{"id":209500,"date":"2021-06-10T09:00:00","date_gmt":"2021-06-10T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=209500"},"modified":"2021-06-07T14:44:25","modified_gmt":"2021-06-07T13:44:25","slug":"lusofonias-antonio-il-santo-de-spoleto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-antonio-il-santo-de-spoleto\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Ant\u00f3nio, \u2018il Santo\u2019 de Spoleto"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SantoAntonio-Spoleto.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-209502 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SantoAntonio-Spoleto-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SantoAntonio-Spoleto-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SantoAntonio-Spoleto-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SantoAntonio-Spoleto-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SantoAntonio-Spoleto-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SantoAntonio-Spoleto-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SantoAntonio-Spoleto-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SantoAntonio-Spoleto-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/SantoAntonio-Spoleto.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Em It\u00e1lia, sobretudo em P\u00e1dua, n\u00e3o vale a pena gastar muito latim (ou italiano) a falar de Santo Ant\u00f3nio! Diz-se \u2018il Santo\u2019 e toda a gente sabe de quem se fala! Esta \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o corrente que aparece tamb\u00e9m na cr\u00f3nica de \u2018uma viagem medieval\u2019 de Gon\u00e7alo Cadilhe, \u2018Nos Passos de Santo Ant\u00f3nio\u2019. Este escritor viajante decidiu seguir os passos do nosso maior mission\u00e1rio do s\u00e9culo XIII que se fez ao mar muito antes dos navegadores empurrados pelo Infante D. Henrique: \u2018um dos maiores viajantes da Hist\u00f3ria de Portugal\u2019. N\u00e3o se \u2018atirou\u2019 ao Mediterr\u00e2nio para alargar o imp\u00e9rio (nem sequer sabia o que era isso!), mas para aumentar o n\u00famero dos batizados em Cristo, anunciando o Evangelho em contextos islamizados do norte de \u00c1frica. A sua hist\u00f3ria j\u00e1 deu para muitos livros, mas vale a pena repeg\u00e1-la como inspira\u00e7\u00e3o para os tempos que correm.<\/p>\n<p>Nesta \u2018viagem\u2019, inspiro-me em Gon\u00e7alo Cadilhe, nos Serm\u00f5es do Santo e na visita que fiz a Spoleto. Aqui vivi a semana do Retiro anual da minha Comunidade, num convento de Irm\u00e3s, plantado na colina em frente a esta cidade t\u00e3o antiga, bela, simb\u00f3lica e estrat\u00e9gica.\u00a0 Situada a cerca de 130 kms de Roma, Spoleto tem s\u00e9culos de hist\u00f3ria, pois ali passa uma das vias romanas mais lend\u00e1rias, a Flaminia. E, claro, para a Igreja e para Portugal, h\u00e1 um acrescento de import\u00e2ncia: ali foi canonizado Santo Ant\u00f3nio. Logo que pude, desci a colina e subi \u00e0 cidade. Que beleza, que inspira\u00e7\u00e3o! S\u00f3 descansei quando entrei na magn\u00edfica Catedral de Santa Maria Assumpta, que presta homenagem ao lugar e ao evento que fez de Ant\u00f3nio um dos santos mais aclamados da Igreja, ap\u00f3s \u2018canoniza\u00e7\u00e3o rel\u00e2mpago\u2019! Aconteceu a 30 de maio de 1232 quando os franciscanos realizavam a sua Assembleia Geral. O Papa de ent\u00e3o, Greg\u00f3rio IX, estava presente e quis brindar a fidelidade dos franciscanos ao Papa, bem como a f\u00e9 dos habitantes de P\u00e1dua e decidiu canonizar Ant\u00f3nio, tornando-o modelo de vida crist\u00e3 e de monge para a Igreja e para o mundo.<\/p>\n<p>Voltemos ao princ\u00edpio. Fernando de Bullh\u00f5es nasceu em Lisboa, fez-se Agostinho em Coimbra, passando a chamar-se Ant\u00f3nio, provavelmente em homenagem a Santo Ant\u00e3o, Abade do Deserto. Ali passariam franciscanos a caminho de Marrocos que \u2013 segundo se soube \u2013 foram martirizados. Ant\u00f3nio decide fazer-se franciscano e completar a miss\u00e3o que o mart\u00edrio n\u00e3o permitira concluir \u00e0queles jovens frades que ele conheceu em Coimbra. Homem culto, atravessa o Mediterr\u00e2neo, chega a Marrocos e adoece. Tenta regressar a Portugal, mas os ventos (os do Esp\u00edrito!) atiraram-no para as costas da Sic\u00edlia onde se tornou famoso pela prega\u00e7\u00e3o e santidade. Decide ir a Assis para uma Assembleia Geral onde encontra S. Francisco. Assim se mudaria a hist\u00f3ria de Ant\u00f3nio, tudo por causa da demonstrada eloqu\u00eancia das suas palavras e serm\u00f5es. Passar\u00e1 por Bolonha, grande capital intelectual de ent\u00e3o, para formador dos novos franciscanos. \u00c9 eleito respons\u00e1vel da Ordem no norte de It\u00e1lia, faz parte da delega\u00e7\u00e3o que vem a Roma encontrar o Papa para definir o estatuto da nova Fam\u00edlia Religiosa fundada por Francisco e que n\u00e3o parava de crescer\u2026 P\u00e1dua ser\u00e1 o ponto alto da sua vida, onde ganha fama de sabedoria e santidade extremas.<\/p>\n<p>Em tempo de \u2018heresias\u2019, \u00e9 mandado ao sul de Fran\u00e7a. Mas ele sabe que as convers\u00f5es acontecem mais pela prega\u00e7\u00e3o da Palavra e pela Fraternidade do que pelo an\u00e1tema, \u00f3dio ou espada. Com esta convic\u00e7\u00e3o bem franciscana, Ant\u00f3nio andou por terras francesas onde se tornou conhecido e amado. Depois, deixou a responsabilidade de direc\u00e7\u00e3o na Ordem e, de regresso a P\u00e1dua, tentou retemperar for\u00e7as, rezar e escrever alguns dos seus serm\u00f5es para alimento de quem viesse a seguir. Morreu \u00e0s portas da cidade, em Arcella, a 13 de junho de 1231. Diz Gon\u00e7alo Cadilhe: \u2018nesse dia, a Hist\u00f3ria dava outro passinho para fora da Idade M\u00e9dia, a Europa despertava mais um pouquinho de um torpor de mil anos, Ant\u00f3nio terminava a sua viagem\u2019. Seria canonizado, em Spoleto, menos de um ano depois\u2026.<\/p>\n<p>Atento aos mais pobres, fez da vida um hino \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o, \u00e0 miss\u00e3o e \u00e0 coer\u00eancia, optando e pregando um estilo de vida simples, orante e fraterna. Gritou um dia, num dos seus serm\u00f5es: \u2018Calem-se as palavras e falem as obras!\u2019 E um grande admirador seu, o P. Ant\u00f3nio Vieira, quando pregou na Igreja de Santo Ant\u00f3nio dos Portugueses a 13 de junho de 1670 disse do Santo: \u2018Para nascer, pouca terra; para morrer, toda a terra; para nascer, Portugal; para morrer, o mundo\u2019!<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o vale a pena ficarmos chateados quando vamos a Zanzibar ou \u00e0s montanhas da Huasteca Potosina no M\u00e9xico e l\u00e1 encontramos Santo Ant\u00f3nio de P\u00e1dua! Quer\u00edamos que fosse de Lisboa, mas a verdade \u00e9 que ele um Santo sem fronteiras. \u00c9 de todos. Que a todos inspire e mobilize para uma fraternidade universal.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-209500-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/lusofonias.santoantonio-10-6-2021.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/lusofonias.santoantonio-10-6-2021.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/lusofonias.santoantonio-10-6-2021.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Roma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":114253,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-209500","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/209500","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=209500"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/209500\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=209500"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=209500"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=209500"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}