{"id":21395,"date":"2006-11-28T13:43:45","date_gmt":"2006-11-28T13:43:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/11\/28\/cooperacao-missao-impossivel\/"},"modified":"2006-11-28T13:43:45","modified_gmt":"2006-11-28T13:43:45","slug":"cooperacao-missao-impossivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cooperacao-missao-impossivel\/","title":{"rendered":"Coopera\u00e7\u00e3o: miss\u00e3o imposs\u00edvel?"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 quase um ano atr\u00e1s, precisamente no dia 16 de Dezembro de 2005, a Ag\u00eancia ECCLESIA publicava esta not\u00edcia: &#8220;Quanto \u00e0 comiss\u00e3o bilateral, prevista no artigo 23 (n\u00famero 3), nasce para o desenvolvimento da coopera\u00e7\u00e3o quanto a bens da Igreja que integrem o patrim\u00f3nio cultural portugu\u00eas&#8221;. &#8220;A Comiss\u00e3o referida no n\u00famero anterior tem por miss\u00e3o promover a salvaguarda, valoriza\u00e7\u00e3o e frui\u00e7\u00e3o dos bens da Igreja, nomeadamente atrav\u00e9s do apoio do Estado e de outras entidades p\u00fablicas \u00e0s ac\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a identifica\u00e7\u00e3o, conserva\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, restauro e funcionamento, sem qualquer forma de discrimina\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a bens semelhantes, competindo-lhe ainda promover, quando adequado, a celebra\u00e7\u00e3o de acordos nos termos do artigo 28&#8221;, pode ler-se. O novo tratado entre a Santa S\u00e9 e a Rep\u00fablica Portuguesa sublinha o empenho de ambas as partes &#8220;na salvaguarda, valoriza\u00e7\u00e3o e frui\u00e7\u00e3o dos bens, m\u00f3veis e im\u00f3veis, de propriedade da Igreja Cat\u00f3lica ou de pessoas jur\u00eddicas can\u00f3nicas reconhecidas, que integram o patrim\u00f3nio cultural portugu\u00eas&#8221;. Nesse sentido, o artigo 28 adianta que &#8220;o conte\u00fado da presente Concordata pode ser desenvolvido por acordos celebrados entre as autoridades competentes da Igreja Cat\u00f3lica e da Rep\u00fablica Portuguesa&#8221;. Pensava-se que ia ser, finalmente, publicada a composi\u00e7\u00e3o da parte-Estado da Comiss\u00e3o Bilateral. Quase um ano depois, tudo continua na mesma. O Governo, pensamos que atrav\u00e9s do Minist\u00e9rio da Cultura, continuou a fazer ouvidos moucos \u00e0s repetidas lembran\u00e7as de que estava em falta e fechando os olhos ao texto concordat\u00e1rio que dispunha a exist\u00eancia da Comiss\u00e3o Bilateral. Diz-se agora que est\u00e1 para breve, depois de mais um reparo p\u00fablico da Assembleia Plen\u00e1ria dos Bispos de Portugal, que o Estado corresponda ao que ele mesmo se obrigou. Coopera\u00e7\u00e3o. J\u00e1 por aqui se v\u00ea como das palavras aos actos vai uma diferen\u00e7a abismal. Vencer traumas passados, concep\u00e7\u00f5es retr\u00f3gradas da sociedade e do papel (supostamente) de servi\u00e7o do Estado \u00e0 mesma, dificuldades or\u00e7amentais e financeiras dum pa\u00eds em crise e uma Igreja que vive de parcas esmolas prenunciam uma dif\u00edcil jornada de colabora\u00e7\u00e3o. No entanto, e talvez por isso mesmo, a coopera\u00e7\u00e3o deveria ser incrementada: para esclarecer os preconceitos dum passado atribulado e para potenciar as car\u00eancias humanas e financeiras\u2026 Mas a Comiss\u00e3o Bilateral n\u00e3o esgota tudo. No ordenamento jur\u00eddico dos institutos p\u00fablicos at\u00e9 agora em vigor, e correspondendo a tantas outras \u00e1reas do patrim\u00f3nio cultural, t\u00ednhamos conselhos superiores onde a Igreja se fazia representar, n\u00e3o por qualquer desusado privil\u00e9gio ou inger\u00eancia, mas para dialogar: dar-se a conhecer e conhecer constr\u00f3i pontes, une margens, aproxima distantes. Nas \u00e1reas do patrim\u00f3nio arquitect\u00f3nico, dos museus e dos arquivos, existiam Conselhos Consultivos ou Superiores, conforme as designa\u00e7\u00f5es adoptadas em cada instituto p\u00fablico da tutela. Dos tr\u00eas, s\u00f3 um funcionava: o Conselho Consultivo do Instituto Portugu\u00eas do Patrim\u00f3nio Arquitect\u00f3nico, e isto durante o mandato das duas \u00faltimas presid\u00eancias, incluindo a actual. Dos outros organismos, j\u00e1 n\u00e3o se ouve falar h\u00e1 muito\u2026 Est\u00e3o em estudo as leis org\u00e2nicas dos novos institutos: esperamos que uma s\u00e1bia e inteligente concep\u00e7\u00e3o da res publica mantenha essas plataformas interm\u00e9dias de encontro e di\u00e1logo a bem da coopera\u00e7\u00e3o. O nosso patrim\u00f3nio arquitect\u00f3nico, arquiv\u00edstico e documental bem como o patrim\u00f3nio m\u00f3vel musealizado bem o merecem. A rela\u00e7\u00e3o entre o Estado e a Igreja n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 feita de sustos ou desilus\u00f5es. H\u00e1 tamb\u00e9m provas de boa rela\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas ao n\u00edvel da administra\u00e7\u00e3o central, mas at\u00e9 e sobretudo ao n\u00edvel local e regional. Os museus nacionais, e tamb\u00e9m aut\u00e1rquicos, que colaboram na inventaria\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o preventiva do patrim\u00f3nio m\u00f3vel ou integrado, os servi\u00e7os regionais do IPPAR e da extinta Direc\u00e7\u00e3o Geral dos Edif\u00edcios e Monumentos Nacionais cuja dedica\u00e7\u00e3o e interesse de muitos respons\u00e1veis e t\u00e9cnicos fazem milagres (quando encontram tamb\u00e9m bom acolhimento da Igreja, isto \u00e9, dos que lhe d\u00e3o rosto e nome individualizados), o Instituto Portugu\u00eas de Conserva\u00e7\u00e3o e Restauro (ex-Instituto Jos\u00e9 de Figueiredo) que, antes da asfixia financeira que o paralisou, t\u00e3o bons servi\u00e7os prestou na forma\u00e7\u00e3o\/aconselhamento e recupera\u00e7\u00e3o dos bens m\u00f3veis, fazem parte dum presente de entreajuda e coopera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o podem ficar esquecidas. Esperemos que, contrariando o p\u00e9ssimo habito portugu\u00eas da t\u00e1bua rasa, n\u00e3o se pense estar a come\u00e7ar do zero, ignorando o bom que foi alcan\u00e7ado. Cooperar, significa tamb\u00e9m confiar. N\u00e3o se resume tudo a dinheiro. Ou a leis, mesmo que sejam as melhores do mundo. A coopera\u00e7\u00e3o &#8211; que inspirou a Concordata de 2004 &#8211; assenta sobretudo nas pessoas que agindo de boa f\u00e9 e sincero servi\u00e7o ao bem comunit\u00e1rio olham ao patrim\u00f3nio religioso como legado e testemunho, mem\u00f3ria e futuro. Sejam elas os governantes, t\u00e9cnicos, cl\u00e9rigos ou os fi\u00e9is leigos membros das comunidades locais. Todos precisamos de convers\u00e3o para realizar uma miss\u00e3o que n\u00e3o sendo f\u00e1cil, n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. <i>Pe. Nuno Aur\u00e9lio Director do Secretariado Nacional dos Bens Culturais<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quase um ano atr\u00e1s, precisamente no dia 16 de Dezembro de 2005, a Ag\u00eancia ECCLESIA publicava esta not\u00edcia: &#8220;Quanto \u00e0 comiss\u00e3o bilateral, prevista no artigo 23 (n\u00famero 3), nasce para o desenvolvimento da coopera\u00e7\u00e3o quanto a bens da Igreja que integrem o patrim\u00f3nio cultural portugu\u00eas&#8221;. &#8220;A Comiss\u00e3o referida no n\u00famero anterior tem por miss\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[146,168,285,297],"class_list":["post-21395","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-concordata","tag-diocese-da-guarda","tag-patrimonio","tag-santa-se"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21395","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21395"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21395\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}