{"id":207370,"date":"2021-05-12T17:17:32","date_gmt":"2021-05-12T16:17:32","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=207370"},"modified":"2021-05-12T17:47:44","modified_gmt":"2021-05-12T16:47:44","slug":"a-cruz-escondida-143","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-143\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p>O Haiti est\u00e1 \u00e0 beira da ruptura, com gangues armados a imporem a sua lei<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/ACN-20191008-92309.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-207371 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/ACN-20191008-92309.jpg\" alt=\"\" width=\"401\" height=\"301\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/ACN-20191008-92309.jpg 640w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/ACN-20191008-92309-347x260.jpg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/ACN-20191008-92309-510x382.jpg 510w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/ACN-20191008-92309-480x360.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 401px) 100vw, 401px\" \/><\/a>Um milh\u00e3o de d\u00f3lares<\/h4>\n<p>\u00c9 um pa\u00eds que caminha para o abismo. No Haiti, os raptos s\u00e3o um neg\u00f3cio que est\u00e1 a crescer de dia para dia. E ningu\u00e9m parece estar a salvo. Nem a Igreja. Cinco padres, duas irm\u00e3s e dois leigos foram raptados no dia 11 de Abril. Pelo resgate foi pedido um milh\u00e3o de d\u00f3lares. No Haiti agora as coisas s\u00e3o assim: ou o dinheiro ou a vida\u2026<\/p>\n<p>Na sexta-feira, 23 de Abril, os sinos de todas as igrejas do Haiti tocaram ao meio-dia. Foi uma forma de protesto pelo rapto, por um dos muitos gangues armados que pululam no pa\u00eds, de nove pessoas. Eram um grupo de sacerdotes, irm\u00e3s e leigos que se dirigiam para a primeira Missa do Padre Loudger Mazile. Foram raptados em Croix-des-Bouquets, uma cidade a nordeste da capital. Quando os sinos tocaram, num protesto que se escutou desde a mais pequena aldeia do Haiti at\u00e9 ao bairro mais populoso de Port-au-Prince, a capital, j\u00e1 tinham passado 12 dias desde que se soube do rapto. E da exig\u00eancia do pagamento de um resgate no valor de um milh\u00e3o de d\u00f3lares, cerca de 840 mil euros. Ou isso, ou a vida. Entre os raptados estavam dois cidad\u00e3os franceses. A diplomacia de Paris p\u00f4s-se logo a caminho. Talvez por isso, todos acabaram por ser libertados ainda durante o m\u00eas de Abril. Mas ficou o susto. O Haiti est\u00e1 \u00e0 beira da ruptura. A Igreja tem denunciado esta realidade mas ningu\u00e9m parece escutar a voz da raz\u00e3o perante um naufr\u00e1gio h\u00e1 muito anunciado. Em Fevereiro, numa nota conjunta, os Bispos do Haiti falavam do pa\u00eds como estando \u201c\u00e0 beira de uma explos\u00e3o\u201d. E explicavam por que usavam palavras t\u00e3o fortes: \u201co quotidiano do povo gira em torno da morte, assassinato, impunidade e incerteza\u201d. Tudo no Haiti parece estar a so\u00e7obrar. H\u00e1 uma crise pol\u00edtica profunda, h\u00e1 uma crise econ\u00f3mica t\u00e3o antiga que a mem\u00f3ria dos mais velhos n\u00e3o permite saber quando come\u00e7ou, h\u00e1 um desemprego brutal, que atinge os mais novos, e h\u00e1 uma profunda inseguran\u00e7a. Por causa de tudo isto, o rapto de pessoas banalizou-se e passou a ser um neg\u00f3cio. \u201cPerguntamo-nos quem ser\u00e1 o pr\u00f3ximo? Serei eu ou um padre ou um irm\u00e3o? Os padres e as religiosas correm o risco de psicose. Vivemos num medo constante\u201d, afirmou D. Jean D\u00e9sinord, Bispo de Hinche, \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS logo ap\u00f3s o rapto dos cinco padres, das duas irm\u00e3s e dos leigos no segundo fim-de-semana de Abril. O Bispo reconhece que a pr\u00f3pria classe pol\u00edtica est\u00e1 mergulhada nesta crise. \u201cToda a gente sabe que os nossos pol\u00edticos usam gangues criminosos para controlar certas \u00e1reas. A fronteira entre o crime organizado e a pol\u00edtica \u00e9 bastante fluida\u201d, denunciou o prelado \u00e0 AIS.<\/p>\n<h4><strong>Pessoas \u00e0 espera\u2026<\/strong><\/h4>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse aquilo que os homens n\u00e3o conseguem fazer, o Haiti tem sofrido tamb\u00e9m s\u00e9rias calamidades naturais, com destaque para o violent\u00edssimo terramoto de Janeiro de 2010. As casas ru\u00edram engolindo gritos de pessoas. Foi uma trag\u00e9dia sem fim. Morreram mais de 300 mil pessoas. Um milh\u00e3o e meio de haitianos ficou, de um dia para o outro, sem casa, sem nada. Ainda hoje, uma d\u00e9cada depois, centenas de pessoas continuam a viver em espa\u00e7os improvisados, continuam a ter uma vida provis\u00f3ria. Continuam \u00e0 espera. A viol\u00eancia que est\u00e1 a tomar conta das ruas \u00e9 um sinal de um pa\u00eds que continua a colapsar. As quest\u00f5es de seguran\u00e7a s\u00e3o cada vez mais relevantes com grupos armados que espalham o terror na quase total impunidade. Nem a Igreja escapa a esta realidade. Na mem\u00f3ria de todos h\u00e1 a hist\u00f3ria da Irm\u00e3 Isabel Sol\u00e1 Matas, uma espanhola de sorriso aberto, rosto jovial, de apenas 45 anos de idade. Religiosa da Congrega\u00e7\u00e3o das Religiosas de Jesus e Maria estava no Haiti h\u00e1 meia d\u00fazia de meses quando se deu o terramoto. Desde ent\u00e3o, procurava reconstruir vidas, auxiliar os mais pobres, os que ficaram mais desamparados com o abalo s\u00edsmico. Mas nem a sua bondade lhe valeu. Isa, como era conhecida entre amigos, foi assassinada a tiro quando o carro em que viajava, na capital, foi bloqueado por dois jovens que se deslocavam de mota. Foi um assalto. Foi no dia 2 de Setembro de 2016. Mataram-na por quererem roubar a sua mala. A sua hist\u00f3ria ainda hoje \u00e9 recordada com incredulidade. No meio da corrup\u00e7\u00e3o, da crise pol\u00edtica e econ\u00f3mica, do desemprego brutal, as pessoas despertam, aos poucos, para um quotidiano feito tamb\u00e9m de medo. Os raptos s\u00e3o agora um neg\u00f3cio que est\u00e1 a crescer de dia para dia. Ningu\u00e9m est\u00e1 a salvo. Nem a Igreja. Do Haiti pedem as nossas ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Haiti est\u00e1 \u00e0 beira da ruptura, com gangues armados a imporem a sua lei<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-207370","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207370","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=207370"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207370\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=207370"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=207370"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=207370"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}