{"id":211839,"date":"2021-07-09T09:00:14","date_gmt":"2021-07-09T08:00:14","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=211839"},"modified":"2021-07-09T14:53:01","modified_gmt":"2021-07-09T13:53:01","slug":"lusofonias-com-s-bento-ora-et-labora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-com-s-bento-ora-et-labora\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Com S. Bento, \u2018ora et labora\u2019"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/S-Bento-Montecassino.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-211843\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/S-Bento-Montecassino.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/S-Bento-Montecassino.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/S-Bento-Montecassino-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/S-Bento-Montecassino-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/S-Bento-Montecassino-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/S-Bento-Montecassino-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/S-Bento-Montecassino-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/S-Bento-Montecassino-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/S-Bento-Montecassino-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u2018Reza e Trabalha\u2019 (\u2018Ora et Labora\u2019) \u00e9 a imagem de marca de S. Bento e a s\u00edntese da sua Regra de Vida Mon\u00e1stica. Este grande homem do s\u00e9c. V (nasceu em N\u00farcia, It\u00e1lia em 480) \u00e9 considerado o pai da vida mon\u00e1stica no Ocidente. Viveu 66 intensos anos de vida, com experi\u00eancias fortes e intui\u00e7\u00f5es que marcaram a hist\u00f3ria mudando o rumo \u00e0 Europa e, depois, ao mundo inteiro.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria \u00e9 sempre uma li\u00e7\u00e3o de vida. A de S. Bento fala alto e cala fundo. Estava ele em Roma, mas j\u00e1 n\u00e3o lhe agradava nada a forma como os crist\u00e3os viviam, se relacionavam e rezavam. Por isso, decidiu andar 70 kms e refugiar-se numa gruta de montanha, em Subiaco. O sonho monacal de S. Bento nasceu ali. Peregrinei a este lugar que \u00e9 fonte de inspira\u00e7\u00e3o. Na actual cidade, a alguns kms da gruta, estava um painel gigante que dizia: \u2018Cidade da Imprensa e do Monaquismo Beneditino\u2019. Depois, dirigi-me para as montanhas onde, no local dessa gruta sagrada, foi constru\u00eddo o actual Mosteiro Beneditino, nos s\u00e9c.s XI e XII. Antes de l\u00e1 chegar, passa-se pela Abadia de Santa Escol\u00e1stica que \u00e9 o mais antigo dos Mosteiros Beneditinos, pois os outros 12 que Bento fundou ou foram destru\u00eddos ou abandonados. Um aluimento de terra obrigou a fazer a p\u00e9 parte deste sinuoso percurso, desde a Abadia de S. Escol\u00e1stica at\u00e9 ao Mosteiro de S. Bento. Ainda bem, pois, embora as pernas se queixem, a beleza natural \u00e9 de encher os olhos. Este Mosteiro cravado nas rochas da montanha, encaixado num vale luxuriante, \u00e9 mesmo \u2018o limiar do c\u00e9u\u2019, como lhe chamou Petrarca! Foi \u2013 diz a tradi\u00e7\u00e3o- constru\u00eddo sobre a gruta onde S. Bento passou tr\u00eas anos a jejuar e a rezar para pedir a Deus inspira\u00e7\u00e3o e luzes para o futuro. A visita guiada, feita por um Monge Beneditino, fez-me recuar 15 s\u00e9culos e tentar imaginar este sonho de S. Bento, t\u00e3o bem ilustrado nas pinturas belas e simb\u00f3licas que marcam paredes e tectos. E foi bom saber que ali se imprimiram os primeiros livros em terras de It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Tr\u00eas anos depois, o Esp\u00edrito mandou Bento deixar Subiaco e partir. Era o ano de 529. Chegaria a Montecassino, a 170 kms a sul de Roma. Ali, num pico que domina quil\u00f3metros de paisagem de cortar a respira\u00e7\u00e3o (520 m de altitude), Bento constr\u00f3i, sobre as ru\u00ednas de uma velha acr\u00f3pole pag\u00e3, um mosteiro dedicado a S. Martinho. Aqui se funda, verdadeiramente, a Ordem Beneditina. S. Bento escreve a Regra que assenta nos pilares da Ora\u00e7\u00e3o e do Trabalho, dando in\u00edcio \u00e0 aventura da Vida Mon\u00e1stica no Ocidente. \u00c9 muito simb\u00f3lica a sua liga\u00e7\u00e3o a S. Escol\u00e1stica, sua Irm\u00e3 g\u00e9mea que faz nascer o ramo feminino da Ordem Beneditina. Ambos est\u00e3o sepultados na Igreja da Abadia, juntos na morte como na vida. Morreu em 547 e a Ordem j\u00e1 tinha os fundamentos bem alicer\u00e7ados.<\/p>\n<p>Visitei Montecassino e fui surpreendido pela beleza da montanha, pela grandeza da Abadia e pela conturbada hist\u00f3ria que a visita guiada me ajudou a conhecer. Bento e os seu Monges revolucionaram a vida dos povos que evangelizaram. Ensinaram a equilibrar o trabalho competente com a Ora\u00e7\u00e3o ritmada pelas horas do dia, investindo ainda muito na hospitalidade, na assist\u00eancia aos pobres e na promo\u00e7\u00e3o da cultura. A Europa que foi nascendo ao longo da Idade M\u00e9dia tem a imagem de marca de S. Bento e da sua Regra. Valorizou a agricultura, a pecu\u00e1ria, a silvicultura, as artes e os of\u00edcios. No s\u00e9c. XI, Montecassino tinha 300 monges que irradiavam f\u00e9 e cultura \u00e0 sua volta. O impacto na vida da Igreja foi t\u00e3o forte que j\u00e1 houve 16 Papas Beneditinos.<\/p>\n<p>Duma Reforma da Ordem surgiria a Ordem de Cluny (Fran\u00e7a, s\u00e9c. X). Esta abriu as portas \u00e0 funda\u00e7\u00e3o da Ordem de Cister (sec.XI), sendo S. Bernardo de Claraval (1090-1153) a figura de refer\u00eancia. O seu grande objectivo era o regresso \u00e0 Regra de S. Bento e \u00e0 Vida Contemplativa.<\/p>\n<p>Montecassino, porque lugar importante e estrat\u00e9gico, teve quatro momentos cr\u00edticos, sendo destru\u00eddo e reconstru\u00eddo posteriormente: foi tomado pelos Lombardos em 577, pelos Sarracenos em 887, destru\u00eddo pelo terramoto de 1349 e bombardeado e arrasado pela for\u00e7a a\u00e9rea americana em 1944, quase no fim da 2\u00aa Grande Guerra Mundial. Nesta \u00faltima trag\u00e9dia, foram mortas mais de 400 pessoas na Igreja da Abadia e os edif\u00edcios foram quase totalmente destru\u00eddos. Os americanos achavam que as tropas alem\u00e3s estavam l\u00e1 escondidas (falsa informa\u00e7\u00e3o) e despejaram 1400 toneladas de explosivos. D. Luigi Maglione, o Secret\u00e1rio de Estado do Vaticano, considerou o ataque \u2018um erro colossal\u2019 e \u2018uma estupidez grosseira\u2019. Felizmente que um general alem\u00e3o, sabendo que os Aliados iam destruir a Abadia, criou condi\u00e7\u00f5es para dali se retirarem os tesouros hist\u00f3ricos e art\u00edsticos. Foram salvos muitos s\u00e9culos de hist\u00f3ria, arte e cultura, incluindo pinturas de Ticiano, El Greco e Goya que chegaram a Roma intactas. Com pedido de desculpas, os Americanos pagariam \u2013 com o governo italiano \u2013 a reconstru\u00e7\u00e3o da Abadia, tal como a visitei. Ap\u00f3s esta reconstru\u00e7\u00e3o, o Papa Paulo VI &#8211; durante o Conc\u00edlio Vaticano II &#8211; visitou a Abadia a 24 de outubro de 1964, para consagrar a actual Bas\u00edlica e declarar S. Bento Padroeiro da Europa, continente que ele tanto e t\u00e3o bem ajudou a construir de raiz.<\/p>\n<p>Todos, em todos os tempos e lugares, precisamos de refer\u00eancias. S. Bento, com esta proposta de equil\u00edbrio entre a ora\u00e7\u00e3o e o trabalho, entre a a\u00e7\u00e3o e a contempla\u00e7\u00e3o, \u00e9 um ponto de refer\u00eancia obrigat\u00f3rio para a Igreja e para o mundo. A sua festa celebra-se a 11 de julho.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-211839-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/lusofonias-saobento-9-7-2021.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/lusofonias-saobento-9-7-2021.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/lusofonias-saobento-9-7-2021.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Roma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":114253,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-211839","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/211839","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=211839"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/211839\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=211839"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=211839"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=211839"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}