{"id":207815,"date":"2021-05-16T09:31:25","date_gmt":"2021-05-16T08:31:25","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=207815"},"modified":"2021-05-16T20:11:15","modified_gmt":"2021-05-16T19:11:15","slug":"uma-das-ancoras-importantes-e-sempre-o-jornalismo-felisbela-lopes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-das-ancoras-importantes-e-sempre-o-jornalismo-felisbela-lopes\/","title":{"rendered":"\u00abUma das \u00e2ncoras importantes \u00e9 sempre o jornalismo\u00bb &#8211; Felisbela Lopes"},"content":{"rendered":"<p>Investigadora na Universidade do Minho, coordenou um estudo sobre a cobertura medi\u00e1tica da Covid-19, diz que os jornalistas assumiram a miss\u00e3o de \u201cservi\u00e7o p\u00fablico\u201d e considera que a classe se rev\u00ea na proposta do Papa para \u00abir onde mais ningu\u00e9m vai\u00bb<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felisbela-Lopes-2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-207813 alignleft\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felisbela-Lopes-2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felisbela-Lopes-2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felisbela-Lopes-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felisbela-Lopes-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felisbela-Lopes-2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felisbela-Lopes-2-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felisbela-Lopes-2-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felisbela-Lopes-2-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felisbela-Lopes-2.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Como \u00e9 que leu os alertas e os desafios que o Papa lan\u00e7a na mensagem aos comunicadores em geral? S\u00e3o ainda mais relevantes e oportunos em tempo de pandemia?<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o de uma enorme atualidade e constituem, s\u00f3 por si, um manual de boas pr\u00e1ticas que deveria acompanhar cada jornalista.\u00a0Penso que cada jornalista se rev\u00ea naquilo que o Papa Francisco diz nesta mensagem, esta necessidade de estar com as pessoas, de as ouvir para chegar \u00e0 realidade.\u00a0O encontrar as pessoas nos s\u00edtios onde elas est\u00e3o \u00e9 um desafio de uma enorme atualidade, e at\u00e9 parece paradoxal, numa altura em que todos n\u00f3s nos habitu\u00e1mos a conversar uns com os outros atrav\u00e9s do computador e dos ecr\u00e3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como estamos tamb\u00e9m a fazer nesta entrevista&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Como estamos a fazer, e quase que j\u00e1 consideramos isto normal. \u00c9 bom que cada um de n\u00f3s sinta que estamos numa situa\u00e7\u00e3o verdadeiramente excecional, que o contacto interpessoal, a presen\u00e7a f\u00edsica das pessoas \u00e9 sempre muito necess\u00e1ria para o conhecimento, porque esta conversa \u00e0 dist\u00e2ncia subtrai uma parte importante de toda a riqueza que tem uma conversa de modo presencial. E o Papa vem colocar esta necessidade de estar, efetivamente, com as pessoas, e dirige este repto aos jornalistas, mas quase que o dirige a cada um de n\u00f3s, porque os jornalistas tamb\u00e9m est\u00e3o em representa\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s. \u00c9, de facto, um desafio e um chamar de aten\u00e7\u00e3o, que at\u00e9 pode ir contra a mar\u00e9, mas neste momento em que as vacinas nos d\u00e3o uma enorme esperan\u00e7a para um regresso a uma certa normalidade, \u00e9 bom que este regresso se fa\u00e7a acompanhar tamb\u00e9m de um regresso \u00e0s pessoas, a estar efetivamente atento \u00e0quilo que s\u00e3o as necessidades e as manifesta\u00e7\u00f5es de cada um.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jornalismo foi \u00e2ncora<\/strong><\/p>\n<p><em>Que diagn\u00f3stico faz do exerc\u00edcio do jornalismo em Portugal no tempo pandemia? Houve uma retra\u00e7\u00e3o ou o jornalismo manteve esse contacto com as pessoas, cumpriu esse desejo do Papa de &#8220;ir onde mais ningu\u00e9m vai&#8221;? Por exemplo, o que se passou agora em Odemira, a den\u00fancia concreta de injusti\u00e7as sociais aconteceu tamb\u00e9m muito por causa dos jornalistas?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Os jornalistas em tempos de pandemia n\u00e3o conseguiram ir a todos os s\u00edtios onde gostariam de ir, ou onde deveriam estar, mas\u00a0isso n\u00e3o implica que se fa\u00e7a um balan\u00e7o negativo da cobertura medi\u00e1tica, pelo contr\u00e1rio. Este tempo pand\u00e9mico corresponde, de uma forma geral, a um per\u00edodo de qualidade ao n\u00edvel do trabalho jornal\u00edstico.<\/p>\n<p>Os jornalistas fizeram um esfor\u00e7o enorme para levar a informa\u00e7\u00e3o pertinente, atual, sustentada por vozes de especialistas, num tempo em que cada um de n\u00f3s estava confinado nas suas casas.\u00a0Os jornalistas tamb\u00e9m podiam estar, muitos fizeram muitos trabalhos a partir das suas casas, com os constrangimentos que cada um de n\u00f3s experimentou, com filhos, com estas dificuldades de conciliar no espa\u00e7o privado dimens\u00f5es do p\u00fablico, introduzindo nos lares estas din\u00e2micas laborais, e a\u00ed estiveram os jornalistas, num trabalho important\u00edssimo.<\/p>\n<p>Se Portugal \u00e9 apontado, na primeira fase da pandemia e de emerg\u00eancia \u2013 a partir de mar\u00e7o de 2020, at\u00e9 maio do mesmo ano -, como um caso de sucesso, em que o pa\u00eds confinou de forma r\u00e1pida, isto n\u00e3o se deveu apenas uma decis\u00e3o pol\u00edtica c\u00e9lere. Efetivamente houve essa decis\u00e3o pol\u00edtica &#8211; poderemos discutir se os processos de comunica\u00e7\u00e3o institucionais foram, ou n\u00e3o, eficazes, isso \u00e9 outra conversa, mas ao n\u00edvel da decis\u00e3o tivemos uma decis\u00e3o c\u00e9lere -, mas\u00a0se as pessoas ficaram confinadas em casa, isso tamb\u00e9m se deveu, de certo modo, ao trabalho jornal\u00edstico.\u00a0Ao n\u00edvel das televis\u00f5es, tamb\u00e9m da parte dos programas de entretenimento, que foram chamando a aten\u00e7\u00e3o das pessoas para a import\u00e2ncia de ficar em casa. &#8216;Fique em casa&#8217; foi sempre uma esp\u00e9cie de slogan que se adotou como uma chamada de aten\u00e7\u00e3o para a urg\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o ser comandada por cada um de n\u00f3s. Cada um de n\u00f3s importava para ajudar a parar um v\u00edrus que todos\u00a0desconhec\u00edamos, e em rela\u00e7\u00e3o ao qual experiment\u00e1vamos muito medo, e\u00a0os jornalistas tiveram um papel important\u00edssimo, numa literacia, em ser \u00e2ncora em momentos de grande ansiedade, de grande incerteza. Eu acho que este papel n\u00e3o poder\u00e1 nunca ser esquecido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na linguagem da Igreja, estiveram ao servi\u00e7o do bem comum&#8230;<\/em><\/p>\n<p>E a cumprir aquilo que \u00e9 tamb\u00e9m uma obriga\u00e7\u00e3o dos jornalistas, esta responsabilidade social, olhar a informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica como servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>No inqu\u00e9rito que fizemos \u00e0 classe jornal\u00edstica, logo no in\u00edcio, 92% dos inquiridos disseram que quiseram ajudar a mudar comportamentos no sentido da preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a,\u00a0e isto n\u00e3o \u00e9 um dado que nos deva causar aqui grande admira\u00e7\u00e3o. Ainda bem que foi assim, era chocante se n\u00e3o o fosse. Ainda bem que os jornalistas disseram &#8216;n\u00f3s quisemos ajudar as pessoas a adotar comportamentos de preven\u00e7\u00e3o&#8217;.\u00a0Isto sim, \u00e9 responsabilidade social do jornalismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas, tudo isto aconteceu &#8211; e esse \u00e9 tamb\u00e9m um alerta que o Papa deixa na mensagem &#8211; cultivando uma informa\u00e7\u00e3o mim\u00e9tica, que pode relevar alguma crise editorial, ou na sua opini\u00e3o as tend\u00eancias do jornalismo atual s\u00e3o espelho desta informa\u00e7\u00e3o mim\u00e9tica?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 uma informa\u00e7\u00e3o mim\u00e9tica e uma agenda monotem\u00e1tica, \u00e9 verdade. O Papa Francisco fala aqui na import\u00e2ncia da entrevista e da reportagem, dizendo mesmo que este g\u00e9neros jornal\u00edsticos perdem espa\u00e7o no campo da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Felizmente h\u00e1 \u00f3timos exemplos na informa\u00e7\u00e3o em Portugal.<\/em><\/p>\n<p>S\u00f3 que\u00a0a reportagem custa dinheiro. Ter jornalistas no terreno \u00e9 dispendioso.\u00a0Um jornalista na reda\u00e7\u00e3o, \u00e0 secret\u00e1ria &#8211; acho que toda a gente entende isto bem &#8211; consegue fazer numa tarde tr\u00eas, quatro pe\u00e7as. Um jornalista que v\u00e1 fazer uma fazer uma reportagem, fazendo o confronto de diversas fontes de informa\u00e7\u00e3o, que queira trazer uma cor local para o seu trabalho, far\u00e1 isso num dia, ou, quando a reportagem \u00e9 feita mais distanciada, isso pode implicar v\u00e1rias dias de trabalho. Tudo isto custa muito dinheiro\u00a0e as pessoas hoje est\u00e3o pouco dispostas a pagar pela informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica,\u00a0porque se habituaram a terem informa\u00e7\u00e3o sempre de forma muito facilitada, e nem sempre se distingue aqui a informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica da informa\u00e7\u00e3o de conte\u00fados que correm nas redes sociais, que n\u00e3o s\u00e3o filtrados nem verificados por ningu\u00e9m. N\u00e3o \u00e9 tudo igual, e\u00a0os meios de comunica\u00e7\u00e3o social est\u00e3o em crise porque as pessoas compram pouco os jornais, n\u00e3o est\u00e3o dispostas a pagar pela informa\u00e7\u00e3o que consomem\u00a0por via digital, e tamb\u00e9m nas televis\u00f5es e nas r\u00e1dios, um pouco por todos os projetos jornal\u00edsticos, temos um investimento publicit\u00e1rio que tamb\u00e9m tem estado em queda. A crise n\u00e3o se abriu em 2020, a crise j\u00e1 vinha de tr\u00e1s. Agora agudizou-se.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por uma ecologia nas redes sociais<\/strong><\/p>\n<p><em>A quest\u00e3o dos meios digitais tamb\u00e9m \u00e9 abordada pelo Papa na mensagem, que considera a comunica\u00e7\u00e3o digital &#8220;um instrumento formid\u00e1vel&#8221;, mas alerta para a aten\u00e7\u00e3o que \u00e9 preciso dar \u00e0s fontes da informa\u00e7\u00e3o que se consome. Em Portugal tem crescido esta consci\u00eancia da import\u00e2ncia da informa\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a ou as redes sociais est\u00e3o a acabar por dominar a informa\u00e7\u00e3o? O crit\u00e9rio editorial est\u00e1 a ser condicionado pelo que \u00e9 popular nas redes?<\/em><\/p>\n<p>As redes sociais em Portugal, como um pouco por todo lado, t\u00eam um dom\u00ednio e um poder fortes. Muitas pessoas vivem penduradas naquilo que \u00e9 publicado nas redes sociais\u2026<\/p>\n<p>Achei curioso o facto do Papa Francisco escrever, e cito, que &#8220;todos somos respons\u00e1veis pela comunica\u00e7\u00e3o que fazemos&#8221;. Tamb\u00e9m poderia ter acrescentado &#8211; mas eu leio isso nas entrelinhas &#8211; que todos somos respons\u00e1veis pela comunica\u00e7\u00e3o que consumimos, n\u00e3o apenas pela comunica\u00e7\u00e3o que produzimos.<\/p>\n<p>Este consumo de informa\u00e7\u00e3o acho que deveria ser outro atualmente, mas efetivamente n\u00e3o o \u00e9. Temos ainda pessoas pouco dispon\u00edveis para consumir outro tipo de informa\u00e7\u00e3o e pagar por essa informa\u00e7\u00e3o. Porque ter informa\u00e7\u00e3o de qualidade exige que um conjunto de pessoas trabalhe para a construir, para a escolher, selecionar, editar e difundir. Tudo isto n\u00e3o \u00e9 barato, mas\u00a0se queremos uma informa\u00e7\u00e3o que promova uma cidadania de alta intensidade que nos leve a perceber, de uma forma mais aprofundada, os problemas do espa\u00e7o p\u00fablico por onde todos vamos circulando, e as institui\u00e7\u00f5es que dele fazem parte, com certeza que temos de estar dispostos a fazer um outro consumo e uma outra escolha da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que instrumento poder\u00e1 ser a Carta dos Direitos Humanos na Era Digital, promulgada h\u00e1 dias pelo Presidente da Rep\u00fablica?<\/em><\/p>\n<p>Todos os documentos que promovam alertas para uma comunica\u00e7\u00e3o digital mais transparente\u00a0e respons\u00e1vel s\u00e3o sempre documentos para guardar, pelo menos na nossa mem\u00f3ria, para consumo futuro, ou para tenhamos um outro modo de agir.<\/p>\n<p>As redes sociais levam-nos por uma torrente, \u00e0s vezes de ru\u00eddos, que podem ser muito perigosos, porque nos habituamos a ver o mundo tal qual est\u00e1 ali. O mundo n\u00e3o \u00e9 assim. Ali\u00e1s, nas pr\u00f3prias redes sociais a palavra &#8216;amigo&#8217; \u00e9 perigosa. N\u00f3s n\u00e3o temos cinco mil amigos, isso n\u00e3o existe!\u00a0N\u00e3o temos aquela proximidade toda com as pessoas que est\u00e3o na nossa rede social, mas \u00e0s vezes quase que acreditamos naquilo, e a tal ponto que estamos dispon\u00edveis para p\u00f4r em p\u00fablico espa\u00e7os ou peda\u00e7os da nossa vida privada e \u00e0s vezes \u00edntima.<\/p>\n<p>Eu \u00e0s vezes sinto-me a ir de f\u00e9rias com pessoas que mal conhe\u00e7o. Sei tudo das f\u00e9rias delas: para que hotel v\u00e3o, que restaurante frequentam, o que fazem durante o dia, e eu n\u00e3o me sinto no direito de ver essas coisas, mas essas pessoas parecem sentir o dever de mostrar. Eu acho que era preciso, de facto, ter aqui uma outra ecologia daquilo que se partilha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felisbela-Lopes.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-207812 alignleft\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felisbela-Lopes-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felisbela-Lopes-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felisbela-Lopes-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felisbela-Lopes-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felisbela-Lopes-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felisbela-Lopes-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felisbela-Lopes-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felisbela-Lopes-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Felisbela-Lopes.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Este documento coloca o problema da comunica\u00e7\u00e3o da era digital na esfera dos direitos humanos, o que n\u00e3o deixa de ser curioso&#8230;<\/em><\/p>\n<p>\u00c9. E eu n\u00e3o queria deixar de falar aqui de um ponto que o Papa Francisco sublinha, e que para mim \u00e9 muito caro:\u00a0o Papa diz aos jornalistas que \u00e9 preciso &#8216;ir onde ningu\u00e9m mais vai&#8217;. \u00c9 um sublinhado muito pertinente, porque n\u00f3s, atrav\u00e9s da informa\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes estamos a olhar sempre para a mesma realidade.\u00a0E em Portugal temos uma informa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o deixa de ser centralizada a partir de Lisboa, porque \u00e9 a\u00ed que est\u00e3o as reda\u00e7\u00f5es centrais, e tamb\u00e9m centralizada \u00e0 volta de certas fontes de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Acontece o mesmo com a informa\u00e7\u00e3o internacional, estamos sempre a iluminar determinadas partes do mundo. De repente, nas \u00faltimas semanas, despert\u00e1mos para a \u00cdndia e foi preciso ter aqueles n\u00fameros (da pandemia) para quase paralisarmos. Eu nunca vi nada de t\u00e3o horr\u00edvel!<\/p>\n<p>Uma das edi\u00e7\u00f5es da revista Time dedicava a capa \u00e0 \u00cdndia e na longa pe\u00e7a sobre o assuno apontava a situa\u00e7\u00e3o de um senhor que, numa bicicleta com atrelado, andou quil\u00f3metros a tentar arranjar um hospital para a filha e para a mulher que estavam praticamente a morrer. N\u00e3o podemos ficar indiferentes a esse relato. Era um relato que s\u00f3 estava ali por palavras, n\u00e3o havia nenhuma foto, nem v\u00eddeo, mas aquele peda\u00e7o de texto andou na minha cabe\u00e7a durante v\u00e1rios dias: um homem numa bicicleta, com a filha e a mulher a morrer e n\u00e3o arranjava um hospital. Que mundo \u00e9 este t\u00e3o desigual, em que as pessoas morrem porque nem sequer conseguem chegar a um hospital e se chegam n\u00e3o conseguem entrar, porque n\u00e3o h\u00e1 lugar para essas pessoas? Isto, de facto, devia fazer-nos pensar. E a\u00ed, sim, temos o dever de olhar para estes cantos, estas periferias, estas espirais do sil\u00eancio, que nem sempre est\u00e3o no topo dos alinhamentos. \u201cIr onde ningu\u00e9m mais vai\u201d, como diz o Papa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que poder comunicativo tem o Papa, em sua opini\u00e3o? \u00c9 um modelo para os comunicadores, para os investigadores de comunica\u00e7\u00e3o social e para os jornalistas?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O Papa tem\u00a0um poder que eu acho significativo, que \u00e9 o despir-se de algum artificialismo, que \u00e0s vezes determinados lugares ou cargos imp\u00f5em a quem l\u00e1 est\u00e1. Olhamos para o Papa Francisco e esta simplicidade, este abeirar-se das pessoas, dos mais pequeninos, d\u00e1-nos grandes li\u00e7\u00f5es: a partir de um lugar, que \u00e9 o centro do mundo &#8211; e o centro do mundo com o Papa \u00e9 sempre um lugar n\u00f3mada, \u00e9 o lugar onde est\u00e1 o Papa&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No Vaticano, ou no Iraque\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Este centro do mundo,\u00a0quando o Papa se abeira ou carrega no colo uma crian\u00e7a pequena, com certeza que nos est\u00e1 a dizer que todos importam, independentemente da idade ou da sua condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jornalismo e Covid-19<\/strong><\/p>\n<p><em>O Estudo que coordenou, desde mar\u00e7o do ano passado, sobre a cobertura medi\u00e1tica da Covid-19, incluiu um inqu\u00e9rito \u00e0 classe jornal\u00edstica, que j\u00e1 referiu. Qual foi o dado que mais a surpreendeu?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o foi propriamente uma surpresa, porque eu dei conta disso quando seguia a informa\u00e7\u00e3o, tal como as colegas que me acompanham neste trabalho: a Clara Almeida Santos e a Ana Teresa Peixinho (Universidade de Coimbra), a Catarina Burnay (Universidade Cat\u00f3lica), a Rita Ara\u00fajo (Universidade do Minho) e a Olga Magalh\u00e3es (CINTESIS). Formamos todas uma equipa que anda a estudar isto desde mar\u00e7o de 2020, e todas demos logo conta de que havia um esfor\u00e7o do jornalismo para ajudar as pessoas. Mas,\u00a0este assumir, por parte da classe jornal\u00edstica, que quiseram mesmo ajudar as pessoas, que olharam mesmo para a informa\u00e7\u00e3o como servi\u00e7o p\u00fablico, e que sentiram o jornalismo como o exerc\u00edcio de enorme responsabilidade social, a mim, que sou professora de jornalismo, encheu-me de uma enorme satisfa\u00e7\u00e3o!\u00a0Fiquei muito feliz a olhar para este dado, porque\u00a0isto tamb\u00e9m nos d\u00e1 esperan\u00e7a de que a informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica \u00e9 estruturante, e que nos momentos em que todos nos sentimos perdidos, uma das \u00e2ncoras importantes \u00e9 sempre o jornalismo.<\/p>\n<p>N\u00f3s precisamos de informa\u00e7\u00e3o para irmos andando por um quotidiano muito imprevis\u00edvel, muito desconhecido. De repente fic\u00e1mos sem ch\u00e3o, e uma das \u00e2ncoras que nos puxou para um s\u00edtio mais seguro foi o jornalismo. Isto a n\u00f3s &#8211; a voc\u00eas que s\u00e3o jornalistas, e mim, que olho para o jornalismo a partir do campo mais acad\u00e9mico &#8211; n\u00e3o nos deixa satisfeitos? Com certeza que sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isso tranquiliza-a enquanto professora, como disse. E o que \u00e9 que a preocupa mais, olhando para o panorama dos media em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>Preocupa-me sobretudo a profunda crise financeira dos grupos editoriais.\u00a0Sem meios o jornalismo n\u00e3o tem qualidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Condiciona tudo o resto?<\/em><\/p>\n<p>Condiciona. E \u00e9 preciso que cada um pense nisto:\u00a0seria importante que todos tiv\u00e9ssemos esta consci\u00eancia de que \u00e9 preciso pagar pela informa\u00e7\u00e3o. Uma assinatura anual de um jornal, por exemplo, custa menos de 100 euros, mas durante o ano todo tenho o jornal.<\/p>\n<p>Eu leio os jornais muito cedo, \u00e0s vezes at\u00e9 de madrugada. Acordar e ter um jornal dentro de casa durante um ano, ter sempre a informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel, poder\u00e1 ser caro,\u00a0n\u00e3o est\u00e1 ao alcance de qualquer um, \u00e9 verdade, mas est\u00e1 ao alcance de muitos, e se esse grupo de pessoas achar isso importante e reservar essa quantia, tamb\u00e9m est\u00e1 a ajudar a dotar o espa\u00e7o p\u00fablico de mais qualidade, tamb\u00e9m est\u00e1 a ajudar a fortalecer a democracia,\u00a0porque n\u00f3s precisamos de \u00f3rg\u00e3os (de comunica\u00e7\u00e3o) que zelem tamb\u00e9m pelo bom funcionamento da democracia. E os \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social cumprem esse papel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investigadora na Universidade do Minho, coordenou um estudo sobre a cobertura medi\u00e1tica da Covid-19, diz que os jornalistas assumiram a miss\u00e3o de \u201cservi\u00e7o p\u00fablico\u201d e considera que a classe se rev\u00ea na proposta do Papa para \u00abir onde mais ningu\u00e9m vai\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":207813,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[140],"class_list":["post-207815","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-comunicacoes-sociais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207815","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=207815"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207815\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/207813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=207815"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=207815"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=207815"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}