{"id":213477,"date":"2021-07-28T10:27:08","date_gmt":"2021-07-28T09:27:08","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=213477"},"modified":"2021-07-28T10:27:08","modified_gmt":"2021-07-28T09:27:08","slug":"saber-aprender-a-ser-livre-nas-escolhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-ser-livre-nas-escolhas\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A ser livre nas escolhas"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Estou dentro de Lisboa, ou encontro-me no Porto, ou Coimbra, n\u00e3o importa. Se precisar de me deslocar de um lado ao outro da cidade, ainda que saiba o caminho, por causa do tr\u00e2nsito, basta colocar o destino na App dos Mapas do <em>smartphone<\/em> e fico a saber qual o trajecto mais r\u00e1pido e com menos tr\u00e2nsito. Se porventura me enganar, a App \u00e9 <em>suficientemente inteligente<\/em> (mais do que eu que n\u00e3o percebi qual a sa\u00edda certa) e adapta o trajecto, ao mesmo tempo que continua a ter em conta o tr\u00e2nsito. Este \u00e9 o exemplo mais claro do impacte que a <em>Intelig\u00eancia Artificial<\/em> ou mais conhecida por IA, tem na nossa vida. S\u00e3o tecnologias fascinantes e \u00fateis, mas ser\u00e1 que temos o controlo sobre elas?<\/p>\n<figure id=\"attachment_213478\" aria-describedby=\"caption-attachment-213478\" style=\"width: 1296px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/AIs.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-213478\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/AIs.jpg\" alt=\"\" width=\"1296\" height=\"642\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/AIs.jpg 1296w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/AIs-400x198.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/AIs-1024x507.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/AIs-768x380.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/AIs-1080x535.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/AIs-1280x634.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/AIs-980x485.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/AIs-480x238.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1296px) 100vw, 1296px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-213478\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Xu Haiwei em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nas redes sociais, os algoritmos s\u00e3o cada vez mais pr\u00f3ximos de uma IA com redes neuronais digitais que abrem \u00e0s <em>m\u00e1quinas<\/em> a possibilidade de aprenderem muito (<em>Machine Learning<\/em>) sobre o nosso comportamento. Assim, se muitas pessoas clicarem num determinado link do Facebook, Instagram ou at\u00e9 de um site de jornal digital, o algoritmo associa o conte\u00fado clicado ao nosso comportamento. De cada vez que algu\u00e9m que a IA identifica uma pessoa com um comportamento pr\u00f3ximo da que clicou no link, mais facilmente lhe mostra o conte\u00fado e lhe convida ao dito clique. O reverso de recebermos a informa\u00e7\u00e3o de que est\u00e1vamos \u00e0 espera \u00e9 que a <em>m\u00e1quina<\/em> come\u00e7a a perceber o nosso comportamento e a saber como influenci\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Os an\u00fancios existem para chamar a nossa aten\u00e7\u00e3o e despertar a curiosidade de uma pessoa por cada mil que os v\u00eaem. Por isso, a partir do momento em que nos percebemos de como os an\u00fancios passavam pelos olhos de milhares de milh\u00f5es de pessoas presentes nas redes sociais, essas tornaram-se a maior fonte de receita das grandes empresas de <em>Social Media<\/em>. Mas qual a melhor estrat\u00e9gia para captar e competir pela nossa aten\u00e7\u00e3o? \u00c9 aqui que entra a IA. Ao analisar o nosso comportamento, coloca-nos milhares de etiquetas de modo a apresentar-nos conte\u00fados se estivermos dentro do grupo alvo definido pelo anunciante. Esta situa\u00e7\u00e3o parece ser uma adapta\u00e7\u00e3o criada pela IA para ir ao encontro das nossas necessidades e desejos, mas n\u00e3o \u00e9 bem assim.<\/p>\n<p>O cientista de computa\u00e7\u00e3o da Universidade americana de UC Berkeley, Stuart Russell diz que \u2014 <em>\u00abos algoritmos dos social media produziram uma cat\u00e1strofe da Intelig\u00eancia Artificial ao n\u00edvel civilizacional que ningu\u00e9m esperava: a danificadora polariza\u00e7\u00e3o da sociedade.\u00bb<\/em> E tudo pela estrat\u00e9gia de capta\u00e7\u00e3o da nossa aten\u00e7\u00e3o que perde a inoc\u00eancia quando aprofundamos o seu impacto sobre o nosso comportamento. Sobre o desafio de captar a nossa aten\u00e7\u00e3o, Russell diz que \u2014<\/p>\n<blockquote><p><em>\u00abA solu\u00e7\u00e3o simples consiste em apresentar items que o utilizador gosta de clicar, certo? Errado. A solu\u00e7\u00e3o consiste em mudar a prefer\u00eancia do utilizador, de modo a que se tornem mais previs\u00edveis. Um utilizador mais previs\u00edvel pode ser alimentado de items que t\u00eam maior probabilidade de serem por ele clicados, gerando receita. (\u2026) Como qualquer entidade racional, o algoritmo aprende o modo de modificar o estado ambiental \u2014 neste caso, a mente do utilizador \u2014 de modo a maximizar a receita.\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Na an\u00e1lise de Ned Desmond, COO da TechCrunch, num artigo que escreveu para a <em>First Things<\/em>, <em>\u00abem vez que conformarmos o produto \u00e0s necessidade do utilizador, os algoritmos das redes sociais manipulam os sujeitos.\u00bb<\/em> Ainda existe o livre arb\u00edtrio na Era Digital? Se atrav\u00e9s dos algoritmos, grandes empresas ou interesses privados t\u00eam o poder de influenciar o nosso modo de pensar e decidir, o risco para o sistema democr\u00e1tico, que depende do pressuposto de que a opini\u00e3o das pessoas \u00e9 livre e informada, cresce na direc\u00e7\u00e3o do colapso.<\/p>\n<p>Na Europa, o Regulamento de Protec\u00e7\u00e3o de Dados Gerais (GDPR &#8211; <em>General Data Protection Regulation<\/em>) pretendia devolver \u00e0s pessoas a capacidade de tomarem decis\u00f5es por si mesmas, em vez de serem impulsionadas pelas sugest\u00f5es dos algoritmos a quem damos \u201clivre\u201d acesso \u00e0s marcas digitais que deixamos pela net e que se associam ao nosso comportamento. O artigo 22 deste regulamento chega mesmo ao ponto de explicitar que \u2014 <em>\u00abO titular dos dados tem o direito de n\u00e3o ficar sujeito a nenhuma decis\u00e3o tomada exclusivamente com base no tratamento automatizado, incluindo a defini\u00e7\u00e3o de perfis, que produza efeitos na sua esfera jur\u00eddica ou que o afete significativamente de forma similar.\u00bb<\/em> Em suma, n\u00e3o \u00e9 uma IA qualquer que decide se algo \u00e9, ou n\u00e3o \u00e9, bom para mim, como uma oferta de emprego ou um produto. A decis\u00e3o cabe a cada um. Mas ser\u00e1 essa a vontade das pessoas?<\/p>\n<p>Sejamos honestos. D\u00e1 jeito que uma IA fa\u00e7a o trabalho de seleccionar aquilo que poder\u00e1 ir ao encontro dos nossos interesses. A quantidade de informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel \u00e9 tal que se o processo de decis\u00e3o daquilo que me \u00e9 apresentado cabe a mim, o pre\u00e7o pago pelo livre arb\u00edtrio ser\u00e1 afogar-me no mar da oferta e sufocar pela indecis\u00e3o. Mas como diz Ned Desmond \u2014 <em>\u00abtemos uma breve janela para manter o g\u00e9nio IA na l\u00e2mpada das nossas escolhas. Se falharmos na compreens\u00e3o da amea\u00e7a e legislar de acordo com isso, vir\u00e1 o dia em que as IAs far\u00e3o as escolhas por n\u00f3s, sem nos perguntar, ou dar-nos conhecimento disso, ou pedir o nosso consentimento.\u00bb<\/em> Em causa est\u00e1 a liberdade mais profunda do ser humano que considero ser o tra\u00e7o mais l\u00edmpido de sermos cria\u00e7\u00e3o de Deus. Ali\u00e1s, um mundo sem Deus ser\u00e1 dominado pelos algoritmos.<\/p>\n<p>O jornalista Walter Isaacson no seu livro \u201cOs Inovadores\u201d diz que <em>\u00aba intelig\u00eancia artificial n\u00e3o tem de ser o c\u00e1lice sagrado da inform\u00e1tica. O objectivo ser\u00e1, portanto, encontrar maneiras de optimizar a colabora\u00e7\u00e3o entre as capacidades humanas e as da m\u00e1quina, formar uma parceria onde deixamos as m\u00e1quinas fazer o que fazem melhor, e elas deixam-nos fazer o que fazemos melhor.\u00bb<\/em> S\u00f3 h\u00e1 um c\u00e1lice sagrado aceite por todo o ser humano, independentemente das suas convic\u00e7\u00f5es: o c\u00e1lice da relacionalidade.<\/p>\n<p>Beber do relacionamento com o outro ajuda-nos a orientar pelo mar de decis\u00f5es que temos de tomar, e na partilha rec\u00edproca do resultado das nossas escolhas encontramos o bar\u00f3metro que assegura uma viv\u00eancia aut\u00eantica da nossa liberdade. Uma liberdade condicionada pelas limita\u00e7\u00f5es naturais da vida, mas incondicional nos actos de amor que pode realizar para com os outros que, sabendo-se amados, d\u00e3o-se conta de serem, realmente, livres.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-213477","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/213477","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=213477"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/213477\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=213477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=213477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=213477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}