{"id":2128,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/uma-cultura-de-paz\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"uma-cultura-de-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-cultura-de-paz\/","title":{"rendered":"Uma cultura de paz"},"content":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral do Santo Padre para o Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o \u2013 Setembro <!--more--> Que os pa\u00edses que sofrem os flagelos da guerra, do terrorismo ou da viol\u00eancia possam encontrar caminhos de reconcilia\u00e7\u00e3o, conc\u00f3rdia e paz.  1. Nos \u00faltimos anos, o terrorismo ganhou dimens\u00e3o planet\u00e1ria. Os atentados de 11 de Setembro de 2001, nos Estados Unidos, mant\u00eam-se como s\u00edmbolo funesto desta globaliza-\u00e7\u00e3o. Apurando um conceito que vinha dos anos 70 do s\u00e9c. XX, os promotores e agentes do terrorismo globalizado consideram que \u00abningu\u00e9m \u00e9 inocente\u00bb e, portanto, todos s\u00e3o alvos \u00ableg\u00edtimos\u00bb das suas bombas: membros de organiza\u00e7\u00f5es internacionais empenhadas em ajudar os mais necessitados; pessoas que t\u00eam o \u00abazar\u00bb de entrar num autocarro \u00e0 hora errada; turistas ou outros, hospedados num qualquer hotel de um qualquer pa\u00eds\u2026 Para os terroristas, o \u00abalvo\u00bb n\u00e3o importa, apenas interessa o efeito provocado nos vivos, naqueles que ter\u00e3o de viver com as consequ\u00eancias do terror. 2. H\u00e1 quem considere que algumas pessoas ou institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u00abmais inocentes\u00bb do que outras, face ao terrorismo. A este respeito, s\u00e3o elucidativas as reac\u00e7\u00f5es face a dois atentados terroristas cometidos no mesmo dia: em Bagdad, um cami\u00e3o explodiu junto \u00e0 sede da ONU naquela cidade; morreram 23 pessoas e v\u00e1rias dezenas ficaram feridas; foi uma como\u00e7\u00e3o internacional; em Jerusal\u00e9m, um suicida fez-se explodir dentro de um autocarro; morreram mais pessoas (incluindo v\u00e1rias crian\u00e7as) e ficaram mais pessoas feridas do que em Bagdad; em alguns casos, por\u00e9m, este atentado quase nem mereceu uma nota de rodap\u00e9 nos notici\u00e1rios. Subjacente a esta diferen\u00e7a de reac\u00e7\u00f5es, al\u00e9m do facto de em Israel tais atentados serem muito frequentes, parecia estar a ideia de que a ONU e seus funcion\u00e1rios eram \u00abmais inocentes\u00bb do que os israelitas mortos em Jerusal\u00e9m. Esta ideia apenas serve para justificar e alimentar o terror \u2013 e, n\u00e3o raro, \u00e9 fruto de op\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, incompreens\u00edveis a este n\u00edvel. As v\u00edtimas do terrorismo s\u00e3o todas igualmente inocentes \u2013 e os terroristas devem sofrer condena\u00e7\u00e3o un\u00e2nime. 3. H\u00e1 uma racionalidade fria, monstruosa e muito pr\u00e1tica no terrorismo. Esta racionalidade est\u00e1 presente de modo ainda mais estruturado na guerra, a forma suprema de viol\u00eancia. Gastam-se bili\u00f5es de euros em investiga\u00e7\u00e3o para criar armas mais eficazes, ou seja, mais mort\u00edferas. Consomem-se incont\u00e1veis recursos a treinar homens e mulheres com um objectivo \u00faltimo muito claro: serem capazes de matar mais e mais eficazmente do que o eventual inimigo. E sempre em nome da defesa nacional. Os Estados t\u00eam, sem d\u00favida, obriga\u00e7\u00e3o de velar pela seguran\u00e7a dos seus cidad\u00e3os \u2013 e como o mundo n\u00e3o \u00e9 perfeito e as pessoas n\u00e3o s\u00e3o anjos, devem dispor de meios eficazes, tendo em vista a defesa dos cidad\u00e3os e a protec\u00e7\u00e3o dos seus direitos. Muitos Estados, por\u00e9m, gastam em meios b\u00e9licos bem mais do que o necess\u00e1rio para responder a essa exig\u00eancia de seguran\u00e7a\u2026 ao ponto de deixarem milhares ou milh\u00f5es dos seus cidad\u00e3os a viver em condi\u00e7\u00f5es infra-humanas, enquanto gastam bili\u00f5es de euros nas armas mais sofisticadas e terr\u00edveis, incluindo as nucleares. 4. Numa civiliza\u00e7\u00e3o assim marcada pela tenta\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia como modo de resolver conflitos, importa assumir as exig\u00eancias de uma cultura de paz, a \u00fanica que serve os interesses de toda a fam\u00edlia humana. Esta cultura n\u00e3o ser\u00e1, certamente, ing\u00e9nua \u2013 porque optar pela paz \u00e9 bem mais exigente e dif\u00edcil do que optar pela viol\u00eancia e pela guerra. N\u00e3o ser\u00e1 ing\u00e9nua ao ponto de acreditar que todos estar\u00e3o dispostos a fazer esta op\u00e7\u00e3o \u2013 pois h\u00e1 quem continue a considerar o dom\u00ednio do outro melhor do que a conviv\u00eancia fraterna com o outro. N\u00e3o ser\u00e1 ing\u00e9nua ao ponto de ignorar a necessidade de a defender \u2013 em circunst\u00e2ncias extremas, o indiv\u00edduo pode sempre optar pela paz, mesmo quando lhe \u00e9 imposta uma viol\u00eancia de todo injusta; n\u00e3o se pode esperar, por\u00e9m, que as sociedades fa\u00e7am o mesmo, sobretudo quando est\u00e1 em causa a leg\u00edtima defesa face a um agressor injusto. N\u00e3o ser\u00e1 ing\u00e9nua, mas procurar\u00e1 com realismo adequar os meios aos fins que procura \u2013 e estes s\u00e3o, essencialmente, a conviv\u00eancia pac\u00edfica entre pessoas e povos e a cria\u00e7\u00e3o de inst\u00e2ncias reguladoras dos conflitos que h\u00e3o-de inevitavelmente surgir, resolvendo-os de modo pac\u00edfico e justo, ou impondo coercivamente as solu\u00e7\u00f5es mais justas, sempre que alguma das partes recuse a via pac\u00edfica. 5. Tendo em conta o poderio b\u00e9lico actual, a alternativa a esta cultura de paz passa por conflitos cada vez mais mort\u00edferos, mesmo que localizados, e at\u00e9 pela possibilidade de conflitos \u00e0 escala planet\u00e1ria, com riscos para o futuro de toda a fam\u00edlia humana. Encontramo-nos, pois, perante a necessidade de fazer op\u00e7\u00f5es exigentes e radicais. Para isso, n\u00f3s, crist\u00e3os, temos Jesus Cristo, Pr\u00edncipe da Paz, como refer\u00eancia primeira. Cumpre-nos ser dignos daquele em quem acreditamos, dando testemunho empenhado de um estilo de vida pac\u00edfico e respeitoso dos outros, alimentado pela ora\u00e7\u00e3o ao Pai de todos e Autor da verdadeira paz. Elias Couto <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral do Santo Padre para o Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o \u2013 Setembro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[154,206],"class_list":["post-2128","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-crianca","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2128","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2128"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2128\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}