{"id":21371,"date":"2006-11-27T15:55:12","date_gmt":"2006-11-27T15:55:12","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/11\/27\/patrimonio-religioso-no-orgulho-dos-alentejanos\/"},"modified":"2006-11-27T15:55:12","modified_gmt":"2006-11-27T15:55:12","slug":"patrimonio-religioso-no-orgulho-dos-alentejanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/patrimonio-religioso-no-orgulho-dos-alentejanos\/","title":{"rendered":"Patrim\u00f3nio religioso no orgulho dos alentejanos"},"content":{"rendered":"<p>Beja no roteiro dos tesouros da Igreja, que s\u00e3o tesouros da Europa <!--more--> <i>Programa Ecclesia \u2013 Que objectivos presidiram \u00e0 convoca\u00e7\u00e3o deste I Congresso? Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Falc\u00e3o &#8211;<\/i>  Depois de feita uma reflex\u00e3o sobre o papel dos museu na sociedade contempor\u00e2nea actual, definir caminhos (que t\u00eam quer ser feitos cada vez mais em coopera\u00e7\u00e3o europeia), para salvaguardar um patrim\u00f3nio que est\u00e1 claramente em risco. Neste momento, o patrim\u00f3nio da Igrejas, das diferentes Igrejas neste continente europeu, est\u00e1 em risco. H\u00e1 factores de agress\u00e3o, h\u00e1 a falta de uma estrat\u00e9gia, h\u00e1 todo um conjunto de problemas que t\u00eam vindo a agudizar-se nos \u00faltimos anos, que obrigam a que haja uma tomada de consci\u00eancia por parte da sociedade em geral para estas dificuldades, e sobretudo conseguirem implantar, nas diferentes regi\u00f5es da Europa, medidas pioneiras, planos, projectos, que permitam fazer face ao descalabro que est\u00e1 a surgir.  <i>PE \u2013 Numa ocasi\u00e3o em que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel contar com muitas ajudas governamentais&#8230; JAF &#8211;<\/i> Neste momento v\u00ea-se claramente uma dificuldade, por parte do Estado e outras Institui\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, em acudir a este patrim\u00f3nio. Cada vez mais n\u00f3s temos que apostar em que sejam as comunidades a organizarem-se e que seja a sociedade civil a defender aquilo que \u00e9 seu, numa l\u00f3gica de parcerias, na l\u00f3gica de redes. Neste momento j\u00e1 n\u00e3o podemos contar, como acontecia h\u00e1 alguns anos,  com o manto protector absoluto por parte do Estado.  <i>PE \u2013 \u00c9 necess\u00e1rio abrir espa\u00e7os de culto a outras utiliza\u00e7\u00f5es? JAF &#8211;<\/i> Existe claramente ou grande n\u00famero de igrejas que ou j\u00e1 est\u00e3o em abandono ou caminham para aquilo que n\u00f3s chamamos a redund\u00e2ncia. Ou seja, igrejas sem uso cultual permanente, igrejas que, no fundo , permanecem 365 dias por ano fechadas. Nestes casos, a reafecta\u00e7\u00e3o, a possibilidade de lhes dar um novo uso &#8211; como ateliers para artistas, como locais de cultura, at\u00e9 quem sabe, como locais de educa\u00e7\u00e3o e, evidentemente, abrindo-as e conseguindo que elas fa\u00e7am parte de itiner\u00e1rios, de percursos que tragam at\u00e9 elas visitantes &#8211; s\u00e3o medidas priorit\u00e1rias  <i>PE &#8211; Em que consiste o desafio de transformar um tesouro num museu? JAF &#8211;<\/i>  O grande desafio \u00e9 conseguir que todo o patrim\u00f3nio religioso &#8211; e n\u00e3o apenas o crist\u00e3o ou o cat\u00f3lico, mas tamb\u00e9m o do juda\u00edsmo e do islamismo, que est\u00e1 presente entre n\u00f3s &#8211; possam desempenhar uma fun\u00e7\u00e3o social adequada aos problemas do nosso tempo, tendo em vista a necessidade que estes museus, que muitas vezes est\u00e3o mortos, passam estar vivos, passem a desempenhar cabalmente a sua miss\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 apenas preservar o patrim\u00f3nio, \u00e9 tamb\u00e9m e estud\u00e1-lo e divulg\u00e1-lo. <i> PE &#8211; O transformar determinado patrim\u00f3nio em museu coloca-o automaticamente dispon\u00edvel para ser visitado? JAF &#8211;<\/i>  A grande dificuldade com que nos debatemos, em particular  no nosso pa\u00eds, \u00e9 que existe j\u00e1 um conjunto razo\u00e1vel de museus, mas n\u00e3o est\u00e3o bem apetrechados tecnicamente, n\u00e3o disp\u00f5em de hor\u00e1rios regulares, n\u00e3o disp\u00f5em de guardas, de conservadores e de outros respons\u00e1veis que lhes permitam insuflar uma vida verdadeira, que esteja ao servi\u00e7o de todos. Por outro lado, espera-se muito, neste momento, do patrim\u00f3nio religioso. Ele vai ser certamente, nos pr\u00f3ximos anos, um dos principais recursos no \u00e2mbito de um turismo cultural e de um turismo ambiental.  <i>PE &#8211; Em Beja j\u00e1 o \u00e9? JAF &#8211;<\/i>  Em Beja come\u00e7amos a ter sinais de esperan\u00e7a. Esta diocese, que viu com grandes dificuldades, no in\u00edcio dos anos oitenta, o seu patrim\u00f3nio ser degradado, ser destru\u00eddo, ser furtado, apresenta hoje um conjunto de experi\u00eancias que j\u00e1 conseguem implantar-se no terreno. S\u00e3o experi\u00eancias feitas a partir das comunidades, com a mod\u00e9stia pr\u00f3pria de todo este trabalho &#8211; os nossos recursos n\u00e3o s\u00e3o muitos &#8211; mas estamos a conseguir, neste momento, que um n\u00famero de visitantes significativo, em v\u00e1rias circunst\u00e2ncias, comecem a visitar as nossas cidades, as nossas vilas e at\u00e9 se adentrem no mundo rural, que esse sim \u00e9 o mais amea\u00e7ado.  <i>PE &#8211; Comprova-se, em Beja, que o investimento na preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio \u00e9 rent\u00e1vel? JAF &#8211;<\/i>  Eu creio que esta aposta que est\u00e1 a ser feita, na salvaguarda de monumentos religiosos, na possibilidade de criar uma rede de museus, que \u00e9 a nossa aposta &#8211; n\u00e3o j\u00e1 um grande museu diocesano centrado em Beja, mas sim museus de pequena e m\u00e9dia dimens\u00e3o, distribu\u00eddos por todo o territ\u00f3rio &#8211;  est\u00e1 claramente a revelar-se uma aposta adequada. H\u00e1 agora que pensar no futuro. Porque, e eu costumo insistir neste aspecto, o verdadeiro dia da vida de um museu come\u00e7a no dia seguinte \u00e0 sua inaugura\u00e7\u00e3o. E esta sobreviv\u00eancia do trabalho e a possibilidade de ele se expandir \u00e9 que constitui no fundo o segredo de qualquer interven\u00e7\u00e3o digna desse nome, neste campo t\u00e3o delicado, t\u00e3o fr\u00e1gil e t\u00e3o amea\u00e7ado.  <i>PE &#8211; Na \u00faltima semana inauguraram o \u00faltimo museu da rede museol\u00f3gica, em Beja. Como est\u00e1 pensado o desafio \u00e0 sobreviv\u00eancia dos 7 museus espalhados pela Diocese? JAF &#8211;<\/i>  Aqui em Beja temos insistido na cria\u00e7\u00e3o de parcerias. Parcerias com o estado, atrav\u00e9s do Minist\u00e9rio da Cultura que nos tem apoiado de uma forma significativa, n\u00e3o s\u00f3 do Instituto do Portugu\u00eas do Patrim\u00f3nio Arquitect\u00f3nico, mas tamb\u00e9m o Instituto Portugu\u00eas de Museus e do Instituto Portugu\u00eas de Conserva\u00e7\u00e3o e Restauro; a Comiss\u00e3o de Coordena\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Regional tem aqui um papel decisivo; e depois os Munic\u00edpios e outras entidades locais. Sem este conjunto de parcerias, nas quais envolvemos, por exemplo,  as regi\u00f5es de turismo, seria imposs\u00edvel manter viva esta rede, esta presen\u00e7a, que n\u00f3s gostar\u00edamos que pudesse continuar no tempo e viesse a ser ampliada de modo a contemplar outros locais que actualmente n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ainda preservar.  <i>PE \u2013 O que tem feito do investimento na preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio religioso uma aposta com sucesso? JAF &#8211;<\/i>  Em Beja, depois de algum momento de dificuldade e de um certo des\u00e2nimo &#8211; que n\u00e3o tocou apenas o patrim\u00f3nio religioso, foi um fen\u00f3meno mais generalizado &#8211; sentimos que, neste momento, h\u00e1 um entusiasmo muito grande, que percorre diversas estruturas, diversas camadas populacionais, que inclusivamente contagia pessoas que v\u00eam de fora, e reflecte a riqueza deste patrim\u00f3nio, o gosto das gentes do Alentejo por terem bem conservado aquilo que lhes pertence, os seus valores culturais, os seus bens, as suas igrejas hist\u00f3ricas. Al\u00e9m disso, um aspecto muito interessante que conv\u00e9m aqui referir: o patrim\u00f3nio religioso acaba por ser o \u00faltimo sinal de esperan\u00e7a para uma regi\u00e3o que luta com grande dificuldades, que est\u00e1 cada vez com menos gente e que enfrenta uma crise demogr\u00e1fica com tudo o que isso acarreta. Da\u00ed que necessitemos de algumas manifesta\u00e7\u00f5es positivas. O Patrim\u00f3nio e a valoriza\u00e7\u00e3o do turismo ser\u00e3o, sem d\u00favida, um dos sinais mais significativos  <i>PE &#8211; Mesmo numa regi\u00e3o onde a pr\u00e1tica religiosa n\u00e3o \u00e9 significativa? JAF &#8211;<\/i> A pr\u00e1tica religiosa no Alentejo tem vindo a aumentar. Notam-se tamb\u00e9m aqui \u00edndices muito interessantes. O trabalho pastoral da Diocese est\u00e1 hoje bem enraizado no terreno, din\u00e2mico, perfeitamente estruturado. E n\u00f3s not\u00e1mos que o patrim\u00f3nio tem aqui um papel importante: um papel evangelizador, de congregar as comunidades em torno de valores que as pessoas respeitam e pelos quais lutam denodadamente. Um outro aspecto curioso: o grande orgulho que os alentejanos t\u00eam em partilhar as suas igrejas, os seus museus, todo o esp\u00f3lio que souberam acautelar. Nestes \u00faltimos tempos at\u00e9, um patrim\u00f3nio que vai surgindo, na medida em que as pessoas, pe\u00e7as que tinham em casa algumas delas desde a primeira rep\u00fablica, est\u00e3o agora, numa prova de confian\u00e7a, a vir deposit\u00e1-las nas igrejas, entregando-as ao Senhor Bispo, aos nossos p\u00e1rocos e at\u00e9 ao pr\u00f3prio departamento do Patrim\u00f3nio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Beja no roteiro dos tesouros da Igreja, que s\u00e3o tesouros da Europa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[168,171,193,203,285,320],"class_list":["post-21371","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-beja","tag-educacao","tag-europa","tag-patrimonio","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21371","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21371"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21371\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21371"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21371"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21371"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}