{"id":210831,"date":"2021-06-23T14:47:41","date_gmt":"2021-06-23T13:47:41","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=210831"},"modified":"2021-06-23T14:47:41","modified_gmt":"2021-06-23T13:47:41","slug":"saber-aprender-que-a-espiritualidade-e-terapeutica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-que-a-espiritualidade-e-terapeutica\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; Que a espiritualidade \u00e9 terap\u00eautica"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O medo da compaix\u00e3o tem um efeito universal no impacto negativo que a Covid-19 tem sobre a nossa sa\u00fade mental. Esta \u00e9 a conclus\u00e3o de uma investiga\u00e7\u00e3o liderada por Marcela Matos, professora na Universidade de Coimbra. Nesse <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/pdf\/10.1002\/cpp.2601\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo<\/a>;, compaix\u00e3o define-se como a <em>\u00absensibilidade ao nosso sofrimento e ao dos outros, sob o compromisso de tentar alivi\u00e1-lo e preveni-lo.\u00bb<\/em> Em s\u00edntese, compaix\u00e3o \u00e9 <em>sofrer com<\/em> o outro, colocando-nos na sua pele. Chorar com quem chora e procurar estarmos pr\u00f3ximos daquele que sofre. Jamais pensaria que as pessoas poderiam ter medo da compaix\u00e3o, ou visto por outro prisma, que a compaix\u00e3o fosse um modo de manter saud\u00e1vel a nossa mente. Mas n\u00e3o \u00e9 este um convite intemporal de Jesus?<\/p>\n<figure id=\"attachment_210832\" aria-describedby=\"caption-attachment-210832\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/priscilla-du-preez-F9DFuJoS9EU-unsplash.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-210832\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/priscilla-du-preez-F9DFuJoS9EU-unsplash.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/priscilla-du-preez-F9DFuJoS9EU-unsplash.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/priscilla-du-preez-F9DFuJoS9EU-unsplash-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/priscilla-du-preez-F9DFuJoS9EU-unsplash-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/priscilla-du-preez-F9DFuJoS9EU-unsplash-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/priscilla-du-preez-F9DFuJoS9EU-unsplash-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/priscilla-du-preez-F9DFuJoS9EU-unsplash-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/priscilla-du-preez-F9DFuJoS9EU-unsplash-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-210832\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Priscilla Du Preez em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>H\u00e1 mais de 100 anos que Sigmund Freud escreveu como <em>\u00abas religi\u00f5es da humanidade deve ser classificadas entre as ilus\u00f5es em massa.\u00bb<\/em> Ilus\u00f5es de felicidade e protec\u00e7\u00e3o contra o sofrimento, apesar de Freud reconhecer que essas ilus\u00f5es por via religiosa poupam as pessoas das neuroses. Para quem conhece a experi\u00eancia de alguns santos do tempo presente como a jovem <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Chiara_Badano\">Chiara Badano<\/a>, os argumentos de Freud demonstram ser uma distor\u00e7\u00e3o da realidade. A santidade de Badano est\u00e1 na vida virtuosa de uma total entrega a Deus <em>com\/atrav\u00e9s\/pelo<\/em> seu sofrimento. Curioso que muitos psiquiatras tivessem ficado presos a esta vis\u00e3o deturpada de Freud e excluam a espiritualidade como fonte terap\u00eautica para uma sa\u00fade mental. Felizmente, alguns psiquiatras resistiram.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m \u00e9 indiferente ao sofrimento gerado por esta pandemia. As situa\u00e7\u00f5es mais graves devem-se \u00e0s pessoas infectadas e \u00e0s que tiveram necessidade de cuidados intensivos. Mas todo o sofrimento gerado pelo isolamento, ou a impossibilidade de nos despedirmos dos familiares que falecem, afecta os n\u00edveis de ansiedade, stress, a simples tristeza e frustra\u00e7\u00e3o, ou seja, a nossa sa\u00fade mental. No meu caso, mesmo que n\u00e3o tivesse sido por Covid-19, tive dois familiares pr\u00f3ximos que faleceram e n\u00e3o pude ir ao seu funeral. Parece que o \u00faltimo adeus fica por dar e que n\u00e3o houve resolu\u00e7\u00e3o na nossa hist\u00f3ria, o que traz sempre algum sofrimento.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que sinta a psique afectada, mas compreendi com podem haver situa\u00e7\u00f5es em que as pessoas precisam de ajuda pela compaix\u00e3o. Alguns conseguem encontrar em Deus a compaix\u00e3o que os suporta, mas quem n\u00e3o cr\u00ea em Deus, pode precisar da ajuda de um psiquiatra e n\u00e3o encontrar\u00e1 o elemento espiritual como parte da terapia. Algo pouco cient\u00edfico depois de sabermos como a espiritualidade \u00e9 terap\u00eautica.<\/p>\n<p>Desde 2017 que o psiquiatra americano David Rosmarin explora a espiritualidade como um aspecto cr\u00edtico dos cuidados da sa\u00fade mental. Num <a href=\"https:\/\/psychotherapy.psychiatryonline.org\/doi\/10.1176\/appi.psychotherapy.20180046\">artigo<\/a>; relativamente recente, dedicado aos resultados de um programa intitulado SPIRIT (<em>Spiritual Psychotherapy for Inpatient, Residential, and Intensive Treatment<\/em>), mostra que a psicoterapia espiritual n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 vi\u00e1vel, como \u00e9 desej\u00e1vel pelos pacientes, independentemente da sua experi\u00eancia religiosa ou afilia\u00e7\u00e3o a alguma confiss\u00e3o em particular.<\/p>\n<p>Infelizmente, o amor e a f\u00e9 s\u00e3o exclu\u00eddos como parte dos tratamentos para os dist\u00farbios mentais, como o conhecido senador americano Patrick Kennedy (da fam\u00edlia Kennedy) conta no seu livro <em>Common Struggle.<\/em> E este estudo n\u00e3o \u00e9 o primeiro ind\u00edcio de como a espiritualidade afecta a nossa sa\u00fade f\u00edsica e mental no seu sentido mais geral.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito tempo que o m\u00e9dico americano Herbert Benson MD reconhece o valor terap\u00eautico da f\u00e9. Mais do que uma experi\u00eancia subjectiva que induz uma cura f\u00edsica como se fosse um efeito placebo, reconheceu na sua experi\u00eancia cl\u00ednica como crer em Deus pode ser a forma mais influente de recordarmos os nossos melhores momentos de bem-estar que, posteriormente, levam-nos a reencontrar o equil\u00edbrio do corpo e da mente. Chega mesmo a concluir dos seus estudos sintetizados no seu livro <em>Timeless Healing<\/em> (Cura Intemporal) que <em>\u00aba ora\u00e7\u00e3o, em particular, parece ser terap\u00eautica, cujas especificidades a ci\u00eancia continuar\u00e1 a explorar.\u00bb<\/em> Ali\u00e1s, a um certo ponto afirma que <em>\u00abfocar a nossa aten\u00e7\u00e3o longe dos nossos problemas ao ajudar os outros, podemos experimentar benef\u00edcios f\u00edsicos\u00bb.<\/em> Em certa medida, Benson previu o que David Rosmarin concluiriam no estudo acima citado e que justifica o investimento no exerc\u00edcio da compaix\u00e3o e espiritualidade terap\u00eautica para enfrentar os perigos que a pandemia representa para a sa\u00fade mental no futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, importa estarmos cientes de que Deus n\u00e3o \u00e9 uma prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Pois, reduziria, substancialmente, a realidade daquilo que a Sua presen\u00e7a faz na nossa vida. Por outro lado, muitas pessoas crentes pensam que a aus\u00eancia de experi\u00eancia religiosa nos n\u00e3o-crentes significa que n\u00e3o procuram a dimens\u00e3o humana espiritual, o que n\u00e3o \u00e9 verdade. Por fim, ao remetermos a espiritualidade para uma quest\u00e3o do foro pessoal, e com o olhar deturpado por uma vis\u00e3o ultrapassada freudiana de que as experi\u00eancias espirituais s\u00e3o ilus\u00f5es, acabamos por privar a nossa sa\u00fade mental dos efeitos terap\u00eauticos da vida espiritual. Ser\u00e1 por preconceito que a mente do psiquiatra se fecha \u00e0 pr\u00f3pria ci\u00eancia?<\/p>\n<p>O ser humano vive muitas crises, incluindo a da sa\u00fade mental. N\u00e3o sabemos se Deus consegue resolv\u00ea-la porque n\u00e3o depende s\u00f3 d\u2019Ele, mas tamb\u00e9m do modo como acolhemos o que Ele quer fazer em n\u00f3s e por n\u00f3s. Sabemos, sim, que a espiritualidade possui um potencial cl\u00ednico inexplorado, e que os pacientes que experimentam o seu efeito terap\u00eautico a desejam, independentemente da sua cren\u00e7a. Ali\u00e1s, \u00e9 uma experi\u00eancia com efeitos de tal modo positivos que nela come\u00e7am a encontrar raz\u00f5es para crer.<\/p>\n<p>Uma das curiosidades na experi\u00eancia de David Rosmarin \u00e9 a de que os pacientes respondiam melhor \u00e0 terapia SPIRIT feita por cl\u00ednicos sem afilia\u00e7\u00e3o religiosa do que nos casos onde essa era expl\u00edcita. Isso significa que qualquer pessoa leiga \u00e9 particularmente efectiva na parte espiritual dos tratamentos providenciados a um doente. Claro que estas s\u00e3o boas not\u00edcias por se esperar que os psiquiatras sejam as pessoas menos prov\u00e1veis de ser religiosas, o que pode ser estigmatizante para os psiquiatras que o s\u00e3o. Mas como diz o psiquiatra Joaquim Gago no seu texto no livro \u201cTransformar os limites em possibilidades\u201d \u2014 <em>\u00abas atitudes estigmatizantes criam barreiras ao tratamento, \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o e \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o, e estas devem ser ultrapassadas de forma a criarem condi\u00e7\u00f5es para promover a inclus\u00e3o social.\u00bb<\/em> Ou se adaptarmos ao argumento aqui explorado \u2014 <em>promover a terapia espiritual<\/em>.<\/p>\n<p>N\u00e3o quer isso dizer que se diminui o papel e a presen\u00e7a que os sacerdotes representa nos hospitais. Muito pelo contr\u00e1rio. A sua ac\u00e7\u00e3o \u00e9, por natureza, terap\u00eautica no ouvido que escuta, e no consolo do dar a m\u00e3o que cura. Pois, d\u00e3o a sua vida para serem a face vis\u00edvel da presen\u00e7a de Deus junto daquele que sofre e isso tem um valor incomensur\u00e1vel.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-210831","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/210831","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=210831"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/210831\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=210831"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=210831"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=210831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}