{"id":207091,"date":"2021-05-09T09:30:53","date_gmt":"2021-05-09T08:30:53","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=207091"},"modified":"2021-05-09T09:00:36","modified_gmt":"2021-05-09T08:00:36","slug":"sinto-me-muito-na-pele-daquele-que-sofre-d-antonio-marto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sinto-me-muito-na-pele-daquele-que-sofre-d-antonio-marto\/","title":{"rendered":"\u00abSinto-me muito na pele daquele que sofre\u00bb \u2013 D. Ant\u00f3nio Marto"},"content":{"rendered":"<p><em>O bispo de Leiria-F\u00e1tima \u00e9 o convidado desta semana na entrevista conjunta Renascen\u00e7a\/Ecclesia, na qual diz que receber de novo o Papa em 2023 ser\u00e1 \u201cuma alegria\u201d. O respons\u00e1vel fala, ainda, da crise que reduziu para metade as receitas do Santu\u00e1rio, e da experi\u00eancia limite de ter estado nos cuidados intensivos<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/D.-Anto\u0301nio-Marto.-12-de-Maio-de-2019-\u00a9-Santua\u0301rio-de-Fa\u0301tima.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-201764 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/D.-Anto\u0301nio-Marto.-12-de-Maio-de-2019-\u00a9-Santua\u0301rio-de-Fa\u0301tima.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1219\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/D.-Anto\u0301nio-Marto.-12-de-Maio-de-2019-\u00a9-Santua\u0301rio-de-Fa\u0301tima.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/D.-Anto\u0301nio-Marto.-12-de-Maio-de-2019-\u00a9-Santua\u0301rio-de-Fa\u0301tima-400x254.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/D.-Anto\u0301nio-Marto.-12-de-Maio-de-2019-\u00a9-Santua\u0301rio-de-Fa\u0301tima-1024x650.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/D.-Anto\u0301nio-Marto.-12-de-Maio-de-2019-\u00a9-Santua\u0301rio-de-Fa\u0301tima-768x488.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/D.-Anto\u0301nio-Marto.-12-de-Maio-de-2019-\u00a9-Santua\u0301rio-de-Fa\u0301tima-1536x975.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/D.-Anto\u0301nio-Marto.-12-de-Maio-de-2019-\u00a9-Santua\u0301rio-de-Fa\u0301tima-1080x686.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/D.-Anto\u0301nio-Marto.-12-de-Maio-de-2019-\u00a9-Santua\u0301rio-de-Fa\u0301tima-1280x813.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/D.-Anto\u0301nio-Marto.-12-de-Maio-de-2019-\u00a9-Santua\u0301rio-de-Fa\u0301tima-980x622.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/D.-Anto\u0301nio-Marto.-12-de-Maio-de-2019-\u00a9-Santua\u0301rio-de-Fa\u0301tima-480x305.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a>As celebra\u00e7\u00f5es do 12 e 13 de maio v\u00e3o decorrer ainda com limita\u00e7\u00f5es \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos peregrinos &#8211; s\u00f3 podem entrar 7500, ainda assim um pouco mais do que aconteceu na \u00faltima peregrina\u00e7\u00e3o de outubro&#8230; foi dif\u00edcil decidir manter estas restri\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Esta costuma ser a peregrina\u00e7\u00e3o maior do ano, costumava ter \u00e0 volta de 250 mil, 300 mil peregrinos. Este ano, devido \u00e0 pandemia, acolher\u00e1 7.500, \u00e9 como uma gota da \u00e1gua no oceano. Mas temos de ter em considera\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o, e tudo isto \u00e9 resolvido num di\u00e1logo com a Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Sa\u00fade. F\u00e1tima tem de dar o exemplo tamb\u00e9m para todo o pa\u00eds, seria muito triste se porventura houvesse aqui um foco de infe\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O comunicado do Santu\u00e1rio sublinha que est\u00e1 \u00e9 &#8220;uma atitude respons\u00e1vel e consciente&#8221;, porque &#8220;a sa\u00fade est\u00e1 acima de tudo&#8221;. Os fi\u00e9is t\u00eam compreendido esta cautela da Igreja e as decis\u00f5es que t\u00eam sido tomadas?<\/em><\/p>\n<p>No ano passado houve uma certa contesta\u00e7\u00e3o por termos de fazer a peregrina\u00e7\u00e3o sem a presen\u00e7a de peregrinos, este ano acho que toda a popula\u00e7\u00e3o, inclusive os nossos fi\u00e9is cat\u00f3licos, est\u00e3o conscientes do que est\u00e1 em causa, e que toda a precau\u00e7\u00e3o \u00e9 pouca. Por conseguinte, todos nos sentimos respons\u00e1veis pela sa\u00fade uns dos outros, \u00e9 o cuidar uns dos outros que est\u00e1 em causa, e como eu \u00e0s vezes digo, o respeito por estas regras \u00e9-nos dado exemplarmente pelo Santo Padre, \u00e9 um ato de amor para com o pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>As imagens do 13 de maio de 2020 ainda est\u00e3o muito presentes na mem\u00f3ria de todos. \u00c9 um marco na hist\u00f3ria do Santu\u00e1rio? Como \u00e9 que prev\u00ea que esse dia seja recordado no futuro?<\/em><\/p>\n<p>Vai ser recordando como um marco na hist\u00f3ria do Santu\u00e1rio, na hist\u00f3ria de Portugal, mesmo, e at\u00e9 do mundo inteiro, porque F\u00e1tima \u00e9, de facto, um Santu\u00e1rio com dimens\u00e3o mundial, internacional. Essa imagem ser\u00e1 um dos \u00edcones do que significou a pandemia e a sua interpela\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, porque foi no in\u00edcio da pandemia, como aconteceu tamb\u00e9m com a imagem ic\u00f3nica do Papa Francisco, no dia 27 de mar\u00e7o, que sozinho atravessou a pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro vazia, e como que transportava consigo o sofrimento da humanidade e com o seu gesto e as suas palavras deu uma primeira luz para a escurid\u00e3o que o mundo atravessava naquele momento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A n\u00edvel nacional o ano que passou teve v\u00e1rios marcos, um deles o discurso do Cardeal Tolentino Mendon\u00e7a no 10 de junho de 2020, com forte impacto na sociedade. \u00c9 importante contar com esta presen\u00e7a no 13 de maio, num momento em que os peregrinos voltam ao Santu\u00e1rio?<\/em><\/p>\n<p>Naturalmente que \u00e9 importante. Quando o convidei foi j\u00e1 com um ano de anteced\u00eancia, e convidei-o para ele vir aqui presidir, sabendo que o far\u00e1 com toda aquela sabedoria de que ele \u00e9 capaz, de uma maneira \u00fanica e original, capaz de interpretar e de trazer a palavra justa, pr\u00f3pria, para este momento que ser\u00e1 certamente, imagino eu, uma palavra de esperan\u00e7a para superar este momento, para saber dar um sentido a toda esta fragilidade e vulnerabilidade, que o mundo e todos n\u00f3s experimentamos. \u00c9 um ponto de refer\u00eancia cultural e crist\u00e3 para todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>As restri\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m t\u00eam afastado do Santu\u00e1rio as crian\u00e7as. Em junho haver\u00e1 peregrina\u00e7\u00e3o, como \u00e9 habitual nos anos anteriores? O ano passado n\u00e3o houve\u2026<\/em><\/p>\n<p>E este ano, infelizmente, tamb\u00e9m n\u00e3o vai haver. \u00c9 uma pena, mas como compreendem seria uma aglomera\u00e7\u00e3o muito grande, e n\u00e3o podemos expor as crian\u00e7as ao cont\u00e1gio. Poder\u00e1, porventura, fazer-se uma peregrina\u00e7\u00e3o espiritual, cada um nas suas comunidades crist\u00e3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quando \u00e9 que espera retomar a normalidade total das peregrina\u00e7\u00f5es em F\u00e1tima?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma pergunta \u00e0 qual eu gostaria de dar uma resposta plena, mas n\u00e3o sabemos. Em outubro esperemos que j\u00e1 possa ser poss\u00edvel um maior n\u00famero, uma vez que nessa altura a vacina\u00e7\u00e3o j\u00e1 estar\u00e1 bastante espalhada.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_1299.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-206917 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_1299-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_1299-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_1299-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_1299-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_1299-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_1299-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_1299-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_1299-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_1299-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_1299.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>O processo da vacina\u00e7\u00e3o ser\u00e1 determinante para haver mais seguran\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, mas penso que isto ainda se vai prolongar. Esta precau\u00e7\u00e3o toda para conter a pandemia vai-se prologar pelos in\u00edcios de 2022, pelo menos estas regras normais de cada dia, de usar a m\u00e1scara, o distanciamento f\u00edsico, a higieniza\u00e7\u00e3o das m\u00e3os. \u00c9 algo que deve continuar, certamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>As restri\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias implicaram muito contacto da Igreja Cat\u00f3lica com as autoridades de sa\u00fade, e em F\u00e1tima isso tamb\u00e9m foi fundamental. Como \u00e9 classifica esta colabora\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma colabora\u00e7\u00e3o exemplar, necess\u00e1ria, porque est\u00e1 em causa o bem comum, a sa\u00fade como bem comum. Todos somos respons\u00e1veis e a Igreja n\u00e3o poderia eximir-se a esta sua tarefa, miss\u00e3o e responsabilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>F\u00e1tima \u00e9 um dos 30 santu\u00e1rios do mundo envolvidos na &#8220;maratona&#8221; de ora\u00e7\u00e3o pelo fim da pandemia, que foi convocada pelo Papa. A recita\u00e7\u00e3o do ter\u00e7o de dia 13, \u00e0s 17h &#8211; a que, de resto, ir\u00e1 presidir &#8211; ser\u00e1 transmitida para o mundo inteiro. \u00c9 importante o Santu\u00e1rio estar unidos a esta iniciativa? O que \u00e9 que isto tamb\u00e9m revela da centralidade de F\u00e1tima?<\/em><\/p>\n<p>O Santo Padre convocou todos os santu\u00e1rios do mundo para uma maratona de ora\u00e7\u00e3o, e faz-me recordar aquela frase que ele disse a 27 de mar\u00e7o do ano passado: &#8216;\u00e0 pandemia n\u00f3s queremos responder com a universalidade da ora\u00e7\u00e3o, da compaix\u00e3o e da ternura&#8217;. Por conseguinte, \u00e9 uma mobiliza\u00e7\u00e3o de toda a Igreja a partir daqueles locais centrais de atra\u00e7\u00e3o e de peregrina\u00e7\u00e3o, mas para que possa envolver toda a Igreja cat\u00f3lica universal, por isso, o Santu\u00e1rio de F\u00e1tima n\u00e3o podia ficar de fora.<\/p>\n<p>\u00c9 uma maratona de ora\u00e7\u00e3o, para cada dia do m\u00eas de maio h\u00e1 uma inten\u00e7\u00e3o, e a que nos foi destinada pelo Pontif\u00edcio Conselho para a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 orar pelos presos, na medida em que eles e as suas fam\u00edlias tamb\u00e9m foram atingidos pela pandemia. Muitas vezes constituem uma periferia no nosso cora\u00e7\u00e3o, e portanto, trazemo-los para o nosso cora\u00e7\u00e3o, para o cora\u00e7\u00e3o de cada um e para o cora\u00e7\u00e3o da sociedade e do mundo, para manifestar a nossa proximidade, a nossa compaix\u00e3o e a nossa ternura a estes nossos irm\u00e3os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ainda estamos no meio da tempestade, por assim dizer, mas j\u00e1 s\u00e3o v\u00e1rios meses desta experi\u00eancia. Sente que a pandemia refor\u00e7ou, de alguma forma, a convic\u00e7\u00e3o das pessoas na for\u00e7a e poder da ora\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que sim, \u00e9 algo que se manifesta. Mesmo at\u00e9 durante o confinamento foi uma oportunidade para descobrir e exercitar a ora\u00e7\u00e3o a n\u00edvel familiar. Muitas fam\u00edlias descobriram este aspeto da import\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia, porque a ora\u00e7\u00e3o sobre ao cora\u00e7\u00e3o de Deus, mas estabelece uma solidariedade, uma comunh\u00e3o, a chamada comunh\u00e3o dos Santos, que \u00e9 uma solidariedade entre todos. Por conseguinte, esta ora\u00e7\u00e3o pelo fim da pandemia d\u00e1 um sentido espiritual para viver, d\u00e1 uma for\u00e7a que vem do alto para a superar e para todos darmos as m\u00e3os e nos unirmos no combate a esta pandemia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Este foi um ano dif\u00edcil para si em termos de sa\u00fade, esteve internado. Isso mudou de alguma forma o seu olhar sobre a realidade e o modo de encarar o sofrimento?<\/em><\/p>\n<p>Eu estive internado, mas n\u00e3o foi por causa da Covid.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sim, mas foi uma coincid\u00eancia ter sido neste tempo. Com o olhar da f\u00e9 essas coincid\u00eancias t\u00eam sempre outra interpreta\u00e7\u00e3o\u2026<\/em><\/p>\n<p>Certamente, at\u00e9 porque quando estive internado foi numa altura de intensidade da epidemia, nem sequer havia visitas no hospital para evitar os cont\u00e1gios. Tudo come\u00e7ou de uma maneira muito simples, com uma febre, n\u00e3o tinha dores sequer. Pensei inicialmente que fosse uma gripe, como n\u00e3o passava, pus a hip\u00f3tese de ser Covid. Agendado um teste deu negativo e a febre continuava a subir, at\u00e9 que fez tremer o corpo todo e a pessoa inteira, e fui aconselhado a ir para a urg\u00eancia, para o hospital, onde fiz uma experi\u00eancia que nunca na vida tinha feito, que foi estar nos cuidados intensivos, e quem l\u00e1 esteve sabe que \u00e9 uma experi\u00eancia bastante dura, fica-se sem a no\u00e7\u00e3o do tempo, sem rela\u00e7\u00e3o com o exterior&#8230; enfim&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Foi uma experi\u00eancia marcante&#8230;<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma experi\u00eancia marcante, at\u00e9 porque quando me mandaram para l\u00e1 o diagn\u00f3stico era assustador. Pensava-se que fosse uma infe\u00e7\u00e3o sist\u00e9mica, de todo o organismo, at\u00e9 que depois se chegou \u00e0 conclus\u00e3o que n\u00e3o era isso e fui para uma enfermaria, depois para um quarto particular. Mas, isso fez-me refletir sobre a nossa fragilidade, que muitas vezes sabemos falar, teoricamente, e para os outros, outra coisa \u00e9 viv\u00ea-la no pr\u00f3prio corpo, na pr\u00f3pria pele, e procurar viv\u00ea-la tamb\u00e9m na f\u00e9, no meio da dor. N\u00e3o era propriamente uma dor f\u00edsica, era a dor ps\u00edquica de me sentir fr\u00e1gil, vulner\u00e1vel, de n\u00e3o saber quais as consequ\u00eancias que ficariam. E isso torna-nos muito mais humildes, muito mais solid\u00e1rios e compassivos, capazes de compreender o outro que sofre e de ter compaix\u00e3o, no sentido mais etimol\u00f3gico e profundo do termo, ser capaz de partilhar a dor do outro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sente que vai viver de outra forma a tradicional b\u00ean\u00e7\u00e3o dos doentes, no final das grandes peregrina\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Quem me conhece sabe que eu j\u00e1 vivia aquele momento sempre de forma muito emocional, agora naturalmente que ainda \u00e9 mais forte. Sinto-me muito na pele daquele que sofre. \u00c9 uma caracter\u00edstica que talvez tenha herdado da minha fam\u00edlia, concretamente do meu pai, mas agora de uma maneira especial, depois de ter passado por este tempo e por esta prova\u00e7\u00e3o, sinto-me ainda mais unido e mais solid\u00e1rio com quem sofre e com esse momento dos doentes. Tanto que eu sempre tive um certo acanhamento em falar de sofrimento aos doentes, porque acho que \u00e9 dif\u00edcil falar sobre o sofrimento a partir do cora\u00e7\u00e3o, a partir de dentro. Dizer teorias \u00e9 f\u00e1cil, dizer uma mensagem que sai do cora\u00e7\u00e3o para tocar o cora\u00e7\u00e3o do irm\u00e3o, \u00e9 um bocadinho mais exigente. \u00c9 bastante mais exigente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A crise econ\u00f3mica \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o, nesta altura. Que impacto \u00e9 que est\u00e1 a ter na Diocese de Leiria-F\u00e1tima? As institui\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 Igreja t\u00eam recebido mais pedidos de ajuda?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, isso \u00e9 uma evid\u00eancia, ao n\u00edvel de todo o pa\u00eds e concretamente aqui, tamb\u00e9m. Praticamente duplicaram, sobretudo pedidos de fam\u00edlias que foram atingidas pelo desemprego, que tinham at\u00e9 uma vida est\u00e1vel e chegam \u00e0 C\u00e1ritas a dizer: \u201cnunca pensei que haveria de recorrer \u00e0 C\u00e1ritas\u201d. Primeiro partilhavam, para dar aos outros, agora s\u00e3o eles que pedem. E ainda estamos para ver, depois, quando acabarem os lay-off e as morat\u00f3rias\u2026 Preanunciam-se maiores dificuldades, do ponto de vista social.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m sentimos isso nas pr\u00f3prias par\u00f3quias, uma vez que foram suspensas as celebra\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, uma vez que h\u00e1 restri\u00e7\u00e3o quanto ao n\u00famero dos participantes. As ofertas dos fi\u00e9is ca\u00edram bastante, muito mesmo, como acontece em rela\u00e7\u00e3o ao Santu\u00e1rio (de F\u00e1tima).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Santuario-de-Fatima.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-203456\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Santuario-de-Fatima-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Santuario-de-Fatima-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Santuario-de-Fatima-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Santuario-de-Fatima-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Santuario-de-Fatima-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Santuario-de-Fatima-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Santuario-de-Fatima-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Santuario-de-Fatima-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Santuario-de-Fatima-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Santuario-de-Fatima.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Em rela\u00e7\u00e3o ao Santu\u00e1rio, ali\u00e1s, houve quem ficasse chocado quando come\u00e7aram a sair as not\u00edcias de que a crise teve impacto econ\u00f3mico na institui\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 aus\u00eancia de peregrinos. Houve um processo de rescis\u00f5es, de reorganiza\u00e7\u00e3o. O Santu\u00e1rio est\u00e1 em crise? Houve uma quebra de receitas de que ordem?<\/em><\/p>\n<p>Da ordem dos 50%, mais ou menos. Ultimamente n\u00e3o sei, mas at\u00e9 ao fim do ano passado era \u00e0 volta de 49,9%. O Santu\u00e1rio tem algumas reservas, para fazer face aos pr\u00f3ximos anos, para que n\u00e3o haja despedimentos, esse aspeto \u00e9 um ponto de honra. Vamos ver at\u00e9 quando\u2026<\/p>\n<p>Esperamos que no pr\u00f3ximo ano possamos retomar a normalidade, das peregrina\u00e7\u00f5es e das ofertas dos peregrinos, tamb\u00e9m. Estive em conversa com o Santo Padre, que quis saber estas informa\u00e7\u00f5es, e basta s\u00f3 ver a queda do n\u00famero de peregrinos: em 2018, foram 7 milh\u00f5es; em 2019, \u00e0 volta de 6 milh\u00f5es e meio; em 2020, 1 milh\u00e3o e 400 mil. O Santo Padre ficou espantado e disse-me: \u201cOlha, \u00e9 como aqui no Vaticano, tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>O Papa Francisco tem curiosidade em conhecer a atualidade de F\u00e1tima?<\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sei se ele tem acompanhado todos os dias, mas eu mesmo, de vez em quando, mando informa\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m, para as receberem da nossa pr\u00f3pria fonte e n\u00e3o apenas do que se diz na Comunica\u00e7\u00e3o Social.<\/p>\n<p>O Santo Padre tem uma liga\u00e7\u00e3o, que eu n\u00e3o imaginava que fosse t\u00e3o grande, a F\u00e1tima. Quando lhe perguntei se confirmava a sua vinda a F\u00e1tima, por ocasi\u00e3o da Jornada Mundial da Juventude (2023), ele disse com uma for\u00e7a de convic\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande que gostaria at\u00e9 que fosse filmado para que as pessoas pudessem ver e ouvir a sua afirma\u00e7\u00e3o: \u201cN\u00e3o teria sentido ir a Portugal sem ir a F\u00e1tima\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 uma paragem obrigat\u00f3ria?<\/em><\/p>\n<p>Sim. E repetiu a frase, para que ficasse bem gravado! Fiquei completamente esclarecido, quanto a isso. \u00c9 um motivo de alegria e de contentamento para F\u00e1tima e todo o Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em termos pessoais, receber o Papa de novo em F\u00e1tima ser\u00e1 uma alegria?<\/em><\/p>\n<p>Ser\u00e1 uma alegria, pois claro. Eu tive a felicidade de receber o Papa Bento XVI, com quem tinha uma rela\u00e7\u00e3o afetiva, at\u00e9 de amizade, particular. E agora j\u00e1 recebi este nosso Papa Francisco, t\u00e3o querido por todos, e por mim, pelos tantos sinais de estima que me tem dado. \u00c9 com a maior alegria que o quero receber, tamb\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O bispo de Leiria-F\u00e1tima \u00e9 o convidado desta semana na entrevista conjunta Renascen\u00e7a\/Ecclesia, na qual diz que receber de novo o Papa em 2023 ser\u00e1 \u201cuma alegria\u201d. O respons\u00e1vel fala, ainda, da crise que reduziu para metade as receitas do Santu\u00e1rio, e da experi\u00eancia limite de ter estado nos cuidados intensivos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":206917,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-207091","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207091","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=207091"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207091\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/206917"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=207091"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=207091"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=207091"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}