{"id":208731,"date":"2021-05-27T10:49:54","date_gmt":"2021-05-27T09:49:54","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=208731"},"modified":"2021-05-27T10:49:54","modified_gmt":"2021-05-27T09:49:54","slug":"nossa-senhora-nao-apareceu-no-sameiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nossa-senhora-nao-apareceu-no-sameiro\/","title":{"rendered":"Nossa Senhora n\u00e3o apareceu no Sameiro"},"content":{"rendered":"<p><em>Rui Ferreira, Arquidiocese de Braga<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/nossa-senhora.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-208732 \" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/nossa-senhora.jpeg\" alt=\"\" width=\"408\" height=\"306\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/nossa-senhora.jpeg 800w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/nossa-senhora-347x260.jpeg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/nossa-senhora-768x576.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/nossa-senhora-510x382.jpeg 510w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/nossa-senhora-480x360.jpeg 480w\" sizes=\"(max-width: 408px) 100vw, 408px\" \/><\/a>1 \u2013 O m\u00eas de maio \u00e9 especialmente dedicado, na tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, \u00e0 devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora. Os fundamentos desta evoca\u00e7\u00e3o poder\u00e3o ser encontrados no sincretismo religioso que marcou os primeiros s\u00e9culos da Igreja. Na tradi\u00e7\u00e3o grega, o m\u00eas de maio era dedicado a Artemisa, a deusa da fecundidade. Por sua vez, os romanos devotavam maio a Flora, deusa da vegeta\u00e7\u00e3o. \u00c9 um m\u00eas vinculado ao vigor da natureza que, ap\u00f3s o in\u00edcio da primavera, desabrocha numa multitude de flores, tonalidades e perfumes, antecipando os frutos. Ser\u00e1 certamente a singularidade deste tempo, que emana fertilidade e pulcritude, a melhor alegoria para enaltecer a figura de Maria.<\/p>\n<p>2- Em Portugal, este v\u00ednculo temporal do m\u00eas de maio ao culto mariano saiu especialmente refor\u00e7ado com as apari\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima que, desde 1917, centralizam inequivocamente a religiosidade devotada a Nossa Senhora. A coincid\u00eancia da primeira apari\u00e7\u00e3o de Maria aos pastorinhos ter sucedido precisamente no m\u00eas de maio acabou por sublinhar esta mesada particularmente dedicada \u00e0 devo\u00e7\u00e3o mariana. Maio \u00e9 o m\u00eas de Maria para a Igreja, mas com singular relevo em Portugal.<\/p>\n<p>3 \u2013 Se o santu\u00e1rio de F\u00e1tima se afirma com inequ\u00edvoco protagonismo na devo\u00e7\u00e3o mariana em Portugal, perpassando largamente as fronteiras do pa\u00eds, a religiosidade em honra de Nossa Senhora det\u00e9m horizontes muito mais extensos no nosso territ\u00f3rio. Na Arquidiocese de Braga o mais c\u00e9lebre lugar devotado a Maria \u00e9 o santu\u00e1rio da Abadia, localizado nas fraldas do Ger\u00eas e considerado o mais antigo santu\u00e1rio portugu\u00eas. No entanto, o seu mais relevante espa\u00e7o de devo\u00e7\u00e3o mariana \u00e9 o santu\u00e1rio do Sameiro que, debru\u00e7ado sobre a cidade de Braga, \u00e9 sede de uma das mais intensas din\u00e2micas religiosas de Portugal.<\/p>\n<p>4 \u2013 Erigido no ano de 1863 em comemora\u00e7\u00e3o da defini\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o ocorrida em 1854, o Sameiro rapidamente se desenvolveu como espa\u00e7o privilegiado de ora\u00e7\u00e3o e romagem. Nos alvores do s\u00e9culo XX o santu\u00e1rio respigava popularidade, afirmando-se como o maior lugar de peregrina\u00e7\u00e3o mariana em Portugal. Tudo mudou, por\u00e9m, ap\u00f3s as apari\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima. Por causa disso, em Braga era at\u00e9 frequente escutar-se que \u201ca Senhora de F\u00e1tima fora o diabo que aparecera \u00e0 Senhora do Sameiro\u201d numa alus\u00e3o \u00e0 perda de popularidade do santu\u00e1rio bracarense, precisamente no momento em que almejava especial vigor. Nesse contexto, o Arcebispo D. Manuel Vieira de Matos declararia perentoriamente: \u00abNossa Senhora n\u00e3o apareceu no Sameiro. Est\u00e1 no Sameiro\u00bb.<\/p>\n<p>5 \u2013 Esta afirma\u00e7\u00e3o, que poder\u00e1 aparecer como pretensiosa, n\u00e3o deixa de desvelar a autenticidade da devo\u00e7\u00e3o mariana na Igreja. Onde exista a f\u00e9, \u00e9 poss\u00edvel surgir um espa\u00e7o de culto, independentemente de no seu fundamento estarem apari\u00e7\u00f5es ou outros fen\u00f3menos extraordin\u00e1rios.\u00a0 A espiritualidade de Maria na Igreja revela um culto especial que se revela de incomensur\u00e1veis formas. Como refere a constitui\u00e7\u00e3o conciliar \u201cLumen Gentium\u201d, \u00abJ\u00e1 desde os tempos mais antigos, a Sant\u00edssima Virgem \u00e9 venerada com o t\u00edtulo de \u00abM\u00e3e de Deus\u00bb e sob a sua prote\u00e7\u00e3o se acolhem os fi\u00e9is, que a imploram em todos os perigos e necessidades\u00bb.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>6 \u2013 A import\u00e2ncia de Maria na Igreja, fortalecida sucessivamente ao longo dos tempos pela teologia e, consequentemente, na liturgia, \u00e9 sufragado incessantemente pelos fi\u00e9is, que encontram em Maria a sua mais significativa medianeira e intercessora. Sublinhando o papel do culto mariano na Igreja, o Papa Francisco instituiu, em 2018, a solenidade da Virgem Maria M\u00e3e da Igreja, celebrada anualmente na primeira segunda-feira ap\u00f3s Pentecostes<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Como referia o Papa Jo\u00e3o Paulo II, o t\u00edtulo \u201cM\u00e3e da Igreja\u201d reflete \u00aba profunda convic\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is crist\u00e3os, que veem em Maria n\u00e3o s\u00f3 a m\u00e3e da pessoa de Cristo, mas tamb\u00e9m dos fi\u00e9is. Aquela que \u00e9 reconhecida como m\u00e3e da salva\u00e7\u00e3o, da vida e da gra\u00e7a, m\u00e3e dos salvados e dos viventes, com todo o direito \u00e9 proclamada M\u00e3e da Igreja\u00bb<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>7 \u2013 \u00c9 esta M\u00e3e da Igreja que o santu\u00e1rio do Sameiro celebra. Este recanto bracarense que o Papa Jo\u00e3o Paulo II visitou a 15 de maio de 1982 e confirmou como \u201cmonumento da gente portuguesa, do amor \u00e0 Sant\u00edssima Virgem, aqui venerada e invocada sob o t\u00edtulo de Imaculada Concei\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, n\u00e3o nasceu devido a singulares manifesta\u00e7\u00f5es, mas funda-se na devo\u00e7\u00e3o especial que os crist\u00e3os, mormente minhotos, sempre devotaram a Nossa Senhora. Por isso mesmo, tal como referiu um entusiasmado prelado bracarense, n\u00e3o apareceu no Sameiro, mas est\u00e1 l\u00e1 permanentemente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Rui Ferreira<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja\u00a0<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html\"><em>Lumen gentium<\/em><\/a>, 66.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/papa\/news\/2020-06\/maria-mae-da-igreja.html\">https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/papa\/news\/2020-06\/maria-mae-da-igreja.html<\/a> (visto em 23\/05\/2021).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <strong>JO\u00c3O PAULO II, \u201cMaria, M\u00e3e da Igreja\u201d, <\/strong><em>17 de Setembro de 1997 <\/em>em <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/audiences\/1997\/documents\/hf_jp-ii_aud_17091997.html\">www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/audiences\/1997\/documents\/hf_jp-ii_aud_17091997.html<\/a> (visto em 25\/05\/2021).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> JO\u00c3O PAULO II, Homilia da eucaristia celebrada no santu\u00e1rio do Sameiro, 15 de Maio de 1982.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rui Ferreira, Arquidiocese de Braga<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":186439,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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