{"id":212836,"date":"2021-07-19T16:20:49","date_gmt":"2021-07-19T15:20:49","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=212836"},"modified":"2021-07-19T16:23:58","modified_gmt":"2021-07-19T15:23:58","slug":"quando-o-novo-arcebispo-chegar-que-veja-uma-igreja-unida-em-comunhao-empenhada-d-jorge-ortiga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/quando-o-novo-arcebispo-chegar-que-veja-uma-igreja-unida-em-comunhao-empenhada-d-jorge-ortiga\/","title":{"rendered":"\u00abQuando o novo arcebispo chegar, que veja uma Igreja unida, em comunh\u00e3o, empenhada\u00bb &#8211; D. Jorge Ortiga"},"content":{"rendered":"<p><em>Arcebispo de Braga assinalou 22 anos de tomada de posse, com olhar posto no futuro, sublinhando processo de \u00abrenova\u00e7\u00e3o inadi\u00e1vel\u00bb que pode beneficiar com dinamismo do seu sucessor<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Paulo Rocha<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_212802\" aria-describedby=\"caption-attachment-212802\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Ordenacoes-Braga-121.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-212802\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Ordenacoes-Braga-121-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Ordenacoes-Braga-121-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Ordenacoes-Braga-121-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Ordenacoes-Braga-121-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Ordenacoes-Braga-121-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Ordenacoes-Braga-121-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Ordenacoes-Braga-121-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Ordenacoes-Braga-121-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Ordenacoes-Braga-121.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-212802\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/PR00<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Completou este domingo 22 anos como arcebispo de Braga, num dia de ordena\u00e7\u00f5es sacerdotais. Como classificaria o per\u00edodo que vive, este tempo que \u00e9 tamb\u00e9m hist\u00f3rico para a Arquidiocese?<\/em><\/p>\n<p>E um dia (18 de julho) em que celebramos a festa lit\u00fargica de S\u00e3o Bartolomeu dos M\u00e1rtires. Olhando para a realidade da Arquidiocese de Braga, neste momento, \u00e9 como em qualquer outra diocese, marcada pelos problemas e dificuldades, os desafios que a pandemia veio trazer. H\u00e1 alguns desafios que, costumo dizer, vieram confirmar um pouco a nossa caminhada eclesial, porque h\u00e1 dois anos t\u00ednhamos optado por um programa que incidia na sinodalidade. Ou seja, nesta ideia de caminharmos juntos. Temos vindo a insistir nesta ideia. Por isso mesmo, direi que a pandemia veio refor\u00e7ar a necessidade de insistir nisto. As nossas comunidades, particularmente as comunidades paroquiais, s\u00e3o ainda demasiado formalistas: as pessoas conhecem-se, sobretudo nas aldeias, mas t\u00eam um certo receio de criar proximidade, de mostrar amizade e uma amizade concreta, no dia a dia. Temos sublinhado esta ideia da sinodalidade, no sentido em que as pessoas se t\u00eam de aproximar e n\u00e3o devem ter medo de se quererem bem, ajudar-se, reconhecendo-se interdependes. \u00c9 com os outros que a vida se vai tecendo, dentro e fora da comunidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Pessoalmente, sente que este \u00e9 um momento de transi\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, \u00e9 um momento de transi\u00e7\u00e3o e de mudan\u00e7a. Uma das frases que tenho usado com muita frequ\u00eancia \u00e9 \u201cfidelidade criativa\u201d. A Arquidiocese de Braga tem uma hist\u00f3ria longa, lodo desde os prim\u00f3rdios do Cristianismo, e precisamos de ter consci\u00eancia da nossa hist\u00f3ria, de fazer mem\u00f3ria dos nossos antepassados; orgulhamo-nos de ter a nossa S\u00e9, muitas vezes se diz da Catedral que algo \u00e9 \u201ct\u00e3o velho como a S\u00e9 de Braga\u201d. O nosso Cristianismo tem ra\u00edzes muito profundas, mas corremos o risco de ter uma Igreja tradicionalista. Eu alerto para a diferen\u00e7a entre Tradi\u00e7\u00e3o e tradicionalismo. H\u00e1 uma fidelidade ao passado, \u00e0s nossas origens, mas por outro lado h\u00e1 necessidade de uma grande criatividade, de nos adaptarmos \u00e0s exig\u00eancias e interpela\u00e7\u00f5es, naquilo que \u2013 e j\u00e1 \u00e9 lugar-comum diz\u00ea-lo -, n\u00e3o \u00e9 uma mudan\u00e7a de era, mas uma era nova, totalmente diferente. Os tempos s\u00e3o outros, a sociedade \u00e9 outra, consequentemente, a Igreja tamb\u00e9m tem de ser outra.<\/p>\n<p>A Arquidiocese de Braga, fiel ao seu passado, n\u00e3o tem de ter receio nem medo de se adaptar, come\u00e7ando a percorrer caminhos novos na evangeliza\u00e7\u00e3o e na vida concreta das comunidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>At\u00e9 que ponto a mudan\u00e7a de arcebispo, um tema que est\u00e1 sobre a mesa, \u00e9 parte dessa transforma\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Eu creio que poder\u00e1 ajudar. S\u00e3o 22 anos, \u00e9 bastante tempo, eu nasci nesta diocese, identifico-me com esta mentalidade minhota. Talvez a vinda de algu\u00e9m fora de Braga possa trazer um outro ritmo diferente, outra maneira de conceber a Igreja. Acredito, seriamente, que poder\u00e1 tamb\u00e9m ajudar neste processo de renova\u00e7\u00e3o inadi\u00e1vel, de que temos vindo a falar com alguma insist\u00eancia nos \u00faltimos anos. \u00c9 uma express\u00e3o do Papa Francisco e n\u00f3s assumimo-la, reconhecendo que \u00e9 preciso renovar, n\u00e3o o podemos adiar, as circunst\u00e2ncias assim o exigem.<\/p>\n<p>A renova\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um ap\u00eandice, um pequeno pormenor, mas tem de ser algo estrutural. O novo arcebispo que vier nada far\u00e1 sem os sacerdotes, sem os leigos, mas poder\u00e1 trazer outro dinamismo a esta velha diocese, que quer ser nova nos tempos que correm.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>De que forma \u00e9 que viveu este tempo de espera? Acha que este processo tardou?<\/em><\/p>\n<p>Acho que sim e devo diz\u00ea-lo com toda a sinceridade: dois anos e meio parecem-me muito tempo. \u00c9 muito tempo para a diocese, em si, porque gera uma certa incerteza, queiramos ou n\u00e3o, uma certa apreens\u00e3o, expectativa. Mas tamb\u00e9m para mim, porque \u00e0s vezes me coloca numa atitude de nem sempre saber o que \u00e9 melhor, o que \u00e9 oportuno fazer, nesta quase que ambiguidade: \u00e9 oportuno tecer algumas considera\u00e7\u00f5es e dar algumas orienta\u00e7\u00f5es pastorais ou n\u00e3o o fazer?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em todo o caso, nunca foi parando\u2026<\/em><\/p>\n<p>Isso \u00e9 outro aspeto. Dou gra\u00e7as a Deus e, ainda neste momento, pe\u00e7o a gra\u00e7a de ser fiel at\u00e9 ao outro momento, de descansar no dia em que entregar o b\u00e1culo a quem vier a seguir. At\u00e9 esse momento, com coragem, com necessidade de ultrapassar alguns problemas e alguns contratempos &#8211; um pouco neste ambiente de expectativa que \u00e0s vezes parece criar uma atitude de resigna\u00e7\u00e3o, de deixar correr, de esperar \u2013 n\u00e3o d\u00e1 para cruzar os bra\u00e7os. Pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_191835\" aria-describedby=\"caption-attachment-191835\" style=\"width: 391px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/79135796_2744852815581824_6913636928277446656_o.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-191835\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/79135796_2744852815581824_6913636928277446656_o-391x260.jpg\" alt=\"\" width=\"391\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/79135796_2744852815581824_6913636928277446656_o-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/79135796_2744852815581824_6913636928277446656_o-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/79135796_2744852815581824_6913636928277446656_o-768x511.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/79135796_2744852815581824_6913636928277446656_o-1080x719.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/79135796_2744852815581824_6913636928277446656_o-980x652.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/79135796_2744852815581824_6913636928277446656_o-480x319.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/79135796_2744852815581824_6913636928277446656_o.jpg 1201w\" sizes=\"(max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-191835\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Arquidiocese de Braga<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Sente que a diocese parou?<\/em><\/p>\n<p>Penso que n\u00e3o. Falo s\u00f3 de uma sensa\u00e7\u00e3o, porque queremos muit\u00edssimo mais, sabendo que a pandemia tamb\u00e9m veio dificultar. Hoje, o fundamental \u00e9 que nos deixemos interpelar \u2013 penso muitas vezes nisso -, n\u00e3o precisamos de saber quem \u00e9 que vem, quem \u00e9 que ser\u00e1 o bispo, n\u00e3o dev\u00edamos estar preocupados com isso. Sabendo que vir\u00e1, efetivamente, aquele que a Igreja considera mais oportuno e mais adequado para este momento. Acreditamos que a Igreja n\u00e3o \u00e9 uma realidade humana, n\u00e3o \u00e9 uma escolha fruto disto ou daquilo: \u00e9 o Papa, fruto da plenitude do Esp\u00edrito Santo, que oferece \u00e0 Arquidiocese de Braga o bispo mais conveniente. Esperamos muito, mas n\u00e3o vale a pena estarmos preocupados com quem vir\u00e1 ou com quem n\u00e3o vir\u00e1.<\/p>\n<p>O que importa \u00e9 pensar no que lhe vamos oferecer, quando aqui chegar: vamos oferecer uma Igreja com dinamismo, j\u00e1 em movimento, empenha nesta ideia da renova\u00e7\u00e3o? Ou, pelo contr\u00e1rio, estamos desmotivados, fruto da pandemia \u2013 que talvez seja a raz\u00e3o que usamos com mais frequ\u00eancias? O que \u00e9 que oferecemos ao bispo que vai chegar? Esta \u00e9 a minha preocupa\u00e7\u00e3o e \u00e9 este o alerta que vou lan\u00e7ando aos sacerdotes, \u00e0s pessoas mais empenhadas na pr\u00f3pria Igreja: a preocupa\u00e7\u00e3o por trabalharmos para que, quando o novo arcebispo chegar, veja uma Igreja unida, em comunh\u00e3o, empenhada na din\u00e2mica interna das comunidades e nesta voca\u00e7\u00e3o do exterior.<\/p>\n<p>Temos falado muito, este ano, numa Igreja samaritana. Na par\u00e1bola do Bom Samaritano, a Igreja \u00e9 uma esp\u00e9cie de estalagem, para acolher os mais pobres, os marginais, os sozinhos, os \u00faltimos. Frei Bartolomeu dos M\u00e1rtires usava uma express\u00e3o de que eu gosto muito: a par\u00f3quia \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u201chospital de Deus\u201d. Portanto, esta Igreja que n\u00f3s queremos ser hoje \u00e9 uma Igreja din\u00e2mica interiormente e uma Igreja para fora. Empenhada num compromisso social, numa amizade social, que quer efetivamente transformar as estruturas existentes, de tal forma que as pessoas sintam a sua plena realiza\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a minha preocupa\u00e7\u00e3o neste momento, \u00e9 isso que tenho dito permanentemente tamb\u00e9m aos sacerdotes e aos leigos: em vez de nos preocuparmos muito com quem vir\u00e1, quando vir\u00e1, que estejamos sempre alerta, sempre empenhados, sempre comprometidos, trabalhando. Neste desejo que quando chegar algu\u00e9m que \u00e9 enviado por Deus e n\u00e3o escolhido por t\u00e9cnicas ou cumplicidades, ser\u00e1 o arcebispo para o momento presente. Ent\u00e3o, preocupamo-nos sobretudo com a Igreja que vamos oferecer. Esta \u00e9 uma hora com muitos desafios, muitos problemas, mas tamb\u00e9m com muitas oportunidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nas <\/em><a href=\"https:\/\/www.diocese-braga.pt\/noticia\/1\/29640\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>nomea\u00e7\u00f5es<\/em><\/a><em> que tornou p\u00fablicas, diz que de forma \u201cconsciente e respons\u00e1vel\u201d, teriam de ser poucas. Isso quer dizer que \u00e9 j\u00e1 trabalho que fica para o seu sucessor?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o diria isso. Neste \u00faltimo ano, tenho tido a preocupa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o fazer grandes mudan\u00e7as. As nomea\u00e7\u00f5es s\u00e3o um pormenor. Por norma, sei que s\u00e3o num n\u00famero significativo, porque temos 551 par\u00f3quias, \u00e9 preciso n\u00e3o o esquecer. Para al\u00e9m das par\u00f3quias, h\u00e1 movimentos, secretariados, departamentos\u2026 A vida muda e aparecem novas interpela\u00e7\u00f5es, novos desafios.<\/p>\n<p>Este ano, conscientemente \u2013 n\u00e3o no sentido de empurrar a responsabilidade -, fiz o que estou convencido que era necess\u00e1rio, suficiente, para esta altura. N\u00e3o quero estar a fazer tudo e assim, quem vier, pode repensar. N\u00e3o sei se ir\u00e1 usar o mesmo m\u00e9todo, de fazer as nomea\u00e7\u00f5es nesta altura, poder\u00e1 fazer noutras ocasi\u00f5es, e mesmo para os cargos de maior responsabilidade na diocese \u00e9 prov\u00e1vel que se queira mudar e \u00e9 bom que isso aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quem chegar \u00e0 diocese, o que vai encontrar? Falou j\u00e1 numa din\u00e2mica sinodal e samaritana, duas palavras que marcam os prop\u00f3sitos pastorais que tem por diante, mas que diocese vai encontrar tamb\u00e9m ao n\u00edvel da sua inser\u00e7\u00e3o na sociedade, dos servi\u00e7os que prop\u00f5e? <\/em><\/p>\n<p>De facto, \u00e9 uma diocese que tem muitas estruturas e que alguns at\u00e9 poder\u00e3o pensar que \u00e9 uma Igreja pesada, mas n\u00e3o sei at\u00e9 que ponto ser\u00e1 necess\u00e1rio tamb\u00e9m repensar isso, quem vier assumir\u00e1 essa responsabilidade\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A sua preocupa\u00e7\u00e3o foi ir dando vida \u00e0quilo que existia?<\/em><\/p>\n<p>E n\u00e3o s\u00f3, como disse atr\u00e1s, numa fidelidade criativa. Quem me conhece sabe que sou um eterno insatisfeito, estou sempre \u00e0 procura de mais e melhor. Costumo dizer que aquilo que hoje \u00e9 uma meta, amanh\u00e3 \u00e9 apenas uma etapa, temos de seguir em frente e descobrir caminhos novos. Fomos discernindo que o programa pastoral para a diocese, nesta altura, era trabalharmos para uma Igreja sinodal e samaritana, naquilo que as duas palavras significam. Fiquei muito contente quando o Papa decretou que o pr\u00f3ximo ano pastoral, a partir de setembro, era um tempo em que convidava a pr\u00f3pria Igreja a refletir, colocando-se em quest\u00e3o, sobre a sinodalidade. Pensando na sinodalidade como comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Posso dizer que nessa perspetiva, daquilo que o Papa nos aponta para este pr\u00f3ximo ano, n\u00f3s j\u00e1 estamos a caminho. J\u00e1 percorremos um caminho, talvez n\u00e3o tanto quanto n\u00f3s gostar\u00edamos, porque a pandemia condicionou muito as coisas, mas ele existe. A diocese n\u00e3o vai come\u00e7ar agora a pensar na sinodalidade, o que isso implica, o contributo que podemos dar \u00e0 Igreja universal, estamos a caminho. Estamos nesse processo, numa sinodalidade afetiva \u2013 em termos de aproximar as pessoas, nesta consci\u00eancia de que somos um s\u00f3 corpo \u2013 e efetiva, de envolver as pessoas, dentro da pr\u00f3pria comunidade e tamb\u00e9m fora. Eu n\u00e3o me canso de dizer que a Igreja, hoje, n\u00e3o pode fechar-se nas sacristias nem nos santu\u00e1rios. E Braga muito menos. Estamos aqui no Sameiro, temos muitos santu\u00e1rios e os nossos crist\u00e3os giram muito \u00e0 volta deles, mas n\u00f3s n\u00e3o podemos ficar aqui. Temos de vir aqui respirar para depois ir, entrar nas estruturas da realidade humana.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a Deus, temos uma realidade do turismo, com empenho forte e consistente no turismo religioso. \u00c9 sempre dif\u00edcil analisar, mas creio que j\u00e1 tem uma din\u00e2mica muito pr\u00f3pria. Temos a Pastoral da Cultura que est\u00e1 presente, atrav\u00e9s de muitas e variadas iniciativas, fazemos a experi\u00eancia da \u201cNova \u00c1gora\u201d, como este espa\u00e7o aberto que a Igreja de Braga quer ser, encontrando-se com mentalidades totalmente diferentes; a nossa Pastoral da Cultura est\u00e1 permanentemente em di\u00e1logo com aquilo que se pensa, aquilo que se diz. Temos uma Pastoral Universit\u00e1ria tamb\u00e9m com alguma incid\u00eancia, mais com os jovens, mas tamb\u00e9m com os professores.<\/p>\n<p>Teria um gosto particular de que houvesse um compromisso maior com o mundo do trabalho. Talvez n\u00e3o seja aquilo que deveria ser, mas a semente est\u00e1 lan\u00e7ada: esta Igreja que n\u00e3o se fecha, em sa\u00edda, em compromisso com tudo aquilo que s\u00e3o realidades humanas. \u00c9 um caminho, agora, que \u00e9 dif\u00edcil, sabemos que as pessoas t\u00eam uma dificuldade muito grande em comprometer-se. A Igreja de Braga tem sido este alerta para muitas realidades, muitas situa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o sabemos os resultados, mas esperamos que alguma coisa v\u00e1 ficando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Apontou o mundo do trabalho como algo onde gostaria de ver maior empenho. Numa avalia\u00e7\u00e3o destes 22 anos, coloca esse setor entre aqueles que gostaria de ter sido diferente?<\/em><\/p>\n<p>Direi que o mundo do trabalho tem sido, efetivamente, uma preocupa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o esque\u00e7amos que a diocese tem a parte mar\u00edtima, hoje com pouco express\u00e3o; tem a parte central, que \u00e9 o mundo dos oper\u00e1rios, do trabalho em f\u00e1bricas; e depois a parte do interior, mais ligada \u00e0 agricultura. Sabemos que o mundo do interior est\u00e1 a ficar desertificado e isso \u00e9 um grande desafio tamb\u00e9m para n\u00f3s, a desertifica\u00e7\u00e3o. Pessoas quase sozinhas, em situa\u00e7\u00f5es algo prec\u00e1rias.<\/p>\n<p>Depois h\u00e1 o mundo do trabalho, das f\u00e1bricas. N\u00f3s j\u00e1 tivemos aqui uma A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica mais interventiva. N\u00e3o esque\u00e7amos que foi de Braga que se levantou a quest\u00e3o da luta contra o trabalho infantil, da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica. Hoje talvez tenhamos necessidade disto, de uma a\u00e7\u00e3o mais interventiva, mas \u00e9 dif\u00edcil. Temos tamb\u00e9m um grupo, com alguma dimens\u00e3o, da ACEGE, nesta preocupa\u00e7\u00e3o com os empres\u00e1rios, para que vejam o seu trabalho como miss\u00e3o, colocando Cristo nas empresas. Gostaria de uma presen\u00e7a muito mais consistente.<\/p>\n<p>Outro mundo que \u00e9 um desafio para n\u00f3s, neste tempo que estamos a viver, \u00e9 a quest\u00e3o da juventude. Dizia-se no passado que o distrito de Braga era o mais jovem do pa\u00eds, hoje creio que n\u00e3o o \u00e9\u2026 Temos muitos movimentos, grupos nas par\u00f3quias, mas ainda faz falta \u2013 e a Jornada Mundial da Juventude \u00e9 mais um motivo \u2013 que nos possamos empenhar e comprometer com a juventude. \u00c9 urgente trabalharmos esta \u00e1rea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O que \u00e9 que gostaria de ter feito e acha que ficou por fazer?<a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Foto.Bom_.Jesus_.png\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-200154\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Foto.Bom_.Jesus_-390x260.png\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Foto.Bom_.Jesus_-390x260.png 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Foto.Bom_.Jesus_-768x512.png 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Foto.Bom_.Jesus_-480x320.png 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Foto.Bom_.Jesus_.png 885w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p>Insisto sempre naquilo que eu gostava de fazer mais: eu vejo a Igreja como comunidade. Temos de ser verdadeiramente uma coisa s\u00f3, entre n\u00f3s, que \u00e9 o lema que escolhi para o meu episcopado \u2013 a unidade, que sup\u00f5e a diversidade\u2026 Aqui, penso que caminhamos muito, mas podemos caminhar muito mais. Se pudesse deixar ficar uma esp\u00e9cie de testamento, iria buscar a rom\u00e3, \u00e0s minhas armas de f\u00e9. Eu escolhi a rom\u00e3, precisamente, para simbolizar a preocupa\u00e7\u00e3o pela unidade. H\u00e1 anos ofereci aos padres uma pequena pe\u00e7a, em cer\u00e2mica, com uma rom\u00e3, significando que \u00e9 bom que trabalhemos por ser uma coisa s\u00f3. Dizem que a rom\u00e3 tem 633 gr\u00e3os, tantos quantos os preceitos da lei judaica. Se olharmos bem, ela tem uma esp\u00e9cie de membrana, com pequenos grupos dentro. H\u00e1 os gr\u00e3os e h\u00e1 ali pequenos grupos, ali associados. Gostava de ver uma Igreja com estes gr\u00e3os todos, que simbolizam os crist\u00e3os espalhados por todos os cantos, nas mais variadas situa\u00e7\u00f5es; uma parte que \u00e9 constitu\u00edda pelos sacerdotes, pelos religiosos, pelos movimentos, pelas associa\u00e7\u00f5es, mas todos numa preocupa\u00e7\u00e3o por se amarem e se quererem bem, fazendo a experi\u00eancia do Ressuscitado entre eles, partindo com Ele. Ir ao encontro das diversas realidades humanas, para as cristianizar, para as cristificar, a partir de dentro. Esta \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o muito grande e se pudesse deixar um testamento era este: uma rom\u00e3, como simbologia, como interpela\u00e7\u00e3o, como compromisso, como realidade que \u00e9 poss\u00edvel fazer. Temos de trabalhar muito mais para que isso aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>Se as nossas comunidades paroquiais estivessem verdadeiramente simbolizadas numa rom\u00e3, todas unidas em Cristo, com Cristo presente no meio, Cristo ressuscitado, certamente a Igreja estaria a cumprir a sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mais do que obra por fazer, \u00e9 uma atitude na Igreja que est\u00e1 incompleta?<\/em><\/p>\n<p>Creio que sim. N\u00e3o estou numa atitude de fazer balan\u00e7os, mas creio que fui procurando fazer aquilo que de fui capaz, acreditando que tudo isto tem um sujeito que deve ser plural. N\u00e3o sinto que fiz alguma coisa, tudo o que foi feito aconteceu sempre &#8211; pelo menos na preocupa\u00e7\u00e3o \u2013 por um sujeito coletivo, comunit\u00e1rio. Com os padres, com os movimentos, com os grupos, sempre a trabalhar no plural, porque a Igreja \u00e9 isto mesmo. Sem um trabalho coletivo, colegial, n\u00e3o vamos a parte nenhuma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Foi esse trabalho conjunto que fez com que a diocese se fosse envolvendo cada vez mais nas diversas frentes de presen\u00e7a na sociedade, at\u00e9 com iniciativas empresariais? Deixa uma diocese comprometido nesse sentido? Envolvida na constru\u00e7\u00e3o da sociedade?<\/em><\/p>\n<p>Pelo menos como semente. H\u00e1 momentos dizia que sou insatisfeito, n\u00e3o poderia dizer que a diocese \u00e9 aquilo que eu gostaria que fosse, tamb\u00e9m neste \u00e2mbito. H\u00e1 um caminho que est\u00e1 a ser percorrido e vai continuar a s\u00ea-lo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o teve medo de investir?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, em termos de estruturas at\u00e9 dizem que talvez tenha sido demais. Mas foram aquelas que me parece serem necess\u00e1rias. Para mim \u00e9 muito importante o nosso centro cultural e pastoral, com audit\u00f3rio, salas, espa\u00e7o, com uma cooperativa para poder servir refei\u00e7\u00f5es a um pre\u00e7o acess\u00edvel. Temos agora um projeto de construir uma livraria nova, edificar um arquivo central, digamos. Tudo isto n\u00e3o avan\u00e7a porque n\u00e3o quero que avance, mas mesmo em termos financeiros, j\u00e1 h\u00e1 dinheiro para o realizar. \u00c9 absolutamente necess\u00e1rio: quando falo no arquivo, por exemplo, \u00e9 um sonho para mim, porque temos necessidade, n\u00e3o temos espa\u00e7o para colocar os nossos documentos. Mas preocupam-me, sobretudo, e \u00e9 um grande desafio, os documentos que temos espalhados pela diocese. As par\u00f3quias t\u00eam as suas resid\u00eancias e ali tinham os seus arquivos. Acontece que, outrora, cada par\u00f3quia tinha o seu p\u00e1roco, e a resid\u00eancia paroquial era habitada, mas agora a maior parte delas j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1. Os documentos que temos espalhados por essas resid\u00eancias correm o risco de se perder ou danificar. H\u00e1 um projeto feito, temos o dinheiro para o fazer, est\u00e1 tudo delineado e estruturado, \u00e9 um aspeto que eu considero muito importante.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m houve a aposta no patrim\u00f3nio, com um investimento muito grande.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sentiu o retorno, j\u00e1?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim. Percorremos a cidade de Braga, que quer ser capital da cultura, do turismo, por a\u00ed fora, mas o turismo em Braga tem de ser um turismo religioso. As pessoas v\u00eam a Braga por aquilo que envolve a cidade, mas se lhe retirarmos as igrejas, o turismo quase que deixa de existir. E, efetivamente, as igrejas est\u00e3o bem conservadas, foi um investimento muit\u00edssimo grande, mas d\u00e1 gosto ver o que as nossas comunidades foram fazendo, para se poder dotar de um patrim\u00f3nio que \u00e9 \u00fatil para n\u00f3s, para as celebra\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 tamb\u00e9m \u00fatil para mostrar a nossa cultura e a nossa alma do passado. Mas n\u00e3o vale a pena estar a fazer balan\u00e7os, as contas est\u00e3o feitas do outro lado\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sente-se que est\u00e1 cheio de energia para continuar enquanto for necess\u00e1rio\u2026<\/em><\/p>\n<p>Eu espero que Deus me conceda alguns anos para continuar. N\u00e3o tenho projeto, minimamente, e n\u00e3o estou preocupado com isso. Quero, pura e simplesmente, trabalhar, gastando todas as minhas energias, at\u00e9 ao dia em que entregar o b\u00e1culo ao arcebispo que vier. Depois irei ver com ele\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O que ir\u00e1 fazer?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o tenho projetos. N\u00e3o tenho planos, quero pensar com ele. A certeza \u00e9 que n\u00e3o me vou intrometer. H\u00e1 muitos padres que t\u00eam receio, pelo meu esp\u00edrito, mas n\u00e3o vou. Irei fazer o necess\u00e1rio, ajudar no que for preciso, mas tamb\u00e9m se fizer falta estar em casa, saberei ser contemplativo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/braga-4852960_1920.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-209884 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/braga-4852960_1920-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/braga-4852960_1920-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/braga-4852960_1920-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/braga-4852960_1920-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/braga-4852960_1920-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/braga-4852960_1920-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/braga-4852960_1920-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/braga-4852960_1920-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/braga-4852960_1920-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/braga-4852960_1920.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Falando sobre a realidade em Braga, o que espera das pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas?<\/em><\/p>\n<p>S\u00f3 espero que aqueles que se prop\u00f5em e v\u00e3o ser eleitos estejam motivados por um sentido do bem comum. Por vezes, d\u00e1-me a impress\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 este interesse pelo bem comum. Digo que h\u00e1 mais o partido do que esta ideia. Importaria que o bem comum fosse preocupa\u00e7\u00e3o de todos os que se candidatam, seja de que partido for, e que os nossos cat\u00f3licos sentissem tamb\u00e9m o dever, a obriga\u00e7\u00e3o de exercer o seu direito de cidadania. H\u00e1 muito medo, tamb\u00e9m. Lamentamo-nos dos pol\u00edticos, do que s\u00e3o e fazem contra a Igreja ou sem a Igreja, mas n\u00e3o estamos l\u00e1. Se os crist\u00e3os estivessem na pol\u00edtica, a pol\u00edtica poderia ter uma alma. Sabemos como \u00e9 que a Uni\u00e3o Europeia nasceu, o Papa Francisco declarou <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/europa-robert-schuman-considerado-veneravel-pelo-papa-francisco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">vener\u00e1vel<\/a> Robert Schuman, e n\u00f3s precisamos de cat\u00f3licos na pol\u00edtica, fazem-nos falta. Isto poder\u00e1 ser um desafio, uma oportunidade, porque a pol\u00edtica \u00e9 a n\u00edvel nacional, a n\u00edvel mundial, mas \u00e9 tamb\u00e9m a n\u00edvel local. \u00c9 a partir das nossas freguesias, onde vive o nosso povo\u2026 H\u00e1 pouco falava da desertifica\u00e7\u00e3o do nosso interior, com pessoas idosas, onde a presen\u00e7a da Igreja \u00e9 quase a \u00fanica de proximidade, porque s\u00e3o os padres, as comunidades, que olham por aquelas pessoas idosas, que est\u00e3o sozinhas, dia e noite, l\u00e1 na sua casa.<\/p>\n<p>Outro aspeto muito curioso na diocese \u00e9 a exist\u00eancia dos Centros Sociais Paroquiais &#8211; \u00e9 um problema que exige muita reflex\u00e3o. Braga tem mais de 200 centros, particularmente, nessas zonas do interior. S\u00e3o centros pequenos, com muitas dificuldades, muitos problemas, com exig\u00eancias permanentes da Seguran\u00e7a Social, algumas que n\u00e3o compreendo. S\u00e3o uma presen\u00e7a efetiva, nestes lugares, levando o que \u00e9 necess\u00e1rio para que as pessoas tenham dignidade de vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Espera que Braga seja Capital Europeia da Cultura em 2027?<\/em><\/p>\n<p>Eu creio que merece, \u00e9 uma cidade que tem algum dinamismo. No que nos diz respeito a n\u00f3s, Arquidiocese, a Igreja est\u00e1 empenhada e comprometida nisso mesmo, por aquilo que vamos fazendo todos os dias.<\/p>\n<p>J\u00e1 referi a quest\u00e3o do patrim\u00f3nio, que \u00e9 um sinal do nosso interesse. H\u00e1 tamb\u00e9m a quest\u00e3o do turismo e tantas outras realidades de patrim\u00f3nio imaterial, como a nossa Semana Santa, as nossas festas, que s\u00e3o sinais de uma cultura latente no nosso quotidiano.<\/p>\n<p>Desejo que o seja, n\u00e3o por aquilo que a cidade de Braga \u00e9, mas por aquilo que poder\u00e1 ser. Parece-me que \u00e9 necess\u00e1rio apostar muito mais na cultura. Esta preocupa\u00e7\u00e3o por ver a alma de um povo e desenvolv\u00ea-la. \u00c9 um desafio num maior empenho, nesta dimens\u00e3o cultural.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que mensagem deixaria ao seu sucessor?<\/em><\/p>\n<p>Que n\u00e3o tenha medo. N\u00e3o vem sozinho, tem aqui gente muito boa. Tenha a certeza de que h\u00e1 sempre algu\u00e9m que vai com ele. A gente do Minho \u00e9 uma gente muito boa: podemos estar a assistir a uma diminui\u00e7\u00e3o, em termos de pr\u00e1tica religiosa, mas esta gente \u00e9 essencialmente religiosa. Verificamos isso: as nossas festas s\u00e3o festas religiosas, ateus, agn\u00f3sticos, n\u00e3o sei se haver\u00e1 assim muitos. H\u00e1 aqui gente que quer, que precisa de um outro dinamismo, de uma outra vivacidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arcebispo de Braga assinalou 22 anos de tomada de posse, com olhar posto no futuro, sublinhando processo de \u00abrenova\u00e7\u00e3o inadi\u00e1vel\u00bb que pode beneficiar com dinamismo do seu sucessor<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":212789,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[172],"class_list":["post-212836","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-diocese-de-braga"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/212836","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=212836"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/212836\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/212789"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=212836"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=212836"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=212836"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}