{"id":20726,"date":"2006-10-19T12:29:43","date_gmt":"2006-10-19T12:29:43","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/10\/19\/perplexidades-e-preocupacoes-na-regiao-do-douro\/"},"modified":"2006-10-19T12:29:43","modified_gmt":"2006-10-19T12:29:43","slug":"perplexidades-e-preocupacoes-na-regiao-do-douro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/perplexidades-e-preocupacoes-na-regiao-do-douro\/","title":{"rendered":"Perplexidades e preocupa\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o do Douro"},"content":{"rendered":"<p>Comunicado dos padres da zona pastoral Douro I <!--more--> Os p\u00e1rocos da regi\u00e3o Douro I da Diocese de Vila Real, que abrange as freguesias dos concelhos de Mes\u00e3o Frio, Peso da R\u00e9gua e Santa Marta de Penagui\u00e3o, na sua reuni\u00e3o mensal de 12 de Outubro do corrente ano, reflectiram, entre outros assuntos de ordem pastoral, sobre os problemas humanos das gentes Durienses, em rela\u00e7\u00e3o com o principal trabalho agr\u00edcola da zona: a vinha e o vinho. Estamos a celebrar os 250 anos da funda\u00e7\u00e3o da Companhia dos Vinhos do Alto Douro. Este acontecimento n\u00e3o nos pode deixar indiferentes. A n\u00f3s e aos nossos paroquianos, mais que celebrar o passado, interessa analisar o presente e lan\u00e7ar o olhar sobre o futuro. A crise que se abate sobre o Douro, muito em especial sobre os pequenos e m\u00e9dios viticultores, tem muito a ver com uma nova situa\u00e7\u00e3o politico-econ\u00f3mica: a entrada de Portugal na Comunidade Europeia, o fen\u00f3meno da globaliza\u00e7\u00e3o, a instala\u00e7\u00e3o do liberalismo econ\u00f3mico numa concorr\u00eancia feroz e a grata noticia da classifica\u00e7\u00e3o de parte desta regi\u00e3o como Patrim\u00f3nio Mundial. Aos nossos ouvidos chegam continuamente os queixumes e at\u00e9 a revolta de muitas pessoas da mais antiga regi\u00e3o demarcada de vinhos do mundo. N\u00e3o podemos deixar de chamar a aten\u00e7\u00e3o de todos para a situa\u00e7\u00e3o actual de injusti\u00e7a e mis\u00e9ria que est\u00e3o a viver. A nosso ver, a presente situa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 grave sobretudo para os pequenos e m\u00e9dios viticultores, caracteriza-se pelos factos seguintes: 1\u00ba &#8211; O pre\u00e7o dos vinhos tem vindo a degradar-se nos \u00faltimos anos para o produtor, enquanto as despesas com o cultivo da vinha aumentam cada vez mais. Aquilo que ultimamente se tem recebido, muitas vezes n\u00e3o d\u00e1 para as despesas da vindima. 2\u00ba &#8211; As associa\u00e7\u00f5es representativas destes produtores \u2013 a Casa do Douro e as Adegas Cooperativas \u2013 atravessam uma grave crise financeira, est\u00e3o divididas, fragilizadas e t\u00eam cada vez menos poder negocial. 3\u00ba &#8211; As \u00faltimas medidas legislativas referentes a este sector permitiram a grupos econ\u00f3micos e empresas que agregam capitais e forte poder interventivo no com\u00e9rcio nacional e internacional o aumento extraordin\u00e1rio da superf\u00edcie de novos plantios em zonas privilegiadas desta regi\u00e3o, com a certeza de obterem a concess\u00e3o das melhores letras (A-B-C) para o \u201cvinho tratado\u201d, beneficiando da grande soma de empr\u00e9stimos gratuitos vindos da Comunidade Europeia. Estes potentados econ\u00f3micos refor\u00e7aram \u201cde gra\u00e7a\u201d o seu poder, tanto na produ\u00e7\u00e3o como na comercializa\u00e7\u00e3o dos vinhos. Conseguiram, assim, impor no jogo da concorr\u00eancia os seus interesses, em desfavor dos pequenos e m\u00e9dios produtores. 4\u00ba &#8211; O neg\u00f3cio do vinho continua a enriquecer alguns, que n\u00e3o os que trabalham e mourejam durante todo o ano no cultivo da vinha. Estes est\u00e3o cada vez mais pobres. Os pequenos e m\u00e9dios viticultores do Douro n\u00e3o merecem ser transformados em simples prolet\u00e1rios, sem futuro para si e seus filhos, obrigados a vender e abandonar suas pequenas propriedades. Foram eles tamb\u00e9m que fizeram de montes, vales e encostas do Douro e seus afluentes este admir\u00e1vel jardim de vinhas \u2013 \u00fanico no mundo. 5\u00ba &#8211; Amamos muito a nossa terra, esta bela regi\u00e3o do Alto-Douro \u2013 Patrim\u00f3nio da Humanidade. Fazemos um grande apelo a que ele se conserve e preserve. Mais importante que a paisagem s\u00e3o, no entanto, as pessoas. O turismo, at\u00e9 agora, constitui uma d\u00e9bil alternativa, como fonte de r\u00e9ditos para a nossa gente. Oferece emprego a um pequeno n\u00famero de habitantes. Temos um fundado receio que se torne apenas num \u201cturismo de passagem\u201d. Os muitos milhares de turistas que se passeiam pelo rio Douro, v\u00e3o e v\u00eam, como a \u00e1gua do rio, e poucas ou nenhumas vantagens econ\u00f3micas deixam nas margens. 6\u00ba &#8211; Tal como todo o interior de Portugal, o Douro corre o risco de ser visto apenas como paisagem ou lugar de passagem, se n\u00e3o forem criados n\u00facleos de desenvolvimento que fixem as pessoas aos seus lugares. A hemorragia demogr\u00e1fica continua num pa\u00eds cada vez mais desequilibrado, gordo \u00e0 beira-mar e esquel\u00e9tico no interior. A popula\u00e7\u00e3o do interior \u00e9 cada vez mais idosa. O mundo rural vai morrendo. Tudo contribui para que seja cada vez mais dif\u00edcil viver na aldeia. A chamada \u201cdescentraliza\u00e7\u00e3o\u201d tem sido um logro.  Analisado o presente, ousamos, mais uma vez fazer um veemente apelo a todos os respons\u00e1veis implicados no futuro da nossa regi\u00e3o, no sentido de abrir perspectivas novas para um futuro melhor. E, embora n\u00e3o seja compet\u00eancia nossa, parece-nos: A \u2013 Ser muito importante a uni\u00e3o solid\u00e1ria das associa\u00e7\u00f5es representativas dos viticultores da Regi\u00e3o Demarcada do Douro, detectar a raz\u00e3o da crise financeira que atravessam, estabelecer uma gest\u00e3o rigorosa que defenda os reais interesses dos associados, antes de tudo. \u00c9 para isso que elas existem e n\u00e3o para criar empregos ou respaldar interesses politico-partid\u00e1rios.  B \u2013 Que estas associa\u00e7\u00f5es (Casa do Douro e Adegas Cooperativas) sejam respeitadas e ajudadas pelos poderes p\u00fablicos, uma vez que umas, as Adegas, representam a grande maioria dos pequenos e m\u00e9dios viticultores, enquanto a Casa do Douro representa a sua totalidade. C \u2013 Que \u00e0 Casa do Douro sejam restitu\u00eddas as compet\u00eancias que antes possu\u00eda no respeitante \u00e0 aguardente, ao escoamento dos excedentes e \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o de interven\u00e7\u00e3o, de acordo com o princ\u00edpio de subsidiariedade, fundamental em toda a sociedade democr\u00e1tica, segundo o qual o Estado n\u00e3o deve fazer aquilo que as institui\u00e7\u00f5es interm\u00e9dias podem e sabem fazer. D \u2013 Que o circuito de produ\u00e7\u00e3o \u2013 comercializa\u00e7\u00e3o \u2013 restaura\u00e7\u00e3o (consumo) possa ser regulamentado a fim de defender os produtores que est\u00e3o na base; s\u00e3o aqueles que mais trabalham e menos beneficiam da venda do seu produto. N\u00e3o se compreende que o gesto de colocar um garrafa de vinho sobre a mesa da refei\u00e7\u00e3o num restaurante, sem qualquer risco, traga para quem o serve um lucro duas, tr\u00eas, quatro e mais vezes superior \u00e0quilo que o produtor recebe pelo que tanto trabalho lhe deu. E \u2013 Que o poder pol\u00edtico-administrativo estude e promova planos de desenvolvimento regional e se criem n\u00facleos de riqueza e emprego, de modo a impedir a desertifica\u00e7\u00e3o do interior, a fixar as pessoas nas suas terras e a humanizar o espa\u00e7o geogr\u00e1fico portugu\u00eas. J\u00e1 que estamos a celebrar os 250 anos do Alvar\u00e1 que criou a Companhia dos Vinhos do Alto-Douro, propomo-nos contribuir para esta celebra\u00e7\u00e3o em base paroquial e com a participa\u00e7\u00e3o do povo humilde das nossas terras. Esta celebra\u00e7\u00e3o ter\u00e1 em conta n\u00e3o tanto o passado, embora ele seja importante mesmo sobre o ponto de vista religioso para a configura\u00e7\u00e3o do nosso patrim\u00f3nio, mas sobretudo o presente e o futuro. Sugerimos, pois, a todos os p\u00e1rocos das freguesias da Regi\u00e3o Demarcada do Douro a mesma iniciativa que tom\u00e1mos para as nossas par\u00f3quias: Celebrar na Missa Dominical do dia 10 de Dezembro a Comemora\u00e7\u00e3o dos 250 anos da Funda\u00e7\u00e3o da Regi\u00e3o Demarcada do Douro, pedindo a Deus, Nosso Senhor, que a todos ilumine para que um futuro melhor possa sorrir para as pessoas desta nossa regi\u00e3o. <i>P\u00e1rocos da zona pastoral Douro I<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunicado dos padres da zona pastoral Douro I<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[183,285,320],"class_list":["post-20726","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-vila-real","tag-patrimonio","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20726","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20726"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20726\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}