{"id":20695,"date":"2006-10-17T13:06:27","date_gmt":"2006-10-17T13:06:27","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/10\/17\/espirito-de-assis\/"},"modified":"2006-10-17T13:06:27","modified_gmt":"2006-10-17T13:06:27","slug":"espirito-de-assis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/espirito-de-assis\/","title":{"rendered":"Esp\u00edrito de Assis"},"content":{"rendered":"<p>Assis, 27 de Outubro de 1986. Jo\u00e3o Paulo II dirigia-se aos representantes das Igrejas Crist\u00e3s e comunidades eclesiais reunidas para celebrar um dia de ora\u00e7\u00e3o, com palavras de profunda esperan\u00e7a e fraternidade.  &#8220;A vinda de tantos l\u00edderes religiosos para rezar, \u00e9 em si, um alerta para o mundo inteiro de que existe uma outra dimens\u00e3o para a paz, uma outra forma de promo\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 resultado de negocia\u00e7\u00f5es, de compromissos pol\u00edticos ou de acordos econ\u00f3micos. \u00c9 antes resultado de ora\u00e7\u00e3o, que na diversidade religiosa, expressa uma rela\u00e7\u00e3o com uma entidade suprema que suplanta as nossas capacidades humanas&#8221;.  Jo\u00e3o Paulo II manifestava aos presentes que o encontro de Assis n\u00e3o previa um consenso religioso, nem um renunciar de cren\u00e7as pr\u00f3prias de cada religi\u00e3o, porque &#8220;cada ser humano tem de seguir com sinceridade, a sua consci\u00eancia&#8221;. Este era antes um sinal &#8220;de compromisso com a paz&#8221;. O professar diferentes credos n\u00e3o diminui a import\u00e2ncia deste dia, dizia Jo\u00e3o Paulo II, em Assis. &#8220;Pelo contr\u00e1rio, as Igrejas, as comunidades eclesiais e as religi\u00f5es do mundo, mostram a sua preocupa\u00e7\u00e3o com o bem da humanidade&#8221;.  Um encontro que ficou na hist\u00f3ria e que viria a ser um marco no caminho inter-religioso. Jo\u00e3o Paulo II foi o grande percursor do que ficou designado por &#8220;Espirito de Assis&#8221;. Um encontro de ora\u00e7\u00e3o pela paz, mas mais do que rezar pela paz, era um encontro que ditava o que viria a ser tamb\u00e9m o pontificado de Jo\u00e3o Paulo II: um esfor\u00e7o para o di\u00e1logo ecum\u00e9nico. &#8220;Nestas iniciativas, Deus mostra-nos novas possibilidades de entendimento e de reconcilia\u00e7\u00e3o&#8221;. E, ainda em Assis em 1986, dizia aos presentes que este encontro ficaria incompleto se voltassem sem um profundo compromisso em continuar a perseguir o &#8220;desejo de unidade e de ultrapassar as divis\u00f5es que ainda existem&#8221;.  Pela primeira vez reuniam-se l\u00edderes religiosos de diferentes credos, em Assis, local com um significado particular. S\u00e3o Francisco de Assis, conhecido por tantos em todo o mundo, s\u00edmbolo de paz, de reconcilia\u00e7\u00e3o e fraternidade. O local dava o mote para o que se pretendia com o encontro. &#8220;O facto de virmos de diferentes locais do mundo, \u00e9 s\u00f3 por si um sinal do caminho comum que a humanidade deve trilhar. Ou aprendemos a caminhar juntos em paz e harmonia ou iremos arruinar-nos, pois nunca a humanidade teve tantas formas de construir a paz como agora&#8221;. Palavras de Jo\u00e3o Paulo II em 1986 que continuam a ser t\u00e3o reais.  Em Janeiro de 1992, no Dia Mundial da Paz, o Jo\u00e3o Paulo II relembrava o dever de manter o esp\u00edrito de Assis &#8220;n\u00e3o s\u00f3 por um dever de coer\u00eancia e de fidelidade, mas tamb\u00e9m para oferecer um motivo de esperan\u00e7a \u00e0s futuras gera\u00e7\u00f5es&#8221;.  Dezasseis anos mais tarde, o encontro de Assis voltaria a repetir-se, em Janeiro de 2002. Um ambiente onde se viveu uma convic\u00e7\u00e3o comum, traduzida posteriormente num dec\u00e1logo, que Jo\u00e3o Paulo II, enviou aos chefes do governo de todo o mundo. Neste documento todos os participantes do encontro de Assis assumiam o seu compromisso de lutar contra toda a viol\u00eancia e o terrorismo e a condenar todo o recurso \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 guerra em nome de Deus; educar as pessoas no respeito e estima rec\u00edprocos; promover a cultura do di\u00e1logo, condi\u00e7\u00e3o essencial para a paz aut\u00eantica; defender o direito de todas as pessoas humanas levarem uma exist\u00eancia digna; dialogar com sinceridade e paci\u00eancia, reconhecendo que a diversidade leva \u00e0 compreens\u00e3o rec\u00edproca; perd\u00e3o rec\u00edproco de erros do passado; estar ao lado dos que sofrem; ser sinal real de esperan\u00e7a, de justi\u00e7a e de paz; encorajar iniciativas que promovam a amizade entre os povos; e finalmente o compromisso de pedir aos respons\u00e1veis das na\u00e7\u00f5es que fa\u00e7am todos os esfor\u00e7os poss\u00edveis para que, quer a n\u00edvel nacional quer internacional, seja edificado e consolidado um mundo de solidariedade e de paz fundado na justi\u00e7a.  No processo do di\u00e1logo inter-religioso, o maior temor \u00e9 a amea\u00e7a da dissolu\u00e7\u00e3o de identidades que cada religi\u00e3o professa. O princ\u00edpio da unidade na diversidade \u00e9 a base para qualquer processo de di\u00e1logo inter-religioso. Jo\u00e3o Paulo II foi percursor deste processo, enfatizando que as diferen\u00e7as n\u00e3o deveriam separar, mas antes ser caminho para descobrir o que une, pois &#8220;Cristo \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o da aspira\u00e7\u00e3o de todas as religi\u00f5es do mundo&#8221;.  Ano ap\u00f3s ano, o Esp\u00edrito de Assis revive-se no Encontro Homens e Religi\u00f5es, promovido pela Comunidade de Santo Eg\u00eddio em diferentes cidades do mundo.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assis, 27 de Outubro de 1986. 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