{"id":210657,"date":"2021-06-21T14:26:55","date_gmt":"2021-06-21T13:26:55","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=210657"},"modified":"2021-06-21T14:31:47","modified_gmt":"2021-06-21T13:31:47","slug":"a-cruz-escondida-149","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-149\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Camar\u00f5es: Irm\u00e3 Franciscana faz relato dram\u00e1tico e pede ajuda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/camaroes.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-210659\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/camaroes.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/camaroes.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/camaroes-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/camaroes-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/camaroes-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/camaroes-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/camaroes-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/camaroes-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/h4>\n<h4><strong>\u201cFomos atacadas\u2026\u201d<\/strong><\/h4>\n<p>\u00c9 uma carta que diz muito sobre o dia-a-dia nos Camar\u00f5es, um pa\u00eds africano que enfrenta um movimento independentista e ataques terroristas do Boko Haram. \u00c9 uma carta que diz muito, tamb\u00e9m, da coragem da Igreja, dos padres, das irm\u00e3s que est\u00e3o ao lado dos que sofrem, das v\u00edtimas da viol\u00eancia. O que a Irm\u00e3 Hedwig Vynio descreve parece retirado de um filme de terror. Infelizmente \u00e9 apenas a verdade.<\/p>\n<p>\u201cAs nossas irm\u00e3s tamb\u00e9m foram raptadas e levadas. Fomos atacadas em v\u00e1rias comunidades. Os nossos hospitais foram atacados pelas for\u00e7as militares do Governo e tamb\u00e9m por terroristas\u2026\u201d O relato \u00e9 relativamente curto. S\u00e3o palavras que foram escritas provavelmente com esfor\u00e7o, talvez mesmo com sofrimento. A Irm\u00e3 Hedwig Vynio pede ajuda \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS para a situa\u00e7\u00e3o terr\u00edvel que se vive nos Camar\u00f5es, onde coexiste uma profunda crise pol\u00edtica com um movimento que procura a independ\u00eancia da regi\u00e3o onde predomina a l\u00edngua inglesa, e, em simult\u00e2neo, com uma viol\u00eancia crescente de grupos jihadistas, nomeadamente o Boko Haram, que estando centrados na Nig\u00e9ria lan\u00e7am ataques tamb\u00e9m neste pa\u00eds. A Irm\u00e3 Vynio descreve em meia d\u00fazia de palavras toda a trag\u00e9dia de uma na\u00e7\u00e3o. \u201c<strong>Hoje, temos quase um milh\u00e3o de deslocados internos.\u201d <\/strong>Sinal do caos que se vive neste pa\u00eds, nem os hospitais da Igreja foram poupados. \u201cO m\u00e9dico, as irm\u00e3s e as enfermeiras, todos foram espancados e for\u00e7ados a percorrer longas dist\u00e2ncias para chegar ao convento. No momento, n\u00e3o s\u00f3 as pessoas est\u00e3o gravemente traumatizadas, mas tamb\u00e9m as irm\u00e3s.\u201d Nos \u00faltimos quatro anos sucedem-se ataques, raptos, assaltos, destrui\u00e7\u00e3o. O medo levou \u00e0 fuga das popula\u00e7\u00f5es. As escolas est\u00e3o encerradas, as portas das casas est\u00e3o fechadas. As pessoas est\u00e3o encurraladas no pr\u00f3prio medo. A pobreza que j\u00e1 caracterizava a regi\u00e3o agravou-se. Os pobres tornaram-se praticamente indigentes. Ningu\u00e9m imagina como seria a vida destas pessoas sem a presen\u00e7a da Igreja. Relata a irm\u00e3, que \u201cmais de 80% das pessoas vivem em condi\u00e7\u00f5es muito terr\u00edveis, com pouco ou nenhum acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel, alimentos ou medicamentos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Ataques indiscriminados<\/strong><\/h4>\n<p>A viol\u00eancia independentista tem crescido desde 2016. Os n\u00fameros s\u00e3o incertos, mas calcula-se que mais de 3 mil pessoas tenham sido mortas e mais de meio milh\u00e3o vive fora das suas casas, das suas aldeias, das suas comunidades. Para as autoridades a \u00fanica estrat\u00e9gia v\u00e1lida \u00e9 a da repress\u00e3o violenta. O massacre em Ngarbuh, no dia 14 de Fevereiro do ano passado, em que 21 pessoas foram mortas, incluindo 13 crian\u00e7as e uma mulher gr\u00e1vida, n\u00e3o escapa ao relato da irm\u00e3. As autoridades procuraram esconder o incidente, mas a not\u00edcia galgou fronteiras. Diz a religiosa, que pertence \u00e0s Irm\u00e3s Terci\u00e1rias de S\u00e3o Francisco, que esse foi apenas um dos ataques. Houve mais, houve v\u00e1rios. Por exemplo, no dia \u201c24 de Outubro de 2020, em Kumba, na regi\u00e3o sudoeste, homens armados n\u00e3o identificados invadiram uma escola e abriram fogo contra crian\u00e7as, matando 12 e ferindo outras pessoas. Soma-se a isso, a taxa de raptos para resgates, a brutalidade policial e a tortura\u2026\u201d Muitos dos que fugiram destes ataques perderam as suas casas, que foram entretanto incendiadas. O n\u00famero de \u00f3rf\u00e3os \u00e9 j\u00e1 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o \u00e9 incomum, descreve a irm\u00e3 Hedwig Vinyo, ver \u201cmuitos desses menores a circular pelas ruas e pelas matas, desesperados\u2026\u201d A Igreja n\u00e3o tem m\u00e3os a medir perante tantas situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas, sendo, cada vez mais, o \u00fanico ref\u00fagio para quem perdeu tudo e se sente abandonado. A Irm\u00e3 Hedwig Vinyo escreveu uma carta \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS a pedir ajuda. \u00c9 uma carta que diz muito, tamb\u00e9m, da coragem dos padres, das irm\u00e3s, de todos os que est\u00e3o ao lado das v\u00edtimas da viol\u00eancia nos Camar\u00f5es. O que esta religiosa descreve parece retirado de um filme de terror. Infelizmente \u00e9 apenas a verdade. Ela precisa de n\u00f3s, da nossa ajuda. N\u00e3o a podemos desiludir.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Camar\u00f5es: Irm\u00e3 Franciscana faz relato dram\u00e1tico e pede ajuda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-210657","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/210657","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=210657"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/210657\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=210657"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=210657"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=210657"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}