{"id":20734,"date":"2006-10-19T13:26:51","date_gmt":"2006-10-19T13:26:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/10\/19\/o-espirito-de-assis\/"},"modified":"2006-10-19T13:26:51","modified_gmt":"2006-10-19T13:26:51","slug":"o-espirito-de-assis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-espirito-de-assis\/","title":{"rendered":"O <i>Esp\u00edrito de Assis<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>20 anos de um caminho a percorrer <!--more--> O \u201cESP\u00cdRITO DE ASSIS\u201d 20 anos de um caminho a percorrer  Naquela manh\u00e3 do dia 27 de Outubro de 1986, quando o Santo Padre Jo\u00e3o Paulo II dava as boas-vindas aos representantes de todas as fam\u00edlias religiosas reunidos na Porci\u00fancula (Bas\u00edlica de Santa Maria dos Anjos), surgiu no c\u00e9u de Assis um espl\u00eandido e auspicioso Arco-\u00cdris, no qual todos viram um sinal de esperan\u00e7a e de paz. Pela primeira vez na hist\u00f3ria e a convite de um papa, os representantes das diversas igrejas, comunidades crist\u00e3s e grandes religi\u00f5es do mundo se reuniram num mesmo lugar par rezarem e jejuarem pela paz. Celebramos neste m\u00eas 20 anos desse acontecimento prof\u00e9tico de Assis que se transformou num \u00edcon de paz e de esperan\u00e7a para a humanidade. O mundo vivia ent\u00e3o tempos atribulados. Em v\u00e1rias partes do mundo, surgiam focos de guerra. O muro de Berlim teimando em dividir a humanidade em \u201cblocos\u201d contrapostos e em manter um clima de \u201cguerra fria\u201d. Neste contexto, a ONU proclamou 1986 ano internacional da paz. Jo\u00e3o Paulo II, sempre atento aos sinais dos tempos, aproveitou a ocasi\u00e3o para, aquando da  Semana de Ora\u00e7\u00e3o pela Unidade dos Crist\u00e3os (25 Janeiro), tornar p\u00fablica a iniciativa de uma Jornada de ora\u00e7\u00e3o pela paz em Assis.  Para este \u201cencontro especial\u201d em Assis seriam convocadas as autoridades das Igrejas e Comunidades crist\u00e3s e representantes das religi\u00f5es de todo o mundo. Na mesma altura o Papa recordava a urg\u00eancia do empenho de toda a humanidade pela paz:  \u201cNenhum crist\u00e3o, ou mesmo nenhum ser humano que acredite em Deus Criador do mundo e Senhor da hist\u00f3ria, pode permanecer indiferente perante um problema que toca intimamente o presente e o futuro da humanidade\u201d (Homilia in Basilica Hostiensi, 25\/01\/1986).  Em Janeiro de 1993, quando a Europa sofria os horrores da guerra dos Balc\u00e3s, o bispo de Roma sentiu mais uma vez que era urgente voltar a Assis para, com todas as religi\u00f5es, rezar pela paz.  Em 24 de Janeiro de 2002, poucos meses depois do tr\u00e1gico atentado de 11 de Setembro, o Papa convidou, mais uma vez, os representantes de todas Igrejas, Comunidades e religi\u00f5es, para outra jornada de ora\u00e7\u00e3o pela paz, mantendo assim bem vivo o sonho da paz e a profecia de Assis. Desta vez Jo\u00e3o Paul II escolheu o mesmo meio de transporte, o comboio, que seu predecessor Jo\u00e3o XXIII usara em 4 de Outubro de 1962, quando peregrinou a Assis para rezar pelo bom \u00eaxito do Conc\u00edlio que si iniciaria dentro de poucos dias. Tal iniciativa era entendido, nas palavras do ent\u00e3o Cardeal Ratzinger, como um s\u00edmbolo de grande esperan\u00e7a e da peregrina\u00e7\u00e3o que a Igreja estava a percorrer na hist\u00f3ria presente: \u201cQuando, no dia 24 de Janeiro, sob um c\u00e9u gr\u00e1vido de chuva, partiu o comboio que devia conduzir a Assis os representantes de um grande n\u00famero de igrejas crist\u00e3s e comunidades eclesiais, juntamente com os representantes de muitas religi\u00f5es mundiais, para testemunhar e rezar pela paz, este comboio pareceu-me como que um s\u00edmbolo da nossa peregrina\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria. N\u00e3o somos, na verdade, todos passageiros de um mesmo comboio? O facto que o comboio tenha escolhido como seu destino a paz e a justi\u00e7a, a reconcilia\u00e7\u00e3o dos povos e das religi\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 com certeza uma grande ambi\u00e7\u00e3o, e ao mesmo tempo, um sinal de esperan\u00e7a?\u201d. E aquele que sucederia a Jo\u00e3o Paulo II na c\u00e1tedra de Pedro, continua: \u201cO Evento de Assis\u2026 foi sobretudo a express\u00e3o de um caminho, de uma busca, da peregrina\u00e7\u00e3o pela paz que s\u00f3 acontece se unida \u00e0 justi\u00e7a. De facto, onde falta a justi\u00e7a, onde aos indiv\u00edduos s\u00e3o negados os direitos, a aus\u00eancia de guerra pode ser apenas um v\u00e9u detr\u00e1s do qual se escondem a injusti\u00e7a e a opress\u00e3o\u201d. Um m\u00eas depois do encontro de Assis de 24 de Janeiro de 2002, Jo\u00e3o Paulo II enviou a todos os chefes de estado e governantes do mundo uma carta na qual apresentava o Dec\u00e1logo de Assis para a paz, na qual reiterava a necessidade da fam\u00edlia humana escolher o amor em vez do \u00f3dio. Este clima e atitude de di\u00e1logo e encontro inspirado em S. Francisco e suscitado pelo Papa Jo\u00e3o Paulo II foi chamado pelo pr\u00f3prio Papa \u201cesp\u00edrito de Assis\u201d. Designa-se com a express\u00e3o todos os esfor\u00e7os e iniciativas que visam alimentar esse \u201cesp\u00edrito\u201d e mentalidade de aproxima\u00e7\u00e3o cort\u00eas, amig\u00e1vel e respeitadora entre os diferentes mundos e sensibilidades religiosas, pondo em relevo que a paz \u00e9 um dom de Deus que est\u00e1 no cerne e das grandes religi\u00f5es. Tal \u201cesp\u00edrito\u201d corresponde ao intuito primeiro que presidiu \u00e0s grandes Jornadas de Ora\u00e7\u00e3o pela paz em Assis, com os quais se \u201cpretendia exprimir o desejo de educar para a paz atrav\u00e9s da divulga\u00e7\u00e3o de uma espiritualidade e de uma cultura de paz\u201d (Jo\u00e3o Paulo II). Duas d\u00e9cadas passadas, o \u201cesp\u00edrito de Assis\u201d continua a ser um vento prof\u00e9tico n\u00e3o s\u00f3 actual como vital para o futuro da humanidade e das religi\u00f5es.   <B>Porqu\u00ea a ti, Assis?<\/b>  Aludindo \u00e0 \u201cJornada de ora\u00e7\u00e3o pela paz em Assis\u201d que se aproximava, o bispo de Roma anunciava ent\u00e3o: \u201ch\u00e1 um lugar no mundo onde todos se podem encontrar: Assis\u201d. Assis \u00e9, de facto, esse lugar raro no mundo onde todos se podem sentir em casa e encontrar para reiniciar um caminho de aproxima\u00e7\u00e3o entre os homens peregrinos da paz: \u201cviemos a Assis de v\u00e1rias partes do mundo, significando o caminho comum que a humanidade \u00e9 chamada a percorrer\u201d (Jo\u00e3o Paulo II).  A figura humilde, alegre e pac\u00edfica do Irm\u00e3o Francisco de Assis e a sensibilidade feminina e m\u00edstica da sua amiga Clara inspiram s\u00f3 por si o encontro e o di\u00e1logo profundos: pela sua espiritualidade jovial, pelo seu sentido de fraternidade universal, pela sua busca constante da paz e reconcilia\u00e7\u00e3o, pela sua recusa absoluta da viol\u00eancia e capacidade de ir ao encontro do \u201coutro\u201d sem armas nem prepot\u00eancia.  Francisco de Assis \u00e9, de facto, visto por todos como o \u201cirm\u00e3o universal\u201d. H\u00e1 poucos anos foi considerado \u201co homem do mil\u00e9nio\u201d. Jo\u00e3o Paulo II definiu-o o \u201chomem da fronteira\u201d (Discurso aos bispos italianos em Assis, 12 de Mar\u00e7o de 1982). Tudo isto porque Francisco continua a falar aos homens de hoje e a interpelar nossos contempor\u00e2neos, independente da sua confiss\u00e3o religiosa ou ades\u00e3o ideol\u00f3gica. Parece que cada um de n\u00f3s v\u00ea no Pobrezinho de Assis algo de pr\u00f3prio ou do que desejaria ser. E, no fundo, h\u00e1 um Francisco em cada um de n\u00f3s que se esfor\u00e7a por ir mais longe e fazer algo de melhor:  \u201cO fasc\u00ednio com que Francisco atrai a si crentes e n\u00e3o crentes \u00e9 enorme: Constat\u00e1mo-lo todos tamb\u00e9m naquele inesquec\u00edvel encontro de ora\u00e7\u00e3o em Assis, em 27 de Outubro de 1986. Entre as inumer\u00e1veis vias que a Miseric\u00f3rdia divina abre diante dos homens que buscam a verdade, o caminho percorrido por S. Francisco \u00e9 talvez o mais rico em sugest\u00f5es: certo \u00e9 que ainda hoje S. Francisco exercita sobre muitas almas a atrac\u00e7\u00e3o de uma experi\u00eancia original e apaixonante\u201d (Jo\u00e3o Paulo II).   Tudo isto porque o santo de Assis foi um int\u00e9rprete genu\u00edno da Mensagem de Cristo e o santo que soube conciliar, num equil\u00edbrio raro, a ades\u00e3o total ao Evangelho e a Cristo com uma capacidade sem medida de abertura ao outro, ao diferente, sobretudo ao que est\u00e1 \u201c\u00e0 margem\u201d. Ele \u00e9 um Crist\u00e3o radical, na medida em que assume plenamente a sua identidade crist\u00e3. Est\u00e1 longe, por\u00e9m, de ser um fundamentalista. Segue \u00e0 letra o Evangelho, mas nada tem de intransigente.  Francisco ensina-nos, assim, que n\u00e3o temos que renunciar \u00e0 nossa identidade ou convic\u00e7\u00f5es para podermos dialogar, mas tamb\u00e9m n\u00e3o necessitamos de ser intolerantes para testemunharmos a nossa f\u00e9. Foi a sua experi\u00eancia crist\u00e3 forte que dotou Francisco de uma capacidade imensa de encontrar-se com pessoas diferentes e envolv\u00ea-las em processos de reconcilia\u00e7\u00e3o. O fundamentalismo nasce da inseguran\u00e7a ou do medo que o encontro com mo outro diferente ponha em risco a minha identidade. A proposta franciscana n\u00e3o tem nada a ver com um irenismo po\u00e9tico que algum movimento pacifista hodierno poderia ser tentado a aproveitar. Na vis\u00e3o de Francisco, a paz \u00e9 um dom gratuito do alto que s\u00f3 ser\u00e1 acolhido pelos cora\u00e7\u00f5es puros e reconciliados dispostos a \u201ccompreender antes de ser compreendido, a amar antes de ser amados, a perdoar antes de ser perdoado\u201d.  O caminho da paz passa, na verdade, pela via do homem aut\u00eantico, origin\u00e1rio, o homem reconciliado. E esse homem chama-se \u201cirm\u00e3o\u201d. Francisco por ser autenticamente homem e totalmente reconciliado consigo e com todas as criaturas, considera-se e \u00e9 visto como o irm\u00e3o \u201cmenor\u201d de todos. Cada homem \u00e9 para ele um irm\u00e3o e uma presen\u00e7a real do Deus sumamente bom no mundo. Ele \u00e9 o homem totalmente livre e confiante que acredita na bondade natural de todos os homens e criaturas. E \u00e9 da\u00ed que lhe vem essa capacidade de di\u00e1logo com as religi\u00f5es e todos os homens e criaturas.  \u201cO Senhor te d\u00ea a sua paz!\u201d No seu Testamento Francisco apresenta esta sauda\u00e7\u00e3o como tendo-lhe sido revelada pelo pr\u00f3prio Deus: \u201cO senhor me revelou que dissesse esta sauda\u00e7\u00e3o\u201d. Mas n\u00e3o foi sobretudo com palavras que Francisco foi instrumento da \u201cPaz de Deus\u201d. O Santo de Assis foi, de facto, um instrumento de paz activo em situa\u00e7\u00f5es bem cr\u00edticas: O seu gesto de perd\u00e3o para com os irm\u00e3os ladr\u00f5es; a sua media\u00e7\u00e3o na reconcilia\u00e7\u00e3o entre o bispo de Assis e a autoridade civil, o encontro pac\u00edfico com o Sult\u00e3o Melek el Kamel do Egipto em tempo de cruzadas, a reconcilia\u00e7\u00e3o com toda a cria\u00e7\u00e3o (lobo de Gubio, c\u00e2ntico das criaturas). Num per\u00edodo em que o manique\u00edsmo c\u00e1taro insistia em ver nas criaturas materiais algo de mau e adverso ao esp\u00edrito, Francisco superou o velho manique\u00edsmo e o ancestral dualismo sagrado-profano, para louvar o Criador em todas as suas criaturas. N\u00e3o obstante o seu tempo ser de apelo \u00e0 cruzada, Francisco foi o primeiro a delinear um programa revolucion\u00e1rio de abordagem ao mundo mu\u00e7ulmano, segundo o esp\u00edrito do Evangelho. Foi o primeiro fundador a dedicar um cap\u00edtulo da sua Regra (cap. 16) \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o do Isl\u00e3o, onde exp\u00f5e o m\u00e9todo mission\u00e1rio que os seus frades devem observar: \u201cos irm\u00e3os que v\u00e3o para entre os infi\u00e9is (mu\u00e7ulmanos) devem comportar-se no meio deles do seguinte modo: n\u00e3o litiguem nem disputem mas sujeitem-se a toda a criatura humana por amor de Deus e confessem ser crist\u00e3os\u201d.  Nas palavras de Bento XVI, \u201cS. Francisco emana ainda hoje o esplendor de uma paz que convenceu o Sult\u00e3o e pode abater realmente os muros. Se n\u00f3s, como crist\u00e3os, percorrermos o caminho para a paz seguindo o exemplo de S. Francisco, n\u00e3o temos que ter medo de perder a nossa identidade, pois \u00e9 precisamente ent\u00e3o que a encontraremos. E se outros se unem a n\u00f3s na busca da paz e da justi\u00e7a nem n\u00f3s nem eles temos que temer que a verdade venha a ser diminu\u00edda por frases feitas. De modo algum. Se nos orientamos verdadeiramente par a paz, ent\u00e3o estamos no caminho certo, porque estamos no caminho do Deus da paz\u201d.  Gra\u00e7as \u00e0 singular simplicidade e cortesia deste homem pobre, paciente, e apaixonado por Deus e suas criaturas, a pacata cidadezinha de Assis que serviu de ber\u00e7o \u00e0 sua aventura, transformou-se numa reserva de paz e fraternidade universal capaz de reunir e tocar os cora\u00e7\u00f5es de todos os homens de boa vontade.  \t <b>Significado de um acontecimento prof\u00e9tico<\/b>  Papa Jo\u00e3o Paulo II, homem de gestos prof\u00e9ticos como o Poverello de quem era profundo admirador (visitou Assis, enquanto papa, 6 vezes), ao convocar os chefes de todas as fam\u00edlias religiosas para rezarem pela paz, n\u00e3o tinha em mente uma esp\u00e9cie de parlamento das religi\u00f5es que se juntavam para negociar entre si a paz, ou para constitu\u00edrem uma for\u00e7a de influ\u00eancia perante as pot\u00eancias do mundo. Crist\u00e3os, Judeus, Mu\u00e7ulmanos, budistas e outros encontram-se em Assis para rezar pela paz, n\u00e3o de um modo sincretista ou proselitista, mas a partir da intimidade com o mesmo Deus e da proximidade com os irm\u00e3os diferentes. Em nenhum desses encontros esteve em causa a procura de um m\u00ednimo denominador comum ou de um consenso religioso entre os presentes.  Os representantes das diversas confiss\u00f5es \u201creuniram-se juntos para rezar\u201d, segundo a modalidade pr\u00f3pria de cada um, e n\u00e3o para \u201crezar em comum\u201d. Reunir-se em Assis para rezar, respeitando a modalidade de cada um, visava p\u00f4r em evid\u00eancia, como oportunamente explicou o Papa, \u201cque existe uma outra dimens\u00e3o da paz e um outro modo de a promover, que n\u00e3o resulta de negocia\u00e7\u00f5es, de compromissos pol\u00edticos ou de negocia\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, mas \u00e9 o resultado da ora\u00e7\u00e3o, que, apesar da diversidade das religi\u00f5es, exprime uma rela\u00e7\u00e3o com um poder supremo que ultrapassa as nossas simples capacidades humanas\u201d. Dentro deste respeito rec\u00edproco, abrem-se mil possibilidades de pacificamente testemunhar as respectivas cren\u00e7as e de trabalhar solidariamente pelo bem da humanidade. Esta \u00e9, ali\u00e1s, uma das melhores e mais actuais li\u00e7\u00f5es de \u201cAssis\u201d: Respeitando as diferen\u00e7as doutrinais que separam as diversas cren\u00e7as, a ora\u00e7\u00e3o pode unir os cora\u00e7\u00f5es e os crentes na busca da justi\u00e7a e da paz, refutando toda a tenta\u00e7\u00e3o de utilizar a religi\u00e3o como arma de guerra. Assis assinala, assim, um novo caminho para a paz o qual passa pela aproxima\u00e7\u00e3o entre os crentes de todas as religi\u00f5es e um modo novo de dialogar em seriedade e profundidade entre as respectivas religi\u00f5es. Assis passou, desde ent\u00e3o, a ser a mem\u00f3ria e o s\u00edmbolo mais forte de um caminho novo a percorrer: \u201cO facto de termos vindo a Assis, dizia ent\u00e3o o Papa Jo\u00e3o Paulo II, provenientes de t\u00e3o diversas regi\u00f5es do mundo \u00e9 j\u00e1 um sinal deste caminho comum que a humanidade est\u00e1 chamada a percorrer\u201d.   Num discurso aos peregrinos proferido em 15 de Mar\u00e7o de 1994, Jo\u00e3o Paulo II retomava a met\u00e1fora do \u201ccaminho\u201d como categoria adequada ao \u201cEsp\u00edrito de Assis\u201d: \u201cDesejo encorajar todos os que vieram a Assis no seu caminho. Este mundo precisa que os homens e mulheres sens\u00edveis aos valores religiosos ajudem os outros a encontrar o gosto e a vontade de caminhar juntos. Este \u00e9 o \u2018esp\u00edrito de Assis\u2019\u201d. Na verdade, a paz s\u00f3 acontecer\u00e1 quando a tudo se antepuser ao encontro com o homem, respeitando a sua cultura e tradi\u00e7\u00f5es, promovendo a justi\u00e7a tamb\u00e9m entre os mais pequenos, dando a todos a possibilidade de exprimirem e relacionarem com liberdade, garantido os direitos fundamentais de todos os indiv\u00edduos enquanto membros de uma mesma fam\u00edlia humana. Por isso, tamb\u00e9m as religi\u00f5es, porque feitas de homens, n\u00e3o se devem poupar na promo\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es de uma vida minimamente digna para todos os homens e mulheres.  Contra os que anunciam um futuro de \u201cguerras religiosas\u201d e conflitos entre as civiliza\u00e7\u00f5es, h\u00e1 que n\u00e3o deixar abafar o eco daquelas palavras fortes de Jo\u00e3o Paulo II em Assis, em 2002: \u201cMai pi\u00f9 violenza! Nunca mais a viol\u00eancia!  Nunca mais a guerra! Nunca mais o terrorismo! Em nome de Deus cada religi\u00e3o deve trazer a terra a  justi\u00e7a e paz, perd\u00e3o e vida\u201d. \t Fr. Isidro P. Lamelas (OFM) <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>20 anos de um caminho a percorrer<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[120,199,203,206,237,238],"class_list":["post-20734","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-bento-xvi","tag-espiritualidade","tag-europa","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-joao-xxiii"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20734","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20734"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20734\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20734"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20734"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20734"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}