{"id":206677,"date":"2021-05-06T09:00:04","date_gmt":"2021-05-06T08:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=206677"},"modified":"2021-05-03T17:08:29","modified_gmt":"2021-05-03T16:08:29","slug":"lusofonias-o-fio-triplo-nao-rompe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-o-fio-triplo-nao-rompe\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; O fio triplo n\u00e3o rompe\u2026"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/LusofoniasBrasil29-04-2021.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-206684\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/LusofoniasBrasil29-04-2021.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/LusofoniasBrasil29-04-2021.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/LusofoniasBrasil29-04-2021-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/LusofoniasBrasil29-04-2021-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/LusofoniasBrasil29-04-2021-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/LusofoniasBrasil29-04-2021-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/LusofoniasBrasil29-04-2021-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/LusofoniasBrasil29-04-2021-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u2018Triplex funiculus difficile rumpitur\u2019. Come\u00e7ar com uma tirada em latim d\u00e1 n\u00edvel a qualquer cr\u00f3nica! Mas a ideia n\u00e3o \u00e9 mostrar sabedoria cl\u00e1ssica, mas a for\u00e7a deste prov\u00e9rbio que garante a dificuldade de romper um fio com tr\u00eas linhas. \u00c9 o lema dos Antigos Alunos dos Semin\u00e1rios do Esp\u00edrito Santo, organizados na Associa\u00e7\u00e3o ASES. Traduzido em m\u00e1xima lusa, fiquemo-nos por um \u2018a uni\u00e3o faz a for\u00e7a!\u2019. Tudo isto a prop\u00f3sito de tr\u00eas interven\u00e7\u00f5es recentes de Confer\u00eancias Episcopais. Refiro-me a Angola, ao Brasil e a Mo\u00e7ambique. Ora, os tempos que vivemos \u00e0 escala do planeta s\u00e3o duros e complexos, a abarrotar de problemas cujas solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o quase inexistentes. Mas a hist\u00f3ria da Igreja ensina, ap\u00f3s dois mil anos, que uma pessoa s\u00f3 \u00e9 alvo f\u00e1cil de atingir. E mais: quando \u00e9 preciso gritar para denunciar injusti\u00e7as, os que as praticam s\u00e3o capazes de tudo para silenciar a voz dos profetas. E quando digo \u2018tudo\u2019, refiro-me a \u2018tudo\u2019 mesmo, incluindo, caluniar e matar.<\/p>\n<p>Desde h\u00e1 umas d\u00e9cadas que as Dioceses se reagrupam em Confer\u00eancias Episcopais para trabalharem mais unidas, gritarem mais alto e serem uma for\u00e7a mais dif\u00edcil de neutralizar. Se esta comunh\u00e3o \u00e9 um valor acrescentado a todos os n\u00edveis e em todos os lugares, ganha um relevo especial em contextos onde a liberdade ainda \u00e9 apenas ou quase palavra de dicion\u00e1rio. A\u00ed, algu\u00e9m que se lembre de falar sozinho corre o mesmo risco de um pobre ant\u00edlope que se isola da manada quando o le\u00e3o ataca!<\/p>\n<p>Deixemo-nos de teorias e vamos \u00e0 pr\u00e1tica. Angola vive tempos complexos por um acumular de raz\u00f5es que n\u00e3o vou aqui dissecar. A verdade \u00e9 que o povo passa mal, falta p\u00e3o, sa\u00fade, casa, trabalho e come\u00e7am a levantar-se ondas de protestos que n\u00e3o sabemos onde v\u00e3o parar. A Igreja cat\u00f3lica, a maior for\u00e7a da sociedade civil, habituou-se a intervir com lucidez e coragem atrav\u00e9s da Confer\u00eancia Episcopal. F\u00ea-lo nos tempos duros da guerra civil e dos partidos \u00fanicos, continua a faze-lo nestes tempos que pretendem ser novos. A sua \u00faltima Mensagem p\u00f5e dedos em muitas feridas, pede mais compet\u00eancia aos governantes, mais compromisso aos cidad\u00e3os, dias melhores para todos. No fim, a palavra \u00e9 sempre de esperan\u00e7a: \u2018somos capazes unidos de construir pontes, dialogando e erguendo Angola como casa da fraternidade\u2019.<\/p>\n<p>Mo\u00e7ambique \u2013 todos acompanhamos \u2013 vive tempos de trag\u00e9dia, sobretudo no norte, na prov\u00edncia de Cabo Delgado. D. Luiz Lisboa, Bispo que foi transferido para o Brasil, foi uma voz corajosa e inc\u00f3moda a quem tentaram silenciar e arrumar (conseguiram-no, em parte!). Ap\u00f3s a sua partida e o recrudescer dos ataques no norte, a Confer\u00eancia Episcopal de Mo\u00e7ambique saiu \u00e0 pra\u00e7a para gritar em nome do povo um \u2018basta!\u2019 \u00e0 dram\u00e1tica situa\u00e7\u00e3o que muitos vivem. Falam de mais de 2 mil mortos e 700 mil deslocados, raptos, destrui\u00e7\u00f5es e toda a esp\u00e9cie de viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos. Depois de vermos tanta a gente a atacar D. Luiz, achamos estranho que agora haja unanimidade em rela\u00e7\u00e3o a esta Mensagem dos Bispos, que decidiram falar a uma s\u00f3 voz. At\u00e9 o Presidente da Rep\u00fablica os recebeu para partilharem not\u00edcias, ideias e sugest\u00f5es.<\/p>\n<p>O Brasil tamb\u00e9m est\u00e1 nas bocas do mundo por m\u00e1s raz \u00f5es. \u00c9 um dos pa\u00edses com pior resposta \u00e0 pandemia da covid 19, misturando negacionismos com o absoluto desprezo pelas mais elementares regras sanit\u00e1rias de combate a pandemias como esta que a todos vitima. Alguns Bispos foram manifestando a sua posi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u00e0 governa\u00e7\u00e3o e logo surgiram os ataques ferozes de quem acha que os governantes da nossa linha ideol\u00f3gica s\u00e3o sempre intoc\u00e1veis nas suas decis\u00f5es e pr\u00e1ticas. Mas, a Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil, reunida na sua 58\u00aa Assembleia Geral, tornou p\u00fablica uma Mensagem para apoiar as in\u00fameras v\u00edtimas da pandemia, pedindo, \u2018sensatez e responsabilidade\u2019, exigindo que todos os cidad\u00e3os observem as medidas sanit\u00e1rias e sejam caridosos no apoio aos mais fr\u00e1geis. Sobre esta tomada de posi\u00e7\u00e3o p\u00fablica, os Bispos dizem: \u2018N\u00e3o podemos nos calar quando a vida \u00e9 amea\u00e7ada, os direitos desrespeitados, a justi\u00e7a corrompida e a viol\u00eancia instaurada\u2019. Completam assim a interven\u00e7\u00e3o: \u2018Na sociedade civil, os tr\u00eas poderes da Rep\u00fablica t\u00eam, cada um na sua especificidade, a miss\u00e3o de conduzir o Brasil nos ditames da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que preconiza a sa\u00fade como \u201cdireito de todos e dever do Estado\u201d. Isso exige compet\u00eancia e lucidez. S\u00e3o inaceit\u00e1veis discursos e atitudes que negam a realidade da pandemia, desprezam as medidas sanit\u00e1rias e amea\u00e7am o Estado Democr\u00e1tico de Direito. \u00c9 necess\u00e1ria aten\u00e7\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia, incentivar o uso de m\u00e1scara, o distanciamento social e garantir a vacina\u00e7\u00e3o para todos, o mais breve poss\u00edvel. O aux\u00edlio emergencial, digno e pelo tempo que for necess\u00e1rio, \u00e9 imprescind\u00edvel para salvar vidas e dinamizar a economia, com especial aten\u00e7\u00e3o aos pobres e desempregados\u2019. Juntos, os Bispos fizeram den\u00fancias corajosas e propostas construtivas.<\/p>\n<p>Nunca foi t\u00e3o decisivo \u2018cantar em coro\u2019. Vozes afinadas constroem melodias de encher o cora\u00e7\u00e3o! Para o mundo ser melhor, s\u00e3o precisas as m\u00e3os e os cora\u00e7\u00f5es de todas as pessoas de boa vontade\u2026<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-206677-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/lusofonias-fiotriplo-7-5-2021.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/lusofonias-fiotriplo-7-5-2021.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/lusofonias-fiotriplo-7-5-2021.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Roma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":114253,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-206677","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/206677","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=206677"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/206677\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=206677"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=206677"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=206677"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}