{"id":209336,"date":"2021-06-06T09:30:44","date_gmt":"2021-06-06T08:30:44","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=209336"},"modified":"2021-06-04T16:04:16","modified_gmt":"2021-06-04T15:04:16","slug":"prisoes-reintegracao-social-deve-comecar-no-momento-em-que-o-recluso-entra-coordenador-nacional-da-pastoral-penitenciaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/prisoes-reintegracao-social-deve-comecar-no-momento-em-que-o-recluso-entra-coordenador-nacional-da-pastoral-penitenciaria\/","title":{"rendered":"Pris\u00f5es: Reintegra\u00e7\u00e3o social deve come\u00e7ar \u00abno momento em que o recluso entra\u00bb &#8211; coordenador nacional da Pastoral Penitenci\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p><em>Restri\u00e7\u00f5es da pandemia podem obrigar a mudan\u00e7as na forma como se presta a assist\u00eancia espiritual nas cadeias, mas a aposta vai continuar a ser a forma\u00e7\u00e3o dos volunt\u00e1rios<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a), Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_209346\" aria-describedby=\"caption-attachment-209346\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/03.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-209346 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/03.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/03.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/03-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/03-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/03-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/03-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/03-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/03-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/03-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/03-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-209346\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Joana Bougard<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Foi recentemente autorizada a retoma da assist\u00eancia espiritual e religiosa nas pris\u00f5es, assim como as atividades de voluntariado. Era um momento muito aguardado?<\/em><\/p>\n<p>Era Tremendamente aguardado pelos assistentes espirituais religiosos, pelas equipas de colaboradores e volunt\u00e1rios, e tamb\u00e9m pelos pr\u00f3prios reclusos, e creio tamb\u00e9m por grande parte das estruturas ligadas \u00e0 dire\u00e7\u00e3o geral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Durante a pandemia foi poss\u00edvel aos capel\u00e3es irem dando resposta \u00e0s situa\u00e7\u00f5es mais urgentes e mais graves?<\/em><\/p>\n<p>De uma forma ordin\u00e1ria n\u00e3o. Ou seja, o regime de conten\u00e7\u00e3o de presen\u00e7as externas ao ambiente prisional foi levado de uma forma muito estrita, o que \u00e9 compreens\u00edvel, porque\u00a0a qualidade f\u00edsica dos nossos estabelecimentos prisionais \u00e9 muito limitada, as cadeias n\u00e3o estavam preparadas para esta realidade, ainda temos celas coletivas, portanto, qualquer realidade externa ao estabelecimento prisional faz perigar, de uma forma muito dr\u00e1stica, a sa\u00fade dos reclusos.\u00a0E temos uma transversalidade muito grande entre os estabelecimentos prisionais, para al\u00e9m dos jovens reclusos tamb\u00e9m temos os idosos reclusos, e obviamente que esta natureza obrigou a ter esta limita\u00e7\u00e3o, que foi custosa para todos, mas particularmente para os reclusos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas, houve possibilidade de fazer contactos pontuais, por outras vias?<\/em><\/p>\n<p>Houve a possibilidade cl\u00e1ssica, que habita sempre, que \u00e9 a carta, a caneta e o papel. O telefone, quando devidamente autorizado, e nalgumas cadeias onde havia possibilidades telem\u00e1ticas, tamb\u00e9m se usaram.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Estamos a falar especificamente do contacto com os capel\u00e3es. E com os volunt\u00e1rios?<\/em><\/p>\n<p>Com os volunt\u00e1rios praticamente nada, a n\u00e3o ser a realidade escrita. Houve tamb\u00e9m um segundo trabalho que\u00a0acho importante sublinhar, que foi\u00a0o trabalho de segunda linha que os colaboradores e volunt\u00e1rios foram fazendo, acorrendo a algumas necessidades imediatas, como produtos de limpeza e higiene pessoal, \u00e0s vezes alguma roupa.\u00a0E falo disto porqu\u00ea, ser\u00e1 que nas cadeias n\u00e3o h\u00e1 roupa? As cadeias t\u00eam roupa, mas alguns reclusos v\u00eam de meios muito empobrecidos, ou v\u00eam do aeroporto diretamente, praticamente sem nada, e muitas vezes as pr\u00f3prias estruturas n\u00e3o t\u00eam rapidez suficiente para possibilitar, e nesse aspeto recorre-se bastante aos grupos de voluntariado e de a\u00e7\u00e3o sociocaritativa.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E junto das fam\u00edlias dos reclusos?<\/em><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m, mas a\u00ed n\u00e3o estamos sujeitos \u00e0 disciplina prisional, \u00e9 mais f\u00e1cil, mesmo tendo em conta a situa\u00e7\u00e3o que est\u00e1vamos a viver no pa\u00eds.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Esta experi\u00eancia da pandemia vai implicar mudan\u00e7as na forma como se presta assist\u00eancia religiosa nas pris\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Creio que sim, algumas mudan\u00e7as. Em primeiro lugar porque foram quase dois anos de uma aus\u00eancia efetiva. As cadeias, na sua generalidade, t\u00eam penas longas, mas temos estabelecimentos prisionais de passagem curta, e nesses praticamente\u00a0vai ter de se fazer tudo a partir do zero.\u00a0Penso que \u00e9 aquilo que me vai acontecer quando come\u00e7ar a fazer a visita ao Estabelecimento Prisional de Caxias, onde grande parte dos rapazes j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e3o os mesmos, porque \u00e9 uma cadeia habitualmente de homens preventivos.<\/p>\n<p>Penso que esta situa\u00e7\u00e3o de ficarmos privados\u00a0vai-nos obrigar a ter que reorganizar a nossa forma de estar, at\u00e9 com a dire\u00e7\u00e3o, com as estruturas funcionais dentro do estabelecimento prisional,\u00a0com outra l\u00f3gica ou com outros recursos, em particular o recurso telem\u00e1tico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 uma forma tradicional de falar dos volunt\u00e1rios e colaboradores, que s\u00e3o os &#8216;visitadores&#8217;. Ouvi o testemunho de algu\u00e9m que me dizia que agora estava quase \u2018sem ch\u00e3o\u2019, durante mais de 20 anos este foi o seu servi\u00e7o pastoral, a pastoral penitenci\u00e1ria, e agora ficou sem saber o que fazer. Para quem assegura este tipo de voluntariado, a pandemia tamb\u00e9m deixou marcas?<\/em><\/p>\n<p>Deixou muitas marcas. N\u00f3s t\u00ednhamos &#8211; e temos, espero eu &#8211; um conjunto muito grande de volunt\u00e1rios que fizeram da visita aos reclusos a sua causa de vida, e n\u00e3o ter este tempo e este espa\u00e7o faz passar aqui quase uma ideia de tempo perdido, ou de realidade perdida. Estou em crer que muitos deles retomar\u00e3o. Obviamente que esta retoma vai ser gradual. O in\u00edcio est\u00e1 a ser feito com muita delicadeza e cuidado, est\u00e1-se a contar que a vacina resulte em termos comunit\u00e1rios para haver uma normalidade no regresso, mas entretanto todas as estruturas est\u00e3o inseguras quanto a uma normaliza\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estes volunt\u00e1rios e visitadores em alguns dos estabelecimentos prisionais j\u00e1 est\u00e3o a come\u00e7ar a ser chamados, convocados pelas equipas. N\u00e3o podem aparecer no n\u00famero em que apareciam, v\u00e3o aparecendo dois, tr\u00eas, particularmente aqueles que j\u00e1 est\u00e3o vacinados, e come\u00e7am tamb\u00e9m, de uma forma muito gradual, a contactar com os reclusos em pequenos grupos, para depois, espero eu, no pr\u00f3ximo ano pastoral j\u00e1 estarmos todos em pleno.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A experi\u00eancia da pandemia foi naturalmente muito marcante para os reclusos. A popula\u00e7\u00e3o prisional esteve esquecida, em sua opini\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Ela n\u00e3o esteve esquecida&#8230; vamos ver, esquecida por quem? Obviamente que pela Pastoral Prisional n\u00e3o esteve esquecida, pela Igreja n\u00e3o esteve esquecida. Tivemos algumas reuni\u00f5es com a Dire\u00e7\u00e3o-Geral (da Reinser\u00e7\u00e3o e Servi\u00e7os Prisionais) para saber como lidar com esta situa\u00e7\u00e3o, percebemos e acatamos algumas das debilidades e das conting\u00eancias que os servi\u00e7os prisionais t\u00eam na sua pr\u00f3pria estrutura, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 desej\u00e1vel por ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Na vida dos reclusos sempre que privamos este processo de entrada de uma realidade que funciona em termos de gratuidade fazemos decrescer a qualidade da pr\u00f3pria vida dentro do estabelecimento prisional. Porque, como sabem,\u00a0o espa\u00e7o prisional \u00e9 um espa\u00e7o que n\u00e3o se constr\u00f3i numa base de confian\u00e7a, pelo contr\u00e1rio, vive assente numa desconfian\u00e7a permanente, e a presen\u00e7a da Igreja, a presen\u00e7a de realidades associativas naquela comunidade permite atenuar alguns processos desumanizantes\u00a0que s\u00e3o normais. Digo \u2018normais\u2019, n\u00e3o deveriam ser, mas numa forma pr\u00e1tica s\u00e3o normais, porque estamos num contexto em que ningu\u00e9m quer estar, nem o recluso, nem o guarda, nem quem l\u00e1 est\u00e1.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A pergunta ia mais no sentido de esta n\u00e3o ter sido uma prioridade na opini\u00e3o p\u00fablica&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Obviamente que n\u00e3o foi, mas aqui temos um problema estrutural em termos culturais. Nunca esque\u00e7o esta premissa, porque essa \u00e9 a nossa luta de fundo: o alterar o olhar que a pr\u00f3pria sociedade tem sobre o que \u00e9 a pris\u00e3o, o seu fen\u00f3meno, e depois as suas solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Todos temos o discurso relativamente facilitador de dizer &#8216;bom, os estabelecimentos prisionais, humanisticamente falando, s\u00e3o lugares onde se deve fazer a reintegra\u00e7\u00e3o&#8217;, mas efetivamente clamamos e bradamos sempre pelo aumento das penas, acusamos os estabelecimentos prisionais de n\u00e3o serem vindicativos o suficiente, e j\u00e1 estamos a\u00ed a bramir outra vez para que haja um aumento de penas para um conjunto de crimes. Crimes graves, com certeza, mas esse aumento vai p\u00f4r em causa este princ\u00edpio:\u00a0queremos as cadeias apenas para fazer dep\u00f3sito de uma humanidade em que j\u00e1 deix\u00e1mos de acreditar? Ou queremos, de facto, ter aqui um sistema social que ainda possa oferecer um tempo, que n\u00e3o deixando de ser puni\u00e7\u00e3o, pretende ser um tempo de purifica\u00e7\u00e3o ou de transforma\u00e7\u00e3o? Ali\u00e1s, o Papa Francisco \u00e9 muito claro nesse horizonte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_209349\" aria-describedby=\"caption-attachment-209349\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/04.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-209349\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/04-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/04-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/04-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/04-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/04-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/04-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/04-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/04-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/04-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/04.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-209349\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Joana Bougard<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>H\u00e1 uma semana o nosso convidado (desta entrevista) falava tamb\u00e9m na reinser\u00e7\u00e3o social dos reclusos dizendo que, tal como existe, n\u00e3o previne que reincidam no crime. O que \u00e9 que em sua opini\u00e3o seria priorit\u00e1rio em termos de reinser\u00e7\u00e3o social dos reclusos?<\/em><\/p>\n<p>O que \u00e9 que se deve ir mudando&#8230; Tem de se come\u00e7ar a reintegra\u00e7\u00e3o social a partir do momento em que o recluso entra no estabelecimento prisional, n\u00e3o posso dizer que posso trabalhar numa reintegra\u00e7\u00e3o social no momento em que a porta do estabelecimento prisional se abre para a liberdade do recluso\u2026<\/p>\n<p>N\u00e3o vos consigo dar n\u00fameros, mas\u00a0uma maioria apreci\u00e1vel dos nossos reclusos s\u00e3o homens que nunca chegaram a ficar devidamente capacitados para uma vida em sociedade, e a tend\u00eancia, se estes instrumentos n\u00e3o s\u00e3o adquiridos, \u00e9 que voltem. Depois\u00a0temos tamb\u00e9m uma margem muito grande de reclusos e reclusas que n\u00e3o se conseguem reconciliar com a pr\u00f3pria sociedade, e uma entrada n\u00e3o reconciliada ser\u00e1 sempre uma entrada violenta e agressiva.<\/p>\n<p>O padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves (anterior coordenador nacional da Pastoral Penitenci\u00e1ria, que faleceu a 8 de dezembro de 2020) dizia sempre que dev\u00edamos come\u00e7ar ainda antes de eles entrarem, come\u00e7ar com uma preven\u00e7\u00e3o clara e evidente, sem vergonha nem receio, que as pr\u00f3prias comunidades paroquiais e os movimentos podem interpretar com bastante facilidade, e depois, a partir do momento em que se entra, um trabalho interdisciplinar que tem que envolver os v\u00e1rios int\u00e9rpretes, particularmente o recluso, qui\u00e7\u00e1 tamb\u00e9m a pr\u00f3pria v\u00edtima. Porque n\u00e3o podemos esquecer toda uma les\u00e3o que \u00e9 provocada, e que para termos uma reconcilia\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que, de facto, todas estas realidades possam ser envolvidas neste processo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 algumas experi\u00eancias de escolas de reconcilia\u00e7\u00e3o, mas em larga escala provavelmente \u00e9 mais dif\u00edcil&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Estes processos n\u00e3o pode ser industrializados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falamos ainda h\u00e1 pouco da dimens\u00e3o &#8216;vingativa&#8217; da pena. \u00c9 preciso sensibilizar a sociedade em geral para a import\u00e2ncia da reinser\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9, muito. N\u00e3o sei se \u00e9 pela crise individualista a que as sociedades ocidentais chegaram, e pela sua perda de sentido de bem comum, o facto \u00e9 que quem prevarica, quem falha, deixa de ter possibilidade de novamente poder ser integrado no conjunto de todos.<\/p>\n<p>Penso \u00e0s vezes que as nossas cadeias funcionam quase como interpela\u00e7\u00f5es profundas dos insucessos sociais enquanto sociedade e realidade, e\u00a0enquanto n\u00e3o conseguirmos valorizar um bem comum, um bem que \u00e9 de todos, particularmente a dignidade humana, vamos olhar sempre para as pris\u00f5es esperando vingan\u00e7a,\u00a0mas uma vingan\u00e7a para consolar cora\u00e7\u00f5es, perdas, e n\u00e3o propriamente com este princ\u00edpio que \u00e9 &#8216;n\u00e3o fica ningu\u00e9m para tr\u00e1s&#8217;, e esse \u00e9 de matriz crist\u00e3.<\/p>\n<p>Obviamente o processo mais ou menos sociol\u00f3gico de descristianiza\u00e7\u00e3o vai-se come\u00e7ar a verificar nestas realidades, onde os que n\u00e3o est\u00e3o integrados, as margens, come\u00e7ar\u00e3o a transformar-se em realidades invis\u00edveis, ou s\u00f3 ser\u00e3o not\u00edcia quando se confirmar a necessidade dessa invisibilidade. Um bocadinho como nas cadeias, s\u00f3 somos not\u00edcia quando um recluso foge , ou uma coisa dessas\u2026<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Fal\u00e1vamos do Papa Francisco, ainda h\u00e1 pouco. De que forma \u00e9 que as imagens das visitas a pris\u00f5es, em viagens internacionais, ou do lava-p\u00e9s a reclusos ajudam a dar visibilidade a essa realidade?<\/em><\/p>\n<p>O Papa Francisco tem lutado, neste seu pontificado, por trazer a periferia para o centro. Naquilo que \u00e9 a sua capacidade real de influenciar as consci\u00eancias e os cora\u00e7\u00f5es, ele tem procurado faz\u00ea-lo e temos sentido essa mesma realidade: se h\u00e1 uns tempos, o visitador era algu\u00e9m que surgia do quadro relacional do capel\u00e3o, hoje em dia temos pessoas que, sem nenhuma rela\u00e7\u00e3o com a Capelania ou com o capel\u00e3o, vem procurar informa\u00e7\u00e3o \u00e0 Pastoral Penitenci\u00e1ria, quer fazer, sente-se motivado, inclinado a servir esta causa, de alguma forma. Nesse aspeto, \u00e9 um Papa cinco estrelas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Voltando \u00e0 realidade da pandemia: sabemos que a vacina\u00e7\u00e3o nas pris\u00f5es come\u00e7ou por abranger os guardas prisionais e os reclusos mais idosos, mas s\u00f3 est\u00e1 a avan\u00e7ar agora para os restantes reclusos. Em Lisboa ser\u00e3o vacinados este domingo, 4 de junho, e no Porto dia 7. N\u00e3o devia ter sido priorit\u00e1ria e ter come\u00e7ado mais cedo, dado o perigo de cont\u00e1gio devido \u00e0 partilha de celas e balne\u00e1rios?<\/em><\/p>\n<p>Na minha opini\u00e3o, seria, com certeza, mas tenho sempre algum receio, porque eu n\u00e3o conhe\u00e7o a equa\u00e7\u00e3o toda, n\u00e3o tenho acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o que os decisores tiveram. Estranhei um pouco n\u00e3o se seguir a mesma l\u00f3gica seguida na realidade civil, porque\u00a0h\u00e1 idosos nos estabelecimentos prisionais, com 70, 80 anos, e foi estranho n\u00e3o os ver vacinados quando os outros idosos estavam a ser vacinados.\u00a0Houve aqui uma dificuldade de dar transversalidade deste direito aos reclusos, mas, como disse, n\u00e3o parece que tenha sido intencional ou uma realiza\u00e7\u00e3o maquiav\u00e9lica, da parte dos decisores.\u00a0\u00c9 dif\u00edcil integrar mentalmente o espa\u00e7o prisional no nosso espa\u00e7o normal e habitual.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Foi nomeado coordenador nacional da Pastoral Penitenci\u00e1ria j\u00e1 em 2021, num momento particularmente dif\u00edcil como este da pandemia. Quais s\u00e3o as prioridades da sua equipa?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s peg\u00e1mos nesta mat\u00e9ria a partir do momento em que nos foi comunicada a necessidade de substituir a tarefa do padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, que estava muito limitado pela doen\u00e7a. A equipa transitou quase toda da equipa anterior, tivemos de escolher mais um ou dois nomes, porque o \u2018know how\u201d\u2019 que foi realizado \u00e9 admir\u00e1vel e \u00e9 valioso.<\/p>\n<p>Nos primeiros encontros que temos tido, as linhas priorit\u00e1rias que o padre Jo\u00e3o tinha definido est\u00e3o a manter-se, portanto,\u00a0vamos procurar fazer com que os nossos volunt\u00e1rios e colaboradores continuem em processo de forma\u00e7\u00e3o. A realidade da Pastoral Penitenci\u00e1ria n\u00e3o pode viver s\u00f3 de uma entrega genu\u00edna, por parte dos volunt\u00e1rios, tem de haver aqui alguma forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica\u00a0\u2013 seja no ordenamento jur\u00eddico, seja tamb\u00e9m algumas compet\u00eancias de car\u00e1ter ps\u00edquico, e at\u00e9 na leitura do pr\u00f3prio perfil. Posso querer muito ajudar, dentro de um estabelecimento prisional, mas posso n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas, reais, para o fazer. O ambiente \u00e9 um ambiente que \u00e9 trabalhado na desconfian\u00e7a. H\u00e1 cora\u00e7\u00f5es bons, l\u00e1 dentro, mas \u00e0s vezes pode demorar algum tempo at\u00e9 l\u00e1 chegar\u2026 Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio este trabalho, esta intui\u00e7\u00e3o que sempre esteve presente, no trabalho do padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, e esta ser\u00e1 uma realidade a ser concretizada.<\/p>\n<p>Outra \u00e9\u00a0refor\u00e7ar e motivar as equipas da Pastoral Penitenci\u00e1ria espalhadas pelas 49 cadeias mais uma\u00a0\u2013 que \u00e9 a Cadeia Militar, dependente diretamente do Ordinariato Castrense, e que integramos tamb\u00e9m na nossa realidade -, acompanhar e\u00a0ver at\u00e9 que ponto esta pastoral consegue reorganizar-se\u00a0neste novo arqu\u00e9tipo, que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o capel\u00e3o residente, dentro da cadeia, que tinha a obriga\u00e7\u00e3o de instruir os reclusos, mas nesta experi\u00eancia eclesial, em que a comunidade eclesial consegue fazer chegar-se, a ela pr\u00f3pria, \u00e0 realidade das pris\u00f5es. E depois manter vivo o protocolo que foi assinado com a C\u00e1ritas, para a a\u00e7\u00e3o sociocaritativa, nas v\u00e1rias inst\u00e2ncias de que a Pastoral Penitenci\u00e1ria vai necessitar, seja para as fam\u00edlias dos reclusos, seja a interven\u00e7\u00e3o nos\u00a0processos de reintegra\u00e7\u00e3o e a sua transforma\u00e7\u00e3o, para que eles sejam simples e pequenos o suficiente para serem realiz\u00e1veis ao n\u00edvel das comunidades, n\u00e3o em realidades grandes ou institucionalizadas, que depois correm o risco de ser uma continua\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio processo de reclus\u00e3o, que \u00e9 algo que vai atrasar, em vez de ajudar.<\/p>\n<p>Depois, obviamente, valorizar ao m\u00e1ximo poss\u00edvel o quadro da a\u00e7\u00e3o dentro do estabelecimento prisional.\u00a0Um dos problemas que existe em todos os estabelecimentos prisionais \u00e9 a inatividade, e ela, no quadro humano, \u00e9 uma deforma\u00e7\u00e3o:\u00a0um homem que n\u00e3o tem um projeto, que n\u00e3o tem uma ocupa\u00e7\u00e3o, um desafio, definha-se. Definha a sua capacidade humana, a sua capacidade relacional, a sua autoestima.\u00a0Queremos ver at\u00e9 que ponto conseguimos dinamizar, fazer entrar dentro do estabelecimento prisional, com a delicadeza que a circunst\u00e2ncia nos merece sempre. Penso sempre em dois navios enormes, a tentar juntar-se um ao outro, com imensos cuidados, para que n\u00e3o se afundem, permitindo, ent\u00e3o, grandes janelas abertas para os reclusos continuarem a olhar a sociedade como o seu espa\u00e7o pr\u00f3prio, n\u00e3o apenas as grades como a sua natureza.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 quantos anos se dedica \u00e0 assist\u00eancia religiosa nas pris\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Desde 2001, 2002. J\u00e1 h\u00e1 alguns anos\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 capel\u00e3o no Estabelecimento Prisional de Caxias e no Hospital Prisional de S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus.<\/em><\/p>\n<p>Sim, comecei pelo Hospital Prisional, na circunst\u00e2ncia muito comum de o capel\u00e3o anterior ter adoecido. Na altura, era p\u00e1roco em Caxias e o cardeal D. Jos\u00e9 Policarpo pediu-me para dar uma m\u00e3ozinha enquanto n\u00e3o se resolvesse nada. Bom, foi resolvido e resolvido est\u00e1: acompanho aquela casa neste tempo todo, muito particularmente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Um padre faz diferen\u00e7a numa pris\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Faz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_209347\" aria-describedby=\"caption-attachment-209347\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/01.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-209347\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/01-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/01-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/01-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/01-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/01-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/01-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/01-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/01-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/01-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/01.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-209347\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Joana Bougard<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u00c9 uma presen\u00e7a pedida e procurada?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9. Pelos reclusos, pelos guardas prisionais, pelos funcion\u00e1rios, pela equipa m\u00e9dica. Continua a ser aquilo que \u00e9 na par\u00f3quia, h\u00e1 uma transversalidade.\u00a0\u00c0s vezes falo nisso \u00e0s pessoas, a realidade \u00e9 transversal. N\u00e3o \u00e9 uma realidade diferenciada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A\u00a0 21 de junho vai decorrer em F\u00e1tima o XVI Encontro de Assistentes Espirituais e Religiosos. Ser\u00e1 ocasi\u00e3o para falar dos novos desafios e prioridades?<\/em><\/p>\n<p>Sim. A ideia surgiu de uma interven\u00e7\u00e3o que o Santo Padre fez \u00e0s equipas judici\u00e1rias que trabalham com os jovens em risco. No conjunto de inten\u00e7\u00f5es que lhes entregou, havia uma dirigida aos capel\u00e3es, em que dizia: \u201cAvan\u00e7ai. N\u00e3o tenhais medo, olhai para Jesus que tamb\u00e9m foi para casa de Zaqueu e foi apontado como aquele que foi dormir na casa do pecador\u201d.<\/p>\n<p>Houve aqui uma quebra, tamb\u00e9m pela morte do padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, e h\u00e1 necessidade de retomar um \u00e9lan que j\u00e1 existia.\u00a0O desafio \u00e9 avan\u00e7ar, com as propostas que j\u00e1 conhec\u00edamos, mas que precisam de ser assumidas e integradas,\u00a0e vamos tamb\u00e9m pedir \u00e0 Dire\u00e7\u00e3o-Geral que nos diga, um pouco, no que \u00e9 que gostaria de contar connosco, o que \u00e9 que espera de n\u00f3s, o que \u00e9 que foi esta experi\u00eancia. Depois, pedi a um dos nossos capel\u00e3es, de Bragan\u00e7a, que nos diga tamb\u00e9m qual seria a reflex\u00e3o que gostaria que os padres e os di\u00e1conos deveriam ter em conta.<\/p>\n<p>Se Deus quiser, em julho, reuniremos tamb\u00e9m com os nossos colaboradores e com os volunt\u00e1rios. E vamos manter tamb\u00e9m a nossa peregrina\u00e7\u00e3o a F\u00e1tima, para oferecer o nosso pr\u00f3ximo ano pastoral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Restri\u00e7\u00f5es da pandemia podem obrigar a mudan\u00e7as na forma como se presta a assist\u00eancia espiritual nas cadeias, mas a aposta vai continuar a ser a forma\u00e7\u00e3o dos volunt\u00e1rios<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":209346,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[278],"class_list":["post-209336","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-pastoral-das-prisoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/209336","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=209336"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/209336\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/209346"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=209336"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=209336"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=209336"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}