{"id":213726,"date":"2021-07-30T10:11:56","date_gmt":"2021-07-30T09:11:56","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=213726"},"modified":"2021-07-30T10:11:56","modified_gmt":"2021-07-30T09:11:56","slug":"eis-o-desafio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/eis-o-desafio\/","title":{"rendered":"Eis o desafio!"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/manuel-ribeiro-braganca-miranda.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-213729 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/manuel-ribeiro-braganca-miranda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/manuel-ribeiro-braganca-miranda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/manuel-ribeiro-braganca-miranda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/manuel-ribeiro-braganca-miranda-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/manuel-ribeiro-braganca-miranda.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>A pandemia tem vindo a revelar o princ\u00edpio de uma grande mudan\u00e7a. Julgo que estamos a iniciar um tempo novo: um tempo com novos paradigmas \u00e9ticos, socias, pol\u00edticos, filos\u00f3ficos e espirituais. O pr\u00f3prio te\u00f3logo Walter Kasper afirma que o problema filos\u00f3fico do acontecimento contingente volta a estar no centro da reflex\u00e3o hodierna. Mas o que significa isto? Segundo este te\u00f3logo, trata-se \u201cde um acontecimento cuja a verifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria segundo uma lei natural e que, no entanto, \u00e9 poss\u00edvel\u201d. Este \u00e9 o problema que atravessa toda a hist\u00f3ria da filosofia, desde os pr\u00e9-socr\u00e1ticos, a Arist\u00f3teles, passando por Tom\u00e1s de Aquino, Kant, Hegel, Marx, Heidegger e continuando com Nietzsche.<\/p>\n<p>Se o Terramoto de Lisboa de 1755 desencadeou e motivou um conjunto de novos paradigmas e abalou a f\u00e9 no iluminismo e no progresso, marcando o fim da teodiceia de Leibniz, tamb\u00e9m a actual pandemia est\u00e1 a motivar um novo tempo com nov\u00edssimos paradigmas que, ainda, estaremos por saber. O te\u00f3logo Walter Kasper afirma que \u201ca crise do coronav\u00edrus tamb\u00e9m ter\u00e1 por consequ\u00eancia a derrocada das nossas certezas sobre a civiliza\u00e7\u00e3o, sobre a comunidade, sobre a sociedade e sobre a cultura. E quase ningu\u00e9m, hoje, pode prever com exactid\u00e3o quais ser\u00e3o as consequ\u00eancias\u201d.<\/p>\n<p>A cristandade tem de passar, inevitavelmente, de uma igreja de servi\u00e7os, profundamente aburguesada, para uma igreja mais discipular, mais militante e mais m\u00e1rtir. O mart\u00edrio foi o final de todos os Ap\u00f3stolos. Conv\u00e9m recordar que o futuro da Igreja ter\u00e1 de passar por este fim comum. Entenda-se o mart\u00edrio n\u00e3o como um acto irrefletido, marginal ou extremista, mas, antes, como reflexo de uma rela\u00e7\u00e3o \u00f4ntica e existencial de sentido e de perten\u00e7a, plena de razoabilidade e de oblatividade. Resta saber, por\u00e9m, se cada um de n\u00f3s estar\u00e1 (ou n\u00e3o) disposto a morrer (entenda-se, a dor, a dar a sua vida) por Cristo, pelo seu Evangelho e pela sua Santa Igreja.<\/p>\n<p>O ensa\u00edsta Henrique Raposo escreveu recentemente no Jornal Expresso (22.6.2021) que \u201cas pessoas est\u00e3o a sair das Igrejas e, em consequ\u00eancia, est\u00e3o a ficar mais fan\u00e1ticas e intolerantes, porque trazem o absoluto teol\u00f3gico para a pol\u00edtica, porque passam a ver a pol\u00edtica numa l\u00f3gica imediata amigo-inimigo, zelota- pecador. N\u00e3o rezam, purgam. N\u00e3o olham para os seus defeitos, s\u00f3 veem os defeitos dos outros. Sem a presen\u00e7a de Deus, julgam que os seus totens conjunturais (ideologias, cren\u00e7as, modas) s\u00e3o sagrados e intoc\u00e1veis; n\u00e3o podem ser questionados, criticados ou gozados\u201d (Henrique Raposo). Este parece ser o novo paradigma que se nos imp\u00f5e e que se \u201cnormaliza\u201d. A pandemia do coronav\u00edrus revela, segundo o te\u00f3logo Bruno Forte, que \u201co mito do \u2018homo emancipator\u2019, senhor do seu destino e dono das suas for\u00e7as, vitorioso sobre tudo, \u00e9 aqui posto em quest\u00e3o a partir dos seus fundamentos\u201d.<\/p>\n<p>O Frei In\u00e1cio Larra\u00f1aga afirmava que as pessoas n\u00e3o mudam e que, na melhor das hip\u00f3teses, apenas melhoram. Como? Com a seguinte condi\u00e7\u00e3o: caso saibamos abra\u00e7ar a Cruz, abra\u00e7ar o servi\u00e7o e a humildade, abra\u00e7ar a Gra\u00e7a e a Miseric\u00f3rdia, ent\u00e3o Deus transformar\u00e1 o nosso ser e transfigurar-lho-\u00e1, paulatinamente, \u00e0 Sua imagem e semelhan\u00e7a (cf. Gen 1, 26-28).<\/p>\n<p>Portanto, exige-se aos cat\u00f3licos a assun\u00e7\u00e3o do \u201cmartyrium\u201d, da entrega total e sem limites a Deus Nosso Senhor, ao Seu Sagrado Evangelho e \u00e0 Sua Santa Igreja. Precisamos de uma \u201calma comum, uma identidade partilhada, um impulso de generosidade generalizado, que permitam alimentar sonhos e projectos de longo alcance para o bem comum\u201d (Bruno Forte) e para o bem maior da humanidade tocada e resgatada por Jesus Cristo, Nosso Senhor.<\/p>\n<p><em>Padre Manuel Ribeiro,<br \/>\n<\/em><em>reitor do Santu\u00e1rio diocesano do Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria, em Cerejais, Alf\u00e2ndega da F\u00e9<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":213729,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-213726","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/213726","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=213726"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/213726\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/213729"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=213726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=213726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=213726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}