e1, assim, a exist\u00eancia de uma outra \u00abordem das coisas\u00bb, a caducidade dos \u00abpoderes\u00bb deste mundo e o direito a resistir-lhes pacificamente, quando eles se exprimem atrav\u00e9s de leis injustas, violadoras da consci\u00eancia dos cidad\u00e3os e inimigas da dignidade do ser humano, de todo o ser humano e n\u00e3o apenas daqueles que o poder do momento considera como tais. Em breve, teremos oportunidade de agir segundo este direito-dever, assumindo, no referendo sobre a liberaliza\u00e7\u00e3o do aborto, a nossa oposi\u00e7\u00e3o a uma proposta de lei injusta e inimiga da dignidade humana. Como vamos agir? Deixando que outros decidam por n\u00f3s? Ignorando a gravidade do que est\u00e1 em causa e alinhando no \u00abpoliticamente correcto\u00bb? Ou fazendo valer a nossa condi\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os com direitos iguais a todos os outros e as exig\u00eancias da nossa f\u00e9, tal como a prop\u00f5e o magist\u00e9rio da Igreja? <i>Elias Couto <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral de Bento XVI para o m\u00eas de Dezembro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[93,120],"class_list":["post-21509","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-aborto","tag-bento-xvi"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21509","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21509"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21509\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21509"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21509"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21509"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}