{"id":21507,"date":"2006-12-05T10:43:43","date_gmt":"2006-12-05T10:43:43","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/12\/05\/contra-o-direito-ao-aborto\/"},"modified":"2006-12-05T10:43:43","modified_gmt":"2006-12-05T10:43:43","slug":"contra-o-direito-ao-aborto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/contra-o-direito-ao-aborto\/","title":{"rendered":"Contra o <i>direito<\/i> ao aborto"},"content":{"rendered":"<p>Os portugueses v\u00e3o, a 11 de Fevereiro, pronunciar-se de novo sobre a quest\u00e3o do aborto. E do que se trata desta vez? Da liberaliza\u00e7\u00e3o do &#8220;aborto a pedido da mulher&#8221; desde que praticado &#8220;at\u00e9 \u00e0s dez semanas&#8221; e em &#8220;estabelecimento de sa\u00fade legalmente autorizado&#8221;.  A nova lei visa criar um curioso &#8220;direito ao aborto&#8221; concedendo total primazia \u00e0 conveni\u00eancia da mulher sobre o direito \u00e0 pr\u00f3pria vida do filho no per\u00edodo inicial de gravidez. Sem que se exija sequer, como acontece na lei em vigor, a exist\u00eancia de um conflito de &#8220;interesses&#8221; vagamente proporcional (direito \u00e0 vida e sa\u00fade da m\u00e3e face ao direito \u00e0 vida do filho, etc.).  N\u00e3o significa isto que a Lei actual \u00e9 boa e a futura \u00e9 m\u00e1. Como recorda a \u00faltima nota da Confer\u00eancia Episcopal, mesmo esse conflito de interesses n\u00e3o pode justificar o aborto porque quando provocado este \u00e9 sempre uma viola\u00e7\u00e3o do quinto mandamento &#8220;n\u00e3o matar\u00e1s!&#8221;. Mas isto n\u00e3o transforma a quest\u00e3o numa quest\u00e3o religiosa porque &#8220;este mandamento limita-se a exprimir um valor da lei natural fundamento de uma \u00e9tica universal&#8221;. S\u00f3 isso justifica que tantos sem f\u00e9 recusem o aborto em qualquer circunst\u00e2ncia.  Neste caso, n\u00e3o h\u00e1 razoabilidade nem proporcionalidade. Invocar direitos de preserva\u00e7\u00e3o da &#8220;dignidade social&#8221; \u00e9 aceitar que o exerc\u00edcio da sexualidade da mulher e do homem deve permanecer sujeito \u00e0 ditadura das apar\u00eancias e das conveni\u00eancias dando cobertura legal \u00e0 mais retr\u00f3grada hipocrisia. Al\u00e9m disso omite-se que at\u00e9 o prazo (dez semanas!) n\u00e3o \u00e9 mais do que uma concess\u00e3o tempor\u00e1ria. No projecto inicial do PS, a liberaliza\u00e7\u00e3o total era proposta at\u00e9 \u00e0s doze semanas. E porqu\u00ea este recuo para as dez semanas quando a ci\u00eancia nos mostra que \u00e0s oito o feto tem j\u00e1 todos os \u00f3rg\u00e3os e estruturas que se encontram no rec\u00e9m-nascido e que estas s\u00f3 precisam a partir da\u00ed de &#8220;amadurecer&#8221;? Aparentemente a nova data surge apenas porque \u00e0s dez impressiona menos do que \u00e0s onze &#8221; quando o beb\u00e9 j\u00e1 chucha no dedo&#8221;.  Curiosamente, contudo, a pergunta do referendo n\u00e3o fala em liberaliza\u00e7\u00e3o ou legaliza\u00e7\u00e3o. Fala apenas de &#8220;despenaliza\u00e7\u00e3o&#8221; criando a ilus\u00e3o de que o que se pretende \u00e9 t\u00e3o s\u00f3 deixar de aplicar pena&#8221;. Como aconteceu, por exemplo, com a despenaliza\u00e7\u00e3o do consumo de drogas que nem por isso passou a ser considerado l\u00edcita nem legal.  Fosse essa a quest\u00e3o e a Igreja n\u00e3o teria sequer de vir \u00e0 li\u00e7a porque nunca a sua prioridade da defesa da vida passou por quest\u00f5es de direito penal. Os bispos lembram mesmo que &#8220;as mulheres que passam por essa prova\u00e7\u00e3o precisam mais de um tratamento social do que penal&#8221;. Subscrevo! Mas do que se trata n\u00e3o \u00e9 de &#8220;despenaliza\u00e7\u00e3o&#8221;. Para isso bastava acolher uma das v\u00e1rias solu\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas sobre a mesa. Trata-se de tornar a sua pr\u00e1tica &#8220;legal&#8221; com o pr\u00f3prio Estado a obrigar-se a proporcionar os respectivos meios no SNS ou, em caso de necessidade, a custe\u00e1-lo em cl\u00ednicas privadas desviando para esse fim os escassos recursos do servi\u00e7o de sa\u00fade.  Ou seja o Estado que n\u00e3o tem meios para proporcionar uma verdadeira cultura de &#8220;vida&#8221;, apoiando as mulheres em situa\u00e7\u00e3o de grave car\u00eancia econ\u00f3mica, \u00e9 o mesmo que garante que se a op\u00e7\u00e3o for pela &#8220;morte&#8221; os custos correm a seu cargo. \u201cO nosso cargo!&#8221;. Como lembra a \u00faltima nota da Confer\u00eancia Episcopal &#8220;A mulher tem o direito a decidir se concebe ou n\u00e3o. Mas desde que uma vida foi gerada no seu seio, \u00e9 outro ser humano, em rela\u00e7\u00e3o ao qual tem particular obriga\u00e7\u00e3o de o proteger e defender&#8221; e o dever de respeitar a nova vida. <i>Gra\u00e7a Franco Jornalista da RR<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os portugueses v\u00e3o, a 11 de Fevereiro, pronunciar-se de novo sobre a quest\u00e3o do aborto. E do que se trata desta vez? Da liberaliza\u00e7\u00e3o do &#8220;aborto a pedido da mulher&#8221; desde que praticado &#8220;at\u00e9 \u00e0s dez semanas&#8221; e em &#8220;estabelecimento de sa\u00fade legalmente autorizado&#8221;. 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