{"id":210993,"date":"2021-06-27T09:30:08","date_gmt":"2021-06-27T08:30:08","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=210993"},"modified":"2021-06-25T11:29:56","modified_gmt":"2021-06-25T10:29:56","slug":"angola-precisa-de-incremento-da-economia-sem-o-petroleo-diretor-da-caritas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/angola-precisa-de-incremento-da-economia-sem-o-petroleo-diretor-da-caritas\/","title":{"rendered":"Angola precisa de \u00abincremento da economia sem o petr\u00f3leo\u00bb &#8211; Diretor da C\u00e1ritas"},"content":{"rendered":"<p><em>Jos\u00e9 Quintas \u00e9 o convidado da entrevista semana Renascen\u00e7a\/Ecclesia, abordando desafios levantados pela crise, a seca e o papel da nova plataforma das C\u00e1ritas Lus\u00f3fonas para promover a a\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151145.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-210875 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151145.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1440\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151145.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151145-347x260.jpg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151145-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151145-768x576.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151145-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151145-510x382.jpg 510w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151145-1080x810.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151145-1280x960.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151145-980x735.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151145-480x360.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que import\u00e2ncia d\u00e1 a este projeto \u201cC\u00e1ritas Lus\u00f3fonas em Rede\u201d?<\/em><\/p>\n<p>Antes de tudo, quero agradecer o convite que me foi formulado e \u00e0 C\u00e1ritas Portuguesa, por esta oportunidade de ter um projeto em rede, que \u00e9 muito importante para n\u00f3s. Ajuda-nos a ver o que n\u00e3o podemos ver e a melhorar o que n\u00e3o conseguimos observar. O projeto, em rede, serve para criar sinergias e trabalhar melhor nesta causa social, atrav\u00e9s da C\u00e1ritas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O projeto tem como meta \u201cmelhorar a qualidade, efic\u00e1cia e efici\u00eancia na resposta\u201d. Como \u00e9 que isto ajuda a C\u00e1ritas Angola na sua resposta \u00e0s popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis<\/em>?<\/p>\n<p>Este projeto, que est\u00e1 j\u00e1 na fase final \u2013 e que provavelmente teremos de renegociar, expandir cada vez mais \u2013 \u00e9 mesmo para melhorar a qualidade da gest\u00e3o, dentro das exig\u00eancias da C\u00e1ritas Internacional, os seus padr\u00f5es, nos nossos projetos. Isso \u00e9 importante para n\u00f3s, do ponto de vista de doadores e benefici\u00e1rios.<\/p>\n<p>Esses par\u00e2metros de gest\u00e3o ajudaram a C\u00e1ritas de Angola a ter uma visibilidade mais cred\u00edvel e tamb\u00e9m a saber medir o impacto dos projetos, nos benefici\u00e1rios. Queremos melhorar cada vez mais a nossa a\u00e7\u00e3o social, para que a nossa resposta seja pronta, evang\u00e9lica, prof\u00e9tica, tamb\u00e9m na verdade e na caridade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E onde se encontram as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis<\/em>?<\/p>\n<p>Est\u00e3o por toda a Angola. As comunidades que precisam dos servi\u00e7os da C\u00e1ritas est\u00e3o por todo o pa\u00eds. S\u00f3 para fazer um recuo hist\u00f3rico, a C\u00e1ritas foi a \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o que, durante os tempos de conflito, a acudir \u00e0s v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es pelas quais os angolanos passavam, nacionalmente falando. De l\u00e1 para c\u00e1, depois do conflito, a C\u00e1ritas tinha de se reinventar, para uma C\u00e1ritas mais de sustentabilidade do que de emerg\u00eancias, apenas. Em Angola n\u00e3o temos muitos cat\u00e1strofes, com exce\u00e7\u00e3o das chuvas, \u00e0s vezes, estamos voltados a uma C\u00e1ritas de sustentabilidade, por isso \u00e9 que este projeto veio dar um impacto para melhor servir as nossas comunidades.<\/p>\n<p>Neste momento, Angola vive a quest\u00e3o da seca, fome, estiagem, peste de gafanhotos, nas prov\u00edncias do sul. Em parceria com algumas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, a C\u00e1ritas est\u00e1 l\u00e1 para dar o seu suporte, no mapeamento das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Caritas de Angola lan\u00e7ou precisamente este ano a Rede de Desenvolvimento Rural e Agricultura Sustent\u00e1vel (REDRAS). O objetivo \u00e9 influenciar as pol\u00edticas publicas na procura de solu\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis, mais justas<\/em>?<\/p>\n<p>Dentro das v\u00e1rias interven\u00e7\u00f5es, temos este projeto do REDRAS, que surgiu ap\u00f3s o conflito, sublinhando que a C\u00e1ritas, depois do tempo das emerg\u00eancias, queria fazer algo. Coordenamos v\u00e1rios programas a n\u00edvel das C\u00e1ritas diocesanas, fazendo uma advocacia da agricultura familiar, sustent\u00e1vel e org\u00e2nica. Com este projeto, n\u00e3o pretendemos produ\u00e7\u00f5es em grande escala: as comunidades produzem pelo n\u00famero de fam\u00edlias que elas t\u00eam. Esta agricultura ajuda a manter as comunidades, muitas delas muito distantes entre si \u2013 15, 20 quil\u00f3metros \u2013 atrav\u00e9s de uma agricultura sustent\u00e1vel, familiar, e isso pode resolver muitos problemas.<\/p>\n<p>Entre elas n\u00f3s temos a comunidade dos Khoisan, no Lubango, \u00e9 uma comunidade de uma tribo n\u00f3mada. Fizemos um trabalho, atrav\u00e9s de outras organiza\u00e7\u00f5es, em rede, parceiros da sociedade civil, para que saibam produzir, onde est\u00e3o, para que elas se mantenham.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sabemos que recentemente se reuniu com altos quadros do Governo angolano. Como est\u00e1 essa rela\u00e7\u00e3o com o Governo de Jo\u00e3o Louren\u00e7o<\/em>?<\/p>\n<p>Dentro do projeto que temos com a C\u00e1ritas Portuguesa na rede \u2018Inovar para o Impacto\u2019, temos um pilar que s\u00e3o as parcerias. Temos feito parcerias com v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es do Governo, do Estado angolano.<\/p>\n<p>Mesmo que eles afirmem que a rela\u00e7\u00e3o com a C\u00e1ritas, com a Igreja, \u00e9 antiga, mas queremos formul\u00e1-la, de uma forma nova, com protocolos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>At\u00e9 porque os problemas s\u00e3o novos\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, h\u00e1 problemas que s\u00e3o novos. E dentro de um novo acordo que existe entre a Santa S\u00e9 e o Governo angolano, temos estado a dialogar, de modo que as nossas a\u00e7\u00f5es sejam um pouco mais formalizadas, vis\u00edveis. Temos tido uma boa rela\u00e7\u00e3o, fomos recebidos recentemente pelo vice-presidente da Rep\u00fablica, a quem apresentamos a nossa a\u00e7\u00e3o, atualizando os nossos objetivos, o nosso plano estrat\u00e9gico para os pr\u00f3ximos anos. A C\u00e1ritas estar\u00e1 sempre presente e precisa do apoio, do suporte das institui\u00e7\u00f5es do Governo, uma vez que serve em Angola e n\u00e3o devemos buscar parceiros s\u00f3 fora do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151151.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-210874 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151151-347x260.jpg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151151-347x260.jpg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151151-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151151-768x576.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151151-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151151-510x382.jpg 510w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151151-1080x810.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151151-1280x960.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151151-980x735.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151151-480x360.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151151.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/a>Qual a aten\u00e7\u00e3o dada pelo Executivo \u00e0 luta contra a pobreza<\/em>?<\/p>\n<p>Existem programas para o combate \u00e0 pobreza, como o Kwenda, que est\u00e1 a oferecer alguns subs\u00eddios. A inten\u00e7\u00e3o do programa \u00e9 muito boa, vimos os seus objetivos, as metas, os indicadores esperados, mas \u00e0s vezes encontramos algumas falhas na implementa\u00e7\u00e3o. N\u00f3s, C\u00e1ritas Angola, fomos contactados para que, dentro da Arquidiocese de Luanda &#8211; onde se est\u00e3o a criar alguns focos para elevar o n\u00edvel das fam\u00edlias atrav\u00e9s da forma\u00e7\u00e3o profissional que gera emprego -, trabalhemos numa maquete, dentro das nossas institui\u00e7\u00f5es. Reunidos com a comiss\u00e3o organizadora desse projeto, entendemos que as suas metas s\u00e3o muito ambiciosas, em termos de resultados.<\/p>\n<p>Um dos coordenadores dizia: \u201cN\u00f3s n\u00e3o queremos aqui projetos l\u00fadicos, rom\u00e2nticos, digamos, que falem. Queremos projetos que ajudem as pessoas\u201d. O que \u00e9 que isso significa? Algu\u00e9m faz um curso de serralharia, costura, decora\u00e7\u00e3o e isso n\u00e3o lhe vale s\u00f3 um diploma, mas sim o que aprendeu, de modo que ao sair do curso, possa trabalhar e vender estes servi\u00e7os. Depois, tamb\u00e9m, tem um fundo para que, quem termina o curso, comece com alguma coisa, um empr\u00e9stimo que vai devolvendo, aos poucos.<\/p>\n<p>Vejo que, dentro das pol\u00edticas do Plano Nacional de Desenvolvimento e de Combate \u00e0 Pobreza, h\u00e1 indicadores, h\u00e1 vontade pol\u00edtica de se combater a pobreza, mas depois vemos certos mecanismos que podem falhar: a supervis\u00e3o, a implementa\u00e7\u00e3o, a capacita\u00e7\u00e3o das pessoas que est\u00e3o num programa. Vemos que, na teoria, funciona bem e, nalguns lugares, at\u00e9 funciona, mas noutros lugares fracassa, por causa dessa monitoriza\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m penso que faltam pessoas entregues \u00e0 causa, para que d\u00ea certo, porque alguns dizem: \u201c\u00e9 do Estado, \u00e9 do Governo, vamos aproveitar\u201d. H\u00e1 pessoas que t\u00eam essas inten\u00e7\u00f5es, o projeto \u00e9 para ajudar as fam\u00edlias, mas procuram aproveitar-se, sem a dimens\u00e3o da paix\u00e3o por algo que pode mudar a vida delas e dos outros, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Contexto socioecon\u00f3mico angolano continua a ser marcado pelo espectro da crise e pelas crescentes dificuldades das fam\u00edlias e empresas? Est\u00e3o a ser estudadas alternativas para tentar minimizar a depend\u00eancia econ\u00f3mica do petr\u00f3leo?<\/em><\/p>\n<p>Est\u00e3o a aplicar-se algumas pol\u00edticas para n\u00e3o depender s\u00f3 do petr\u00f3leo, e sobretudo com investimento na agricultura. Mas, mais uma vez eu fa\u00e7o uma observa\u00e7\u00e3o. O nosso Governo para tanto ele precisaria de ser mais\u00a0inclusivo. O que \u00e9 que eu quero dizer com isso? Ele precisa que na luta ou no combate \u00e0 pobreza, assim como a n\u00e3o\u00a0depend\u00eancia\u00a0exclusiva\u00a0do petr\u00f3leo fosse muito mais inclusiva. Assim, como chama certas institui\u00e7\u00f5es para ausculta\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias mat\u00e9rias, tamb\u00e9m deveria chamar outras que est\u00e3o mais nas comunidades para\u00a0auscultar\u00a0sobre que recursos existem na zona. Que recursos existem em Benguela, que recursos em Cabinda dos j\u00e1 conhecidos fora do petr\u00f3leo, que terras\u00a0f\u00e9rteis\u00a0n\u00f3s temos? Ou seja, dever\u00edamos fazer um trabalho muto mais de conjunto para n\u00e3o depender s\u00f3 do petr\u00f3leo. E eu aqui quero\u00a0mencionar\u00a0uma dimens\u00e3o. Durante o tempo do conflito n\u00f3s tivemos angolanos dentro da cidade e\u00a0angolanos\u00a0fora da\u00a0cidade. Aqueles angolanos fora da cidade, eles palmearam territ\u00f3rio. Aqueles angolanos dentro das cidades tamb\u00e9m o fizeram. Muitos daqueles angolanos que estavam muito mais fora das cidades conhecem muito melhor as terras de Angola. E a minha pergunta \u00e9: num projeto de inclus\u00e3o para fazer um incremento da economia sem o petr\u00f3leo n\u00f3s\u00a0n\u00e3o dev\u00edamos\u00a0congregar essas partes? \u00c9 certo que politicamente isso pode n\u00e3o ser aceite, por\u00e9m n\u00f3s devemos pensar que somos todos angolanos. Tanto da oposi\u00e7\u00e3o como do Governo&#8230;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Precisamente, ainda h\u00e1 pouco tempo os bispos da conferencia episcopal voltaram a manifestar a sua preocupa\u00e7\u00e3o com a pobreza extrema de muitas\u00a0fam\u00edlias\u00a0angolanas&#8230;.<\/em><\/p>\n<p>Como ia dizendo, nesta pol\u00edtica, n\u00f3s devemos ser inclusivos e j\u00e1 vou chegar a essa quest\u00e3o da pobreza. E ser\u00a0inclusivo\u00a0\u00e9 chamar toda essas sensibilidades de angolanos para que se criem pol\u00edticas um pouco mais reais, mais pr\u00e1ticas, mais\u00a0vis\u00edveis\u00a0que n\u00e3o\u00a0tenham\u00a0diferen\u00e7as, nem cores partid\u00e1rias, mas que reflitam o projeto de uma Angola para sair desta\u00a0depend\u00eancia\u00a0apenas do petr\u00f3leo. Porque, quando o barril sobe estamos alegres, mas quando baixa de novo, ficamos nesta oscila\u00e7\u00e3o. Temos v\u00e1rios recursos. E eu vou lembrar que em Angola, em m\u00e9dia cada\u00a0prov\u00edncia\u00a0tem dois rios, e temos recursos naturais; e ent\u00e3o \u00e9 importante apostar nos recursos humanos que n\u00f3s temos. Unir, aproveitar as suas capacidades para uma Angola diferente. E constantemente os nossos bispos t\u00eam apelado e t\u00eam indicado tamb\u00e9m os\u00a0\u00edndices\u00a0de pobreza que o pa\u00eds est\u00e1 a viver. E na celebra\u00e7\u00e3o dos 50 anos da Diocese de Benguela, onde foram ordenados 24 di\u00e1conos para sacerdotes e enviados a dioceses de Benguela e tamb\u00e9m para c\u00e1 para Portugal para Coimbra, para dizer da universalidade da Igreja e a sua preocupa\u00e7\u00e3o na\u00a0evangeliza\u00e7\u00e3o; os bispos voltaram tamb\u00e9m a falar na dimens\u00e3o social. Os bispos t\u00eam apelado ao dizer que o Governo tem de ser um pouco mais realista a acudir \u00e0s v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es de pobreza. Recursos n\u00f3s temos, e bem geridos, por\u00e9m falta que por parte de n\u00f3s angolanos tenhamos esse cora\u00e7\u00e3o desprendido de evitar a gan\u00e2ncia, a corrup\u00e7\u00e3o, ou aquela ideia de que s\u00f3 eu posso ter, o outro n\u00e3o. E nisto, a nossa Igreja tem apelado. N\u00f3s como Caritas de Angola estamos a pensar em algumas estrat\u00e9gias, al\u00e9m das que j\u00e1 existem e que fazemos h\u00e1 anos. Pensamos noutras estrat\u00e9gias um pouco mais de sustentabilidade nas comunidades, da\u00ed que este projeto que estamos a fazer com a Caritas portuguesa \u00e9 importante para esta viragem social das nossas Dioceses, porque, quer queiramos ou n\u00e3o a Igreja Cat\u00f3lica atrav\u00e9s da sua a\u00e7\u00e3o social \u00e9 um\u00a0ator\u00a0muito importante no bem-estar das popula\u00e7\u00f5es, pois s\u00e3o todos e todas filhos de Deus. E a Igreja n\u00e3o faz\u00a0ace\u00e7\u00e3o\u00a0de religi\u00e3o, de cultura ou de partido pol\u00edtico porque somos todos filhos da mesma terra, da mesma humanidade; filhos e filhas de um s\u00f3 Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 um fator global que tem um grande impacto na vida dos povos, que \u00e9 a atual pandemia.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Qual o impacto da Covid -19 na realidade nacional?<\/em><\/p>\n<p>Sim, tem tido. Este \u00e9 um facto conjuntural que em Angola tem muito impacto. As restri\u00e7\u00f5es para a preven\u00e7\u00e3o e conten\u00e7\u00e3o da pandemia\u00a0afetam\u00a0as\u00a0fam\u00edlias\u00a0e essas\u00a0fam\u00edlias\u00a0trabalham. N\u00e3o trabalhando as empresas fecham. As empresas fechando, as pessoas ficam sem trabalho, e sem recursos financeiros. Ao n\u00edvel do Governo n\u00e3o temos\u00a0subs\u00eddios\u00a0vis\u00edveis\u00a0para suster aqueles funcion\u00e1rios\u00a0p\u00fablicos, ou privados que perdem os seus postos de trabalho. Assim como tamb\u00e9m o cr\u00e9dito \u00e0s micro e pequenas e m\u00e9dias empresas que podem fechar por falta de\u00a0recursos, provocados por esta pandemia, n\u00e3o est\u00e3o a chegar. Ent\u00e3o, deveria haver um refor\u00e7o \u00e0s empresas, \u00e0s PME, pois sabemos que elas representam 90 por cento da economia do pa\u00eds, porque as fam\u00edlias dependem delas. Assim a crise seria um pouco mais acautelada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E tem faltado esse apoio \u00e0s PME?<\/em><\/p>\n<p>Bem, os dados\u00a0estat\u00edsticos\u00a0e algumas informa\u00e7\u00f5es aludem a alguns apoios, por\u00e9m na visibilidade concreta n\u00f3s vemos que muitas PME fecham por falta de apoio e de suporte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151222.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-210876\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151222-347x260.jpg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151222-347x260.jpg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151222-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151222-768x576.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151222-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151222-510x382.jpg 510w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151222-1080x810.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151222-1280x960.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151222-980x735.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151222-480x360.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210622_151222.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/a>Vamos terminar com a quest\u00e3o do processo de vacina\u00e7\u00e3o. Angola ainda se debate com problemas de falta de vacinas? onde \u00e9 que existem mais atrasos?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Temos vacinas, temos tido muitas doa\u00e7\u00f5es. Estamos a vacinar consoante as prioridades, e consoante as diretrizes do\u00a0pr\u00f3prio\u00a0programa. E para n\u00f3s \u00e9 satisfat\u00f3rio o\u00a0n\u00edvel\u00a0das pessoas que est\u00e3o a aderir; s\u00e3o poucos aqueles que n\u00e3o est\u00e3o a aderir.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Ent\u00e3o n\u00e3o se pode falar, nesta altura, de falta de vacinas em Angola?<\/em><\/p>\n<p>Tem havido v\u00e1rias doa\u00e7\u00f5es. O processo de vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 que devia ser um pouco mais expandido e tamb\u00e9m um pouco mais aberto. Uma das comunidades que deveria ser tida em conta \u00e9 a Igreja. Eu digo, por exemplo, que a Caritas na sua presen\u00e7a nas comunidades, assim como outras Igrejas s\u00e3o parceiros e as suas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o bem acolhidas. Deveriam ser usadas as instala\u00e7\u00f5es destas institui\u00e7\u00f5es para rapidamente ampliar este processo de vacina\u00e7\u00e3o. Porque, sobretudo na capital, em alguns lugares acontecem aut\u00eanticas enchentes e h\u00e1 pessoas que, por falta de paci\u00eancia, n\u00e3o se v\u00e3o vacinar. Por isso, dever-se-ia usar os v\u00e1rios espa\u00e7os dispon\u00edveis para vacinar mais pessoas. Acho que isso \u00e9 uma quest\u00e3o de estrat\u00e9gia e de vis\u00e3o porque quantos mais lugares abertos pela extens\u00e3o territorial de uma prov\u00edncia e pelo n\u00famero de habitantes, mais r\u00e1pida poderia ser a imuniza\u00e7\u00e3o de muitas pessoas. Isso permitia uma preven\u00e7\u00e3o muito forte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Quintas \u00e9 o convidado da entrevista semana Renascen\u00e7a\/Ecclesia, abordando desafios levantados pela crise, a seca e o papel da nova plataforma das C\u00e1ritas Lus\u00f3fonas para promover a a\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":210875,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-210993","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/210993","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=210993"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/210993\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/210875"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=210993"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=210993"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=210993"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}