{"id":20739,"date":"2006-10-19T16:33:34","date_gmt":"2006-10-19T16:33:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/10\/19\/posicao-do-patriarca-de-lisboa-sobre-o-aborto\/"},"modified":"2006-10-19T16:33:34","modified_gmt":"2006-10-19T16:33:34","slug":"posicao-do-patriarca-de-lisboa-sobre-o-aborto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/posicao-do-patriarca-de-lisboa-sobre-o-aborto\/","title":{"rendered":"Posi\u00e7\u00e3o do Patriarca de Lisboa sobre o aborto"},"content":{"rendered":"<p>D. Jos\u00e9 Policarpo esclarece declara\u00e7\u00f5es \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social <!--more--> COMUNICADO  D. JOS\u00c9 DA CRUZ POLICARPO, CARDEAL-PATRIARCA DE LISBOA, ESCLARECE POSI\u00c7\u00c3O QUANTO AO ABORTO  \tAs minhas respostas \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social, que me interpelou sobre a hip\u00f3tese de um novo referendo sobre o aborto, foram incorrectamente utilizadas por alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o e mesmo por for\u00e7as pol\u00edticas e parecem ter gerado confus\u00e3o e mesmo indigna\u00e7\u00e3o em algumas pessoas. Parece-me, pois, necess\u00e1rio retomar as afirma\u00e7\u00f5es a\u00ed feitas, com uma clareza que n\u00e3o permita interpreta\u00e7\u00f5es amb\u00edguas ou desviadas. \t1. Comecei por afirmar, o que parece que ningu\u00e9m ouviu, que a doutrina da Igreja sobre esta mat\u00e9ria, n\u00e3o mudou e nunca mudar\u00e1. De facto, desde o seu in\u00edcio, a Igreja condenou o aborto, porque considera que desde o primeiro momento da concep\u00e7\u00e3o, existe um ser humano, com toda a sua dignidade, com direito a existir e a ser protegido. \t2. Afirmei, de facto, que a \u201ccondena\u00e7\u00e3o do aborto n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o religiosa, mas de \u00e9tica fundamental\u201d. Trata-se, de facto, de um valor universal, o direito \u00e0 vida, exig\u00eancia da moral natural. Com esta afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi minha inten\u00e7\u00e3o negar a sua dimens\u00e3o religiosa. A mensagem b\u00edblica assumiu, como preceito da moral religiosa este valor universal, dando-lhe a densidade do cumprimento da vontade de Deus. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 por se ser cat\u00f3lico que se \u00e9 contra o aborto; basta respeitar a vida e este \u00e9, em si mesmo, um valor \u00e9tico universal. \t\u00c9 claro que o respeito pela vida \u00e9 uma exig\u00eancia da moral crist\u00e3, porque est\u00e1 inclu\u00eddo no quinto mandamento da Lei de Deus: \u201cN\u00e3o matar\u00e1s\u201d. Porque \u00e9 um preceito da moral crist\u00e3, viol\u00e1-lo \u00e9 um pecado grave. Mas o Dec\u00e1logo, estabelecido, pela primeira vez no Antigo Testamento, por Mois\u00e9s, consagrou como Lei do Povo de Deus, alguns dos valores humanos universais, que interpelam a consci\u00eancia mesmo de quem n\u00e3o \u00e9 religioso. E de facto, na presente circunst\u00e2ncia, h\u00e1 muitos homens e mulheres que, n\u00e3o sendo crentes, s\u00e3o contra o aborto porque defendem a dignidade da vida, desde o seu in\u00edcio. \tSe a condena\u00e7\u00e3o do aborto fosse s\u00f3 exig\u00eancia da moral religiosa, os defensores do aborto poderiam argumentar, e j\u00e1 o fazem, que as Leis de um Estado laico n\u00e3o devem proteger os preceitos religiosos; basta-lhes respeitar a liberdade de consci\u00eancia. De facto n\u00e3o lembraria a ningu\u00e9m exigir de uma Lei do Estado que afirmasse, por exemplo, que os cat\u00f3licos t\u00eam obriga\u00e7\u00e3o de ir \u00e0 missa ao Domingo. Se n\u00f3s lutamos por uma Lei do Estado que defenda a vida humana desde o seu in\u00edcio \u00e9 porque se trata de um valor universal, de \u00e9tica natural e n\u00e3o apenas de um preceito da moral religiosa. \t3. \u00c0 pergunta se a Igreja se iria empenhar nesta campanha, comecei por clarificar o sentido em que usavam a palavra \u201cIgreja\u201d, se referida a todos os fi\u00e9is, se apenas aos Bispos. Isto porque, muito frequentemente, os jornalistas quando falam da Igreja se referem s\u00f3 aos Bispos e Sacerdotes. Esclarecida esta quest\u00e3o, aproveitei para exprimir aquilo que penso ser o papel complementar dos leigos e da Hierarquia numa poss\u00edvel campanha a preparar o referendo. Devo dizer, agora, para clarificar o meu pensamento, que essa poss\u00edvel campanha deveria ser, sobretudo, um per\u00edodo de esclarecimento das consci\u00eancias. Mas porque a proposta de leis liberalizantes da pr\u00e1tica do aborto se tornou numa causa partid\u00e1ria, a campanha pode cair, na linguagem e nos m\u00e9todos, numa vulgar campanha pol\u00edtica. \tFique claro que todos os membros da Igreja e todos os que defendem a vida s\u00e3o chamados a participar nesse debate esclarecedor das consci\u00eancias. Compete aos leigos organizar e dinamizar uma campanha, no concreto da sua metodologia. O papel dos pastores \u00e9 apoiar, e iluminar as consci\u00eancias com a proclama\u00e7\u00e3o da doutrina da Igreja, anunciando o Evangelho da Vida. Aos Sacerdotes da nossa Diocese eu pe\u00e7o que se empenhem nesta proclama\u00e7\u00e3o da doutrina da Igreja sobre a vida, mas que saibam sabiamente marcar a diferen\u00e7a entre o seu minist\u00e9rio de anunciadores da verdade, e as ac\u00e7\u00f5es de campanha, necess\u00e1rias e leg\u00edtimas no seu lugar pr\u00f3prio. Mas os leigos poder\u00e3o contar com todo o nosso apoio nesta luta por uma Lei que respeite a vida. \t4. N\u00e3o fiz a apologia do abstencionismo. Aconselhar a absten\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1, concerteza, a orienta\u00e7\u00e3o dos Bispos portugueses perante um poss\u00edvel referendo. A quest\u00e3o que me foi posta \u00e9 outra: e os que t\u00eam d\u00favidas, como dever\u00e3o votar? \tEsta quest\u00e3o da dignidade da vida humana, desde o seu in\u00edcio, \u00e9 hoje t\u00e3o clara, mesmo do ponto de vista cient\u00edfico, que um dos objectivos a conseguir, durante o per\u00edodo de debate e esclarecimento \u00e9, pelo menos, lan\u00e7ar a d\u00favida em muitos que, talvez sem terem aprofundado a quest\u00e3o, est\u00e3o inclinados a dizer \u201csim\u201d \u00e0 proposta de Lei referendada. Penso sobretudo no eleitorado mais jovem. Foi-me perguntado o que aconselharia a esses que duvidavam. A minha resposta \u00e9 clara: se n\u00e3o t\u00eam coragem de votar \u201cn\u00e3o\u201d, que pelo menos se abstenham. \t5. \u00c0queles que interpretaram abusivamente as minhas respostas ou, porque n\u00e3o as entenderam, ficaram confusos, aqui fica, com clareza, o meu pensamento. Mais uma vez se aplica a frase de Jesus: \u201cA verdade nos libertar\u00e1\u201d.  \tLisboa, 19 de Outubro de 2006           \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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