{"id":20997,"date":"2006-11-07T13:25:13","date_gmt":"2006-11-07T13:25:13","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/11\/07\/nao-mataras\/"},"modified":"2006-11-07T13:25:13","modified_gmt":"2006-11-07T13:25:13","slug":"nao-mataras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-mataras\/","title":{"rendered":"<i>N\u00e3o matar\u00e1s<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>Vendo do nosso lado, ningu\u00e9m morre de amores pela figura de Sadam Hussein. Como chefe, pol\u00edtico, militar, interlocutor e, nos \u00faltimos tempos, como estratega ou defensor das pr\u00f3prias causas. Antes de cair a sua est\u00e1tua em Bagdad j\u00e1 parecia desmoronado o deus com p\u00e9s de barro, mais fr\u00e1gil do que todas as suas arrog\u00e2ncias faziam supor. Conhecemos o homem p\u00fablico, o detestado por muitos e por muitos amado. Mal sabemos quanto de verdade e teatro, pol\u00edtica e circunst\u00e2ncia havia nas suas palavras e imagens. Chegavam-nos apenas poeiras dum ditador que construiu o seu reinado para venda de imagem. Mas isso acontece com quase todos os chefes de quem se conhecem os adere\u00e7os e se ignora a subst\u00e2ncia. Desde aquele dia em que lhe abriram a boca para observarem os dentes, com uma sequ\u00eancia de imagens humilhantes que foram vendidas ao planeta, nos fomos apercebendo que, por tr\u00e1s de todas as m\u00e1scaras, havia um homem que tamb\u00e9m tinha medo e que queria salvar a vida. Tinha ca\u00eddo a est\u00e1tua e a pessoa. Come\u00e7ou um processo de julgamento de que conhecemos algumas ramas aligeiradas que nos quiseram oferecer. Muitos, durante esta opera\u00e7\u00e3o de acusa\u00e7\u00e3o e defesa, foram abatidos. Vieram ao de cima alguns crimes cometidos pelo ditador que nem sab\u00edamos em pormenor ou mesmo se eram os crimes mais graves dum longo regime de opress\u00e3o. Pode agora acorrer-nos o sentimento vago de converter a repulsa em compaix\u00e3o, como somos capazes de enganar a pol\u00edcia para salvaguardar o criminoso. Tem acontecido com os far\u00f3is na estrada a avisar os eventuais transgressores, como na f\u00e1cil compaix\u00e3o pelo assaltante. Acontecer\u00e1 agora com Hussein pelo simples facto de ter sido condenado. Mas foi condenado a pena de morte. E entramos num terreno \u00e9tico, escandalosamente discut\u00edvel, uma vez que se trata duma vida humana \u2013 para al\u00e9m de inocente ou criminosa \u2013 que \u00e9 aniquilada por outro ser humano. A condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte duma pessoa e a sua execu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem mais leve nem mais grave que um aborto praticado sobre um ser humano vivo a que, por comodidade se chamar\u00e1 feto, g\u00e9rmen ou embri\u00e3o. Custa a crer que haja quem julgue inocente um caso e criminoso outro. Ningu\u00e9m tem poder sobre a vida de ningu\u00e9m. Nem a m\u00e3e \u00e9 dona do seu ventre. Nem a humanidade dona dum ser que gerou. <i>Ant\u00f3nio Rego<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vendo do nosso lado, ningu\u00e9m morre de amores pela figura de Sadam Hussein. Como chefe, pol\u00edtico, militar, interlocutor e, nos \u00faltimos tempos, como estratega ou defensor das pr\u00f3prias causas. 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