{"id":21161,"date":"2006-11-15T16:17:01","date_gmt":"2006-11-15T16:17:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/11\/15\/beja-conclui-rede-museologica-diocesana\/"},"modified":"2006-11-15T16:17:01","modified_gmt":"2006-11-15T16:17:01","slug":"beja-conclui-rede-museologica-diocesana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/beja-conclui-rede-museologica-diocesana\/","title":{"rendered":"Beja conclui Rede Museol\u00f3gica Diocesana"},"content":{"rendered":"<p>Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres reabre como museu  <!--more--> A Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres em Beja, um dos mais importantes monumentos religiosos da capital do Baixo Alentejo, reabre esta segunda-feira como museu, concluindo a Rede Museol\u00f3gica Diocesana. A reabertura da igreja e a inaugura\u00e7\u00e3o do Museu Episcopal que passa a funcionar na casa anexa t\u00eam lugar hoje, 20 de Novembro, \u00e0s 17H30, numa cerim\u00f3nia a que preside a Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima. A inaugura\u00e7\u00e3o do Museu Episcopal coincide com uma exposi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria, intitulada &#8220;Nas Asas da Aurora&#8221;, que revela alguns dos tesouros ocultos das igrejas de Beja, sem esquecer as antigas casas religiosas da cidade. Entre as pe\u00e7as que v\u00eam agora \u00e0 luz do dia, pela primeira vez, encontra-se um raro conjunto de disciplinas e cil\u00edcias dos s\u00e9culos XVIII e XIX, recentemente inventariado pelo Departamento do Patrim\u00f3nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico da Diocese de Beja. Neste conjunto de instrumentos de penit\u00eancia, que serviam outrora para a auto-mortifica\u00e7\u00e3o, destacam-se os cintos e os colares com pontas de arame e os l\u00e1tegos ou a\u00e7oites de c\u00e2nhamo e de ferro. N\u00e3o menos interessante \u00e9 uma pequena cruz de madeira, talvez j\u00e1 de in\u00edcios do s\u00e9culo XX, com puas de ferro, que servia para colocar sob os joelhos ou os p\u00e9s. S\u00e3o impressionantes documentos de \u00e9pocas profundamente marcadas pela viv\u00eancia m\u00edstica.  <b>20 anos<\/b> Desde o falecimento do \u00faltimo capel\u00e3o, h\u00e1 cerca de 20 anos, que um dos mais emblem\u00e1ticos monumentos religiosos de Beja se encontra fechado. A degrada\u00e7\u00e3o acentuou-se na d\u00e9cada de 1990, pondo o edif\u00edcio em risco de ru\u00edna, apesar da classifica\u00e7\u00e3o como im\u00f3vel de interesse p\u00fablico. Atrav\u00e9s da parceria entre o Departamento do Patrim\u00f3nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico da Diocese de Beja e o Estado, realizou-se um exemplar processo de recupera\u00e7\u00e3o que permitiu salvaguardar a talha, as pinturas murais e de cavalete, os azulejos e as obras de arte m\u00f3veis da igreja dos Prazeres. Os trabalhos alargaram-se \u00e0 envolvente e ao jardim, com a colabora\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara.  <b>Tesouros ocultos<\/b> Uma exposi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria d\u00e1 a conhecer os tesouros ocultos das igrejas da cidade, entre alfaias lit\u00fargicas, pinturas, esculturas e objectos devocionais. Algumas delas surpreendem pela beleza e pelo esplendor, como as ins\u00edgnias dos antigos bispos ou a imagem de S\u00e3o Pedro, de Joaquim Machado de Castro, pertencente \u00e0 ermida do mesmo nome, nos arredores de Beja. Outras impressionam pela austeridade, como o retrato no leito da morte de Soror Perp\u00e9tua da Luz, uma monja \u201ciluminada\u201d que viveu no convento da Esperan\u00e7a, ou as disciplinas e cil\u00edcios utilizados para penit\u00eancia nas casas religiosas femininas. O patrim\u00f3nio religioso pacense revela todo um universo espiritual com ra\u00edzes bem marcadas no nosso territ\u00f3rio.  <b>Hist\u00f3ria<\/b> A necessidade de facilitar o acesso \u00e0 principal pra\u00e7a de Beja levou \u00e0 abertura, no s\u00e9culo XVI, de uma porta na muralha medieval. Foi junto a este postigo que se veio a construir, encostada \u00e0 fortaleza, a igreja de Nossa Senhora dos Prazeres. A escolha do s\u00edtio explica-se n\u00e3o s\u00f3 por ser um dos mais frequentados da cidade mas tamb\u00e9m pelo costume de marcar a protec\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica de cada uma das suas entradas com uma capela. A invoca\u00e7\u00e3o escolhida, por seu turno, reflecte uma devo\u00e7\u00e3o muito presente na \u00e9poca, quando o culto mariano estava no auge. De facto, o santu\u00e1rio dos Prazeres tornou-se um dos principais centros da devo\u00e7\u00e3o das gentes de Beja, como o atestam as importantes ofertas votivas que recebeu, incluindo um not\u00e1vel n\u00facleo de joalharia. S\u00e3o pouco conhecidas as circunst\u00e2ncias que rodearam a edifica\u00e7\u00e3o da igreja, mas esta j\u00e1 estava conclu\u00edda em 1672. A sua tipologia segue um modelo caracter\u00edstico da arquitectura maneirista, correspondendo \u00e0 fachada de linhas discretas um interior muito sumptuoso, concebido \u00e0 maneira de obra de arte total. V\u00edtor Serr\u00e3o classificou-o como \u201cum dos mais sedutores testemunhos de totalidade decorativa da arte barroca do tempo de D. Pedro II\u201d. A azulejaria, a escultura e a pintura afluem aqui, com grande coer\u00eancia pl\u00e1stica, na cria\u00e7\u00e3o de um \u201cteatro sagrado\u201d que permite antever as gl\u00f3rias do C\u00e9u.  Nossa Senhora dos Prazeres \u00e9 um dos mais belos templos barrocos do Sul. A talha, da autoria de Manuel Jo\u00e3o da Fonseca e Francisco da Silva, cobre integralmente as paredes, dialogando com telas de Ant\u00f3nio de Oliveira Bernardes, o grande pintor da transi\u00e7\u00e3o do reinado de D. Pedro II para o de D. Jo\u00e3o V, que tinha as suas ra\u00edzes em Beja. Verdadeiramente impressionante \u00e9 o ciclo de pinturas murais que revestem na \u00edntegra o tecto, criando a ilus\u00e3o de uma arquitectura povoada por cenas da vida de Nossa Senhora, obra-prima que Oliveira Bernardes levou a cabo de parceria com seu pai, Pedro Figueira, pintor natural de Moura, mas estabelecido em Beja, e com Jo\u00e3o Pereira Pegado, outro mestre da regi\u00e3o. Os silhares de azulejos, assinados e datados porGabriel del Barco, completam \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o o conjunto, que desenvolve todo um tratado de teologia em torno da vida e dos mist\u00e9rios da Virgem.  <b>Recupera\u00e7\u00e3o<\/b> \u00c9 com grande expectativa que a popula\u00e7\u00e3o de Beja acolhe a reabertura do im\u00f3vel, depois de d\u00e9cadas de abandono. O caso, exemplificativo do esquecimento em que jazem muitos monumentos religiosos dos centros hist\u00f3ricos das nossas cidades e vilas, devido \u00e0 terciariza\u00e7\u00e3o destas \u00e1reas centrais, hoje dedicadas principalmente a servi\u00e7os e com escassos residentes. No caso da igreja dos Prazeres, a reabertura do edif\u00edcio ficou a dever-se ao empenhamento de um grupo de volunt\u00e1rios que lutou anos a fio pela sua recupera\u00e7\u00e3o, conseguindo o apoio da Uni\u00e3o Europeia, do Estado e da pr\u00f3pria Diocese, atrav\u00e9s do Programa Operacional da Cultura. O passo inicial foi dado em 1998, com a repara\u00e7\u00e3o das coberturas e a consolida\u00e7\u00e3o das magn\u00edficas pinturas do tecto, a cargo da Direc\u00e7\u00e3o-Geral dos Edif\u00edcios e Monumentos Nacionais. Entre 2002 e 2006, o IPPAR levou a cabo, em empreitadas sucessivas, o restauro do edif\u00edcio e das suas colec\u00e7\u00f5es, que incluem pe\u00e7as oferecidas por D. Fr. Manuel do Cen\u00e1culo, o primeiro bispo de Beja.  Ostentando na frontaria um fecho de ab\u00f3bada da \u00e9poca manuelina, com as chagas de Cristo envoltas pela coroa de espinhos, o edif\u00edcio anexo \u00e0 igreja albergava a casa do despacho e outras depend\u00eancias da Irmandade de Nossa Senhora dos Prazeres. Mais tarde serviu de resid\u00eancia para o capel\u00e3o. Hoje tem um uso museol\u00f3gico e constitui o n\u00facleo primordial do renascido Museu Episcopal de Beja. O nome invoca a institui\u00e7\u00e3o fundada em 1892, por Mons. Amadeu Ruas, sob a \u00e9gide do bispo D. Ant\u00f3nio Xavier de Sousa Monteiro, para evitar a dispers\u00e3o das obras de arte pertencentes aos \u00faltimos conventos e mosteiros femininos de Beja que se foram extinguindo, em penosa agonia, ao longo da segunda metade do s\u00e9culo XIX. Este museu desapareceu com o advento da Rep\u00fablica, sendo nacionalizado e integrado no Museu Regional, mas o ideal que esteve na sua g\u00e9nese \u2013 preservar, estudar e divulgar o patrim\u00f3nio religioso pacense \u2013 continua vivo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres reabre como museu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[100,168,171,285],"class_list":["post-21161","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-advento","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-beja","tag-patrimonio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21161","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21161"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21161\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21161"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21161"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21161"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}