{"id":21255,"date":"2006-11-21T11:25:47","date_gmt":"2006-11-21T11:25:47","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/11\/21\/igreja-lembra-mosteiros-de-clausura\/"},"modified":"2006-11-21T11:25:47","modified_gmt":"2006-11-21T11:25:47","slug":"igreja-lembra-mosteiros-de-clausura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-lembra-mosteiros-de-clausura\/","title":{"rendered":"Igreja lembra Mosteiros de Clausura"},"content":{"rendered":"<p>Aparentemente in\u00fateis, os Mosteiros de Clausura s\u00e3o \u201co\u00e1sis\u201d que fazem bem a toda a humanidade. Esta foi a mensagem que Bento XVI deixou no passado Domingo para a jornada \u201cpro orantibus\u201d que a Igreja celebra hoje, para agradecer ao Senhor pelo dom de tantas pessoas que, nos mosteiros e nas ermidas, se dedicam totalmente a Deus na ora\u00e7\u00e3o, no silencio e no escondimento. \u201cOs mosteiros de vida contemplativa oferecem-se-nos como o\u00e1sis nos quais o homem, peregrino sobre a terra, pode melhor atingir as nascentes do Esp\u00edrito e repousar ao longo do caminho. Estes lugares, portanto, aparentemente in\u00fateis, s\u00e3o ao contr\u00e1rio indispens\u00e1veis, como os pulm\u00f5es verdes de uma cidade: fazem bem a todos, mesmo \u00e0queles que n\u00e3o os frequentam ou mesmo ignoram a sua exist\u00eancia\u201d, apontou. Esta Jornada acontece na mem\u00f3ria lit\u00fargica da apresenta\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora no templo. Bento XVI recordou que tamb\u00e9m nos nossos dias \u2013 e frequentemente para surpresa de familiares e amigos \u2013 \u201cn\u00e3o poucas pessoas abandonam carreiras profissionais muitas vezes prometedoras para abra\u00e7ar a regra austera de um mosteiro de clausura\u201d. \u201cO que \u00e9 que as impulsiona \u2013 perguntou ainda o Papa \u2013 a dar um passo de t\u00e3o grande compromisso sen\u00e3o o facto de ter compreendido, como ensina o Evangelho, que o Reino dos c\u00e9us \u00e9 um tesouro pelo qual vale verdadeiramente a pena abandonar tudo?\u201d. \u201cEstes nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s testemunham silenciosamente que no meio das vicissitudes quotidianas, \u00e1s vezes bastante convulsas, o \u00fanico apoio que n\u00e3o vacila \u00e9 Deus, rocha inquebrant\u00e1vel de fidelidade e de amor\u201d, disse.  <b>Profiss\u00e3o em Portugal<\/b> No S\u00e1bado passado o Mosteiro de Santa Beatriz da Silva, em Viseu, esteve em festa. Longe do bul\u00edcio da cidade, esta comunidade religiosa faz a experi\u00eancia do sil\u00eancio numa vida completamente dedicada a Deus. S\u00e3o irm\u00e3s de clausura como normalmente as chamamos, irm\u00e3s que com a sua entrega e doa\u00e7\u00e3o radical levam os homens at\u00e9 Deus e trazem Deus at\u00e9 \u00e0 vida dos homens. A Irm\u00e3 Maria Helena, de 25 anos de idade, filha desta comunidade intitulada Ordem da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, fundada pela nossa compatriota Santa Beatriz da Silva, realizou os seus votos perp\u00e9tuos de obedi\u00eancia, pobreza, castidade e clausura. A alegria e a tranquilidade, de quem se doa a Deus, estavam impressos no seu rosto. Poder-se-\u00e1 afirmar que Maria a envolvia em seu manto azul imaculado. Muitos foram os que acorreram ao Mosteiro. Este tornou-se pequenino para tantos que quiseram participar deste sacramental. Presidiu \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o o Bispo de Viseu, D. Il\u00eddio Leandro, e concelebraram com ele uma vintena de sacerdotes provenientes desta diocese, de Lisboa, Lamego e Portalegre-Castelo Branco.  A Irm\u00e3 Maria Helena natural de Pregan\u00e7a, Patriarcado de Lisboa, ingressou com dezanove anos neste convento. A sua ternura para com Maria, a M\u00e3e Imaculada, a vontade de abra\u00e7ar Deus em maior intimidade foram sinais de elei\u00e7\u00e3o que a levaram a optar por esta Ordem da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, que embora seja de raiz portuguesa, talvez ainda seja pouco conhecida no nosso pa\u00eds.  Mas os des\u00edgnios de Deus s\u00e3o insond\u00e1veis! Num tempo em que os crit\u00e9rios de escolha nem sempre nos p\u00f5em diante de Deus, encontramos algu\u00e9m capaz de nos interrogar pela sua op\u00e7\u00e3o: \u00abO sil\u00eancio que me proporciona a Clausura para o encontro com Deus \u00e9 a fonte de harmonia que envolve toda a minha vida. Que me impele a levar na patena da ora\u00e7\u00e3o ao Pai, cada homem. Encontrei o sentido para a minha vida nesta Ordem contemplativa. Quero que Deus seja o tudo da minha vida, e dessa forma seja tamb\u00e9m para aqueles que Ele vai pondo no meu caminho.\u00bb <i>Pe. Paulo Ferreira OFM<\/I>  <b>Testemunho<\/b> &#8220;Deus olhou-me com miseric\u00f3rdia\u2026toda a minha vida se transformou\u2026&#8221; Gostaria com este artigo de transmitir o que pode ser uma vida tocada por Deus. Isto porque a alegria que levo dentro \u00e9 maior quando \u00e9 partilhada\u2026 Eu sou a Irm\u00e3 Maria Helena e perten\u00e7o \u00e0 Ordem da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 c\u00e1 em Viseu, como \u00fanica presen\u00e7a exclusivamente contemplativa. Se h\u00e1 uma express\u00e3o que defina a minha experi\u00eancia vocacional \u00e9 sem d\u00favida a j\u00e1 conhecida frase de Jesus: \u201cN\u00e3o fostes v\u00f3s que me escolhestes; Fui eu que vos escolhi a v\u00f3s\u2026\u201d (cf. Jo 15, 16a). Ao contemplar a minha vida vejo claramente que nada foi fruto do acaso, TUDO foi conduzido pela m\u00e3o de Deus, como um Pai conduz o seu filho. Nasci no seio de uma fam\u00edlia crist\u00e3 e fui introduzida na vida de f\u00e9 sobretudo pela minha m\u00e3e e pela minha av\u00f3. Era apenas uma jovem no meio de tantas outras. Gostava muito de estar com os amigos a conversar, de ouvir m\u00fasica, de ver televis\u00e3o, \u2026 Mas havia algo mais que me atra\u00eda, \u2026 o sil\u00eancio, pequenos momentos de ora\u00e7\u00e3o ou simplesmente olhar para o crucifixo. Transmitia-me paz\u2026e gostava principalmente de o fazer quando estava sozinha no meu quarto, sentia de alguma forma sede de solid\u00e3o e sil\u00eancio, mesmo n\u00e3o lhe dando nome e guardando-o s\u00f3 para mim. Outro ponto importante da minha vida foi experimentar que cada ano na escola, uma nova amizade, os problemas normais da vida, \u2026 cada coisa nova que surgia, ou mesmo obst\u00e1culos que tinha de ultrapassar, para alcan\u00e7ar algo de que gostava ou me parecia bom para mim, no fim perdiam aquele valor inicial. E acabava por viver tudo sem outro valor que o de uma etapa para algo mais\u2026 o meu lugar no qual seria realmente feliz. Dentro de mim, no mais profundo do meu ser ficava um vazio que era de certo modo, uma prepara\u00e7\u00e3o para esse algo mais para o qual Algu\u00e9m me ia levando. Apesar de ser ainda muito nova, pois percebi tudo isto muito cedo (mesmo n\u00e3o o sabendo expressar assim), tudo isto ecoava dentro de mim, \u2026 mas o mundo tem muitas vozes e eu muitas vezes escutei-as e deixei-me levar\u2026 Mesmo assim, Deus, como bom artista, com as circunst\u00e2ncias da vida, ia moldando o meu ser, \u2026 cada situa\u00e7\u00e3o foi um presente do seu Amor, ainda que s\u00f3 agora saiba reconhecer o seu grande valor, o seu significado mais profundo. Assim quis o Senhor\u2026 Por volta dos dezasseis anos conheci a Vida Contemplativa por meio de um sacerdote, que me acompanhava espiritualmente. O \u201cmist\u00e9rio\u201d que envolvia a vida destas Irm\u00e3s surpreendeu-me, pois me falava de uma profunda intimidade com o Senhor. O sil\u00eancio atra\u00eda-me\u2026 E al\u00e9m disso era uma Ordem Mariana. Maria teve, e tem actualmente, um papel muito importante na minha vida. Percebi muitas vezes a sua ajuda silenciosa e discreta, \u00e9 uma verdadeira M\u00e3e e aquela que melhor nos pode levar a Cristo, pois foi a sua primeira disc\u00edpula, \u2026 caminhou na F\u00e9. Depois deste pequeno par\u00eantesis\u2026 eu estava a terminar o \u00faltimo ano antes de entrar na Universidade, e com resultados razo\u00e1veis, \u2026 mas como eu disse antes era s\u00f3 uma etapa\u2026 Passado um ano entrei no Mosteiro e ainda que tenha passado por algumas dificuldades, reconhe\u00e7o que Deus pode mais, imensamente mais, do que podemos pedir ou imaginar, e DE TUDO E SEMPRE TIRA O BEM. Todo o caminho inicial de forma\u00e7\u00e3o foi marcado por abundantes gra\u00e7as que s\u00e3o dif\u00edceis de expressar. Foram momentos de abertura ao Amor, de grande intensidade para a minha vida humana e espiritual. S\u00f3 posso proclamar com Maria: \u201cO Senhor fez em mim maravilhas\u201d. E o Senhor continua a sua obra\u2026 Agora\u2026 chegou o momento da minha Profiss\u00e3o Solene, da entrega total ao Senhor. Encontro-me diante do passo mais definitivo da minha vida, isto porque o horizonte que se me depara \u00e9 imenso, absoluto e eterno, mas a responsabilidade \u00e9 traduzida pelos pequenos passos di\u00e1rios de uma vida entregue. Percebo-me d\u00e9bil diante do que prometo, mas percebo que sou acolhida maternalmente\u2026 pois por Maria entrego a minha vida ao Senhor, ponho a minha m\u00e3o na sua e confio. Como gostaria de expressar o que pode acontecer a uma alma que se entrega a Deus\u2026 Ele conhece-nos por dentro, n\u00e3o com um conhecimento que nos julga, mas sim com um conhecimento amoroso. Ele ama-nos tal como somos, n\u00e3o espera que sejamos melhores para nos amar\u2026 Percebi nesta caminhada j\u00e1 realizada, que \u00e9 de Deus que aprendemos a Amar e a amarmo-nos sem condi\u00e7\u00f5es nem preconceitos. Por isso entregar-se a Ele \u00e9 a melhor maneira de viver em plenitude, \u2026 de VIVER VERDADEIRAMENTE. Porque ser\u00e1 que uma pessoa consagrada emite os votos de Pobreza, Castidade e Obedi\u00eancia, pergunto-me eu a mim mesma, para lhe dar a minha resposta pessoal?! Identifica\u00e7\u00e3o mais perfeita com Cristo, o Consagrado, Sim. Mas nesta base deve ser traduzido o meu dia a dia \u2013 como dizia mais acima \u2013 em cada gesto, palavra ou sorriso\u2026 Estes pilares da consagra\u00e7\u00e3o tocam profundamente as ra\u00edzes do meu ser e levam-me a ser uma nova criatura\u2026 \u00c9 a Pobreza de aceitar ser o que se \u00e9, deixando-se moldar pela ac\u00e7\u00e3o de Deus na nossa hist\u00f3ria. \u00c9 a Castidade de amar com o cora\u00e7\u00e3o de Deus o irm\u00e3o que temos ao lado. De fazer actos de amor das coisas mais simples do dia a dia. \u00c9 a obedi\u00eancia de perceber nas vozes da Igreja, dos superiores, dos irm\u00e3os e dos acontecimentos do mundo a voz de Deus, a Sua Vontade. \u00c9, por fim, a Clausura de ser reservada s\u00f3 para Deus, de dedicar-me exclusivamente a Ele e por isso ter um cora\u00e7\u00e3o dilatado para abra\u00e7ar a humanidade, cada homem em particular e de lev\u00e1-los na patena da ora\u00e7\u00e3o \u00e0 Presen\u00e7a do nosso Pai. Tudo isto n\u00e3o \u00e9 algo j\u00e1 feito e plenamente interiorizado; n\u00e3o s\u00e3o actos que se realizam automaticamente depois de os prometer\u2026 s\u00e3o edifica\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, semente que amadurece ao sol e \u00e0 chuva e tamb\u00e9m ao vento do Esp\u00edrito que a vai levando para onde e como Deus quer. Tudo isto se resume em \u201cduas ou tr\u00eas\u201d palavras-chave: Deus Trindade, Maria e os irm\u00e3os. Descobri Deus como o mais importante da minha vida; Cristo como o exemplo apaixonante a imitar, exemplo de plenitude de vida. O Esp\u00edrito Santo como o fiel inspirador dos meus actos, suave Presen\u00e7a de Deus Amor. Maria \u00e9 a companheira fiel, a M\u00e3e atenta aos acontecimentos do meu viver. Por tudo isto percebi os homens como irm\u00e3os. Agora\u2026 \u00e9 s\u00f3 tornar-se VIDA cada dia. <i>Irm\u00e3 Maria Helena Martins Alexandre \u2013 Convento de Santa Beatriz da Silva Ordem da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o (O.I.C.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aparentemente in\u00fateis, os Mosteiros de Clausura s\u00e3o \u201co\u00e1sis\u201d que fazem bem a toda a humanidade. 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