{"id":214803,"date":"2021-08-13T22:54:18","date_gmt":"2021-08-13T21:54:18","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=214803"},"modified":"2021-08-13T22:57:35","modified_gmt":"2021-08-13T21:57:35","slug":"lusofonias-cabo-verde-de-festa-em-festa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-cabo-verde-de-festa-em-festa\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Cabo Verde de festa em festa!"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em S. Louren\u00e7o dos \u00d3rg\u00e3os<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/CaboVerde-S-LourencodosOrgaos.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-214806\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/CaboVerde-S-LourencodosOrgaos.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/CaboVerde-S-LourencodosOrgaos.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/CaboVerde-S-LourencodosOrgaos-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/CaboVerde-S-LourencodosOrgaos-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/CaboVerde-S-LourencodosOrgaos-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/CaboVerde-S-LourencodosOrgaos-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/CaboVerde-S-LourencodosOrgaos-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/CaboVerde-S-LourencodosOrgaos-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/CaboVerde-S-LourencodosOrgaos-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Falar em Ces\u00e1ria \u00c9vora, em mornas e coladeiras, em morabeza e sodade\u2026 \u00e9 falar de um povo simples mas muito alegre, que se sente gente destas Ilhas de Cabo Verde.<\/p>\n<p>Quando os portugueses aqui chegaram s\u00f3 encontraram terra seca. Depois, n\u00e3o se sabe bem como nem porqu\u00ea, as Ilhas foram sendo povoadas. Mas a hist\u00f3ria das pessoas que por aqui foram chegando explica a diversidade cultural e \u00e9tnica. A luta contra tudo e contra todos, a come\u00e7ar pelo clima e pela geografia agreste, fez deste povo um dos mais corajosos que eu conhe\u00e7o. Al\u00e9m de resistente, \u00e9 um povo crente e alegre. Da\u00ed que todas as pessoas que visitam as Ilhas, seja l\u00e1 porque raz\u00f5es forem, ficam ligadas para sempre. E os que daqui partem \u00e0 procura de melhores dias, tamb\u00e9m deixam c\u00e1 um bocado da alma, regressam sempre que podem e vivem com a \u2018sodade\u2019 a ro\u00ea-los por dentro.<\/p>\n<p>Estou em Cabo Verde h\u00e1 duas semanas, mas \u00e9 como se nunca daqui tivesse sa\u00eddo. \u00c9 verdade que j\u00e1 c\u00e1 vim diversas vezes, mas a simpatia e arte de acolher que \u00e9 imagem de marca deste povo, n\u00e3o param de me surpreender. Agosto \u00e9 tempo de f\u00e9rias para os milhares de emigrantes que vivem na Europa, Am\u00e9ricas e \u00c1frica continental. O grito do sangue, \u2018obriga\u2019 muitos a regressar cada ano para abra\u00e7ar os seus e proporcionar festa nas fam\u00edlias e comunidades.<\/p>\n<p>Depois de uma Reuni\u00e3o Capitular dos Espiritanos na Praia, rumei para o outro lado da Ilha de Santiago, fazendo a estrada do mar. N\u00e3o tinha ainda chovido em 2021 e eis que caem as primeiras pingas na semana passada. Ora, todo o povo sai para os campos, muitos deles situados nas encostas das escarpas montanhosas, onde fazer agricultura e praticar alpinismo parece ser quase a mesma coisa. O que impressiona \u00e9 ver tanta gente junta. Bastam tr\u00eas ou quatro dias de chuva para o feij\u00e3o e o milho rebentarem. E muda muito a cor da paisagem: um castanho de seca extrema vai dando lugar a um verde de ervas que rebentam da noite para o dia. Foi isto que mais me impressionou na primeira viagem para a Calheta, mas ficaria ainda mais marcado por esta mudan\u00e7a de paisagem quando visitei o Tarrafal e atravessei a serra da Malagueta, bel\u00edssima, cheia de picos e abismos.<\/p>\n<p>Mas falemos de festas. Agosto \u00e9 tempo de celebrar padroeiros: uns, porque o calend\u00e1rio os l\u00e1 p\u00f5e, outros porque s\u00e3o adiados para este \u00e9poca em que os emigrantes est\u00e3o de visita. Ora, a primeira consequ\u00eancia clara \u00e9 o aumento enorme de celebra\u00e7\u00f5es de batizados e casamentos. Logo no primeiro s\u00e1bado, presidi a mais de uma vintena de Batismos na Calheta de S. Miguel. No que a festas patronais diz respeito, p\u00e1ra tudo nas comunidades. Mesmo em quadro de pandemia, acho que ningu\u00e9m fica em casa e ningu\u00e9m deixa de visitar os seus familiares e amigos. S\u00e3o muitos os avisos para ter precau\u00e7\u00f5es, desde o colocar das m\u00e1scaras ao uso do \u00e1lcool gel ou ao respeito da dist\u00e2ncia social\u2026mas fica tudo muito em \u00e1guas de bacalhau, tal a vontade de ir saudar os seus\u00a0 de almo\u00e7ar e jantar com eles\u2026<\/p>\n<p>Presidi aos 800 anos da morte de S. Domingos na festa patronal da aldeia de Pil\u00e3o C\u00e3o, nas montanhas da Calheta de S. Miguel. A paisagem \u00e9 de sonho e a simpatia das pessoas cativa \u00e0 primeira vista. A Missa foi campal, n\u00e3o p\u00f4de haver Prociss\u00e3o, mas a festa fez-se com a presen\u00e7a das autoridades locais e at\u00e9 nacionais. Sempre de m\u00e1scaras, sem beijos nem abra\u00e7os, ainda visitei tr\u00eas ou quatro fam\u00edlias para saudar e provar a cachupa que \u00e9 sempre uma del\u00edcia, sobretudo em dias de festa.<\/p>\n<p>Depois, veio o S. Louren\u00e7o e a Par\u00f3quia dos \u00d3rg\u00e3os, povoa\u00e7\u00e3o de montanha situada entre S. Domingos e os Picos, tamb\u00e9m se engalanou para a festa. S\u00f3 padres a concelebrar eram mais de uma d\u00fazia, entre Religiosos e Diocesanos. A Igreja \u00e9 enorme e estava \u00e0 pinha, com m\u00e1scaras a tapar rostos suados pelo calor. O almo\u00e7o com toda aquela multid\u00e3o n\u00e3o p\u00f4de realizar-se este ano, mas as pessoas foram entrando nas casas de familiares e amigos para a festa. Tive a oportunidade de partilhar a alegria da festa com a fam\u00edlia do Provincial dos Espiritanos de Cabo Verde que \u00e9 dali natural e, por isso, ali juntou toda a fam\u00edlia. \u00c9 mesmo uma experi\u00eancia extraordin\u00e1ria de uma fraternidade simples e familiar que j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil de encontrar na Europa.<\/p>\n<p>Com tanta gente fora e t\u00e3o pouca nas Ilhas, este m\u00eas de Agosto constr\u00f3i pontes entre as pessoas que aqui nasceram ou, pelo menos t\u00eam ra\u00edzes, e gosta de falar o seu crioulo e celebrar, com f\u00e9 e em fam\u00edlia, o seu santo Padroeiro.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-214803-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/lusofonias-festascaboverde-13-8-2021.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/lusofonias-festascaboverde-13-8-2021.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/lusofonias-festascaboverde-13-8-2021.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em S. 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