{"id":20795,"date":"2006-10-24T12:34:43","date_gmt":"2006-10-24T12:34:43","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/10\/24\/nada-a-acrescentar\/"},"modified":"2006-10-24T12:34:43","modified_gmt":"2006-10-24T12:34:43","slug":"nada-a-acrescentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nada-a-acrescentar\/","title":{"rendered":"Nada a acrescentar"},"content":{"rendered":"<p>Acho que, tudo somado, o tempo que vivemos \u00e9 o menos mau dos tempos que conhecemos da hist\u00f3ria. N\u00e3o creio que seja poss\u00edvel apontar um s\u00e9culo, uma d\u00e9cada, um ano preciso em que a humanidade tivesse optimizado o seu ponto de equil\u00edbrio, os jogos da guerra e da paz, da riqueza e da pobreza atingissem os graus desej\u00e1veis e perfeitos num mundo em cont\u00ednuo movimento. Por que nos voltamos excessivamente para os nossos estreitos metros quadrados e para os minutos antes e depois do agora, como que nos vemos deformados em espelhos de medo e desalento, quais testemunhas oculares de quedas ca\u00f3ticas de todos os edif\u00edcios que constitu\u00edram o melhor da nossa cidade desejada e imagin\u00e1ria. Mas \u00e9 assim. Caminhamos pelas ruelas estreitas da euforia e do desalento, esmagados pela amplifica\u00e7\u00e3o dos acontecimentos em velocidade acelerada que nos roubam a paz. A paz? Mas ser\u00e1 paz o desconhecimento e o sil\u00eancio, a fic\u00e7\u00e3o alienante que esconde o real at\u00e9 que ele se precipite como uma hecatom-be sobre a nossa pequena urbe? S. Isaac, o S\u00edrio (sec VII), monge em N\u00ednive, perto de Mossul, actual Iraque, escreveu num dos seus discursos asc\u00e9ticos:&#8221;A vida neste mundo \u00e9 semelhante \u00e0queles que formam palavras com letras, acrescentando-as, retirando-as, e alterando-as a seu bel prazer. Mas a vida do mundo futuro \u00e9 semelhante ao que est\u00e1 escrito sem o menor erro nos livros selados com o selo real, a que nada falta e a que nada h\u00e1 a acrescentar&#8221;. Este coment\u00e1rio ao &#8220;Evangelho Quotidiano&#8221; lan\u00e7a-nos bem na reflex\u00e3o das nossas vidas como dobadoiras do ef\u00e9mero, onde cada acontecimento nos faz voltar a cabe\u00e7a e o cora\u00e7\u00e3o em direc\u00e7\u00f5es opostas. E nos sugere julgamentos precipitados e porventura injustos sobre o agora, amaldi\u00e7oando-o em benef\u00edcio do ontem. O agora, no tempo, sempre foi assim. Tempos vir\u00e3o em que se n\u00e3o acrescentar\u00e1 qualquer palavra. Temos de aceitar este drama. E acreditar no futuro s\u00f3lido e imut\u00e1vel. Eis \u00e9 a grande diferen\u00e7a na leitura da hist\u00f3ria, do tempo, da evolu\u00e7\u00e3o, do progresso, do porvir. Tudo tem import\u00e2ncia. Mas s\u00f3 ganha significado o que desagua no futuro, &#8220;escrito sem o menor erro nos livros selados a que nada falta acrescentar&#8221;. Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acho que, tudo somado, o tempo que vivemos \u00e9 o menos mau dos tempos que conhecemos da hist\u00f3ria. N\u00e3o creio que seja poss\u00edvel apontar um s\u00e9culo, uma d\u00e9cada, um ano preciso em que a humanidade tivesse optimizado o seu ponto de equil\u00edbrio, os jogos da guerra e da paz, da riqueza e da pobreza atingissem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-20795","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20795","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20795"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20795\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20795"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20795"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20795"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}