{"id":21263,"date":"2006-11-21T13:28:54","date_gmt":"2006-11-21T13:28:54","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/11\/21\/lavar-os-olhos\/"},"modified":"2006-11-21T13:28:54","modified_gmt":"2006-11-21T13:28:54","slug":"lavar-os-olhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lavar-os-olhos\/","title":{"rendered":"Lavar os olhos"},"content":{"rendered":"<p>Nada tem um \u00e2ngulo \u00fanico. Tudo pode ser visto de outro modo, observado com outro olhar, interpretado com outro c\u00f3digo. Dizemos, para nos entendermos, que o mundo n\u00e3o \u00e9 a preto e branco.(Diz-se at\u00e9, para complicar, que uma foto a preto e branco revela melhor a alma dum rosto). Mas n\u00e3o podemos reduzir o planeta \u00e0 nossa pequena casa, nem encarcerar os s\u00e9culos nos estreitos minutos das nossas vidas. Depois, h\u00e1 pessoas cuja vida \u00e9 olhar o mundo, as coisas, a gente, os acontecimentos. Contam e cantam, escrevem e dizem os tons e os sons das realidades e das fantasias, dos projectos e frustra\u00e7\u00f5es, dos amores e amuos. Espelham e espalham acontecimentos, fazendo chegar ao resto do mundo por jornais, letras e sat\u00e9lites, a sua forma de ler as cartas da vida que a transpar\u00eancia das comunica\u00e7\u00f5es favorece. Os pontos cardeais deixam de ser em cruz e aconchegam-se a uma intimidade de fam\u00edlia humana pr\u00f3xima, como que \u00e0 lareira, a contar e ouvir as mesmas hist\u00f3rias. \u00c9 a nossa condi\u00e7\u00e3o humana, peregrinos nesta travessia constante que nos faz conhecer e amar o pr\u00f3ximo e o distante. E tamb\u00e9m azedar com os dissabores da vida e as desist\u00eancias de projectos nunca alcan\u00e7ados \u00e0 mistura com erros teimosamente repetidos. Assim nos perdemos em desencantos, quase n\u00e3o consentindo o vislumbre da esperan\u00e7a sobre o tempo e a pr\u00f3pria eternidade. Por isso o mundo se narra, quantas vezes, nos seus destaques de contra -luz tirando mais prazer do turvo que da clara transpar\u00eancia da alegria. Cada um v\u00ea o mundo como quer. Conta-o como entende. Mas a nossa voca\u00e7\u00e3o \u00e9 mais alta que as nossas hist\u00f3rias mesquinhas. E os narradores da vida, jornalistas do quotidiano e do imperec\u00edvel, t\u00eam obriga\u00e7\u00e3o de se n\u00e3o fechar no \u00e2ngulo apertado do medo e do desamor. Para se ver bem o que quer que seja \u00e9 preciso ter os olhos lavados. E felizes os que se comprazem em espalhar boas not\u00edcias. <i<Ant\u00f3nio Rego\n<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nada tem um \u00e2ngulo \u00fanico. Tudo pode ser visto de outro modo, observado com outro olhar, interpretado com outro c\u00f3digo. Dizemos, para nos entendermos, que o mundo n\u00e3o \u00e9 a preto e branco.(Diz-se at\u00e9, para complicar, que uma foto a preto e branco revela melhor a alma dum rosto). 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