{"id":207305,"date":"2021-05-12T13:46:19","date_gmt":"2021-05-12T12:46:19","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=207305"},"modified":"2021-05-12T13:46:19","modified_gmt":"2021-05-12T12:46:19","slug":"saber-aprender-a-viver-da-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-viver-da-verdade\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A viver da verdade."},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A vida depende da verdade, mas nem todos acreditam nisso. Na \u00cdndia, Mohanish Ellitam v\u00ea os n\u00edveis de oxig\u00e9nio da sua m\u00e3e de 49 anos a descer. Depois de 100 chamadas \u00e0 procura de melhores condi\u00e7\u00f5es para a ajudar a superar o drama da Covid-19, encontra lugar num hospital a 60km da sua cidade natal. Mais tarde, tamb\u00e9m o pai sente-se cansado e com dificuldades respirat\u00f3rias. Ainda n\u00e3o h\u00e1 cama para ele. In\u00fameras vezes Mohanish quebra e chora. O seu drama \u00e9 o de centenas de milhares de pessoas na \u00cdndia. E, por vezes, perto de mim, h\u00e1 pessoas a afirmar que esta pandemia \u00e9 uma farsa. A vida depende da verdade, mas nem todos acreditam nisso.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/VidaVerdade.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-207306\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/VidaVerdade.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"903\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/VidaVerdade.jpg 1150w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/VidaVerdade-331x260.jpg 331w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/VidaVerdade-1024x804.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/VidaVerdade-768x603.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/VidaVerdade-1080x848.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/VidaVerdade-980x770.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/VidaVerdade-480x377.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1150px) 100vw, 1150px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nesta semana que dedicamos \u00e0 vida, podemos pensar nos dramas das fam\u00edlias, no direito a nascer, no dever de amar e ajudar quem sofre para que redescubra o valor de viver, mas creio ser essencial olhar, tamb\u00e9m, para a rela\u00e7\u00e3o entre a vida e a verdade. Numa sociedade da informa\u00e7\u00e3o, o modo como encaramos a vida encontra-se amea\u00e7ada pela desinforma\u00e7\u00e3o. A onda de entusiasmo pelas redes sociais parece impar\u00e1vel. Tudo se partilha e quanto menos soubermos sobre uma coisa, maior a tend\u00eancia de acreditar naquilo que vemos. A desinforma\u00e7\u00e3o espalha-se por continuarmos sob a influ\u00eancia do <em>ver para crer<\/em>, sem querermos saber se \u00e9 verdade ou n\u00e3o o que estamos a ver.<\/p>\n<p>S. Shyam Sundar, especialista nos efeitos dos Media da Penn State University nos EUA, observou num estudo, como o baixo envolvimento das pessoas com um determinado assunto, leva-as a dar maior credibilidade aos conte\u00fados v\u00eddeo que lhes s\u00e3o apresentados. N\u00e3o quer dizer que sejam verdade, mas acreditam mais naquilo que v\u00eaem do que naquilo que vivem. Pois, viver a verdade implica envolvermo-nos com a verdade. Um outro exemplo podemos encontrar no estudo feito por Sander van der Linden, psic\u00f3logo social da Universidade de Cambridge, que apresentou informa\u00e7\u00e3o falsa a um grupo de pessoas a negar as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, e depois apresentou-lhes a informa\u00e7\u00e3o verdadeira, mas as pessoas desse grupo n\u00e3o acreditaram. Ou seja, depois da desinforma\u00e7\u00e3o, minamos a compreens\u00e3o das pessoas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade. O que \u00e9 falso afecta a nossa vida e dificulta o retorno \u00e0 verdade. Logo, afasta-nos do verdadeiro viver.<\/p>\n<p>Parece-me \u00f3bvio que todos n\u00f3s queremos viver da verdade, mas isso deixou de ser poss\u00edvel depois de reduzirmos o contacto com a verdade \u00e0 informa\u00e7\u00e3o que temos dispon\u00edvel atrav\u00e9s da internet. N\u00e3o basta estar bem informado para celebrar a vida com a verdade, ou deixar que a nossa vida seja transformada pela verdade. \u00c9 preciso experimentar a verdade e isso apenas se faz saindo do sof\u00e1, tirando os olhos do ecr\u00e3, e partir em busca da experi\u00eancia de viver.<\/p>\n<p><em>Into the Wild<\/em> \u00e9 a hist\u00f3ria de Christopher McCandless contada pelo jornalista Jon Krakauer, um jovem de uma fam\u00edlia normal que fez um corte radical com tudo o que possu\u00eda e resolveu inventar uma nova vida para si mesmo num ambiente natural e selvagem. O final \u00e9 dram\u00e1tico, mas Christopher escreve uma \u00faltima frase antes da sua vida terminar consumida pela fome e pela solid\u00e3o \u2014 <em>\u00aba felicidade s\u00f3 \u00e9 real quando partilhada.\u00bb<\/em><\/p>\n<p>A verdade, quando \u00e9 real, tamb\u00e9m s\u00f3 se revela quando \u00e9 partilhada, experimentada e vivida em comunidade. Sozinhos temos mais dificuldade em questionar a informa\u00e7\u00e3o que recebemos, e as partilhas que ocorrem nas redes sociais n\u00e3o t\u00eam o car\u00e1cter relacional que a busca da verdade exige. A vida que esta semana celebramos pede passos com as pernas e n\u00e3o com o deslizar dos dedos.<\/p>\n<p>Um dos modos mais simples e concreto de experimentarmos a vida ser\u00e1 reconectarmo-nos com a terra caminhando sob o impulso da navega\u00e7\u00e3o natural. Essa reintroduz a curiosidade de uma crian\u00e7a nos trajectos que fazemos pela cidade, jardim ou bosque. Por que raz\u00e3o os ramos das \u00e1rvores se esticam na horizontal de um lado, e na vertical do outro? Por que raz\u00e3o existem flores do lado esquerdo do caminho, e menos do lado direito? Ao explorarmos os detalhes ao nosso redor numa caminhada que n\u00e3o tem outro prop\u00f3sito sen\u00e3o ela pr\u00f3pria, aprendemos ao notar nas mais pequenas coisas que n\u00e3o aparecem nos mapas, e experimentamos emo\u00e7\u00f5es que s\u00e3o dif\u00edceis de registar com qualquer som ou imagem.<\/p>\n<p>\u00c9 curioso que a semana da vida seja celebrada antes de mais um anivers\u00e1rio da Enc\u00edclica <em>Laudato Si\u2019<\/em>, que est\u00e1 profundamente relacionada com a vida. Desde Alexandre von Humbolt no s\u00e9culo XVIII que o ser humano se deu conta de que, na natureza, tudo est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o com tudo. \u00c9 essa a base de toda a ci\u00eancia ecol\u00f3gica que procura compreender os ecossistemas terrestres. E introduzir essa mente curiosa no nosso estilo de vida, aprendendo a compreender a natureza que nos rodeia, leva tempo. E, por vezes, precisamos da dist\u00e2ncia para experimentarmos o tempo necess\u00e1rio at\u00e9 nos desapegarmos do incontrol\u00e1vel desejo de querer saber (tudo e mais alguma coisa) para desfrutarmos do experimental desejo de querer viver.<\/p>\n<p>Afastamo-nos das longas caminhadas por termos o tempo limitado, mas talvez sejamos n\u00f3s que limitamos o tempo de vida que essas caminhadas nos proporcionam. Uma das iniciativas que se fazem nesta semana s\u00e3o, precisamente, as caminhadas pela vida. Nas que participei, confesso, nunca me interessei tanto pelo que o megafone dizia quanto pelo simples facto de viver aquele momento de fam\u00edlia com outras fam\u00edlias. Para mim, at\u00e9 no sil\u00eancio permeado dos risos das crian\u00e7as, est\u00e1 o testemunho de vida suficiente que pode levantar o olhar mais cabisbaixo de algu\u00e9m que pela rua anda aprisionado ao ecr\u00e3.<\/p>\n<p>Os grandes desafios da pandemia e das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o uma farsa de algu\u00e9m que quer enriquecer \u00e0 custa do sofrimento dos outros. A farsa e a morte est\u00e1 quando nos deixamos levar pelas sedu\u00e7\u00f5es da desinforma\u00e7\u00e3o com as quais somos bombardeados a todo o momento. Por vezes, temos mesmo de desligar, sair, caminhar e silenciar para sabermos aprender a viver a verdade que nos aproxima da realidade, e nos inspira nas escolhas de vida que nos conectam, cada vez mais e melhor, ao mundo natural, aos outros e a Deus.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-207305","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207305","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=207305"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207305\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=207305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=207305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=207305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}