{"id":208579,"date":"2021-05-25T12:46:43","date_gmt":"2021-05-25T11:46:43","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=208579"},"modified":"2021-05-25T12:46:43","modified_gmt":"2021-05-25T11:46:43","slug":"turismo-nao-e-passear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/turismo-nao-e-passear\/","title":{"rendered":"Turismo n\u00e3o \u00e9 passear"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Miguel Neto, Diocese do Algarve<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_167647\" aria-describedby=\"caption-attachment-167647\" style=\"width: 399px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-167647 \" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-1024x681.jpg\" alt=\"\" width=\"399\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-768x511.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-1080x719.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-980x652.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto-480x319.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Miguel_Neto.jpg 1142w\" sizes=\"(max-width: 399px) 100vw, 399px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-167647\" class=\"wp-caption-text\">Padre Miguel Neto<\/figcaption><\/figure>\n<p>Olha-se, quase sempre, para o turismo com o preconceito de que este \u00e9 a cultura do \u00f3cio, do \u201cn\u00e3o fazer nada\u201d, da <em>Silly Season<\/em>, das f\u00e9rias com tudo inclu\u00eddo em s\u00edtios parad\u00edsicos, onde n\u00e3o se sai do hotel e n\u00e3o se conhece a pobreza terceiro mundista que habita \u00e0 volta. J\u00e1 para n\u00e3o falar que, tantas vezes se pensa que as pessoas que v\u00eam de f\u00e9rias para a nossa terra s\u00e3o ignorantes, n\u00e3o percebem nada disto, damos-lhes qualquer coisa e eles n\u00e3o sabem e ficam encantados. Enfim, o Turismo \u00e9 visto, por um lado como uma forma de em poucos meses se ter uma oportunidade de neg\u00f3cio f\u00e1cil e, por outro lado, como algo para quem tem dinheiro e tempo.<\/p>\n<p>A pandemia provocada pelo Covid19 contribuiu bastante para mudar no senso comum estas convic\u00e7\u00f5es, que, naturalmente, para quem estuda o tema, n\u00e3o s\u00e3o reais e, sobretudo, para quem trabalha diretamente com estas quest\u00f5es. O turismo \u00e9 uma oportunidade de conhecimento, de crescer a n\u00edvel cultural, de enriquecimento humano, abertura de horizontes pessoais, abertura ao outro e a novas culturas. \u00c9, quando bem implementado, vivido e dinamizado, n\u00e3o apenas uma face de uma ind\u00fastria, mas uma atividade do ser humano que o leva a descobrir o mundo, os outros e a si mesmo e que se quer, cada vez mais, uma atividade promotora de identidade, de sustentabilidade, de verdadeiro entendimento da esp\u00e9cie humana.<\/p>\n<p>Eu, particularmente sou a favor de que, num Curriculum Vitae, importa mais o registo da passagem em um qualquer pais, onde estejamos no m\u00ednimo 15 dias, do que pequenos certificados de forma\u00e7\u00e3o de umas horas, ou at\u00e9 de um dia, onde pouco ouvimos, quase n\u00e3o interagimos e, sobretudo, aprendemos de forma diminuta. Nada bate conhecer o mundo atrav\u00e9s do contacto direto com outra cultura. Isso mesmo nos diz Fernando Pessoa\/Bernardo Soares, desde o s\u00e9culo passado, no seu Livro do Desassossego, quando afirmou: \u201cViajar? Para viajar basta existir. (\u2026) As viagens s\u00e3o os viajantes. O que vemos, n\u00e3o \u00e9 o que vemos, sen\u00e3o o que somos.\u201d As nossas experi\u00eancias de viagem integram as nossas hist\u00f3rias de vida, passam a ser quem somos e a alterar tudo o que da\u00ed em diante vemos e pensamos. \u201cGanhamos mundo\u201d, costumo dizer, porque depois de viajar \u00e9 o mundo que est\u00e1 em n\u00f3s e n\u00f3s compreendemos melhor o que sentimos. Todo o enriquecimento humano e cultural que retiramos do turismo que fazemos \u00e9 o verdadeiro valor de viajar.<\/p>\n<p>Na \u00faltima viajem de f\u00e9rias que fiz, em 2019, estive na Esc\u00f3cia e, em conversa com o dono de um Pub em Portree, na Ilha de Skye, disse-lhe que n\u00e3o gostava de <em>whisky<\/em>. Ele respondeu-me que me ia convencer do contr\u00e1rio. De imediato foi buscar uma garrafa, sem r\u00f3tulo, ou melhor, com uma pequena etiqueta apenas, na qual estava escrita uma data e p\u00f4s-me num copo sem gelo. Escusado ser\u00e1 dizer que, para al\u00e9m de ficarmos amigos, eu nunca mais bebi um <em>whisky<\/em> que fosse igual, ou estivesse perto no sabor, na qualidade, porque foi um <em>whisky<\/em>, mais que provado, sentido. Fiquei, naturalmente, ainda mais interessado pela cultura escocesa. Igualmente podia falar da sensa\u00e7\u00e3o de em 2007 estar na cidade de Jogajakarta, a cidade cultural da ilha de Java, na Indon\u00e9sia e rever-me nos tra\u00e7os portugueses da sua cultura e monumentos, mas durante uma semana, na maior parte dos dias e horas, ser o \u00fanico ocidental que por ali circulava.<\/p>\n<p>Enfim, o turismo faz-nos perceber que a cultura gera imensas diferen\u00e7as, mesmo dentro pr\u00f3prio pa\u00eds. Mas compreender, definitivamente, que as diferen\u00e7as nos enriquecem, nos complementam, nos fazem melhores pessoas, se assim o quisermos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Miguel Neto, Diocese do Algarve<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":167647,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-208579","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/208579","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=208579"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/208579\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/167647"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=208579"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=208579"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=208579"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}