{"id":209923,"date":"2021-06-13T09:31:48","date_gmt":"2021-06-13T08:31:48","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=209923"},"modified":"2021-06-13T09:24:40","modified_gmt":"2021-06-13T08:24:40","slug":"ambiente-cuidado-da-criacao-deve-ser-criterio-para-aferir-fidelidade-a-missao-e-identidade-crista-juan-ambrosio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ambiente-cuidado-da-criacao-deve-ser-criterio-para-aferir-fidelidade-a-missao-e-identidade-crista-juan-ambrosio\/","title":{"rendered":"Ambiente: \u00abCuidado da Cria\u00e7\u00e3o deve ser crit\u00e9rio para aferir fidelidade\u00a0\u00e0 miss\u00e3o e identidade crist\u00e3\u00bb &#8211; Juan Ambr\u00f3sio"},"content":{"rendered":"<p><em>Nos 50 anos do Conselho Portugu\u00eas das Igrejas Crist\u00e3s foi assinando memorando para a \u00abcertifica\u00e7\u00e3o verde\u00bb das v\u00e1rias comunidades, que aponta a uma convers\u00e3o ecol\u00f3gica. Juan Ambr\u00f3sio, professor da Faculdade de Teologia da UCP e membro da Comiss\u00e3o Executiva da Rede Cuidar da Casa Comum, fala com a ECCLESIA e Renascen\u00e7a sobre a import\u00e2ncia deste passo<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Conferencia_juan_ambrosio_dia_mundial_pobreza_2018-8.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-209999\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Conferencia_juan_ambrosio_dia_mundial_pobreza_2018-8-389x260.jpg\" alt=\"\" width=\"389\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Conferencia_juan_ambrosio_dia_mundial_pobreza_2018-8-389x260.jpg 389w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Conferencia_juan_ambrosio_dia_mundial_pobreza_2018-8-480x321.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Conferencia_juan_ambrosio_dia_mundial_pobreza_2018-8.jpg 660w\" sizes=\"(max-width: 389px) 100vw, 389px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (ECCLESIA) <\/em><\/p>\n<p><em>Como surgiu a ideia desta \u201ccertifica\u00e7\u00e3o verde\u201d das institui\u00e7\u00f5es e comunidades crist\u00e3s em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>Uma ideia que surgiu num outro contexto e depois foi dando passos e acabou neste importante passo como aqui foi referido, no dia 12, ontem, n\u00e3o \u00e9. Num primeiro momento, n\u00f3s na rede de cuidar da casa comum, atentos a estas coisas e atentos \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o dos desafios lan\u00e7ados pelo Papa Francisco na \u2018Laudato Si\u2019, fomos desenvolvendo as nossas atividades, criando parcerias, estando atento ao que vai acontecer. Neste trabalho fomos contactados pela ROCHA Portugal, pergunto-nos se estar\u00edamos interessados em iniciar um di\u00e1logo e uma parceria para uma poss\u00edvel certifica\u00e7\u00e3o das comunidades crist\u00e3s no nosso territ\u00f3rio. Esta ideia, confesso, era uma ideia que n\u00f3s j\u00e1 t\u00ednhamos desde muito cedo na pr\u00f3pria rede, um pouco \u00e0 imagem da \u2018\u00c9glise Verte\u2019, em Fran\u00e7a. Sab\u00edamos que faz\u00edamos isso mas ach\u00e1vamos que ainda n\u00e3o t\u00ednhamos condi\u00e7\u00f5es esse passo., que esse ainda seria cedo demais&#8230;.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Uma esp\u00e9cie de selo de qualidade n\u00e3o \u00e9 ?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Um selo de qualidade. Enfim, ach\u00e1vamos que nos parecia cedo demais. A rede ainda n\u00e3o tinha grande hist\u00f3ria, est\u00e1vamos a iniciar os passos, e n\u00e3o t\u00ednhamos sequer compet\u00eancias t\u00e9cnicas para o fazer, e este convite que a ROCHA nos faz pareceu-nos vir ao encontro desta ideia. Come\u00e7amos o di\u00e1logo, esse di\u00e1logo envolveu tamb\u00e9m a Alian\u00e7a Evang\u00e9lica e o COPIC e fomos preparando a possibilidade deste processo e deste itiner\u00e1rio, de uma certifica\u00e7\u00e3o, ou seja, da cria\u00e7\u00e3o de um selo verde, porque a ROCHA j\u00e1 tem essa experi\u00eancia no Reino Unido; a ROCHA internacional j\u00e1 faz esse percurso no Reno Unido com sucesso. A \u2018\u00c9glise Verte\u2019 tamb\u00e9m faz esse percurso em Fran\u00e7a, parece que era chegado o momento de n\u00f3s aqui ensaiarmos algo parecido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s n\u00e3o vamos, a partir de hoje, ter um selo a ser colocado. O memorando representa um ponto de partida?<\/em><\/p>\n<p>Aquilo que come\u00e7ou para ser s\u00f3 uma coisa t\u00e9cnica acabou por se desenvolver neste memorando em que v\u00e1rias comunidades crist\u00e3s se comprometerem em dar este passo de caminhar em conjunto. Este primeiro momento, este memorando \u00e9 dizer que nos vamos envolver neste processo. O selo n\u00e3o est\u00e1 criado, os indicativos de diagn\u00f3sticos est\u00e3o a\u00ed mas t\u00eam de ser agora traduzidos e adaptados para a realidade portuguesa. Temos que criar todo esse processo de certifica\u00e7\u00e3o para a realidade portuguesa, envolvendo compet\u00eancias t\u00e9cnicas. Compet\u00eancias que n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista ambiental. S\u00e3o tamb\u00e9m do ponto de vista social, porque n\u00f3s perseguimos aqui uma sustentabilidade ecol\u00f3gica integral, e esse \u00e9 um dos grandes desafios. Sabemos o que nos diz a \u2018Laudato Si\u2019, que esta ecologia integral est\u00e1 muito ligada, por exemplo \u00e0 justi\u00e7a social, e que a justi\u00e7a social \u00e9 uma exig\u00eancia da pr\u00f3pria f\u00e9 crist\u00e3. E portanto, este passo dado em conjunto por diversas comunidades crist\u00e3s, que se comprometem em conjunto fazer este itiner\u00e1rio parece-me ser de facto algo importante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Onde se quer chegar com esta proposta dirigida \u00e0s v\u00e1rias comunidades crist\u00e3s?<\/em><\/p>\n<p>Queremos proporcionar \u00e0s comunidades a possibilidade de uma maneira de se organizarem de viverem,\u00a0 de gerirem os seus edif\u00edcios, as suas propriedades de uma maneira sustent\u00e1vel. E sustent\u00e1vel, quer do ponto de vista ecol\u00f3gico, no que ao ambiente e ao clima se refere, quer tamb\u00e9m do ponto de vista social, cultural, do ponto de vista humano. Ou seja, fornecer e dar um conjunto de indicadores que permita \u00e0s comunidades crist\u00e3s nas suas mais diversas concretiza\u00e7\u00f5es &#8211; porque elas podem ser casas de retiro, podem ser os edif\u00edcios das pr\u00f3prias Igrejas, podem ser enfim uma outra s\u00e9rie de coisas, de organiza\u00e7\u00f5es de propriedades, como quisermos &#8211; perceber se est\u00e3o ou n\u00e3o a viver e a organizar-se de uma maneira sustent\u00e1vel. Que tipo de energia utilizam, que desperd\u00edcios produzem e como \u00e9 que os tratam, a descarboniza\u00e7\u00e3o, a quem compramos os produtos, de que tipo s\u00e3o os produtos&#8230;coisas deste g\u00e9nero. Que nos permita ter a consci\u00eancia de se s\u00e3o ou n\u00e3o ecologicamente sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>Passo seguinte, uma vez percebido o ponto da situa\u00e7\u00e3o em que se encontram, que mudan\u00e7as \u00e9 necess\u00e1rio adaptar? Que atitudes \u00e9 necess\u00e1rio promover? Em \u00faltima est\u00e2ncia, h\u00e1 o objetivo de promover a mudan\u00e7a dos estilos de vida. Esses s\u00e3o dif\u00edceis de mudar, e s\u00e3o os mais importantes de mudar. Depois de fazermos assim o diagn\u00f3stico, fazer a proposta da terapia, os passos que \u00e9 necess\u00e1rio dar, o que \u00e9 preciso inverter, o que \u00e9 que \u00e9 preciso incentivar, acelerar e depois acompanhar as comunidades neste processo para finalmente termos essa tal mudan\u00e7a dos estilos de vida que \u00e9 o que se pretende.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o\u00a0de todos\u2026 Qu\u00e3o importante \u00e9 a ades\u00e3o da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa a esta iniciativa?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 o assumir claramente que isto faz parte da miss\u00e3o da pr\u00f3pria comunidade cat\u00f3lica. a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa percebe isso, adere a isso, e envolvesse nisso.\u00a0Temos que reconhecer que se calhar a comunidade cat\u00f3lica \u00e9 aquela que desperta um bocadinho mais tarde para a import\u00e2ncia desta realidade.\u00a0N\u00e3o quer dizer que a preocupa\u00e7\u00e3o pela Cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja uma preocupa\u00e7\u00e3o constante na reflex\u00e3o teol\u00f3gica e na maneira como se leem os textos e o pr\u00f3prio evangelho, e os desafios do evangelho. \u00c9 uma preocupa\u00e7\u00e3o. Mas ela verdadeiramente n\u00e3o estava no n\u00facleo, ou seja, \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o que diria assim: Porque somos crist\u00e3os temos que cuidar da Cria\u00e7\u00e3o. Era quase que uma consequ\u00eancia. Agora ela continua a ser uma consequ\u00eancia, mas \u00e9 mais do que uma consequ\u00eancia \u00e9 assumida como fazendo parte do pr\u00f3prio n\u00facleo. Ou seja, o cuidado da Cria\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio n\u00facleo da experi\u00eancia crist\u00e3.\u00a0O cuidado da Cria\u00e7\u00e3o pode ser crit\u00e9rio; deve ser &#8211; atrevo-me eu a dizer &#8211; deve ser crit\u00e9rio para aferir a fidelidade\u00a0 \u00e0 miss\u00e3o e para aferir a identidade crist\u00e3.\u00a0Ou seja, o modo como cuidamos da Cria\u00e7\u00e3o, o modo como cuidamos da Casa Comum, como cuidamos uns dos outros, \u00e9 crit\u00e9rio para aferir a nossa identidade e a nossa miss\u00e3o. Portanto, \u00e9 um crit\u00e9rio nuclear da experi\u00eancia crist\u00e3 e aqui parece-me que h\u00e1 uma novidade.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/transferir-2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-210001 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/transferir-2.jpg\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"194\" \/><\/a>A prote\u00e7\u00e3o do ambiente \u00e9 um campo de di\u00e1logo ecum\u00e9nico por excel\u00eancia, e \u00e9 tamb\u00e9m muito importante neste momento da humanidade. Est\u00e1 em jogo a credibilidade do testemunho crist\u00e3o<\/em>?<\/p>\n<p>Sim, n\u00e3o tenho qualquer receio de o dizer. N\u00e3o s\u00f3 do testemunho crist\u00e3o, mas da relev\u00e2ncia que as comunidades crist\u00e3s querem ou n\u00e3o ter neste momento hist\u00f3rico t\u00e3o importante que estamos a viver. Al\u00e9m da pandemia, v\u00e1rias coisas indiciavam isso, com meridiana clareza: este \u00e9 um tempo n\u00e3o s\u00f3 em que h\u00e1 muitas mudan\u00e7as, \u00e9 verdadeiramente um tempo de mudan\u00e7a, paradigm\u00e1tica. Forja-se neste momento &#8211; ainda que n\u00f3s n\u00e3o vejamos como, com toda a clareza \u2013 o futuro da humanidade. Que humanidade queremos e que mundo queremos construir? Queremos ser uma humanidade que possa incluir todos os seres humanos, sem lugar para descartados nem sobrantes, como diz o Papa Francisco, nestas express\u00f5es t\u00e3o claras e t\u00e3o interpeladoras? Ou queremos forjar uma humanidade s\u00f3 para um conjunto de eleitos, de favorecidos por determinados acontecimentos, pela sorte, pela situa\u00e7\u00e3o que t\u00eam, pelo pa\u00eds em que nasceram, pela l\u00edngua que falam, pelo emprego que desempenham? \u00c9 s\u00f3 para esses ou \u00e9 verdadeiramente para todos? Esse futuro est\u00e1 em jogo.<\/p>\n<p>A maneira como as comunidades religiosas e as comunidades crist\u00e3s souberem ser protagonistas deste momento \u2013 n\u00e3o com a ideia de que todos t\u00eam de ser crist\u00e3os -, com a ideia clara de que queremos dar a identidade, a paix\u00e3o crist\u00e3, a beleza e o tesouro que est\u00e3o contidos no Evangelho, para podermos criar esta nova humanidade e este novo mundo. Se conseguirmos estar \u00e0 altura, seremos dignos da confian\u00e7a que este Deus deposita n\u00f3s. A maneira como as comunidades crist\u00e3s se comportarem, no contributo para a constru\u00e7\u00e3o da sociedade, \u00e9 absolutamente relevante para serem levadas a s\u00e9rio.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>O acordo entre as v\u00e1rias comunidades \u00e9 sinal de uma boa rela\u00e7\u00e3o entre as Igrejas, no nosso pa\u00eds<\/em>?<\/p>\n<p>Sim. \u00c9 um passo que me parece muito importante. O objetivo da unidade dos crist\u00e3os \u2013 piso terrenos que \u00e9 preciso pisar com cuidado, mas vou dizer o que me vai no cora\u00e7\u00e3o -, verdadeiramente, ser\u00e1 procurar acordos teol\u00f3gicos? Afinar acordos? Porque aquilo que n\u00f3s une \u00e9 mais do que nos separa \u2013 este Senhor ressuscitado, em quem acreditamos. Ser\u00e1 esse o objetivo? Nalgumas coisas n\u00e3o tenho d\u00favidas de que seja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas \u00e9 tamb\u00e9m a harmonia\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exato, a quest\u00e3o \u00e9 essa. A diferen\u00e7a, a pluralidade, podem ser uma riqueza. O mist\u00e9rio crist\u00e3o \u00e9 algo de t\u00e3o profundo, de t\u00e3o pleno, que talvez n\u00e3o possa ser vivido, transmitido, anunciado, descrito ou narrado de uma s\u00f3 maneira. Precisa de uma pluralidade, na qual exista uma harmonia, e essa \u00e9 verdadeiramente uma riqueza. H\u00e1 coisa em que temos de estar unidos, mas essa unidade n\u00e3o \u00e9 uma uniformidade. E h\u00e1 outras coisas em que podemos dizer de maneira diversa, de maneira plural, dizendo a mesma verdade declinada de modos diferentes.<\/p>\n<p>Para conseguirmos isso, o que \u00e9 mais necess\u00e1rio \u00e9 que caminhemos juntos naquilo que j\u00e1 n\u00f3s consideramos capazes de caminhar. E este \u00e9 um campo em que isso \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E tamb\u00e9m deriva de um bom relacionamento, que as pessoas confiem umas nas outras\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim. Este memorando come\u00e7ou por ser uma proposta de parcerias para coisas concretas e depois, porque as pessoas que participaram no di\u00e1logo o levaram a s\u00e9rio, come\u00e7aram a deixar-se interpelar. V\u00e1rias vezes, nos nossos encontros, fomos concluindo que, se calhar, intu\u00edamos a presen\u00e7a do Esp\u00edrito que nos come\u00e7ava a desafiar, a ousar outra coisa. A ousar um entendimento maior, aproximar as comunidades. Decidimos arriscar e deixar-nos guiar por essa inspira\u00e7\u00e3o: o resultado est\u00e1 a\u00ed. \u00c9 o princ\u00edpio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/transferir-1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-210000\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/transferir-1.jpg\" alt=\"\" width=\"290\" height=\"174\" \/><\/a>Qual ser\u00e1 o papel da Rede Cuidar da Casa Comum neste processo<\/em>?<\/p>\n<p>\u00c9 o de ser rede. N\u00e3o queremos ser os primeiros, os principais, os donos, nada disso. Queremos ser rede, congregar vontades, opini\u00f5es, compet\u00eancias, sensibilidades, ajudar a que as pessoas possam, em harmonia, em colabora\u00e7\u00e3o, caminhar em conjunto, continuar este di\u00e1logo, cada vez mais profundo e amigo, mais \u00edntimo com os nossos irm\u00e3os do Conselho Portugu\u00eas das Igrejas Crist\u00e3s, da Alian\u00e7a Evang\u00e9lica, de diversas sensibilidades. Queremos continuar na nossa rela\u00e7\u00e3o profunda com a comunidade cat\u00f3lica, atrav\u00e9s da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa.<\/p>\n<p>Somos um dos cinco parceiros que assinam este memorando e queremos continuar a fazer este trabalho, ser rede. H\u00e1 uma express\u00e3o que agora se utiliza muito, que pode ajudar: ser facilitador. Facilitar o di\u00e1logo, o encontro, o trabalho em conjunto. \u00c0s vezes os facilitadores s\u00e3o pessoas contratadas, de fora, que s\u00f3 v\u00eam para facilitar e n\u00e3o se metem, n\u00e3o se misturam nas coisas. N\u00e3o \u00e9 esse o papel da rede. N\u00f3s queremos facilitar, sendo um dos parceiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sendo parte ativa\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em termos de reflex\u00e3o, a categoria &#8211; \u00a0o crit\u00e9rio como diz\u00edamos h\u00e1 pouco &#8211; do cuidado \u00e9 decisiva para se pensar o futuro do Cristianismo? \u00c9 uma das marcas que a \u2018Laudato Si\u2019 deixou, seis anos depois da sua publica\u00e7\u00e3o<\/em>?<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 a \u2018Laudato Si\u2019, essa \u00e9 uma das marcas, diria, para poder ler o Cristianismo, o papel que ele tem no mundo, na constru\u00e7\u00e3o da sociedade hoje. \u00c9 tamb\u00e9m uma das marcas a partir das quais podemos ler, por exemplo, este pontificado. N\u00e3o \u00e9 preciso fazer um trabalho muito exaustivo para perceber que este apelo ao cuidado, este exerc\u00edcio do cuidado percorre todo o pontificado.<\/p>\n<p>Lembro bem aquela primeira homilia, no Dia de S\u00e3o Jos\u00e9 (19 mar\u00e7o de 2013, in\u00edcio solene do pontificado, ndr), quando se evoca a figura de S\u00e3o Jos\u00e9 e o bispo de Roma diz que este exerc\u00edcio do cuidado que Jos\u00e9 tem com Maria, com Jesus e com tudo o que est\u00e1 relacionado com eles, configura bem o que \u00e9 a miss\u00e3o de Pedro na Igreja. Estava dado o mote e talvez nessa altura n\u00e3o o tenhamos percebido t\u00e3o bem, mas \u00e0 medida que a reflex\u00e3o se vai desenvolvendo, que os textos v\u00e3o sendo partilhados, isso fica claro. No primeiro texto, a \u2018Evangelii Gaudium\u2019, cuidar da renova\u00e7\u00e3o da Igreja; na \u2018Laudato Si\u2019, cuidar da casa comum; na \u2018Fratelli Tutti\u2019, cuidar todos uns dos outros como irm\u00e3os. A mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano falava na cultura do cuidado; o cuidado que implica os membros da fam\u00edlia, na \u2018Amoris Laetitia\u2019, e os jovens, na \u2018Christus vivit\u2019. Qual \u00e9 marca e o tom que esse cuidado deve ter? \u00c9 a miseric\u00f3rdia. E com isto evoco todos os grandes textos, \u00e9 uma presen\u00e7a constante neste pontificado.<\/p>\n<p>A Encarna\u00e7\u00e3o, marca distintiva do Cristianismo, \u00e9 exatamente o exerc\u00edcio do cuidado que Deus tem pela humanidade. Quer ser t\u00e3o pr\u00f3ximo, t\u00e3o ternurento, t\u00e3o carinhoso, quer levar t\u00e3o a s\u00e9rio esta obra sua, esta sua criatura, que faz o inconceb\u00edvel, paradoxal: faz-se um de n\u00f3s para, junto de n\u00f3s, cuidar de cada um. Esse \u00e9 o desafio que o Cristianismo tem no meio do mundo. As comunidades crist\u00e3s n\u00e3o podem ser doutro modo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A figura do Papa tem sido inspiradora, neste dom\u00ednio. A sua mensagem vai para l\u00e1 das fronteiras da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>\u2026<\/p>\n<p>Sem d\u00favida. E alguns dos textos paradigm\u00e1ticos nisso, particularmente as duas enc\u00edclicas \u2013 \u2018Laudato Si\u2019 e \u2018Fratelli Tutti\u2019 \u2013 que o Papa, explicitamente, afirma querer dirigir a todas as pessoas. Portanto, n\u00e3o \u00e9 simplesmente uma interpela\u00e7\u00e3o ou uma reflex\u00e3o para o interior da comunidade crist\u00e3 \u2013 tamb\u00e9m \u00e9 -, o horizonte \u00e9 muito mais alargado, quer implicar e convocar a humanidade, enquanto tal, todos os homens e mulheres de boa vontade, capazes de perceber este momento hist\u00f3rico que estamos a viver e os desafios que ele nos levanta. Convocando todos, de uma maneira clara. Os textos acabam por dizer isso, a \u2018Fratelli Tutti\u2019 \u00e9 clar\u00edssima, quando o Papa partilha o sonho de uma \u00fanica humanidade, cada um a partir da sua sensibilidade, da sua cren\u00e7a, das suas capacidades, mas todos irm\u00e3os, todos unidos numa s\u00f3 fam\u00edlia humana, todos construindo um mundo em que todos possam ser inclu\u00eddos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos 50 anos do Conselho Portugu\u00eas das Igrejas Crist\u00e3s foi assinando memorando para a \u00abcertifica\u00e7\u00e3o verde\u00bb das v\u00e1rias comunidades, que aponta a uma convers\u00e3o ecol\u00f3gica. Juan Ambr\u00f3sio, professor da Faculdade de Teologia da UCP e membro da Comiss\u00e3o Executiva da Rede Cuidar da Casa Comum, fala com a ECCLESIA e Renascen\u00e7a sobre a import\u00e2ncia deste [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":209999,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[414,192],"class_list":["post-209923","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-ecologia","tag-ecumenismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/209923","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=209923"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/209923\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/209999"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=209923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=209923"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=209923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}