{"id":21337,"date":"2006-11-24T23:09:44","date_gmt":"2006-11-24T23:09:44","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/11\/24\/vocacao-a-vida\/"},"modified":"2006-11-24T23:09:44","modified_gmt":"2006-11-24T23:09:44","slug":"vocacao-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/vocacao-a-vida\/","title":{"rendered":"Voca\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida"},"content":{"rendered":"<p>Bispo de Viseu prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de  <!--more--> NOTA PASTORAL  Voca\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida  \t1. A vida emerge na forma de uma c\u00e9lula. \u00c9 fruto de uma voca\u00e7\u00e3o que come\u00e7a com o in\u00edcio da exist\u00eancia, anterior, na vontade do Criador, \u00e0 pr\u00f3pria consci\u00eancia dos Pais biol\u00f3gicos, incapazes de criarem a vida e de serem seus autores. Esta c\u00e9lula, fruto da uni\u00e3o de amor entre um homem e uma mulher, introduz-se no seu espa\u00e7o natural, intra-uterino, mas n\u00e3o se dilui nem se confunde com o l\u00edquido envolvente. \u00c9 preenchida pelo ADN, capaz de se reproduzir a si pr\u00f3pria, subdividindo-se: 2 \/ 4 \/ 8 \/ 16 \/ 32\u2026 Esta c\u00e9lula esf\u00e9rica come\u00e7a e aprende a conhecer o \u201cmundo\u201d \u00e0 sua volta. \u00c9 uma c\u00e9lula viva que \u201cnegoceia\u201d, com o exterior, a sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia. Porque tem a voca\u00e7\u00e3o de viver e de se multiplicar, subdivide-se sem morrer, dando origem sempre a c\u00e9lulas vivas, a constituir um organismo vivo (podem ser mais do que um \u2013 g\u00e9meos). O ser humano procede de uma \u00fanica c\u00e9lula. Cada um de n\u00f3s j\u00e1 foi, um dia, uma \u00fanica c\u00e9lula, isolada, irrepet\u00edvel, habitando um meio l\u00edquido\u2026 Em 9 meses, esta \u00fanica c\u00e9lula percorre, no tempo, o que a esp\u00e9cie humana percorreu em 9 milh\u00f5es de anos, uma vez que a esp\u00e9cie humana foi sempre evoluindo ao longo destes milh\u00f5es de anos. O zigoto, desde a fecunda\u00e7\u00e3o, imediatamente desde a uni\u00e3o do espermatoz\u00f3ide com o \u00f3vulo, cont\u00e9m toda a informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica do ser humano que vai nascer, na hist\u00f3ria actual, precisamente no hoje do desenvolvimento civilizacional.  O ser humano come\u00e7a por ser t\u00e3o simples (uma \u00fanica c\u00e9lula!) que somente se v\u00ea ao microsc\u00f3pio. Aqui, e com estes meios t\u00e9cnicos, pode fazer-se a primeira apresenta\u00e7\u00e3o do corpo do homem. Sendo um corpo humano, tem toda a dignidade de um corpo humano\u2026 Em qualquer est\u00e1dio em que se considere o seu desenvolvimento, \u00e9 um corpo humano, com toda a informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica do ser humano. Mais nada do exterior vai intervir para acrescentar, melhorar ou modificar esta realidade\u2026 Com toda a evid\u00eancia cient\u00edfica, nunca pode dizer-se que o \u201crespeito\u201d devido \u00e0 pessoa humana tem a ver com o \u201ctamanho\u201d ou a idade do seu corpo\u2026  \t2. Quanto \u00e0 anima\u00e7\u00e3o do ser humano deve dizer-se que, no momento em que est\u00e1 constitu\u00edda a identidade gen\u00e9tica (concep\u00e7\u00e3o), est\u00e1 constitu\u00edda a alma \u201cpotencialmente\u201d. Quer isto dizer que a \u201calma\u201d existe no ser humano desde o primeiro momento da sua identidade como corpo, embora o seu exerc\u00edcio v\u00e1 acontecer bastante mais tarde\u2026 Qualquer lei que tenda a interromper este processo da vida \u00e9 uma lei abortiva cujo resultado \u00e9 a morte de um ser humano. Justificar o contr\u00e1rio \u00e9 ir contra a ci\u00eancia; \u00e9 ir contra o direito \u00e0 vida, defendido na Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica; \u00e9 reconhecer que o Estado se p\u00f5e do lado do crime contra os mais fr\u00e1geis da sociedade; ainda, \u00e9 ir contra a tend\u00eancia demogr\u00e1fica, que pede o aumento dos nascimentos. Apoiar esta lei \u00e9 negar aos nascituros o direito de nascer; \u00e9 negar \u00e0s pessoas com defici\u00eancias o direito de apoio e de vida social; \u00e9 abrir precedentes para a elimina\u00e7\u00e3o de todos os que n\u00e3o s\u00e3o contribuintes l\u00edquidos para uma sociedade, cada vez mais intolerante e desigual.   \t3. A proposta de referendo prev\u00ea que a interrup\u00e7\u00e3o deste processo, causando a morte de um ser humano, possa ser a pedido da mulher. Pergunta-se: pode a mulher decidir do seu corpo? Sim, pode. A mulher pode sempre decidir do seu corpo, pela autonomia a que tem direito, para se realizar bem e para se valorizar, como pessoa, na totalidade do seu \u2018ser corpo\u2019 e do seu \u2018ser pessoa\u2019\u2026 Por\u00e9m, na mulher gr\u00e1vida, existe um outro corpo: aut\u00f3nomo tamb\u00e9m e independente do seu corpo de mulher. O pai e a m\u00e3e s\u00e3o os garantes da vida deste corpo sobre o qual t\u00eam \u201cresponsabilidade\u201d, mais do que \u201cpoder\u201d. As decis\u00f5es sobre este corpo t\u00eam que ser sempre \u00e9ticas, baseadas nos valores e n\u00e3o na viol\u00eancia e na destrui\u00e7\u00e3o\u2026 Mas, quem concorda que a mulher seja penalizada? Ningu\u00e9m quer penalizar a mulher e o Estado deve tornar-se a garantia da realiza\u00e7\u00e3o da mulher e da crian\u00e7a \u2013 2 seres humanos perante os quais o Estado deve intervir em defesa da sua vida e do seu futuro. Porqu\u00ea n\u00e3o criar condi\u00e7\u00f5es \u2013 tornadas leg\u00edtimas, conhecidas e apoiadas \u2013 para que a mulher que n\u00e3o queira a crian\u00e7a, a entregue e a doe para adop\u00e7\u00e3o? Porqu\u00ea n\u00e3o criar condi\u00e7\u00f5es para um \u201cbanco\u201d de crian\u00e7as (em vez de outros \u201cbancos\u201d muito mais dispendiosos \u2013 de esperma e de embri\u00f5es), com as inscri\u00e7\u00f5es de m\u00e3es (pais) que as entreguem e pais que as aceitem para adop\u00e7\u00e3o? N\u00e3o seria este um investimento do Estado, no futuro da sociedade e no respeito igual para todos os cidad\u00e3os? Ou ser\u00e1 a liberaliza\u00e7\u00e3o das leis eliminadoras da vida, a alternativa que o Estado tem para as viol\u00eancias sobre os cidad\u00e3os inocentes do nosso pa\u00eds? Votar SIM no referendo \u00e9 aceitar esta alternativa como a \u00fanica; votar N\u00c3O \u00e9 exigir do Estado e de todos os cidad\u00e3os, a defesa justa e a protec\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para todos, a come\u00e7ar pelos mais fr\u00e1geis e pelos mais inocentes.  VISEU, 23 de Novembro de 2006   Il\u00eddio Pinto Leandro Bispo de Viseu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bispo de Viseu prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[154,184],"class_list":["post-21337","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-crianca","tag-diocese-de-viseu"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21337","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21337"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21337\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}