{"id":21114,"date":"2006-11-13T16:29:52","date_gmt":"2006-11-13T16:29:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/11\/13\/comunhao-episcopal-para-missao-eclesial-renovada\/"},"modified":"2006-11-13T16:29:52","modified_gmt":"2006-11-13T16:29:52","slug":"comunhao-episcopal-para-missao-eclesial-renovada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/comunhao-episcopal-para-missao-eclesial-renovada\/","title":{"rendered":"<i>Comunh\u00e3o Episcopal para miss\u00e3o eclesial renovada<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>Discurso do Presidente da CEP na abertura dos trabalhos da 163\u00aa Assembleia Plen\u00e1ria <!--more--> A Assembleia Plen\u00e1ria da CEP \u00e9 sempre motivo de alegria pela beleza do encontro fraterno e pelo recentralizar-se em Cristo vivo pois \u201conde dois ou tr\u00eas est\u00e3o reunidos no Meu nome Eu estou no meio deles\u201d (Mt 18,20). Desta experi\u00eancia de contemporaneidade com Cristo presenciamos o essencial da Igreja: \u201cOnde dois ou tr\u00eas est\u00e3o reunidos no Meu nome a\u00ed est\u00e1 a Igreja\u201d (Or\u00edgenes). Ser Igreja pela presen\u00e7a de Cristo une-nos, colegialmente, a Sua Santidade o Papa Bento XVI, suscita na comunh\u00e3o dos Santos atitudes de sufr\u00e1gio por D. Am\u00e9rico Henriques, regressado ao seio do Pai, intensifica a solidariedade e gratid\u00e3o eclesial com D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva e D. Ant\u00f3nio Baltasar Marcelino pelo trabalho realizado, com a certeza de que continuar\u00e3o connosco operantes em benef\u00edcio do Povo de Deus, e gera sentimentos de sinodalidade com D. Ant\u00f3nio Augusto dos Santos Marto, D. Il\u00eddio Pinto Leandro e D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos nos seus novos encargos pastorais. A D. Armindo Lopes Coelho asseguramos as nossas preces para uma recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade que lhe permita continuar connosco na edifica\u00e7\u00e3o do Reino. O suceder-se das Assembleias Plen\u00e1rias deveria ser sin\u00f3nimo dum crescimento na comunh\u00e3o, que \u00e9 visibiliza\u00e7\u00e3o de Deus e an\u00fancio da nova humanidade. A comunh\u00e3o entre as nossas dioceses deve ser um itiner\u00e1rio para a articula\u00e7\u00e3o harm\u00f3nica de projectos que inspirem, em consci\u00eancia respons\u00e1vel, as nossas op\u00e7\u00f5es quotidianas. Na variedade de contextos sociol\u00f3gicos e religiosos assumimos a sinodalidade n\u00e3o apenas como um discurso eclesiol\u00f3gico mas como um novo modo de agir e de viver. Somos comunh\u00e3o plural e, por isso, renunciamos ao individualismo para sublinhar que o an\u00fancio de Deus passa pela ac\u00e7\u00e3o concorde e harmoniosa.   <b>1. A diferen\u00e7a crist\u00e3 perante a laicidade<\/b> No itiner\u00e1rio da comunh\u00e3o, queremos descobrir sendas novas para a transmiss\u00e3o da f\u00e9 recebida. Sabemo-nos envolvidos num contexto de laicidade que gostar\u00edamos que fosse, nas palavras de Jo\u00e3o Paulo II, uma \u201claicidade justa\u201d, ou seja, alicer\u00e7ada na distin\u00e7\u00e3o entre as comunidades de crentes e o Estado, o que n\u00e3o implica \u201cignor\u00e2ncia\u201d ou desprezo do que somos ou significamos para o mundo. Se sentimos uma \u201claicidade aconfessional\u201d ou, melhor \u201canti-confessional\u201d, n\u00e3o nos podemos atemorizar; devemos sim, permanecer fi\u00e9is \u00e0 nossa identidade. \u00c9 isso que o presente e o futuro esperam de n\u00f3s. \tA \u201claicidade justa\u201d d\u00e1-nos a possibilidade de marcar a nossa presen\u00e7a e expressar o nosso pensamento numa sociedade onde pululam as propostas e os confrontos doutrinais. A\u00ed manifestamos a coragem de ser diferentes, sem presun\u00e7\u00e3o ou vangl\u00f3ria: s\u00f3 a vida, permeada da mensagem evang\u00e9lica, far\u00e1 que o Deus verdadeiro seja acolhido e anunciado deixando marcas na fisionomia da cultura contempor\u00e2nea.  \tN\u00e3o estamos do lado do medo ou da imobilidade resignada. Estamos apostados na edifica\u00e7\u00e3o duma sociedade mais justa atrav\u00e9s da for\u00e7a criativa que nasce da obedi\u00eancia fiel ao Evangelho. Deus n\u00e3o se pode tornar numa das opini\u00f5es controversas limitadas ao foro privado ou \u00edntimo de cada indiv\u00edduo.  <b>2. Transmitir a f\u00e9 como escuta e interpela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura<\/b> Quando falamos em transmiss\u00e3o da f\u00e9, deveremos ter em conta que n\u00e3o se trata, simplesmente, da passagem de testemunho, no interior da comunidade eclesial. Transmitir a f\u00e9 exige a inser\u00e7\u00e3o do Evangelho em todos os \u00e2mbitos da sociedade onde vivem os crist\u00e3os, pois a salva\u00e7\u00e3o crist\u00e3 possui dimens\u00e3o universal. \tA universalidade da evangeliza\u00e7\u00e3o implica saber escutar a cultura envolvente, na variedade dos seus sentidos e das suas percep\u00e7\u00f5es. Reclama por outro lado, n\u00e3o em menor grau, a coragem de interpelar profeticamente essa cultura. \tNo actual contexto de pluralismo cultural e religioso, a fidelidade \u00e0 transmiss\u00e3o da f\u00e9 exige tomadas de posi\u00e7\u00e3o publicamente aud\u00edveis. A escuta e o respeito pela diferen\u00e7a dos outros exige que sejamos verdadeiros e saibamos expor, de forma clara, a vis\u00e3o do homem e do mundo que nos \u00e9 constantemente proposta pela pessoa de Jesus Cristo. \tSeja na defesa dos mais d\u00e9beis, promovendo a vida e a sua dignidade em todas as circunst\u00e2ncias; seja na defesa da paz frente \u00e0 viol\u00eancia, mesmo ou sobretudo frente \u00e0 viol\u00eancia em nome de Deus; seja na den\u00fancia dos mais subtis atentados contra a dignidade humana, que uma sociedade de bem-estar n\u00e3o se cansa de levar a efeito; seja na defesa da liberdade de exprimir publicamente as pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es, desde que respeitosas da dignidade dos outros \u2013 a cultura hodierna, algo perdida ou confusa, exige palavras claras, ainda que humildes porque conscientes de n\u00e3o sermos donos absolutos da verdade. \tAcolher a f\u00e9 para interpelar a cultura pode expressar-se na s\u00faplica de S. Paulo a Tim\u00f3teo: \u201cPrega a Palavra, insiste oportuna e inoportunamente, convence, repreende, exorta com toda a compreens\u00e3o e compet\u00eancia\u201d (2 Tim 4,1), a que Santo Agostinho deu uma interpreta\u00e7\u00e3o paradigm\u00e1tica para os dias de hoje. \u201cOportunamente para quem? Inoportunamente para quem? Oportunamente para quem quer ouvir, inoportunamente para quem n\u00e3o quer ouvir\u201d (Serm\u00e3o 46). \tNunca poderemos renunciar ao imperativo do an\u00fancio da Boa Nova, fazendo-o, sempre e s\u00f3, numa atitude de di\u00e1logo. Alguns poder\u00e3o n\u00e3o querer ouvir ou apostar mesmo em silenciar a nossa voz. Porque n\u00e3o somos objectivo em n\u00f3s pr\u00f3prios e n\u00e3o nos procuramos a n\u00f3s mesmos, sabemos que o nosso sil\u00eancio atrai\u00e7oaria a felicidade da humanidade.  <b>3. Miss\u00e3o eclesial em favor da globalidade da vida<\/b> A Igreja, disc\u00edpula de Cristo que veio ao encontro dos homens para que tenham vida e a tenham em abund\u00e2ncia (cf. Jo 10,10), sempre interpretou a sua miss\u00e3o como servi\u00e7o \u00e0 vida. N\u00e3o se contentou nem se pode contentar com per\u00edodos de campanha. Toda a sua actividade se orienta para a defesa e promo\u00e7\u00e3o da dignidade da pessoa humana com direitos inviol\u00e1veis entre os quais a vida ocupa o primeiro lugar como condicionante e alicerce de todos os outros. A pastoral eclesial \u00e9 uma proposta evangelizadora do dom da vida, uma celebra\u00e7\u00e3o que marca as diferentes etapas da vida humana com os Sacramentos e uma interven\u00e7\u00e3o social que busca respostas para as situa\u00e7\u00f5es de vida marcadas pela aus\u00eancia dos direitos fundamentais. Omitir este Evangelho da vida significa renunciar ao essencial da miss\u00e3o e trair aqueles e aquelas que s\u00e3o a nossa raz\u00e3o de existir. \tA Igreja foi e ser\u00e1 sempre \u201cprofeta\u201d da vida oferecendo, em perman\u00eancia, raz\u00f5es para a defender. Hoje, assistimos a m\u00faltiplas e crescentes situa\u00e7\u00f5es preocupantes, indicadoras de uma disseminada \u00abcultura da morte\u00bb que atinge indiv\u00edduos, grupos e povos: o terrorismo organizado, alimentado por cegos interesses pol\u00edtico-econ\u00f3micos ou por exacerbado fanatismo religioso; o tr\u00e1fico de seres humanos; a explora\u00e7\u00e3o sexual de crian\u00e7as e adolescentes; o aborto; a eutan\u00e1sia e o suic\u00eddio assistido de idosos, de doentes incur\u00e1veis e de seres limitados a n\u00edvel f\u00edsico ou ps\u00edquico; o racismo e a xenofobia, tantas vezes assumidos como op\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica; a viol\u00eancia gratuita, multiforme, presente sobretudo nos grandes aglomerados urbanos, geradora de inseguran\u00e7a e de ostraciza\u00e7\u00e3o de determinados grupos \u00e9tnicos e sociais; as gritantes desigualdades econ\u00f3micas, culturais, sociais e tecnol\u00f3gicas que impedem a tantos o acesso condigno \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, aos cuidados de higiene e de sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e ao desenvolvimento; a dilui\u00e7\u00e3o da pessoa no anonimato e na massifica\u00e7\u00e3o, com o consequente empobrecimento das rela\u00e7\u00f5es humanas; a frustra\u00e7\u00e3o, o t\u00e9dio e o vazio existencial de tantos jovens, ilusoriamente \u201cresolvidos\u201d em para\u00edsos delirantes ou em experi\u00eancias ex\u00f3ticas e fugidias; a solid\u00e3o e o abandono de tantos idosos, encarados como \u201cpeso\u201d porque j\u00e1 n\u00e3o produtivos.  <b>4. A vida \u00e9 dom a acolher e a promover<\/b> Se a vida na sua multifacetada identidade nos interpela a sermos promotores duma verdadeira cultura, n\u00e3o podemos ignorar a realidade do aborto, assumida como quest\u00e3o fundamental e problema central quase que a distrair-nos de variad\u00edssimas situa\u00e7\u00f5es existenciais degradantes. \u00c9 com palavras claras que exprimimos a nossa posi\u00e7\u00e3o, mesmo que nos situem no espa\u00e7o dos retr\u00f3grados em confronto com outros pa\u00edses: somos inequivocamente pela vida desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 morte; simultaneamente, afirmamos o nosso compromisso na resposta a situa\u00e7\u00f5es que se revestem duma peculiar dramaticidade. Ser \u201cprofeta\u201d da vida significa dar voz a realidades que muitos querem ignorar. \tA vida enquanto dom recebido torna-se, para o homem, e para a mulher exig\u00eancia de dom assumido, generosa e responsavelmente, perante si mesmo e perante a humanidade. Quer isto dizer que a vida humana \u00e9 inseparavelmente dom-tarefa e, como tal, \u00e9 inst\u00e2ncia \u00e9tica privilegiada da auto-realiza\u00e7\u00e3o pessoal, da conviv\u00eancia com todos e da actua\u00e7\u00e3o no mundo. Tal tarefa, compromisso \u00e9tico, est\u00e1 bem patente em todos os c\u00f3digos deontol\u00f3gicos, no \u00e2mbito da medicina, desde a antiguidade at\u00e9 aos nossos dias, ao prescreverem \u00abo m\u00e1ximo respeito pela vida humana desde o momento da concep\u00e7\u00e3o\u00bb. Por tal raz\u00e3o, reafirmamos, uma vez mais, a mal\u00edcia intr\u00ednseca de todo o aborto provocado, pois constitui grav\u00edssimo atentado \u00e0 vida humana inocente e indefesa. Carece, pois, de qualquer razoabilidade e sentido falar do \u201cdireito a abortar\u201d por parte da mulher-m\u00e3e, invocando o direito a dispor arbitrariamente do seu pr\u00f3prio corpo, porque o concebido n\u00e3o \u00e9 \u201cap\u00eandice\u201d da m\u00e3e, mas antes uma realidade humana aut\u00f3noma e, como tal, inviol\u00e1vel. Da mesma forma, tamb\u00e9m n\u00e3o se pode reconhecer ao poder constitu\u00eddo, na sua vertente legislativa, compet\u00eancia para liberalizar ou descriminalizar o que, por sua natureza, \u00e9 crime. Nenhuma lei positiva pode transformar em n\u00e3o-mau ou em bom, o que \u00e9 mau em si mesmo. Poder\u00e1 sim, desculpabilizar, total ou parcialmente, os que cometem determinada ac\u00e7\u00e3o m\u00e1, atendendo \u00e0s m\u00faltiplas circunst\u00e2ncias atenuantes concretas. Ao Estado, porque pessoa de bem, compete elaborar uma regulamenta\u00e7\u00e3o legislativa justa e equilibrada que n\u00e3o silencie, n\u00e3o subalternize, nem subestime os direitos dos mais d\u00e9beis e indefesos.  \tReconhecemos, com humana compreens\u00e3o e solicitude, os dramas psicol\u00f3gicos, sociais e econ\u00f3micos que tantas vezes se apresentam como \u201cindica\u00e7\u00f5es\u201d para o aborto. Tais dramas, contudo, devem constituir \u201dindica\u00e7\u00f5es\u201d para a solidariedade real e efectiva do poder pol\u00edtico e da sociedade civil, criando as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que a nova vida seja acolhida e se possa desenvolver. Saudamos, com particular afecto, todos aqueles que j\u00e1 hoje, em diversas institui\u00e7\u00f5es, prestam generosamente este valioso servi\u00e7o \u00e0 vida e estimulamo-los a prosseguir t\u00e3o relevante servi\u00e7o. A solidariedade, feita comunh\u00e3o, \u00e9 o rosto mais belo e cred\u00edvel da \u201ccultura da vida\u201d.  <b>5. O trabalho, exig\u00eancia duma vida digna<\/b> Porque \u201co homem \u00e9 o caminho da Igreja\u201d (Jo\u00e3o Paulo II, Redemptor Hominis, n\u00ba 14), pretendemos percorrer com ele as suas alegrias e tristezas, as suas vit\u00f3rias e fracassos, as suas perplexidades e a sua esperan\u00e7a e compromisso (Cf. Gaudium et Sps, n\u00ba 1). \tDa\u00ed que, sempre na aten\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida do povo portugu\u00eas e no ano em que comemoramos os 25 anos da publica\u00e7\u00e3o da not\u00e1vel enc\u00edclica de Jo\u00e3o Paulo II, Laborem Exercens, \u201csobre o trabalho humano\u201d no nonag\u00e9simo anivers\u00e1rio da Rerum Novarum, ser\u00e1 oportuno relembrar os ensinamentos fundamentais a\u00ed explanados e procurar entender as principais transforma\u00e7\u00f5es em curso na sociedade portuguesa. A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mico-social inquieta-nos e o desemprego torna-se causa de situa\u00e7\u00f5es indignas que muitos teimam em ignorar. Teremos de reconhecer e sublinhar que o trabalho humano para todos deve ser a \u201cchave essencial para uma vida humana digna\u201d (L. E. n\u00ba 3). \tA precariedade do emprego, que atinge um n\u00famero cada vez maior de trabalhadores e de fam\u00edlias portuguesas, contraria as aspira\u00e7\u00f5es mais profundas das pessoas, sacrifica os seus leg\u00edtimos direitos na mesa do lucro e da competitividade a qualquer pre\u00e7o. O ideal de um emprego est\u00e1vel e digno para todos, a come\u00e7ar pelos mais jovens, vai-se diluindo na voracidade de uma economia cada vez mais globalizada e hipercompetitiva que, agressivamente, afecta a dignidade da pessoa humana e a estabilidade dos projectos e percursos da fam\u00edlia. \t\u00c9 oportuno interrogarmo-nos at\u00e9 que ponto a economia, organizada \u00e0 volta da competitividade a qualquer pre\u00e7o, com o resultado de deslocaliza\u00e7\u00f5es de empresas, de fus\u00f5es e de concentra\u00e7\u00e3o de grupos econ\u00f3micos, n\u00e3o lan\u00e7a no desemprego popula\u00e7\u00f5es e fam\u00edlias inteiras sem as qualifica\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para rapidamente regressarem ao mercado de emprego. \tSe o mercado de trabalho est\u00e1 em fase de desindustrializa\u00e7\u00e3o, de moderniza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e de requalifica\u00e7\u00e3o, os respons\u00e1veis industriais e pol\u00edticos, por seu lado, n\u00e3o devem esquecer as inerentes responsabilidades humanas e sociais para com aqueles que s\u00e3o v\u00edtimas de tais processos de mudan\u00e7a. A dignidade dos trabalhadores e das suas fam\u00edlias \u00e9 um valor que n\u00e3o poder\u00e1 deixar de ser promovido.  <b>6. A luz do Evangelho a marcar as realidades terrestres<\/b> Com estas observa\u00e7\u00f5es estou a recordar a doutrina do Conc\u00edlio Vaticano II. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio tornar acess\u00edveis ao homem todas as coisas de que necessita para levar uma vida verdadeiramente humana: alimento, vestu\u00e1rio, casa, direito de escolher livremente o estado de vida e de constituir fam\u00edlia, direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao trabalho, \u00e0 boa fama, ao respeito, \u00e0 conveniente informa\u00e7\u00e3o, direito de agir segundo as normas da pr\u00f3pria consci\u00eancia, direito \u00e0 protec\u00e7\u00e3o da sua vida e \u00e0 justa liberdade mesmo em mat\u00e9ria religiosa\u201d (G.S. 26). \tCom este cuidado pela vida toda e de todos, n\u00facleo central da transmiss\u00e3o da f\u00e9 (tema central desta Assembleia), quero interpelar a Igreja de Portugal para que a f\u00e9 incida no quotidiano das pessoas. Na verdade, \u201ca Igreja, seguindo a finalidade que lhe \u00e9 pr\u00f3pria, n\u00e3o s\u00f3 comunica ao homem a participa\u00e7\u00e3o na vida divina, mas tamb\u00e9m difunde, de certo modo, sobre o mundo inteiro a luz que irradia desta vida divina, principalmente sanando e elevando a dignidade da pessoa humana, consolidando a coes\u00e3o da sociedade e dando um sentido mais profundo e mais elevado \u00e0 actividade quotidiana dos homens. Assim a Igreja, por meio de cada um dos seus membros e de toda a sua comunidade, cr\u00ea que pode contribuir muito para tornar cada vez mais humana a fam\u00edlia dos homens e a sua hist\u00f3ria\u201d (G.S. 40). Assim Deus ajude todos os crist\u00e3os a afirmar a pr\u00f3pria identidade e a terem coragem para evangelizar o mundo atrav\u00e9s da proclama\u00e7\u00e3o da beleza de Deus na solicitude, atenta e respons\u00e1vel, pela dignidade da vida desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 morte.  F\u00e1tima, 13\/11\/2006. <i>+ Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo Primaz<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Discurso do Presidente da CEP na abertura dos trabalhos da 163\u00aa Assembleia Plen\u00e1ria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,120,144,154,159,160,191,193,206,207,237,294,314],"class_list":["post-21114","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-bento-xvi","tag-concilio-vaticano-ii","tag-crianca","tag-d-antonio-francisco-dos-santos","tag-d-armindo-lopes-coelho","tag-economia","tag-educacao","tag-familia","tag-fatima","tag-joao-paulo-ii","tag-sacramentos","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21114","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21114"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21114\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21114"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21114"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21114"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}