{"id":20987,"date":"2006-11-07T12:22:21","date_gmt":"2006-11-07T12:22:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/11\/07\/moreira-das-neves-padre-jornalista-e-poeta\/"},"modified":"2006-11-07T12:22:21","modified_gmt":"2006-11-07T12:22:21","slug":"moreira-das-neves-padre-jornalista-e-poeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/moreira-das-neves-padre-jornalista-e-poeta\/","title":{"rendered":"Moreira das Neves:  padre,  jornalista e poeta"},"content":{"rendered":"<p>Centen\u00e1rio do nascimento do autor da obra \u00abMendigo de Deus\u00bb <!--more--> \u00abTodo o poeta, Senhor,  \u00c9 mendigo de Deus\u00bb  S\u00e3o estes os dois \u00faltimos versos de um dos melhores poemas de \u00abMendigo de Deus\u00bb, o livro mais poeticamente humano do Pe. Francisco Moreira das Neves, nascido em Gandra, concelho de Paredes, a 18 de Novembro de 1906. Se fosse vivo completaria 100 anos. Os versos citados anteriormente definem o autor e esclarecem a sua obra: o Pe. Moreira das Neves tem consci\u00eancia da sua pobreza perante a beleza que o envolve e sabe que um poema realizado \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, quase uma esmola, de Deus. Por id\u00eantica raz\u00e3o previne os seus \u00abirm\u00e3os\u00bb poetas: \u201cN\u00e3o pares na palavra. Deixa o vento \/ Levar para as dist\u00e2ncias infinitas \/ O som de terra que te sai disperso\u201d.  Depois de frequentar o Semin\u00e1rio do Porto, recebeu a ordena\u00e7\u00e3o presbiteral, em 1929, de D. Ant\u00f3nio Augusto de Castro Meireles. Nos primeiros dois anos paroquiou em Milhundos (terra de D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes) e dedicou-se, em simult\u00e2neo, ao apostolado infantil com a funda\u00e7\u00e3o do Patronato de Santa Rita de C\u00e1ssia. Em 1934 veio para Lisboa para Chefe de Redac\u00e7\u00e3o do Jornal \u00abNovidades\u00bb. Entremeada com o jornalismo, a sua ac\u00e7\u00e3o sacerdotal dispersa-se pela prega\u00e7\u00e3o, confer\u00eancias e estudos eclesi\u00e1sticos. Para al\u00e9m das reportagens e dos volumes de prosa e verso s\u00e3o bem conhecidos alguns programas radiof\u00f3nicos e televisionados.  Em 1946 foi nomeado presidente nacional da Obra de Protec\u00e7\u00e3o aos Leprosos e elaborou imensos trabalhos na sec\u00e7\u00e3o \u00abLetras e Artes\u00bb do jornal \u00abNovidades\u00bb. Faleceu a 31 de Mar\u00e7o de 1992 mas deixou saudades e obra. Eis alguns Livros sa\u00eddos da pena do Pe. Moreira das Neves: \u00abSonho Azul\u00bb (Sonetos &#8211; 1931); \u00abH\u00f3stia florida (1936)\u00bb;  \u00abAnt\u00f3nio Correia de Oliveira \u2013 biobibliografia ilustrada (1932)\u00bb; \u00abAs sete palavras de Nossa Senhora \u2013 Poemas Marianos\u00bb; \u00abLeal Conselheiro Infantil\u00bb; \u00abInquieta\u00e7\u00e3o e Presen\u00e7a\u00bb; \u00abMendigo de Deus\u00bb; \u00abO Grupo dos Cinco\u00bb e \u00abO cardeal Cerejeira (1945-1948)\u00bb  <b>Versos sonoros na Poesia Popular<\/b> H\u00e1 dois volumes de poemas deste autor que se imp\u00f5em pelo conjunto e pela arte po\u00e9tica com que esta ideia se explanou: \u00abAs sete palavras\u00bb e \u00abO Mendigo de Deus\u00bb. A veia po\u00e9tica de Moreira das Neves filia-se na poesia popular e no lirismo tradicional de Correia de Oliveira. Tamb\u00e9m se podem apontar certas presen\u00e7as junqueirianas, especialmente no verso embalado e essencialmente sonoro. O original art\u00edstico do autor encontra-se no explicativo que d\u00e1 ao seu lirismo, mais ou menos sentimental e sempre vibrante, e na convic\u00e7\u00e3o de que tudo se passa em poesia declamada. <i>Ningu\u00e9m sabe como fora Que a Virgem, Nossa Senhora. Saudara, um dia, sua santa Prima &#8211; Talvez em verso de doirada rima Pois levava na boca sol e aurora<\/i> Eis um exemplo da poesia declamada. \u00c9 intencional a forma. Uma das caracter\u00edsticas da arte po\u00e9tica de Moreira das Neves. Os seus poemas n\u00e3o devem ser lidos para em voz baixa, nem para serem meditados. As suas palavras devem ouvir-se porque falam mais pelos sons do que pelo seu significado. Palavras vivas que transportam transcend\u00eancia e encontram um aplauso justificado quando recitadas: <i>Meu Deus, meu Deus, n\u00e3o me deixes Perder a vida a sonhar.<\/i> Contempor\u00e2neo da gera\u00e7\u00e3o da \u00abPresen\u00e7a\u00bb (Jos\u00e9 R\u00e9gio nasce em 1901 e Miguel Torga em 1907), esta escola n\u00e3o influencia a po\u00e9tica de Moreira das Neves que se mant\u00e9m fiel \u00e0 t\u00e9cnica cl\u00e1ssica do verso obediente \u00e0 rima, \u00e0 m\u00e9trica e \u00e0 acentua\u00e7\u00e3o. S\u00f3 mais tarde se deixa penetrar \u2013 ainda que superficialmente \u2013 pelo interiorismo psicol\u00f3gico dos temas presencistas. Na poesia do autor, a espiritualidade art\u00edstica assume um lugar central. Esta \u00e9 essencialmente religiosa e de sentido cat\u00f3lico. Cada poema \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o de f\u00e9 com panejamentos de beleza e arte.  <b>Predilec\u00e7\u00e3o pelos temas marianos<\/b> Nas suas obras nota-se tamb\u00e9m uma predilec\u00e7\u00e3o pelos temas marianos (As sete palavras; Cantares de Santa Maria e poemas dispersos em todos os livros). A liga\u00e7\u00e3o a esta tem\u00e1tica vem ao encontro da tradi\u00e7\u00e3o religiosa de um povo que encontra Deus atrav\u00e9s de Maria e que o manifesta em qualquer realiza\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Em Moreira das Neves, os poemas marianos revelam-se ternos, emocionais e cheios de sentimento filial. Neles recorre muito \u00e0 quadra de sabor e com imagens populares: <i>Olhai a tarde! Parece Que \u00e9 mesmo Nossa Senhora Nossa Senhora que desce E vai pela terra fora.<\/i> Na elabora\u00e7\u00e3o dos seus poemas, o Pe. Moreira das Neves coloca a marca da sua voca\u00e7\u00e3o sacerdotal. Aceite pela cr\u00edtica, o seu caso veio patentear que, desde que haja aut\u00eantica arte, esta ser\u00e1 bem recebida at\u00e9 num meio anticlerical como \u00e9 o meio liter\u00e1rio. \u00c9 certo que alguns cr\u00edticos podem n\u00e3o entender tal poesia supondo-a penetrada pela \u00abun\u00e7\u00e3o de sacristia\u00bb (caso de Jorge de Sena). Nestes casos, o defeito est\u00e1 no processo cr\u00edtico que n\u00e3o tenta entrar num poema mas o retira do seu habitat natural. Autor de mais de uma centena de obras editadas \u2013 com uma pena fecunda e inspirada com prosa e poesia dispersa pelas mais diversas publica\u00e7\u00f5es \u2013 Moreira das Neves esteve cerca de 50 anos como chefe de redac\u00e7\u00e3o do hist\u00f3rico di\u00e1rio cat\u00f3lico \u00abNovidades\u00bb e foi co-fundador da R\u00e1dio Renascen\u00e7a. No \u00abseu\u00bb jornal comandou uma verdadeira escola de jornalistas e tamb\u00e9m um alfobre de autores e artistas da mais consumada e merit\u00f3ria evoca\u00e7\u00e3o. Dele escreveu Fernando Namora: \u201cH\u00e1 no Pe. Moreira das Neves uma \u00e1rdua milit\u00e2ncia cultural, mas toda ela voltada para o investimento em valores de uma matriz \u00abexemplar\u00bb. Como homem das letras em nada se desviou da rota que se imp\u00f4s, e nunca deu sinais de qualquer ambiguidade. Fez op\u00e7\u00f5es e por elas se bateu com arg\u00facia e ardor generoso\u201d. De si mesmo deixou escrita a mensagem-retrato com que apreciaria ser conhecido depois da sua morte, e para ser aposta sobre a sua campa: \u00abAqui jaz quem nunca foi Milion\u00e1rio nem her\u00f3i Mas quis ser em alegria Apenas, em dor e amor Cantor de Nosso Senhor, Poeta da Eucaristia\u00bb.  <i>Lu\u00eds Filipe Santos<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Centen\u00e1rio do nascimento do autor da obra \u00abMendigo de Deus\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[187,199,251],"class_list":["post-20987","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-do-porto","tag-espiritualidade","tag-marianos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20987","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20987"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20987\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20987"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}