{"id":21396,"date":"2006-11-28T13:45:53","date_gmt":"2006-11-28T13:45:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/11\/28\/patrimonio-religioso-e-do-melhor-que-ha-em-portugal\/"},"modified":"2006-11-28T13:45:53","modified_gmt":"2006-11-28T13:45:53","slug":"patrimonio-religioso-e-do-melhor-que-ha-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/patrimonio-religioso-e-do-melhor-que-ha-em-portugal\/","title":{"rendered":"Patrim\u00f3nio religioso \u00e9 do melhor que h\u00e1 em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>D. Albino Cleto, Bispo de Coimbra, acompanha h\u00e1 muitos anos as quest\u00f5es do Patrim\u00f3nio da Igreja. Em entrevista, confessa que cada vez mais pessoas se apercebem da sua import\u00e2ncia.  <i>Ag\u00eancia ECCLESIA (AE) &#8211; Qual a import\u00e2ncia do Patrim\u00f3nio Religioso para a Igreja, Poder Estatal e Poder Local? D. Albino Cleto (AC) &#8211;<\/i> \u00c9 muito grande e, em Portugal, muito maior que noutros pa\u00edses. J\u00e1 ouvi dizer, das entidades estatais que o patrim\u00f3nio religioso e art\u00edstico no nosso pa\u00eds rondar\u00e1 entre os 70% e os 80%. O patrim\u00f3nio religioso (arquitectura, pintura, ourivesaria, paramentaria e estatu\u00e1ria) \u00e9 do melhor que h\u00e1 em Portugal.  <i>AE &#8211; Como est\u00e1 o relacionamento entre a Igreja e as entidades civis que &#8220;guardam&#8221; este patrim\u00f3nio? AC &#8211;<\/i> Ao n\u00edvel local, na maioria dos casos est\u00e1 bom. Embora com alguns perigos tais como o facilitismo. A n\u00edvel m\u00e9dio, entre as dioceses e as organiza\u00e7\u00f5es distritais, depende porque muitas vezes h\u00e1 bom di\u00e1logo mas tamb\u00e9m desconfian\u00e7a m\u00fatua e justificada. Nem sempre h\u00e1 entendimento entre os crit\u00e9rios da Igreja e os do IPPAR. A n\u00edvel superior estamos a sentir um certo distanciamento a que n\u00e3o est\u00e1vamos acostumados, concretamente com o Minist\u00e9rio da Cultura. Notamos um sil\u00eancio que nos preocupa e n\u00e3o sabemos explicar.  <i>AE &#8211; Para quando a melhoria de rela\u00e7\u00f5es? AC &#8211;<\/i>  Esperamos que seja para breve. A concretiza\u00e7\u00e3o daquilo que a Concordata disp\u00f5e &#8211; a constitui\u00e7\u00e3o de uma Comiss\u00e3o Bilateral &#8211; verificamos que n\u00e3o tem havido &#8211; da parte do Estado &#8211; resposta.  <i>AE &#8211; A Assembleia Plen\u00e1ria da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa aprovou, em Abril de 2002, a cria\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa dos Museus da Igreja Cat\u00f3lica. J\u00e1 est\u00e1 a funcionar em pleno? AC &#8211; Ainda est\u00e1 a dar os primeiros passos. Recentemente, foi homologada a segunda direc\u00e7\u00e3o que est\u00e1 a lan\u00e7ar-se nas primeiras iniciativas.   <i>AE &#8211; H\u00e1 crit\u00e9rios uniformes para avaliar e descrever o Patrim\u00f3nio Religioso? AC &#8211;<\/i>  Os crit\u00e9rios n\u00e3o s\u00e3o necessariamente eclesi\u00e1sticos. S\u00e3o crit\u00e9rios europeus. Pertence ao Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja dar orienta\u00e7\u00f5es e temo-las dado. Pertence a cada diocese orientar-se ou n\u00e3o por essas sugest\u00f5es dadas. H\u00e1 20 anos pedia-se que se cuidasse e inventariasse o que havia de melhor mas neste momento considera-se patrim\u00f3nio not\u00e1vel &#8211; mesmo apenas para efeitos hist\u00f3ricos &#8211; uma pe\u00e7a de cer\u00e2mica, pe\u00e7as de vidro e tamb\u00e9m restos de paramentos que n\u00e3o s\u00e3o usados.  Outrora a inventaria\u00e7\u00e3o era feita em papel. Actualmente, procuramos que seja informatizada. Felizmente que temos dioceses que est\u00e3o a fazer essa informatiza\u00e7\u00e3o.  <i>AE &#8211; Quando \u00e9 que este patrim\u00f3nio religioso passa a ser tamb\u00e9m um meio evangelizador? AC &#8211;<\/i>  J\u00e1 \u00e9 evangelizador. Algumas exposi\u00e7\u00f5es feitas foram grandes catequeses visitadas por milhares de pessoas. As visitas guiadas feitas a estes eventos n\u00e3o eram somente de teor art\u00edstico-hist\u00f3rico. Fazia-se sempre uma catequese.   <i>AE &#8211; Ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 o perigo destas pe\u00e7as serem &#8220;mudas&#8221; para quem as visita?  AC &#8211;<\/i>  Felizmente que em muitas dioceses estamos a &#8220;interpretar&#8221; as pe\u00e7as. E cito um exemplo: em Beja, o patrim\u00f3nio fala. Fala da hist\u00f3ria da Igreja, fala do esfor\u00e7o feito e tamb\u00e9m da devo\u00e7\u00e3o popular. As exposi\u00e7\u00f5es feitas falam da f\u00e9 de um povo.  <i>AE &#8211; Para quando a internacionaliza\u00e7\u00e3o dessa linguagem com as peregrina\u00e7\u00f5es vindas do exterior? AC &#8211;<\/i>  J\u00e1 existe. Embora tenha que confessar que n\u00e3o est\u00e1 a ser feito &#8211; pela Igreja que acolhe e pelas ag\u00eancias tur\u00edsticas &#8211; como gostaria. O patrim\u00f3nio arquitect\u00f3nico j\u00e1 tem essa vertente. Lembre-se a Batalha, Alcoba\u00e7a e Jer\u00f3nimos. Posso citar tamb\u00e9m o exemplo de Coimbra visto que quando os turistas estrangeiros v\u00eam a esta cidade n\u00e3o se ficam apenas na Hist\u00f3ria de In\u00eas de Castro mas v\u00e3o visitar, sobretudo, a velha S\u00e9 e ficam abismados com a S\u00e9 Nova. A estes turistas tamb\u00e9m lhes \u00e9 mostrado o Mosteiro de Santa Cruz.  Excluindo o caso de F\u00e1tima, a\u00ed temos peregrinos por motivos religiosos mas tamb\u00e9m uma grande oferta de patrim\u00f3nio: os museus de F\u00e1tima.  <i>AE &#8211; A comunidade dos crentes tem consci\u00eancia e est\u00e1 desperta para o patrim\u00f3nio que a sua par\u00f3quia possui? AC &#8211;<\/i> Vamos caminhando. H\u00e1 20\/30 anos poucas eram as comunidades que tinham consci\u00eancia de toda a riqueza patrimonial que possu\u00edam. Neste momento, de modo geral, a comunidade crist\u00e3 &#8211; seja na mais pequena aldeia ou na cidade &#8211; tem consci\u00eancia da riqueza patrimonial. T\u00eam consci\u00eancia disso para defender e conservar porque n\u00e3o h\u00e1 par\u00f3quia que permita que o padre venda uma imagem. A\u00ed do p\u00e1roco que fizer isso&#8230; mas ainda vamos a meio do caminho. Muitos n\u00e3o sabem aproveit\u00e1-la catequeticamente. Outras vezes, o povo n\u00e3o deixa que a pe\u00e7a saia da sua par\u00f3quia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Albino Cleto, Bispo de Coimbra, acompanha h\u00e1 muitos anos as quest\u00f5es do Patrim\u00f3nio da Igreja. Em entrevista, confessa que cada vez mais pessoas se apercebem da sua import\u00e2ncia. Ag\u00eancia ECCLESIA (AE) &#8211; Qual a import\u00e2ncia do Patrim\u00f3nio Religioso para a Igreja, Poder Estatal e Poder Local? D. 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