{"id":212880,"date":"2021-07-20T13:35:03","date_gmt":"2021-07-20T12:35:03","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=212880"},"modified":"2021-07-20T13:35:45","modified_gmt":"2021-07-20T12:35:45","slug":"a-cruz-escondida-153","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-153\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Irm\u00e3 Gloria, em cativeiro no Mali desde 2017, enviou carta \u00e0 fam\u00edlia<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><strong><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Ir-Gloria_Cecilia_Argoti_MALI_4.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-198990 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Ir-Gloria_Cecilia_Argoti_MALI_4-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Ir-Gloria_Cecilia_Argoti_MALI_4-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Ir-Gloria_Cecilia_Argoti_MALI_4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Ir-Gloria_Cecilia_Argoti_MALI_4-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Ir-Gloria_Cecilia_Argoti_MALI_4-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Ir-Gloria_Cecilia_Argoti_MALI_4-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Ir-Gloria_Cecilia_Argoti_MALI_4-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Ir-Gloria_Cecilia_Argoti_MALI_4.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>\u201cRezem muito por mim\u2026\u201d <\/strong><\/h4>\n<p>A religiosa franciscana Gloria Narv\u00e1ez Argoty, 57 anos, raptada em Karangasso, no Mali, em 2017, enviou uma carta atrav\u00e9s da Cruz Vermelha Internacional para Edgar Argoty, seu irm\u00e3o. A Funda\u00e7\u00e3o AIS teve acesso a essa carta. Na verdade, nem chega a ser uma carta mas sim um bilhete, datado de 3 de Fevereiro deste ano. S\u00e3o 11 linhas apenas que dizem muito sobre esta mulher colombiana em cativeiro h\u00e1 mais de quatro anos\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 um bilhete apenas. Escrito em castelhano, pelo pr\u00f3prio punho de Gloria Narv\u00e1ez Argoty, tinta azul de esferogr\u00e1fica, letra mai\u00fascula, 11 linhas. Foi enviado atrav\u00e9s da Cruz Vermelha Internacional para a fam\u00edlia, em Pasto, uma pequena cidade onde nasceu a religiosa colombiana. No texto, a Irm\u00e3 Gloria recorda que est\u00e1 em cativeiro h\u00e1 quatro anos. \u201cAs minhas sauda\u00e7\u00f5es fraternais. Que o bom Deus vos aben\u00e7oe e vos d\u00ea sa\u00fade. Estou raptada h\u00e1 quatro anos e agora estou num novo grupo.\u201d Trata-se, tudo o indica, do \u201cGrupo de Apoio ao Isl\u00e3o e aos Mu\u00e7ulmanos\u201d, uma alian\u00e7a jihadista do Sahel, vinculada \u00e0 Al-Qaeda. No bilhete, a Irm\u00e3 Gl\u00f3ria pede as ora\u00e7\u00f5es de todos para conseguir a liberdade. \u201cRezem muito por mim. Que Deus vos aben\u00e7oe. Espero que Deus me ajude a alcan\u00e7ar a liberdade. Fraternalmente Gl\u00f3ria.\u201d O destinat\u00e1rio do bilhete enviado a 3 de Fevereiro foi o seu irm\u00e3o, Edgar Argoty. O professor Edgar tem sido incans\u00e1vel procurando por todos os meios a liberta\u00e7\u00e3o de Gloria. Atrav\u00e9s dos of\u00edcios da Cruz Vermelha, os dois irm\u00e3os j\u00e1 trocaram outras mensagens nos \u00faltimos meses. Em entrevista \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS, o docente recorda que na primeira missiva contou \u00e0 irm\u00e3 que a m\u00e3e, Rosita Argoty de Narv\u00e1ez, havia falecido em Setembro, aos 87 anos de idade, n\u00e3o conseguindo \u201caguentar mais a tristeza e o desespero\u201d. A irm\u00e3 respondeu meses mais tarde. \u201cMandou cumprimentos \u00e0 fam\u00edlia, que estava bem de sa\u00fade e que, por favor, ped\u00edssemos \u00e0s autoridades aqui na Col\u00f4mbia para que pudesse ser libertada e regressar \u00e0 Col\u00f4mbia.\u201d<\/p>\n<h4><strong>A amizade com outra ref\u00e9m<\/strong><\/h4>\n<p>Sobre o estado de sa\u00fade da sua irm\u00e3, Edgar, valendo-se das \u00faltimas informa\u00e7\u00f5es que conseguiu obter, diz que ela est\u00e1 bem, apesar de ter ficado um pouco abalada quando, em Outubro, foi libertada uma outra ref\u00e9m, a m\u00e9dica francesa Sophie Petronin, com quem partilhava o cativeiro. \u201cEssa separa\u00e7\u00e3o fez mal \u00e0 minha irm\u00e3, psicologicamente, mentalmente, porque foram quatro anos de amizade. Davam-se muito bem, ficaram boas amigas\u2026\u201d O professor conta que, apesar de estarem confinadas ao acampamento dos jihadistas, as duas mulheres passavam a maior parte do tempo uma com a outra. \u201cEstiveram juntas durante quatro anos, viviam juntas, comiam juntas, dormiam na mesma tenda, onde eram vigiadas, mas tinham a sua liberdade. At\u00e9 certo ponto podiam sair para contar as estrelas e as pedrinhas, contar os animais que passavam por ali para matar o tempo porque n\u00e3o faziam mais nada. Eram bem tratadas pelo facto de serem mulheres e por causa do h\u00e1bito religioso da irm\u00e3 respeitaram-na muito. Elas viviam juntas.\u201d Quando as separaram em Outubro, a Irm\u00e3 Gl\u00f3ria ficou um pouco afectada, mas, aos poucos, foi recuperando \u201ce agora j\u00e1 est\u00e1 bem\u201d, diz ainda Edgar Narv\u00e1ez. \u201cEst\u00e1 fisicamente acabada, muito magra, a pele, o rosto parece estar queimado pelo sol, pelo clima do Mali, mas, gra\u00e7as a Deus, manteve-se s\u00e3. Tem muita for\u00e7a.\u201d Talvez a Irm\u00e3 Gl\u00f3ria n\u00e3o saiba ainda, mas uma miss\u00e3o internacional encabe\u00e7ada pela Col\u00f4mbia, e que tinha ido para \u00c1frica com o prop\u00f3sito de a resgatar, recebeu ordem, em Junho, para o regresso antecipado a casa. N\u00e3o se conhecem as raz\u00f5es para isso. Edgar Narv\u00e1ez diz, \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS, que est\u00e1 \u201cum pouco triste e desconcertado\u201d com essa not\u00edcia, mas conseguir a sua liberta\u00e7\u00e3o \u00e9 o que mais deseja. \u201cIsso \u00e9 o que todos queremos. Isso era o que queria a minha m\u00e3e. V\u00ea-la livre e morrer em paz. N\u00e3o conseguiu\u2026\u201d<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Irm\u00e3 Gloria, em cativeiro no Mali desde 2017, enviou carta \u00e0 fam\u00edlia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-212880","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/212880","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=212880"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/212880\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=212880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=212880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=212880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}