{"id":213209,"date":"2021-07-25T09:31:33","date_gmt":"2021-07-25T08:31:33","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=213209"},"modified":"2021-07-24T20:36:53","modified_gmt":"2021-07-24T19:36:53","slug":"lisboa-amigos-improvaveis-querem-chegar-onde-mais-ninguem-chega","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lisboa-amigos-improvaveis-querem-chegar-onde-mais-ninguem-chega\/","title":{"rendered":"Lisboa: \u00abAmigos Improv\u00e1veis\u00bb querem chegar \u00abonde mais ningu\u00e9m chega\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>Associa\u00e7\u00e3o ajuda a combater a solid\u00e3o dos mais velhos que vivem sozinhos, h\u00e1 sete anos. Marta Antunes, da dire\u00e7\u00e3o, explica que o principal objetivo \u00e9 conversar e fazer companhia<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por\u00a0\u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a), Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_213213\" aria-describedby=\"caption-attachment-213213\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/01.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-213213 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/01.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/01.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/01-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/01-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/01-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/01-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/01-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/01-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/01-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/01-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-213213\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Ricardo Fortunato<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Est\u00e1 na dire\u00e7\u00e3o dos \u2018Amigos Improv\u00e1veis\u2019, onde come\u00e7ou por ser volunt\u00e1ria. Foi f\u00e1cil deixar-se cativar por este projeto?<\/em><\/p>\n<p>Sim, foi muito f\u00e1cil. Eu conheci os Amigos Improv\u00e1veis em 2019, andava \u00e0 procura de voluntariado nesta \u00e1rea do envelhecimento e do combate ao isolamento e \u00e0 solid\u00e3o desta fatia da popula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 cada vez maior nesta cidade grande. As inscri\u00e7\u00f5es estavam abertas, tive uma forma\u00e7\u00e3o para volunt\u00e1rios para saber como relacionar, como estar, fui integrada numa equipa com duas pessoas que n\u00e3o conhecia &#8211; a Mariana e a In\u00eas-, mas que correu muito bem. Numa primeira visita fomos acompanhados pelo respons\u00e1vel de zona, porque cada freguesia tem respons\u00e1veis que cuidam e acompanham os volunt\u00e1rios que v\u00e3o visitar os idosos. Tive o primeiro contacto com a Cilinha, uma menina de quase 90 anos, incr\u00edvel, que nos recebeu de uma forma muito calorosa na sua casa, onde vive sozinha. E a partir da\u00ed correu tudo muito bem, muito descontra\u00eddo, as conversas aconteceram de forma muito natural, como uma amizade.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E continua a acompanh\u00e1-la?<\/em><\/p>\n<p>Sim, ainda mantenho contacto. A Cilinha fez anos agora, h\u00e1 dias. Eu j\u00e1 n\u00e3o estou a visit\u00e1-la semanalmente. Habitualmente as nossas visitas aconteciam todas as semanas, \u00e9 o ritmo para se come\u00e7ar a ganhar uma rela\u00e7\u00e3o. O facto de trabalharmos em equipa permite que, no caso de alguma n\u00e3o estar t\u00e3o dispon\u00edvel, possa ir outra e haver aqui esta regularidade, complementada sempre com telefonemas. \u00c9 mesmo como uma amizade, esta espontaneidade de uma rela\u00e7\u00e3o que vai crescendo, vamos conhecendo a pessoa, vamos percebendo o que gosta. Cheg\u00e1mos a ir aos carac\u00f3is, numa tarde quente de ver\u00e3o, porque a Cilinha tinha imensas saudades de comer carac\u00f3is!\u00a0Funciona mesmo como uma amizade, que junta duas gera\u00e7\u00f5es diferentes, os idosos e os jovens. Tamb\u00e9m podem ser fam\u00edlias,\u00a0n\u00e3o t\u00eam de ser necessariamente jovens universit\u00e1rios, e come\u00e7a-se a criar aqui esta esta din\u00e2mica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Disse que procurou especificamente esta \u00e1rea de voluntariado. O que \u00e9 que a cativou? Estamos tamb\u00e9m, de certa forma, a falar de uma pandemia silenciosa, que \u00e9 a da solid\u00e3o&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Completamente.\u00a0O alerta come\u00e7ou a chegar quando\u00a0houve uma fase em que nos notici\u00e1rios se ouvia muito not\u00edcias de idosos que eram encontrados em casa j\u00e1 sem vida, e que ningu\u00e9m tinha dado conta. Esta \u00e9 a grande motiva\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o: queremos mesmo chegar onde mais ningu\u00e9m chega, e temos parcerias com as juntas de freguesia, com as par\u00f3quias, muito para chegar mesmo&#8230; e\u00a0\u00e0s vezes a solid\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o perto de n\u00f3s. \u00c0s vezes h\u00e1 um vizinho no pr\u00e9dio ao lado do nosso que se calhar est\u00e1 a passar por esta situa\u00e7\u00e3o.\u00a0E tamb\u00e9m dar aqui uma miss\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sou de Lisboa, h\u00e1 muitos jovens que v\u00eam estudar para Lisboa, e cada vez mais as cidades do litoral e a capital \u00e9 procurada, porque n\u00e3o tentar tamb\u00e9m aproveitar isso para esta miss\u00e3o?<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E criar at\u00e9 rela\u00e7\u00f5es de vizinhan\u00e7a, porque no fundo o projeto tamb\u00e9m se baseia nisso, em criar rela\u00e7\u00f5es de vizinhan\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p>Sim, e\u00a0o objetivo de haver estas zonas de freguesias t\u00e3o estruturadas \u00e9 tamb\u00e9m para tentar ligar a \u00e1rea onde o volunt\u00e1rio passa a maior parte do tempo\u00a0&#8211;\u00a0seja por que vive, trabalha ou estuda naquela freguesia\u00a0&#8211;\u00a0com a zona onde vive o idoso, para o processo ser o mais facilitado poss\u00edvel.\u00a0Porque \u00e0s vezes temos um dia mau, dif\u00edcil de trabalho, se calhar n\u00e3o nos apetecia ir para o outro lado da cidade para ir ter com o nosso idoso, por maior que seja o carinho e saber que depois de l\u00e1 estar vai valer a pena. Tentamos descomplicar e aproximar tamb\u00e9m nesse sentido.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Do outro lado que feedback \u00e9 que recebem, da parte de quem \u00e9 acompanhado?<\/em><\/p>\n<p>Da minha experi\u00eancia com a Cilinha, \u00e9 uma gratid\u00e3o enorme, mas que \u00e9 rec\u00edproca, porque acabamos por lidar com uma pessoa que tem um legado, tem hist\u00f3rias e mem\u00f3rias incr\u00edveis, e eu\u00a0acho que \u00e9 muito bonito e muito generoso aquela pessoa abrir-nos a porta da sua casa.\u00a0\u00c9 onde ela vive, onde est\u00e1, \u00e9 o espa\u00e7o dela, e abre a porta e o cora\u00e7\u00e3o a receber aquela equipa de volunt\u00e1rios, que est\u00e3o ali para conversar, para combinar programas, para ouvir.\u00a0H\u00e1 uma sede muito grande de partilha da pessoa que est\u00e1 do outro lado, porque muitas vezes a companhia que tem \u00e9 a televis\u00e3o.\u00a0No caso da Cilinha n\u00e3o tem fam\u00edlia com quem possa fazer aquele telefonema que \u00e0s vezes apetece fazer, vive muito do pr\u00e9dio, da rua, da par\u00f3quia, e acho que foi ali um bal\u00e3o de oxig\u00e9nio, mas para ambas as partes, porque \u00e0s vezes eu sa\u00eda de casa da Cilinha e ia a p\u00e9 at\u00e9 ao metro e pensava: &#8216;valeu tanto a pena! Ainda bem que vim!&#8221;. E espero que seja rec\u00edproco, naturalmente.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>J\u00e1 existem outras institui\u00e7\u00f5es que prestam apoio domicili\u00e1rio quando \u00e9 necess\u00e1rio e poss\u00edvel. O vosso objetivo \u00e9 sobretudo fazer companhia, conversar? Tamb\u00e9m fazem pequenos recados?<\/em><\/p>\n<p>Sim,\u00a0o nosso principal foco s\u00e3o as visitas, \u00e9 o estar, \u00e9 o ouvir, \u00e9 o acompanhar. E por sabermos que felizmente no nosso pa\u00eds h\u00e1 muitas entidades que depois, quando \u00e9 preciso sinalizar, ou acompanhar, est\u00e3o preparadas e equipadas para tal quando \u00e9 necess\u00e1rio, temos sempre esse cuidado, e at\u00e9 na forma\u00e7\u00e3o com os volunt\u00e1rios vamos dando essa indica\u00e7\u00e3o, para estarem atentos ao estado da casa, \u00e0 pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o da pessoa nas conversas. Mas, o nosso foco \u00e9\u00a0este: \u00e9 estar com regularidade.\u00a0Pedimos aos volunt\u00e1rios para terem um compromisso m\u00ednimo de um ano, porque estas pessoas nesta idade se calhar j\u00e1 perderam algumas pessoas, entrar uma pessoa nova, ganhar esta confian\u00e7a, criar esta rela\u00e7\u00e3o, tem de ser constru\u00edda e ganhar profundidade.\u00a0Pedimos sempre aos volunt\u00e1rios o compromisso m\u00ednimo de um ano, que tentem ir com regularidade e, se n\u00e3o puderem, que avisem. Como numa amizade normal.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>As visitas s\u00e3o semanais?<\/em><\/p>\n<p>Tentamos que sejam. Claro que se houver uma semana em que n\u00e3o se pode ir&#8230; Isso aconteceu connosco: uma de n\u00f3s n\u00e3o podia ir, depois durante o fim-de-semana ia dar um beijinho \u00e0 Cilinha, ou telefonava. Tent\u00e1vamos que houvesse sempre um acompanhamento regular.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Esta entrevista \u00e9 emitida no primeiro Dia Mundial dos Av\u00f3s e dos Idosos, institu\u00eddo pelo Papa Francisco. Esta rela\u00e7\u00e3o quer, de certa forma, replicar a rela\u00e7\u00e3o mais tradicional de av\u00f3s e netos, um espa\u00e7o de familiaridade, carinho e partilha?<\/em><\/p>\n<p>Pela parte dos afetos e do estar aberto, dispon\u00edvel para ouvir, para conhecer, sim. Agora com a pandemia, claro que teve de haver aqui uma pausa, mas\u00a0eu digo muitas vezes: at\u00e9 com a nossa fam\u00edlia, com os nossos amigos, com quantos, ou com quais \u00e9 que n\u00f3s estamos todas as semanas presencialmente? Portanto, acaba por se criar aqui um v\u00ednculo\u00a0tamb\u00e9m muito do dia-a-dia: lembrar a consulta que ia ter, ou chegar depois de um dia que foi mais dif\u00edcil e desabafar sobre alguma coisa.<\/p>\n<p>Eu sinto que em determinadas alturas aquele n\u00facleo de quatro pessoas, tr\u00eas volunt\u00e1rias e a Cilinha, cri\u00e1vamos ali um momento que extrapolava, porque \u00e0s vezes o contacto com a fam\u00edlia \u00e9 mais abrangente, e ali era muito espec\u00edfico. Eu sentia mesmo como uma amizade, vou ser sincera.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>A identifica\u00e7\u00e3o dos idosos que v\u00e3o apoiar \u00e9 feita, referiu h\u00e1 pouco, com a ajuda e colabora\u00e7\u00e3o das par\u00f3quias e juntas de freguesia. Estas entidades depois tamb\u00e9m vos acompanham no trabalho que fazem?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Tamb\u00e9m recebemos contactos individuais de pessoas, que t\u00eam uma m\u00e3e, uma av\u00f3 ou av\u00f4 que gostavam que tivesse esse tipo de acompanhamento, e n\u00f3s tamb\u00e9m damos resposta. Depois vamos acompanhando, vamos fazendo pontos de situa\u00e7\u00e3o com os parceiros.<\/p>\n<p>Normalmente existem dois momentos do ano em que recebemos novos volunt\u00e1rios e novos idosos, corresponde mais ou menos aos semestres, em setembro\/outubro e depois em fevereiro\/mar\u00e7o, e vai havendo esse acompanhamento com as parcerias.<\/p>\n<p>Se for necess\u00e1rio dar alguma informa\u00e7\u00e3o mais espec\u00edfica sobre algum idoso, essa ponte \u00e9 feita com os nossos respons\u00e1veis de zona, com os volunt\u00e1rios. Se for preciso, at\u00e9, numa primeira visita estar\u00e1 algu\u00e9m presente da fam\u00edlia, para n\u00e3o haver uma estranheza t\u00e3o grande.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_213210\" aria-describedby=\"caption-attachment-213210\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-213210\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-213210\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Ricardo Fortunato<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Antes do primeiro confinamento, o projeto contava com 149 volunt\u00e1rios ativos, que apoiavam 56 idosos em 11 bairros de Lisboa e Oeiras. A pandemia teve algum efeito no n\u00famero de volunt\u00e1rios e na din\u00e2mica do trabalho?<\/em><\/p>\n<p>Sim, infelizmente teve.\u00a0Fomos fazendo pontos de situa\u00e7\u00e3o para garantir que, mesmo n\u00e3o estando presencialmente, houvesse um acompanhamento por telefone, o que tamb\u00e9m aconteceu. Por exemplo, no caso das Universidades, em que j\u00e1 n\u00e3o havia aulas presenciais, muitos jovens tiveram de regressar \u00e0 sua cidade de origem. Essa altera\u00e7\u00e3o da rotina, da din\u00e2mica di\u00e1ria, afetou, naturalmente, a Associa\u00e7\u00e3o. Agora\u00a0estamos num processo de arrumar a casa, perceber exatamente quem quer continuar, porque\u00a0em setembro esperamos voltar a abrir inscri\u00e7\u00f5es, receber novas pessoas, refor\u00e7ar equipas, com substitui\u00e7\u00f5es, se for preciso.\u00a0Tent\u00e1mos ao m\u00e1ximo que n\u00e3o se sentisse uma quebra muito grande\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os idosos continuaram a ser acompanhados?<\/em><\/p>\n<p>Sim.\u00a0Houve volunt\u00e1rios que passaram \u00e0 janela, com o carro, para dizer \u201cestou aqui, um beijinho!\u201d&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Refor\u00e7aram os contactos telef\u00f3nicos?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Foi o poss\u00edvel. Sempre tentando seguir as recomenda\u00e7\u00f5es da DGS e no contacto com as fam\u00edlias, para respeitar as suas indica\u00e7\u00f5es e ver at\u00e9 onde \u00e9 que cada interven\u00e7\u00e3o poderia ir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Est\u00e1 h\u00e1 pouco tempo na dire\u00e7\u00e3o dos \u2018Amigos Improv\u00e1veis\u2019, e a ideia \u00e9 relan\u00e7ar o projeto depois do ver\u00e3o. Quem quiser ser volunt\u00e1rio, o que \u00e9 que tem de fazer?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel ser volunt\u00e1rio para visitar diretamente os idosos. Podem inscrever-se individualmente ou j\u00e1 ter uma equipa. Depois, em setembro, vamos disponibilizar no\u00a0<a href=\"https:\/\/eur01.safelinks.protection.outlook.com\/?url=https%3A%2F%2Famigosimprovaveis.weebly.com%2F%3Ffbclid%3DIwAR36oXyDqizuT0FkAq8jWhoG5t1wrNpBLbgjNYASirUogXg5Ys1tmGFrd7c&amp;data=04%7C01%7CAngela.Roque%40rr.pt%7Cb9f845881156418beeb808d94b5cca7b%7Cf5bd5f2d48cb4c5ca5990d38b3c419da%7C0%7C0%7C637623684179591471%7CUnknown%7CTWFpbGZsb3d8eyJWIjoiMC4wLjAwMDAiLCJQIjoiV2luMzIiLCJBTiI6Ik1haWwiLCJXVCI6Mn0%3D%7C1000&amp;sdata=kDVlUtDfDAIeWoK0TO0sMFvEe11GuSHOk8JSYsXBT8U%3D&amp;reserved=0\">site<\/a>\u00a0e nas p\u00e1ginas da Associa\u00e7\u00e3o nas\u00a0<a href=\"https:\/\/eur01.safelinks.protection.outlook.com\/?url=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2FAmigosImprovaveis&amp;data=04%7C01%7CAngela.Roque%40rr.pt%7Cb9f845881156418beeb808d94b5cca7b%7Cf5bd5f2d48cb4c5ca5990d38b3c419da%7C0%7C0%7C637623684179601434%7CUnknown%7CTWFpbGZsb3d8eyJWIjoiMC4wLjAwMDAiLCJQIjoiV2luMzIiLCJBTiI6Ik1haWwiLCJXVCI6Mn0%3D%7C1000&amp;sdata=6rtvJEDqAp%2FpPmaawt1I%2BLothl1qOcMfNP1K%2F%2B7I%2FqI%3D&amp;reserved=0\">redes sociais<\/a>\u00a0o formul\u00e1rio de inscri\u00e7\u00e3o. \u00c9 feita uma entrevista, uma forma\u00e7\u00e3o e juntam-se aos \u2018Amigos Improv\u00e1veis\u2019.<\/p>\n<p>Fazemos sempre a correspond\u00eancia entre o n\u00famero de idosos que precisam de acompanhamento e o n\u00famero de vagas por freguesia, fazendo uma gest\u00e3o real de expectativas. Tentamos que os timings correspondam e haja respostas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 uma informalidade no relacionamento, o que \u00e9 natural, mas tamb\u00e9m h\u00e1 uma exig\u00eancia de compromisso e de dedica\u00e7\u00e3o para quem entra nesta aventura?<\/em><\/p>\n<p>Tem de ser. Tipicamente, a popula\u00e7\u00e3o mais idosa que vive em Lisboa, uma grande cidade, pode sentir-se um bocadinho mais desconfiada, com dificuldade em abrir-se.\u00a0\u00c9 importante que os idosos sintam que podem confiar naquelas pessoas, que podem abrir a porta de casa e alimentar uma rela\u00e7\u00e3o, que depois vai ter continuidade. Que vai haver reciprocidade.<\/p>\n<p>Muitos idosos tamb\u00e9m j\u00e1 perderam muitas pessoas, t\u00eam aqui uma barreira maior, defesas constru\u00eddas.\u00a0\u00c9 muito importante que, quem diz que sim, esteja presente. Vai haver dias em que n\u00e3o apetece ir: est\u00e1 a chover, queremos ir para casa, estamos com fome, o dia correu mal no trabalho, h\u00e1 um exame da faculdade\u2026 \u00c9 aqui que se testa o verdadeiro estar, e \u00e9 por isso que tamb\u00e9m h\u00e1 um trabalho de equipa, para se motivarem uns aos outros, para o caso de assegurar que est\u00e1 algu\u00e9m, quando um deles n\u00e3o pode, de todo. Isso \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A expectativa \u00e9 que o projeto cres\u00e7a, no pr\u00f3ximo ano? Mesmo em termos de \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sim.\u00a0Idealmente, ver\u00edamos os \u2018Amigos Improv\u00e1veis\u2019 em todo o pa\u00eds, a longo prazo, quem sabe\u2026<\/p>\n<p>Neste momento\u00a0estamos a refor\u00e7ar as \u00e1reas que precisam e j\u00e1 recebemos alguns contactos para novas zonas. Estamos a avaliar o potencial de crescimento, a correspond\u00eancia entre idosos e jovens, para podermos, com cuidado e garantias, alargar e continuar a crescer.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E um idoso que sinta vontade de entrar neste projeto, o que deve fazer?<\/em><\/p>\n<p>Temos um email &#8211;\u00a0<a href=\"mailto:amigosimprovaveis.voluntariado@gmail.com\">amigosimprovaveis.voluntariado@gmail.com<\/a>\u00a0&#8211; e um contacto telef\u00f3nico \u2013 916577656. Pode tamb\u00e9m perguntar na sua par\u00f3quia, na Junta de Freguesia, nos parceiros. \u00c9 a forma mais imediata.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_213210\" aria-describedby=\"caption-attachment-213210\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-213210\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/04.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-213210\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Ricardo Fortunato<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>A iniciativa do Papa Francisco em criar este Dia Mundial dos Av\u00f3s e dos Idosos pode ajudar a recentrar aten\u00e7\u00f5es nos mais velhos?<\/em><\/p>\n<p>Espero que sim, \u00e9 uma iniciativa louv\u00e1vel, que obriga as pessoas a refletir.\u00a0Este contacto, estas visitas e a troca de experi\u00eancias obrigam-nos a refletir. A refletir no nosso envelhecimento, numa vida que acabamos por conhecer e queremos tornar\u00a0melhor. Espero que esta celebra\u00e7\u00e3o ajude a criar essa reflex\u00e3o e a vontade de fazer alguma coisa, de atuar.<\/p>\n<p>Foi assim que os \u2018Amigos Improv\u00e1veis\u2019 surgiram, num contexto de estudantes universit\u00e1rios, que estiveram\u00a0uma semana em voluntariado na \u2018Miss\u00e3o Pa\u00eds\u2019 e que pensaram: \u201cuma semana n\u00e3o chega, queremos fazer mais\u201d. A Maria Almeida e Brito, que foi aqui o c\u00e9rebro da opera\u00e7\u00e3o, teve esta ideia, juntou um conjunto de amigos e conhecidos em casa, em 2014, come\u00e7aram a distribuir-se por zonas, e o puzzle montou-se. \u00c9 poss\u00edvel e \u00e9 importante. \u00c9 muito importante.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Uma das grandes preocupa\u00e7\u00f5es tem sido encontrar alternativas a uma resposta institucional, que se massificou na sociedade, procurando apoios para recriar um ambiente familiar. Os volunt\u00e1rios s\u00e3o essenciais, para esta resposta na comunidade?<\/em><\/p>\n<p>Penso que sim. Toda a gente na minha comunidade, no meu trabalho, na minha fam\u00edlia, os meus amigos, sabiam que eu estava a fazer este voluntariado, que estava a visitar a Cilinha, partilhava o entusiasmo, o sentir.\u00a0Quem est\u00e1 apaixonado por este projeto vai divulg\u00e1-lo, vai querer partilhar, vai querer que o m\u00e1ximo de pessoas se junte a esta causa.\u00a0Os volunt\u00e1rios acabam por ser os embaixadores e o rosto do projeto.\u00a0Partilham, influenciam, trazem mais pessoas e \u00e9 assim que tudo cresce, que tudo se transforma, que se inova. \u00c9 com esta partilha e com esta generosidade de todos. Por isso, sem d\u00favida: volunt\u00e1rios, seja em que causa e dimens\u00e3o for, s\u00e3o muito importantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Associa\u00e7\u00e3o ajuda a combater a solid\u00e3o dos mais velhos que vivem sozinhos, h\u00e1 sete anos. 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