{"id":208845,"date":"2021-05-30T09:31:12","date_gmt":"2021-05-30T08:31:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=208845"},"modified":"2021-05-28T13:29:20","modified_gmt":"2021-05-28T12:29:20","slug":"sociedade-nivel-de-pobreza-e-dramatico-e-exige-uma-reflexao-muito-grande-pedro-neto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sociedade-nivel-de-pobreza-e-dramatico-e-exige-uma-reflexao-muito-grande-pedro-neto\/","title":{"rendered":"Sociedade: N\u00edvel de pobreza \u00e9 \u00abdram\u00e1tico e exige uma reflex\u00e3o muito grande\u00bb \u2013 Pedro Neto"},"content":{"rendered":"<p><em>Diretor executivo da Amnistia Internacional Portugal aborda impacto da pandemia, na entrevista conjunta Renascen\u00e7a\/ECCLESIA<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>\u00a0<\/em>&#8220;Abra o seu jornal num qualquer dia da semana e encontrar\u00e1 um relato de algu\u00e9m que foi preso, torturado ou executado num qualquer s\u00edtio do mundo, por as suas opini\u00f5es ou a sua religi\u00e3o serem inaceit\u00e1veis para o governo do seu pa\u00eds&#8221;. Este \u00e9 um excerto de um artigo publicado no jornal &#8216;The Observer&#8217;, em 1961, que marcou o nascimento da Amnistia Internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em style=\"text-align: right;\">Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_208848\" aria-describedby=\"caption-attachment-208848\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-3.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-208848 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-3.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-3.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-3-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-3-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-3-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-3-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-3-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-208848\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Hoje, como h\u00e1 60 anos, basta ler, ouvir ou ver not\u00edcias para perceber que ainda h\u00e1 muito a fazer para garantir o respeito pelos direitos humanos. Este \u00e9 um trabalho sempre inacabado?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 um trabalho sempre inacabado, mas gosto muito de pensar que estou a trabalhar para n\u00e3o ser mais necess\u00e1rio. Esse \u00e9 o horizonte que me vai orientando, e \u00e9 a vis\u00e3o que vamos tendo na Amnistia, contribuirmos para um mundo onde todas as pessoas possam usufruir dos direitos humanos. E isto \u00e9 interdependente: se algu\u00e9m usufrui dos seus direitos humanos \u00e9 porque estou a trabalhar para isso, se eu usufruo dos meus direitos humanos \u00e9 porque algu\u00e9m est\u00e1 a trabalhar para isso. Portanto, sendo um trabalho inacabado, gosto de pensar que n\u00e3o \u00e9, e ter essa utopia, esse sonho e essa vis\u00e3o no horizonte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Para perceber at\u00e9 que ponto \u00e9 que as coisas v\u00e3o evoluindo a Amnistia publica um relat\u00f3rio anual, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de term\u00f3metro. O que foi publicado em abril conclui que a pandemia fez crescer as desigualdades e a discrimina\u00e7\u00e3o em todo o mundo, incluindo em Portugal, onde exp\u00f4s &#8220;fragilidades no acesso \u00e0 sa\u00fade e habita\u00e7\u00e3o&#8221;. Estes s\u00e3o direitos sens\u00edveis em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>Sim.\u00a0A pandemia trouxe um problema novo, que foi o direito \u00e0 sa\u00fade colocado em causa de modo absoluto e dram\u00e1tico, e depois agravou outros que j\u00e1 existiam e que, porventura, n\u00e3o seriam t\u00e3o vis\u00edveis, mas que se tornaram muito mais vis\u00edveis. Algu\u00e9m que n\u00e3o tem uma habita\u00e7\u00e3o condigna, as dificuldades de se proteger contra a doen\u00e7a durante um confinamento \u00e9 muito maior. Algu\u00e9m que n\u00e3o tem uma habita\u00e7\u00e3o condigna coloca logo a\u00ed o seu acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, se \u00e9 feita a partir de casa, com uma fragilidade muito maior.<\/p>\n<p>Principalmente quando falamos de uma economia de mercado e de uma educa\u00e7\u00e3o que nos prepara para essa economia de mercado, quando temos em conta que o que se deve valorizar \u00e9 o m\u00e9rito, logo a\u00ed\u00a0h\u00e1 pessoas que, se isto fosse uma corrida, come\u00e7avam a corrida muito mais atr\u00e1s na pista.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E estes grupos ainda ficaram mais vulner\u00e1veis?<\/em><\/p>\n<p>Ficaram ainda mais para tr\u00e1s.\u00a0\u00c9 como se tivessem vento contra elas a soprar e a dificultar ainda mais esse processo. Cabe ao governo, \u00e0 sociedade civil, \u00e0s respostas sociais, contribuir para essa justi\u00e7a social se equilibrar e estarmos todos na mesma medida naquilo que \u00e9 a sociedade.<\/p>\n<p>Este tamb\u00e9m \u00e9 um trabalho muitas vezes inacabado, mas que ficou muito vis\u00edvel, as suas consequ\u00eancias e os seus processos durante a pandemia, e creio que agora h\u00e1 que fazer um trabalho conjunto, de escuta, de consulta ativa, mas uma consulta que seja mesmo ir ao terreno estar com as pessoas. N\u00e3o pode ser uma consulta p\u00fablica nos termos cl\u00e1ssicos, porque s\u00e3o pessoas que muitas vezes est\u00e3o a lutar para sobreviver. \u00c9 preciso ir l\u00e1 ter com elas, cal\u00e7ar os seus sapatos, perceber como \u00e9 a sua vida, para depois formular pol\u00edticas p\u00fablicas que sejam adequadas e que resultem, para fazermos essa caminhada com essas pessoas, no sentido de equilibrar a nossa sociedade e de contrariarmos esta tend\u00eancia que tem sido o aumento do fosso entre os mais ricos e os mais pobres, fazermos o caminho inverso e termos uma sociedade mais equilibrada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os novos indicadores da pobreza em Portugal que n\u00e3o s\u00e3o nada animadores. A pobreza agravou-se e isso, em termos de direitos humanos, pode vir a piorar ainda mais as coisas?<\/em><\/p>\n<p>Muito. De facto,\u00a0a pobreza agravou-se e temos aqui um n\u00edvel que j\u00e1 existia, mais uma vez, mas que agora \u00e9 muito evidente: pessoas que trabalham a tempo inteiro, que t\u00eam um\u00a0<em>full-time job<\/em>, mas que mesmo assim n\u00e3o conseguem sair da pobreza. Isto \u00e9 dram\u00e1tico e exige uma reflex\u00e3o muito grande, por um lado, para perceber que economia \u00e9 esta que se serve dos pobres para poder crescer, a explora\u00e7\u00e3o dos mais pobres, exigindo a pessoas que trabalhem em tempo inteiro e mesmo assim n\u00e3o conseguem sair da pobreza. Por outro lado, l\u00edderes pol\u00edticos, assentes no populismo, que se aproveitam da fragilidade da circunst\u00e2ncia destas pessoas para as atacarem, porque precisam de vil\u00f5es para se apresentarem como her\u00f3is, e depois ganharem dividendos com pessoas, porventura, mais desatentas e que votam nelas acolhendo essas acusa\u00e7\u00f5es. Portanto, para al\u00e9m de fam\u00edlias for\u00e7adas a trabalhar assim, de crian\u00e7as que ficam sozinhas &#8211; e tamb\u00e9m elas em circunst\u00e2ncias de maior fragilidade, por n\u00e3o serem t\u00e3o acompanhadas, por causa de trabalhos t\u00e3o exigentes -, estas pessoas ainda s\u00e3o estigmatizadas por alguns l\u00edderes pol\u00edticos e pela capacidade que t\u00eam de formular opini\u00f5es pouco esclarecidas. H\u00e1 aqui uma dupla camada de discrimina\u00e7\u00e3o que \u00e9 preciso olharmos com muita aten\u00e7\u00e3o e resolver.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>O relat\u00f3rio fala tamb\u00e9m de uma faixa da popula\u00e7\u00e3o particularmente vulner\u00e1vel, que s\u00e3o os sem-abrigo, diz que foram esquecidos pelo Estado durante a pandemia. T\u00ednhamos a meta de, at\u00e9 2023, deixar de haver quem fa\u00e7a da rua a sua casa. Ser\u00e1 poss\u00edvel cumprir essa meta?<\/em><\/p>\n<p>Penso que ser\u00e1.\u00a0O Presidente da Rep\u00fablica, Marcelo Rebelo de Sousa, elegeu essa causa como uma das suas causas no seu primeiro mandato. Aqui, o apelo que fa\u00e7o, se ele nos estiver a ouvir, \u00e9 que essa causa volte de novo \u00e0 sua agenda,\u00a0porque ele tem uma capacidade muito grande de influenciar a agenda medi\u00e1tica e agenda pol\u00edtica, pelas suas qualidades e pelo cargo que ele exerce.<\/p>\n<p>Creio que a resposta a este problema das pessoas sem-abrigo \u00e9 uma resposta que tem de contar com todos, governo central, mas tamb\u00e9m &#8211; e apelando ao princ\u00edpio da subsidiariedade&#8230;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Que \u00e9 um dos princ\u00edpios da Doutrina Social da Igreja.<\/em><\/p>\n<p>E \u00e9 um princ\u00edpio que defende que n\u00e3o \u00e9 tudo do Estado Central. Este paternalismo n\u00e3o funciona muitas vezes, h\u00e1 tamb\u00e9m a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica local, municipal, e n\u00e3o esquecer a sociedade civil, as organiza\u00e7\u00f5es que est\u00e3o no terreno, desde as IPSS (Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social) \u00e0s ONG (Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o Governamentais) que t\u00eam de tomar parte.<\/p>\n<p>H\u00e1 um outro ator muito importante a ter em conta, e essencial: os sem-abrigo. \u00c9 preciso perceber a origem dos seus problemas, porque s\u00e3o diversos, e \u00e9 no diagn\u00f3stico desses diversos problemas que depois se dar\u00e1 o in\u00edcio do caminho para as solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O relat\u00f3rio da Amnistia tamb\u00e9m fala na sobrelota\u00e7\u00e3o das pris\u00f5es. Que dados tem sobre a situa\u00e7\u00e3o atual?<\/em><\/p>\n<p>O n\u00famero em Portugal de reclusos n\u00e3o \u00e9 superior \u00e0 capacidade total das pris\u00f5es em Portugal, no entanto h\u00e1 algumas pris\u00f5es que, mesmo assim, est\u00e3o sobrelotadas.<\/p>\n<p>Os problemas das pris\u00f5es s\u00e3o v\u00e1rios e sist\u00e9micos. Eu fui professor e a sala de aula espelhava a sociedade, as pris\u00f5es espelham tamb\u00e9m muitas vezes a sociedade, e aquilo que de mais fr\u00e1gil a sociedade tem.<\/p>\n<p>A Justi\u00e7a tem tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es para ser Justi\u00e7a, se falhar uma delas j\u00e1 n\u00e3o o \u00e9: a fun\u00e7\u00e3o punitiva, a fun\u00e7\u00e3o reparadora das v\u00edtimas e a fun\u00e7\u00e3o de reinser\u00e7\u00e3o social, e esta terceira fun\u00e7\u00e3o est\u00e1 a falhar muito. Mesmo a pr\u00f3pria Dire\u00e7\u00e3o-geral chama-se Dire\u00e7\u00e3o-geral dos Servi\u00e7os de Reinser\u00e7\u00e3o Social e Servi\u00e7os prisionais,\u00a0a reinser\u00e7\u00e3o social vem primeiro, mas est\u00e1 a ter pouco efeito e h\u00e1 pouco investimento, mas \u00e9 necess\u00e1rio investir nela para depois poupar na despesa nas pris\u00f5es e para poupar naquilo que s\u00e3o processos de regresso.\u00a0\u00c9 como se fosse uma porta girat\u00f3ria, muitas pessoas que saem da pris\u00e3o chegam c\u00e1 fora, n\u00e3o t\u00eam meios e s\u00e3o obrigadas a reincidir, e voltam para dentro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 pouco falou dos discursos populistas. Esses discursos tendem a acentuar muito a dimens\u00e3o punitiva.<\/em><\/p>\n<p>Sim, s\u00f3 a dimens\u00e3o punitiva, esquecem as outras. Porque\u00a0os discursos populistas, a sua estrada \u00e9 o descontentamento e a revolta, por isso alimentam isso e n\u00e3o falam de solu\u00e7\u00f5es. Geralmente criticam, dizem mal, porque \u00e9 essa revolta da cultura de caf\u00e9, como \u00e9 vulgarmente conhecida, mas depois falta o resto. E n\u00f3s n\u00e3o precisamos de pessoas que s\u00f3 falem mal e que s\u00f3 falem dos problemas, os diagn\u00f3sticos s\u00e3o importantes, mas n\u00e3o com linguagem de \u00f3dio, e s\u00e3o importantes no sentido de construir solu\u00e7\u00f5es a seguir.\u00a0No caso das pris\u00f5es, o que \u00e9 preciso \u00e9 esse investimento na reinser\u00e7\u00e3o social, e o acompanhamento das pessoas quando v\u00eam para fora. Acompanho alguns casos que tiveram os perd\u00f5es presidenciais agora, no contexto da pandemia, casos de pessoas que est\u00e3o completamente abandonadas e em risco de se tornarem at\u00e9 sem-abrigo.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Ou seja, a medida foi positiva, mas n\u00e3o teve acompanhamento?<\/em><\/p>\n<p>Faltou qualquer coisa a seguir. Claro que para isto acontecer \u00e9 preciso investir. E digo investir, porque \u00e9 mesmo um investimento. Pode parecer uma despesa a curto prazo, mas \u00e9 um investimento, porque vai poupar muito mais \u00e0 frente, em recursos do Estado e, claro, contribuir para o bem-estar dos cidad\u00e3os, dos pr\u00f3prios e das pr\u00f3prias, e tamb\u00e9m da comunidade que acolhe, ou n\u00e3o, neste caso.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_208847\" aria-describedby=\"caption-attachment-208847\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-4.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-208847\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-4-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-4-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-4-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-4-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-4-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-4-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-4-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-4-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-4.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-208847\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Temos um caso recente em Portugal de viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos, muito medi\u00e1tico, que foi o caso de Odemira. A Amnistia tem acompanhado estas situa\u00e7\u00f5es&#8230; como \u00e9 que cheg\u00e1mos a este ponto?<\/em><\/p>\n<p>Usando o chav\u00e3o que j\u00e1 muita gente disse, &#8221;\u00e9 um caso conhecido&#8217;, e \u00e9 um caso \u00e0 escala global. Muitas vezes os pre\u00e7os que temos nos supermercados n\u00e3o est\u00e3o a retribuir os produtores dos bens que estamos a consumir, est\u00e3o a retribuir intermedi\u00e1rios, e h\u00e1 pre\u00e7os baixos que s\u00e3o conseguidos \u00e0 custa de alguma explora\u00e7\u00e3o nesse processo.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E\u00a0aqui estamos a falar de explora\u00e7\u00e3o de migrantes no nosso pa\u00eds.<\/em><\/p>\n<p>Precisamente. E isso acontece em produtos l\u00e1 fora, mas tamb\u00e9m c\u00e1.\u00a0Odemira n\u00e3o \u00e9 caso \u00fanico, h\u00e1 outros contextos, \u00e9 preciso dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Lez\u00edria e ao Oeste, onde o tr\u00e1fico de seres humanos se aproveita para este trabalho quase escravo. E isto n\u00e3o s\u00e3o dados desconhecidos, est\u00e3o publicados em v\u00e1rios relat\u00f3rios.\u00a0A primeira raz\u00e3o do tr\u00e1fico de seres humanos em Portugal, enquanto pa\u00eds de destino, \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o em contexto de trabalhos agr\u00edcolas e a segunda \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o em contexto de trabalho sexual. Portanto, os diagn\u00f3sticos est\u00e3o feitos, agora \u00e9 preciso solu\u00e7\u00f5es, que uma s\u00e9rie de entidades se comprometa nesse trabalho ainda mais, e capacit\u00e1-las ainda mais para esse trabalho.<\/p>\n<p>H\u00e1 outra quest\u00e3o que queria ressalvar, que \u00e9:\u00a0temos tamb\u00e9m de ser respons\u00e1veis enquanto consumidores.\u00a0Quando vamos ao supermercado, infelizmente muitas vezes temos de ir ao mais barato, porque n\u00e3o temos escolha, mas temos de ter consci\u00eancia que temos de exigir tamb\u00e9m ao mercado, \u00e0 ind\u00fastria<\/p>\n<p>que nos coloque produtos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, para nosso consumo, que sejam eticamente irrepreens\u00edveis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O ambiente \u00e9 uma das tem\u00e1ticas que vos preocupa. As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, a polui\u00e7\u00e3o e o consumo desenfreado tamb\u00e9m p\u00f5em em risco os direitos humanos?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Cito at\u00e9 um documento, uma enc\u00edclica do Papa Francisco, que fala muito bem da casa comum, a \u2018Laudato Si\u2019 (2015). \u00c9 mesmo assim: o planeta \u00e9 como se fosse o nosso supermercado, mas n\u00e3o temos de comprar, o planeta d\u00e1 tudo o que o que precisamos. A roupa que vestimos, a \u00e1gua que bebemos, a comida, os carros onde andamos, tudo \u00e9 feito com mat\u00e9rias-primas que vieram, que foram extra\u00eddas do planeta e transformadas para o nosso consumo. Para que as prateleiras do supermercado se voltem a encher, temos de consumir com sustentabilidade e \u00e9 por isso que a Amnistia Internacional se dedica aos Direitos Humanos, n\u00e3o na mesma perspetiva que uma ONG ambiental, porventura. Todos os nossos direitos econ\u00f3micos e sociais dependem do planeta terra. Se extrairmos sem regras e sem sustentabilidade, vamos ficar sem modo de sobreviv\u00eancia. Ali\u00e1s, isso j\u00e1 est\u00e1 \u00e0 vista, com os refugiados clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>As popula\u00e7\u00f5es mais fr\u00e1geis s\u00e3o as primeiras a pagar esse pre\u00e7o\u2026<\/em><\/p>\n<p>Claro. \u201cRefugiados clim\u00e1ticos\u201d \u00e9 uma express\u00e3o que ainda n\u00e3o est\u00e1 normalizada e o clima ainda n\u00e3o \u00e9 uma raz\u00e3o v\u00e1lida para que haja, formalmente, pessoas refugiadas, mas tamb\u00e9m est\u00e1 na altura de os fazedores de pol\u00edticas, a n\u00edvel internacional, considerarem tamb\u00e9m esta raz\u00e3o, as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isso est\u00e1 nas suas expetativas para a pr\u00f3xima Cimeira do Clima, marcada para novembro, em Glasgow?<\/em><\/p>\n<p>Eu tenho muita confian\u00e7a no secret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas. S\u00e3o uma organiza\u00e7\u00e3o cheia de entraves, de quest\u00f5es burocr\u00e1ticas, que muitas vezes impedem a a\u00e7\u00e3o \u2013 a quest\u00e3o dos vetos, h\u00e1 sempre algu\u00e9m a vetar e se n\u00e3o h\u00e1 unanimidade, n\u00e3o se avan\u00e7a. Mas tenho muita confian\u00e7a em Ant\u00f3nio Guterres, que tamb\u00e9m elege esta causa como a sua causa primordial, enquanto secret\u00e1rio-geral. N\u00e3o sei se ter\u00e1 continuidade, num segundo mandato, mas espero que, livres da pandemia, possamos voltar a esta quest\u00e3o. At\u00e9 porque acredito que a sa\u00fade do meio ambiente tamb\u00e9m contribui para a sa\u00fade humana.<\/p>\n<p>Deixem-me partilhar esta ideia: os recifes de coral s\u00e3o organismos vivos que tamb\u00e9m albergam muitos v\u00edrus. Estando a ser destru\u00eddos, um pouco por todo o mundo, sobretudo junto da Oce\u00e2nia, h\u00e1 aqui riscos desconhecidos para n\u00f3s, porque estes v\u00edrus poder\u00e3o chegar aos humanos e fazer-nos mal\u2026 Isto \u00e9 desconhecido, ainda, mas temos de olhar tamb\u00e9m para o ambiente, nesta perspetiva da sa\u00fade humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Referiu h\u00e1 pouco a enc\u00edclica do Papa Francisco sobre ecologia integral. Ele tem dado um contributo nesta \u00e1rea do ambiente e tamb\u00e9m noutras, como \u00e9 que v\u00ea o papel de Francisco e da Igreja Cat\u00f3lica na defesa dos Direitos Humanos, da paz mundial?<\/em><\/p>\n<p>Na perspetiva da Amnistia Internacional, quantos mais l\u00edderes da sociedade civil se empenharem nas quest\u00f5es em que trabalhos, melhor. \u00c9 muito importante.<\/p>\n<p>Num registo mais pessoal, tenho visto o Papa Francisco \u2013 como o Dalai Lama e outros l\u00edderes religiosos \u2013 a atuar de forma muito pertinente. S\u00e3o l\u00edderes que influenciam tamb\u00e9m muitas pessoas e t\u00eam tido um contributo muito importante para esse trabalho. O Papa Francisco \u00e9 um Papa completamente ligado \u00e0 sociedade, \u00e0s pessoas e \u00e0s suas preocupa\u00e7\u00f5es, muito atento aos problemas sociais do mundo. Desejo-lhe uma boa continua\u00e7\u00e3o desse trabalho, porque \u00e9 preciso que haja l\u00edderes na sociedade que nos remetam e que nos liguem ao mundo, aos problemas reais do mundo, e que n\u00e3o estejam deslocados, como, porventura, j\u00e1 vimos outros Papas a fazer. E mais uma vez, esta \u00e9 uma opini\u00e3o pessoal<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos l\u00edderes pol\u00edticos que est\u00e3o desarredados da realidade, dos problemas das pessoas que lideram, e por isso n\u00e3o contribuem de modo significativo para os Direitos Humanos nas suas realidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_208849\" aria-describedby=\"caption-attachment-208849\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-208849\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-2-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-2-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-2-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Pedro-Neto-2.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-208849\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o da Amnistia com a Igreja e as institui\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas? Sabendo que h\u00e1 temas de total converg\u00eancia, como a luta contra a pena de morte, embora sejam divergentes noutras, como o aborto\u2026<\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o tenho tido problemas. Temos trabalhado, h\u00e1 pouco tempo fizemos uma a\u00e7\u00e3o conjunta com os Jesu\u00edtas, em Portugal, sobre a \u00cdndia, porque h\u00e1 defensores dos Direitos Humanos que s\u00e3o Jesu\u00edtas e est\u00e3o presos. Temos de nos focar naquilo que nos une e menos no que nos separa. Na quest\u00e3o dos direitos sexuais e reprodutivos, o ambiente do trabalho da Amnistia Internacional \u00e9 o \u00e2mbito da lei, o nosso foco \u00e9 a lei, os Direitos Humanos. E h\u00e1 assuntos em que n\u00e3o temos de nos pronunciar.<\/p>\n<p>Creio que todas as pessoas cat\u00f3licas, e a Igreja Cat\u00f3lica, me acompanhar\u00e1, a mim e \u00e0 Amnistia Internacional, nesta reivindica\u00e7\u00e3o de que prender uma mulher porque fez um aborto n\u00e3o \u00e9 resposta que se d\u00ea a este problema. Portanto, foquemo-nos a\u00ed, nessa unidade de opini\u00e3o e de concord\u00e2ncia. Naquilo que discordamos, \u00e9 o c\u00e9lebre dito: vivemos numa sociedade plural, mesmo que eu n\u00e3o concorde, ou a Amnistia Internacional n\u00e3o concorde com uma opini\u00e3o, uma coisa \u00e9 certa, lutaremos para que as pessoas a possam expressar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Amnistia est\u00e1 a comemorar 60 anos, agora mesmo, ainda a vivermos uma pandemia mundial, que mensagem final deixa?<\/em><\/p>\n<p>Os 60 anos j\u00e1 s\u00e3o uma idade simp\u00e1tica. Vemos que j\u00e1 muito foi alcan\u00e7ado, o mundo melhorou em muitas coisas, nos \u00faltimos 60 anos, mesmo na quest\u00e3o da pena de morte, mais de metade dos pa\u00edses que tinham pena de morte j\u00e1 a aboliram, muitos tamb\u00e9m fizeram morat\u00f3rias \u2013 apesar de a terem no seu c\u00f3digo penal, n\u00e3o a executam. S\u00e3o 60 anos que nos d\u00e3o esperan\u00e7a, a continuar. Voltando ao in\u00edcio: s\u00e3o trabalhos inacabados, h\u00e1 que continuar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diretor executivo da Amnistia Internacional Portugal aborda impacto da pandemia, na entrevista conjunta Renascen\u00e7a\/ECCLESIA<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":208848,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-208845","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/208845","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=208845"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/208845\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/208848"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=208845"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=208845"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=208845"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}