{"id":20954,"date":"2006-11-06T12:56:59","date_gmt":"2006-11-06T12:56:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/11\/06\/santarem-missa-de-comemoracao-de-todos-os-fieis-de-defuntos-com-requiem-de-mozart\/"},"modified":"2006-11-06T12:56:59","modified_gmt":"2006-11-06T12:56:59","slug":"santarem-missa-de-comemoracao-de-todos-os-fieis-de-defuntos-com-requiem-de-mozart","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/santarem-missa-de-comemoracao-de-todos-os-fieis-de-defuntos-com-requiem-de-mozart\/","title":{"rendered":"Santar\u00e9m: Missa de Comemora\u00e7\u00e3o de todos os Fi\u00e9is de Defuntos com Requiem de Mozart"},"content":{"rendered":"<p>A Diocese de Santar\u00e9m e a C\u00e2mara Municipal de Santar\u00e9m possibilitaram uma experi\u00eancia \u00fanica a todos os que quiseram participar na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia na S\u00e9 de Santar\u00e9m, no dia de Fi\u00e9is Defuntos, presidida pelo Bispo da Diocese, em que a Orquestra Sinfonietta de Lisboa &#038; Coro Ricercare executaram o Requiem de Mozart, sob a direc\u00e7\u00e3o do maestro Vasco Pearce de Azevedo, nos v\u00e1rios momentos pr\u00f3prios da celebra\u00e7\u00e3o. O Requiem de Mozart, pe\u00e7a do Tesouro musical da Igreja e afinal desta nossa Velha Europa, ocupou o lugar para que foi criado, a Celebra\u00e7\u00e3o da Sagrada Liturgia. J\u00e1 doente e no leito de morte, Mozart trabalhava no Requiem. A et\u00e9rea melodia do Lacrimosa foi a \u00faltima coisa que saiu daquela pena divina. Ao terminar de escrever esta melodia, l\u00e1grimas lhe vieram aos olhos, e suas m\u00e3os deixaram cair a partitura. Pouco mais tarde, \u00e0 uma hora da manh\u00e3 do dia 5 de Dezembro de 1791 (no mesmo dia que em 1570, o Papa Pio V promulgava o Missal sa\u00eddo do Conc\u00edlio de Trento), o mestre estava morto. Algu\u00e9m escreveu: Um profundo sentimento religioso se evola daquelas notas, que parecem sa\u00eddas de uma alma em directa comunica\u00e7\u00e3o com a Deus.  <b>O Descanso na luz perp\u00e9tua<\/b> (Homilia de D. Manuel Pelino na celebra\u00e7\u00e3o de fi\u00e9is defuntos de 2006, na S\u00e9 de Santar\u00e9m )  1. \u201cRequiem aeternam dona eis Domine\u201d. (Dai-lhes Senhor o eterno descanso). Com estas palavras inicia a Missa de Requiem de Mozart. \u00c9 uma s\u00faplica comovente que traduz em linguagem musical uma experi\u00eancia profundamente humana como \u00e9 o reconhecimento da nossa debilidade, da nossa condi\u00e7\u00e3o ef\u00e9mera de peregrinos em tr\u00e2nsito para a eternidade. \u00c9 um grito de confian\u00e7a no mist\u00e9rio de Deus, origem e apoio da vida humana e juiz dos nossos actos. Parece exprimir um sentimento geral de todos os mortais. S\u00f3 assim se explica, no meu entender, que esta obra musical seja sempre actual e n\u00e3o envelhe\u00e7a com o tempo. \u201cEt Lux perpetua luceat eis\u201d. (Brilhe para eles a luz perp\u00e9tua), continua o intr\u00f3ito. Que descansem na paz, na Vossa paz definitiva e plena. O dia de fi\u00e9is defuntos \u00e9, na tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, uma jornada de ora\u00e7\u00e3o pelos que partiram, sobretudo por aqueles a quem estamos ligados. Neste contexto podemos entender e viver em toda a sua riqueza esta orat\u00f3ria do Requiem de Mozart. Arranca da f\u00e9 de que Deus \u00e9 o autor e o Senhor da vida e o Redentor do homem, Assenta na convic\u00e7\u00e3o de que Jesus Cristo morreu e ressuscitou e de que a luz da Sua Ressurrei\u00e7\u00e3o ilumina e vence as trevas da nossa morte. Todos os que acreditam em Cristo, morto e ressuscitado pela nossa salva\u00e7\u00e3o, participam da sua vit\u00f3ria sobre a morte. Por isso, pedimos que os nossos defuntos vivam na luz de Deus, participem plenamente na Luz da Ressurrei\u00e7\u00e3o, na luz sem ocaso que tudo ilumina. Que gozem do descanso eterno, id\u00eantico ao descanso do s\u00e9timo dia da cria\u00e7\u00e3o, um descanso feliz de quem contempla com agrado a obra realizada, um descanso de quem combateu o bom combate e concluiu com \u00eaxito a carreira.  Existe, portanto, uma experi\u00eancia humana profunda que est\u00e1 subjacente a esta pe\u00e7a orat\u00f3ria: A experi\u00eancia da nossa finitude humana, o reconhecimento da nossa condi\u00e7\u00e3o de criaturas, de seres peregrinos que habitam o mundo de passagem, a consci\u00eancia da nossa provisoriedade e fragilidade. Este reconhecimento n\u00e3o conduz \u00e0 revolta ou ao des\u00e2nimo mas traduz-se na humildade e na s\u00faplica confiante. Deus \u00e9 o nosso Redentor: \u201cEu sei que o meu redentor vive\u201d (Job). Ele tem poder para libertar as suas criaturas, a quem ama como filhos, da escravid\u00e3o da morte. A vida humana \u00e9, frequentemente, muito dolorosa e sacrificada. Que os nossos defuntos, ap\u00f3s o sofrimento da vida e da morte, encontrem a paz no para\u00edso, no seio de Abra\u00e3o, a paz feita de harmonia na p\u00e1tria definitiva. Qui audis orationem, ad te omnis caro veniet propter iniquitatem, continua o Intr\u00f3ito. (Toda a criatura, inquieta pela sua iniquidade, recorre a Ti porque escutas a nossa ora\u00e7\u00e3o). \u00c9 uma ora\u00e7\u00e3o feita com o cora\u00e7\u00e3o diante de uma situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica, inspirada pela f\u00e9, enriquecida pelo sentimento. \u00c8 uma s\u00faplica que todos partilham porque diante da morte todos se sentem pobres e desamparados. O intr\u00f3ito, a introdu\u00e7\u00e3o, d\u00e1 o sentido e resume o conte\u00fado do Requiem. \u00c9 uma ora\u00e7\u00e3o tradicional da piedade crist\u00e3 que, nestes dias, devemos repetir com frequ\u00eancia.  2. \u00c9 com esperan\u00e7a e com c\u00e2nticos de louvor que a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 encara a morte. A esperan\u00e7a crist\u00e3 alimenta-se de experi\u00eancias profundas narradas na B\u00edblia, como a experi\u00eancia de Job e, sobretudo, a experi\u00eancia central do mist\u00e9rio pascal de Cristo que por n\u00f3s se entregou \u00e0 morte e pela Ressurrei\u00e7\u00e3o nos alcan\u00e7ou a vida plena. Estas experi\u00eancias fundantes da esperan\u00e7a crist\u00e3 n\u00e3o nos livram do sofrimento, das feridas e da ang\u00fastia da morte. Mas permitem-nos encarar a trag\u00e9dia do sofrimento e da morte como a porta para a ressurrei\u00e7\u00e3o. O Requiem de Mozart exprime este sentimento de dor profunda, de impot\u00eancia perante a morte mas proclama igualmente a esperan\u00e7a e a confian\u00e7a na miseric\u00f3rdia de Deus: \u201cPeccatricem qui solvisti et latronem exaudisti, mihi quoque spem dedisti\u201d (V\u00f3s que absolvestes a pecadora e acolhestes o bom ladr\u00e3o tamb\u00e9m me dais uma grande esperan\u00e7a). O cristianismo introduziu, na concep\u00e7\u00e3o da morte e na celebra\u00e7\u00e3o das ex\u00e9quias, uma perspectiva revolucion\u00e1ria, como reconhecem todos os que analisam esclarecidamente a hist\u00f3ria das culturas: A compaix\u00e3o de Deus pela sua criatura que leva at\u00e9 \u00e0 partilha divina do sofrimento humano e o sentido redentor do sofrimento e da morte, como porta de entrada numa vida nova, s\u00e3o perspectivas que mudaram a atitude perante a morte e convidam \u00e0 virtude da esperan\u00e7a. Quando rezamos por aqueles que partiram, tomamos consci\u00eancia da nossa condi\u00e7\u00e3o mortal e aprendemos a encarar a morte de frente, sem rodeios, sem ilus\u00f5es. \u201cViver \u00e9 aprender a morrer\u201d, segundo um fil\u00f3sofo. Aprender a morrer \u00e9 aprender a viver: A viver com responsabilidade, com plenitude, com encanto. Porque esconder a morte, ou iludi-la, ou neg\u00e1-la, como algumas modas culturais tentam, \u00e9 empobrecer a vida e perder o sentido da realidade.   3. \u201cDies irae, dies illa, quantus tremor est futurus quando judex est venturus \u00bb. Dia da ira, dia terr\u00edvel, ser\u00e1 o dia do ju\u00edzo: Com estas palavras impressionantes come\u00e7a a sequ\u00eancia ou hino de medita\u00e7\u00e3o do Requiem. A composi\u00e7\u00e3o musical real\u00e7a o dramatismo do texto. O tema do ju\u00edzo final inspirou muitas obras de arte (m\u00fasica e pintura). No entanto, este hino \u201cDies irae\u201d foi posto de lado na renova\u00e7\u00e3o conciliar da liturgia. Na verdade, parece pouco adequado ao rosto de miseric\u00f3rdia do Deus de Jesus Cristo. Afasta-se da tradi\u00e7\u00e3o e da novidade do evangelho que real\u00e7a o perd\u00e3o e a proximidade de Deus. H\u00e1 quem questione o facto de ter sido abandonado pela liturgia de defuntos: Teremos medo de falar da morte? N\u00e3o ser\u00e1 educativo chamar a aten\u00e7\u00e3o para a presta\u00e7\u00e3o de contas a Deus de modo a ajudar na convers\u00e3o e dissuadir de praticar ac\u00e7\u00f5es pecaminosas? De qualquer modo, este hino ou sequ\u00eancia apresenta-se como uma s\u00faplica humilde, de f\u00e9 e confian\u00e7a. Uma estrofe deste hino, dotada de grande for\u00e7a expressiva, pode servir de conclus\u00e3o: \u201cRex tremendae maiestatis qui salvando salvas gr\u00e1tis, salva me fons pietatis\u201d: (Rei de tremenda majestade que nos salvas gratuitamente, salva-me fonte de piedade). A m\u00fasica d\u00e1 a ideia de um coro de pecadores, conscientes da sua pobreza, que erguem a voz humilde a pedir clem\u00eancia: \u201cSalva me fons pietatis\u201d. S\u00f3 pela gra\u00e7a e pela miseric\u00f3rdia seremos salvos. Jesus Cristo apresentou-se no meio de n\u00f3s como um rei, n\u00e3o de majestade distante e r\u00edgida, mas de proximidade e de servi\u00e7o: veio para servir e dar a vida. Esta estrofe \u00e9 um convite \u00e0 confian\u00e7a no perd\u00e3o de Deus que nos aceita como somos e que, apesar das nossas infidelidades, sempre recome\u00e7a connosco a Alian\u00e7a de amor. Guardemos no cora\u00e7\u00e3o este pedido: \u201cSalva-nos Senhor, conta-nos entre os eleitos, faz-nos participantes da comunh\u00e3o dos santos\u201d. \u00c1men.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Diocese de Santar\u00e9m e a C\u00e2mara Municipal de Santar\u00e9m possibilitaram uma experi\u00eancia \u00fanica a todos os que quiseram participar na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia na S\u00e9 de Santar\u00e9m, no dia de Fi\u00e9is Defuntos, presidida pelo Bispo da Diocese, em que a Orquestra Sinfonietta de Lisboa &#038; Coro Ricercare executaram o Requiem de Mozart, sob a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[180,203,246],"class_list":["post-20954","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-de-santarem","tag-europa","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20954","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20954"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20954\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20954"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20954"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20954"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}