{"id":21121,"date":"2006-11-14T11:16:48","date_gmt":"2006-11-14T11:16:48","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/11\/14\/a-familia-migrante\/"},"modified":"2006-11-14T11:16:48","modified_gmt":"2006-11-14T11:16:48","slug":"a-familia-migrante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-familia-migrante\/","title":{"rendered":"<i>A fam\u00edlia migrante<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem do Papa Bento XVI para o 93\u00ba Dia Mundial do Migrante e do Refugiado (2007) <!--more--> Caros irm\u00e3os e irm\u00e3s!  Por ocasi\u00e3o do pr\u00f3ximo Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, olhando para a Sagrada Fam\u00edlia de Nazar\u00e9, \u00edcone de todas as fam\u00edlias, gostaria de vos convidar a reflectir sobre a condi\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia migrante. O evangelista Mateus narra que, pouco tempo depois do nascimento de Jesus, Jos\u00e9 foi obrigado a partir de noite para o Egipto levando consigo o menino e sua m\u00e3e, para fugir \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o do rei Herodes (cf. Mt 2, 13-15). Comentando esta p\u00e1gina evang\u00e9lica, o meu venerado Predecessor, o Servo de Deus Papa Pio XII, escreveu em 1952: \u00abA fam\u00edlia de Nazar\u00e9 no ex\u00edlio, Jesus, Maria e Jos\u00e9 emigrantes no Egipto e l\u00e1 refugiados para se subtra\u00edrem \u00e0 ira de um \u00edmpio rei, s\u00e3o o modelo, o exemplo e o apoio para todos os pr\u00f3fugos de qualquer condi\u00e7\u00e3o que, amea\u00e7ados pela persegui\u00e7\u00e3o ou pelas necessidades, se v\u00eaem obrigados a abandonar a p\u00e1tria, os queridos parentes, os vizinhos, o afecto dos amigos, e a deslocar-se para terras estrangeiras\u00bb (Exsul familia, AAS 44, 1952, 649). No drama da Fam\u00edlia de Nazar\u00e9, obrigada a refugiar-se no Egipto, vemos a dolorosa condi\u00e7\u00e3o de todos os migrantes, especialmente dos refugiados, dos exilados, dos deslocados, dos pr\u00f3fugos, dos perseguidos. Entrevemos as dificuldades de cada fam\u00edlia migrante, as priva\u00e7\u00f5es, as humilha\u00e7\u00f5es, as limita\u00e7\u00f5es e a fragilidade de milh\u00f5es e milh\u00f5es de migrantes, pr\u00f3fugos e refugiados. A Fam\u00edlia de Nazar\u00e9 reflecte a imagem de Deus conservada no cora\u00e7\u00e3o de cada fam\u00edlia humana, mesmo se desfigurada e debilitada pela emigra\u00e7\u00e3o.  O tema do pr\u00f3ximo Dia Mundial do Migrante e do Refugiado \u2013 A fam\u00edlia migrante \u2013 coloca-se em continuidade com os de 1980, 1986 e 1993, e pretende real\u00e7ar ulteriormente o compromisso da Igreja a favor n\u00e3o s\u00f3 do indiv\u00edduo migrante, mas tamb\u00e9m da sua fam\u00edlia, lugar e recurso da cultura da vida e factor de integra\u00e7\u00e3o de valores. S\u00e3o tantas as dificuldades que a fam\u00edlia do migrante encontra. O facto de estar longe dos seus familiares e a impossibilidade de se reunirem, muitas vezes s\u00e3o ocasi\u00e3o de ruptura dos v\u00ednculos origin\u00e1rios. Instauram-se rela\u00e7\u00f5es novas e nascem novos afectos; esquecem-se do passado e dos pr\u00f3prios deveres, que s\u00e3o provados duramente pela dist\u00e2ncia e pela solid\u00e3o. Se n\u00e3o se garante \u00e0 fam\u00edlia emigrada uma real possibilidade de inser\u00e7\u00e3o e de participa\u00e7\u00e3o, \u00e9 dif\u00edcil prever o seu desenvolvimento harmonioso. A Conven\u00e7\u00e3o Internacional para a protec\u00e7\u00e3o dos direitos de todos os trabalhadores migrantes e dos membros das suas fam\u00edlias, que entrou em vigor a 1 de Julho de 2003, pretende tutelar os trabalhadores migrantes, homens e mulheres, e os membros das respectivas fam\u00edlias. \u00c9 reconhecido o valor da fam\u00edlia tamb\u00e9m no que diz respeito \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o, fen\u00f3meno que j\u00e1 se tornou estrutura das nossas sociedades. A Igreja encoraja a ratifica\u00e7\u00e3o dos instrumentos internacionais legais destinados a defender os direitos dos migrantes, dos refugiados e das suas fam\u00edlias, e oferece, em v\u00e1rias das suas Institui\u00e7\u00f5es e Associa\u00e7\u00f5es, aquela advocacy que se torna cada vez mais necess\u00e1ria. Foram abertos, para esta finalidade, centros de apoio aos emigrantes, casas para os acolher, escrit\u00f3rios para servi\u00e7os \u00e0s pessoas e \u00e0s fam\u00edlias, e foram animadas outras iniciativas para responder \u00e0s crescentes exig\u00eancias neste campo.  J\u00e1 se est\u00e1 a fazer muito pela integra\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias dos imigrados, mesmo se ainda h\u00e1 muito para fazer. Existem dificuldades efectivas relacionadas com alguns \u00abmecanismos de defesa\u00bb da primeira gera\u00e7\u00e3o emigrada, que correm o risco de constituir um impedimento para uma ulterior matura\u00e7\u00e3o dos jovens da segunda gera\u00e7\u00e3o. Eis por que se torna necess\u00e1rio predispor interven\u00e7\u00f5es legislativas, jur\u00eddicas e sociais para facilitar tal integra\u00e7\u00e3o. Nos \u00faltimos tempos aumentou o n\u00famero das mulheres que deixam o pr\u00f3prio Pa\u00eds de origem em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, em vista de perspectivas profissionais mais prometedoras. Mas n\u00e3o s\u00e3o poucas as mulheres que se tornam v\u00edtimas do tr\u00e1fico de seres humanos e da prostitui\u00e7\u00e3o. Quando as fam\u00edlias se voltam a reunir, as assistentes sociais, sobretudo as religiosas, podem prestar um servi\u00e7o de media\u00e7\u00e3o apreciado e que merece ser cada vez mais valorizado.  Em tema de integra\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias dos imigrantes, sinto o dever de chamar a aten\u00e7\u00e3o para as fam\u00edlias dos refugiados, cujas condi\u00e7\u00f5es parecem piorar em rela\u00e7\u00e3o ao passado, tamb\u00e9m no que se refere precisamente \u00e0 reunifica\u00e7\u00e3o dos n\u00facleos familiares. Nos \u201ccampos\u201d que lhes s\u00e3o destinados, \u00e0s dificuldades de alojamento e das pessoas, relacionadas com os traumas e com o stress emocional devido \u00e0s tr\u00e1gicas experi\u00eancias vividas, por vezes junta-se at\u00e9 o risco do envolvimento de mulheres e crian\u00e7as na explora\u00e7\u00e3o sexual, como mecanismo de sobreviv\u00eancia. Nestes casos \u00e9 necess\u00e1ria uma atenta presen\u00e7a pastoral que, al\u00e9m da assist\u00eancia capaz de aliviar as feridas do cora\u00e7\u00e3o, ofere\u00e7a um apoio da parte da comunidade crist\u00e3 capaz de restaurar a cultura do respeito e de fazer redescobrir o verdadeiro valor do amor. \u00c9 necess\u00e1rio encorajar quem est\u00e1 interiormente destru\u00eddo a recuperar a confian\u00e7a em si mesmo. Depois, \u00e9 necess\u00e1rio comprometer-se para que sejam garantidos os direitos e a dignidade das fam\u00edlias e lhes seja garantido um alojamento correspondente \u00e0s suas exig\u00eancias. Dos refugiados deve-se pretender que cultivem uma atitude aberta e positiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade que os acolhe, mantendo uma disponibilidade activa \u00e0s propostas de participa\u00e7\u00e3o para construir juntos uma comunidade integrada, que seja \u00abcasa comum\u00bb de todos.  Entre os emigrantes h\u00e1 uma categoria que deve ser considerada de modo especial: \u00e9 a dos estudantes de outros Pa\u00edses, que se encontram distantes de casa, sem um adequado conhecimento da l\u00edngua, por vezes sem amizades e muitas vezes com uma bolsa de estudos insuficiente. Torna-se ainda mais grave a sua condi\u00e7\u00e3o quando se trata de estudantes casados. Com as suas Institui\u00e7\u00f5es a Igreja esfor\u00e7a-se por tornar menos dolorosa a falta do apoio familiar destes jovens estudantes, e ajuda-os a integrar-se nas cidades que os acolhem, pondo-os em contacto com fam\u00edlias prontas a hosped\u00e1-los e a facilitar o seu rec\u00edproco conhecimento. Como tive a oportunidade de dizer noutra ocasi\u00e3o, ajudar os estudantes estrangeiros \u00e9 \u00abum importante campo de ac\u00e7\u00e3o pastoral. De facto, os jovens que deixam o seu Pa\u00eds por motivos de estudo v\u00e3o ao encontro de n\u00e3o poucos problemas e sobretudo correm o risco de uma crise de identidade\u00bb (15 de Dezembro de 2005).  Caros irm\u00e3os e irm\u00e3s, que o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado se torne uma ocasi\u00e3o prop\u00edcia para sensibilizar as comunidades eclesiais e a opini\u00e3o p\u00fablica para as necessidades e os problemas, assim como para as potencialidades positivas, das fam\u00edlias migrantes. Dirijo de modo especial o meu pensamento a quantos est\u00e3o directamente relacionados com o vasto fen\u00f3meno da migra\u00e7\u00e3o, e a quantos empregam as suas energias pastorais ao servi\u00e7o da mobilidade humana. As palavras do ap\u00f3stolo Paulo \u00abcaritas Christi urget nos\u00bb (2 Cor 5, 14) os estimule a comprometerem-se preferencialmente pelos irm\u00e3os e irm\u00e3s que t\u00eam mais necessidade. Com estes sentimentos, invoco sobre cada um de v\u00f3s a assist\u00eancia divina e a todos concedo com afecto uma especial B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica.  Vaticano, 18 de Outubro de 2006 <i>BENEDICTUS PP. XVI<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem do Papa Bento XVI para o 93\u00ba Dia Mundial do Migrante e do Refugiado (2007)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,154,206,291],"class_list":["post-21121","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-crianca","tag-familia","tag-refugiados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21121","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21121"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21121\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21121"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21121"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21121"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}