{"id":20915,"date":"2006-11-02T15:44:38","date_gmt":"2006-11-02T15:44:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/11\/02\/nao-dar-a-ultima-palavra-a-violencia\/"},"modified":"2006-11-02T15:44:38","modified_gmt":"2006-11-02T15:44:38","slug":"nao-dar-a-ultima-palavra-a-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-dar-a-ultima-palavra-a-violencia\/","title":{"rendered":"N\u00e3o dar a \u00faltima palavra \u00e0 viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Que cessem todas as formas de terrorismo, em todo o mundo. (Inten\u00e7\u00e3o Geral do Santo Padre para o m\u00eas de NOVEMBRO)  Coment\u00e1rio  1. N\u00e3o justificar o injustific\u00e1vel. Terrorismo, nesta reflex\u00e3o, tem o significado de: uso de viol\u00eancia f\u00edsica, de modo indiscriminado, contra pessoas indiscriminadas. Para o terrorista, todas as pessoas s\u00e3o alvos potenciais ou efectivos; todas as formas de viol\u00eancia s\u00e3o leg\u00edtimas; quanto maior o medo, maior o sucesso. Tendo estes elementos como refer\u00eancia, podemos falar, n\u00e3o de diversos tipos de terrorismo, mas de terrorismo praticado por agentes diferentes: h\u00e1 Estados ter-roristas (veja-se a Coreia do Norte, caso t\u00edpico de um Estado terrorista contra o pr\u00f3prio povo); h\u00e1 organiza\u00e7\u00f5es terroristas (como o tristemente c\u00e9lebre Sendero Luminoso, no Peru, ou a actual\u00eds-sima Al-Qaeda); h\u00e1 terroristas \u00abem nome individual\u00bb \u2013 embora quase sempre procurem a \u00abcapa\u00bb de uma ideologia ou organiza\u00e7\u00e3o. Dependendo dos meios ao dispor e dos objectivos, as ac\u00e7\u00f5es dos diferentes protagonistas do terrorismo atingem maior ou menor n\u00famero de pessoas e adqui-rem caracter\u00edsticas pr\u00f3prias: os fundamentalistas isl\u00e2micos que optam pelo terrorismo t\u00eam um modo de agir e de justificar as suas ac\u00e7\u00f5es diferente daquele protagonizado por organiza\u00e7\u00f5es como a ETA. Importa, em qualquer caso, n\u00e3o cair na armadilha que os terroristas quase sempre lan\u00e7am \u00e0s suas potenciais v\u00edtimas: aceitar algum princ\u00edpio de justifica\u00e7\u00e3o para os seus actos \u2013 ou seja, tornar justo o injustific\u00e1vel. Quem diz: \u00abEu condeno o terrorismo, mas&#8230;\u00bb, j\u00e1 est\u00e1 a ceder ao argumento terrorista e a abrir as portas \u00e0 sua justifica\u00e7\u00e3o.  2. N\u00e3o ignorar as causas. N\u00e3o se nasce terrorista nem se acorda terrorista de um dia para o outro. H\u00e1, certamente, causas que levam algu\u00e9m a optar por agir assim contra os seus semelhan-tes ou a aderir a organiza\u00e7\u00f5es deste tipo: nuns casos, s\u00e3o motivos ideol\u00f3gicos, noutros, religio-sos, noutros, a situa\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o ou de mis\u00e9ria, aliada a um dos anteriores&#8230; Procurar desco-brir e compreender as causas do terrorismo n\u00e3o significa, por\u00e9m, aceitar que as mesmas possam explicar e, de algum modo, tornar menos desumanos os m\u00e9todos utilizados. Significa, sobretudo, dispor-se a agir sobre tais causas, de modo a enfrentar o terrorismo nas suas ra\u00edzes, criando, tam-b\u00e9m desse modo, condi\u00e7\u00f5es para que aquele apare\u00e7a menos como op\u00e7\u00e3o e, sobretudo, encontre condena\u00e7\u00e3o decidida no interior das sociedades onde se manifesta. Conv\u00e9m, no entanto, n\u00e3o ter ilus\u00f5es: o terrorista \u00e9 virtualmente impenetr\u00e1vel a argumentos exteriores, ou mesmo \u00e0 condena-\u00e7\u00e3o social. N\u00e3o se julgue, por\u00e9m, que se trata de uma forma de irracionalidade. Pelo contr\u00e1rio, o terrorista desenvolve uma l\u00f3gica fria e impiedosa, capaz de validar a viol\u00eancia mais cruel e de a justificar perante quaisquer considera\u00e7\u00f5es que ponham em causa a sua legitimidade. \u00c9 o caso t\u00edpico em que os fins a atingir justificam (tornam justos) subjectivamente todos os meios&#8230; As sociedades dever\u00e3o, por isso, n\u00e3o descuidar os meios de defesa (policiais e outros) que permitam assegurar, tanto quanto poss\u00edvel, a tranquilidade dos cidad\u00e3os e o seu direito a uma vida pac\u00edfica.  3. O crist\u00e3o e o terrorismo. Para o crist\u00e3o, a igual dignidade de cada ser humano \u00e9 um prin-c\u00edpio inquestion\u00e1vel, embora nem sempre tenha sido assumido da mesma forma \u2013 e, ainda hoje, h\u00e1 crist\u00e3os com dificuldade em aceit\u00e1-lo. Tal dificuldade, por\u00e9m, n\u00e3o resulta da f\u00e9 que profes-sam, antes de circunst\u00e2ncias culturais espec\u00edficas ainda n\u00e3o evangelizadas. N\u00e3o pode, por isso, nenhum crist\u00e3o aderir ao terrorismo, reivindicando a sua f\u00e9 como fundamento para tal ades\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, procedendo assim, o crist\u00e3o nega-se a si mesmo, enquanto crist\u00e3o, e torna a sua f\u00e9 uma ideologia her\u00e9tica e contr\u00e1ria ao Evangelho. Do crist\u00e3o apenas se pode esperar a rejei\u00e7\u00e3o expl\u00edcita do terrorismo. Espera-se, tamb\u00e9m, que seja capaz de encontrar na sua rela\u00e7\u00e3o com Deus for\u00e7a para resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de responder \u00e0 viol\u00eancia indiscriminada do terrorismo da mesma forma. Nesta resist\u00eancia \u00e0 sedu\u00e7\u00e3o do mal, a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 insubstitu\u00edvel. Esta, na verdade, coloca o crist\u00e3o diante do Deus humilde, pac\u00edfico, despojado, do Deus Amor, revelado em Jesus Cristo. Diante de um Deus assim, o crente s\u00f3 pode pedir a gra\u00e7a de ser disc\u00edpulo digno desse nome \u2013 e, no mesmo pedido, invocar o Esp\u00edrito Santo para que as for\u00e7as do \u00f3dio e da viol\u00eancia n\u00e3o tenham a \u00faltima palavra na conviv\u00eancia entre indiv\u00edduos, povos e na\u00e7\u00f5es. Rezar deste modo ter\u00e1 sempre frutos de paz, pois cria no cora\u00e7\u00e3o daquele que reza as condi\u00e7\u00f5es para quebrar o c\u00edrculo vicioso da viol\u00eancia, abrindo caminho \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o criadora do Esp\u00edrito de Deus, \u00fanico capaz de reali-zar a convers\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que cessem todas as formas de terrorismo, em todo o mundo. (Inten\u00e7\u00e3o Geral do Santo Padre para o m\u00eas de NOVEMBRO) Coment\u00e1rio 1. N\u00e3o justificar o injustific\u00e1vel. Terrorismo, nesta reflex\u00e3o, tem o significado de: uso de viol\u00eancia f\u00edsica, de modo indiscriminado, contra pessoas indiscriminadas. 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