{"id":206499,"date":"2021-05-01T09:30:49","date_gmt":"2021-05-01T08:30:49","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=206499"},"modified":"2021-05-01T09:28:06","modified_gmt":"2021-05-01T08:28:06","slug":"o-salario-minimo-abrange-cada-vez-mais-grupos-de-qualificacao-superiores-coordenador-nacional-da-loc-mtc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-salario-minimo-abrange-cada-vez-mais-grupos-de-qualificacao-superiores-coordenador-nacional-da-loc-mtc\/","title":{"rendered":"\u201cO sal\u00e1rio m\u00ednimo abrange cada vez mais grupos de qualifica\u00e7\u00e3o superiores\u201d \u2013 Coordenador nacional da LOC\/MTC"},"content":{"rendered":"<p><em>Am\u00e9rico Monteiro foi eleito coordenador da Liga Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica\/Movimento de Trabalhadores Crist\u00e3os em junho de 2019. A pandemia foi uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o esperava encontrar, lembrando que os trabalhadores precisam de organiza\u00e7\u00f5es como a LOC nestas circunst\u00e2ncias.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_206307\" aria-describedby=\"caption-attachment-206307\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr5.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-206307 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr5.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr5.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr5-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr5-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr5-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr5-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr5-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr5-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr5-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-206307\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Miguel Rato\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Paulo Rocha (Ecclesia)<\/em><br \/>\n<em>Fotos Miguel Rato (Renascen\u00e7a)<\/em><\/p>\n<p><em>A mensagem do Movimento Mundial dos Trabalhadores Crist\u00e3os (MMTC) para o 1\u00ba de Maio tem a pandemia como pano de fundo e fala de um retrocesso ao n\u00edvel dos direitos fundamentais dos trabalhadores: refere o aumento do desemprego e da precariedade, a perda de benef\u00edcios sociais e a falta de habita\u00e7\u00e3o digna, e como tudo isso afeta as fam\u00edlias.<\/em><em>\u00a0Podemos dizer que a pandemia agravou, e muito, as situa\u00e7\u00f5es que antes j\u00e1 eram uma preocupa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>A pandemia \u00e9 o nosso grande problema e o nosso grande tema. Marca a vida de todos, e \u00e0s vezes em definitivo. A quest\u00e3o que se p\u00f5e, mais grave, \u00e9 que nos apercebemos que, de facto, em termos dos trabalhadores e das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, estamos em decr\u00e9scimo, em perda. As pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es nas empresas projetam esse receio e medo: n\u00e3o sabemos se vamos ter trabalho, por certo vamos ter de reduzir postos de trabalho; nas mercadorias, os pre\u00e7os alteraram-se e vamos ter de ver a quest\u00e3o dos sal\u00e1rios, houve quem perdesse mesmo sal\u00e1rios com esta situa\u00e7\u00e3o, e isso repercute-se na vida dos trabalhadores.<\/p>\n<p>\u00c9 um desafio grande que se p\u00f5e ao entendimento, \u00e0 reflex\u00e3o o mais clara poss\u00edvel sobre a situa\u00e7\u00e3o que nos espera, porque uma coisa \u00e9 o que j\u00e1 passou, outra coisa \u00e9 o receio do que nos espera.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o que nos espera pode ser pior do que aquilo que j\u00e1 passou, sendo tamb\u00e9m mais dif\u00edcil lutar pelos direitos dos trabalhadores?<\/em><\/p>\n<p>Pessoalmente tenho muito receio pelo isolamento que esta situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 a causar aos trabalhadores.\u00a0O pa\u00eds tem uma percentagem muito alta de micro, pequenas e m\u00e9dias empresas e isso isolou mais os trabalhadores, os receios sobrepuseram-se, h\u00e1 consequ\u00eancias familiares que surgiram na vida das pessoas. H\u00e1 algumas medidas atenuantes da situa\u00e7\u00e3o, os apoios que houve, o \u2018layoff\u2019, etc&#8230;<\/p>\n<p>Projetam-se problemas mais graves a curto e m\u00e9dio prazo, porque se alguns setores sa\u00edram de uma forma equilibrada e n\u00e3o ter\u00e3o problemas de maior, outros v\u00e3o ter problemas, porque passam a circular menos os produtos, os neg\u00f3cios passam a ser produzidos mais localmente.\u00a0N\u00f3s, que depend\u00edamos muito da exporta\u00e7\u00e3o, temos agora esse problema a enfrentar. E a quest\u00e3o do turismo e dos pequenos neg\u00f3cios de hotelaria e restaura\u00e7\u00e3o, receamos muito o que pode vir a acontecer, porque as perspetivas n\u00e3o s\u00e3o boas.\u00a0Alguns h\u00e1bitos alteraram-se e isso vai ter repercuss\u00f5es nessa \u00e1rea de neg\u00f3cio e nos empregos dos trabalhadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_206311\" aria-describedby=\"caption-attachment-206311\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-206311\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-206311\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Miguel Rato\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>O desemprego \u00e9 a parte mais vis\u00edvel da crise econ\u00f3mica causada pela pandemia, mas um estudo recente mostrou que h\u00e1 um quinto de portugueses a viver na pobreza, e destes, muitos at\u00e9 t\u00eam trabalho.\u00a0\u00c9 urgente uma revaloriza\u00e7\u00e3o salarial em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 urgente e n\u00e3o se compreende que n\u00e3o seja feita com mais frequ\u00eancia. Sabemos que h\u00e1 entraves na negocia\u00e7\u00e3o coletiva. Os sindicatos queixam-se, e com raz\u00e3o, que n\u00e3o se consegue a negocia\u00e7\u00e3o contratual em condi\u00e7\u00f5es iguais, porque h\u00e1 defesas do lado das empresas.<\/p>\n<p>O sal\u00e1rio m\u00ednimo at\u00e9 tem crescido a um ritmo razo\u00e1vel para o n\u00edvel que teve em determinada altura, mas a contrata\u00e7\u00e3o coletiva e a qualifica\u00e7\u00e3o dos profissionais n\u00e3o avan\u00e7a ao mesmo n\u00edvel.\u00a0Nas empresas o sal\u00e1rio m\u00ednimo abrange cada vez mais trabalhadores, mais grupos de qualifica\u00e7\u00e3o superiores e isso, primeiro desmotiva os trabalhadores, depois provoca essa grande quest\u00e3o, que \u00e9: como \u00e9 que um trabalhador com o sal\u00e1rio m\u00ednimo, \u00e0s vezes com dependentes na fam\u00edlia a seu cargo, vai conseguir ter uma vida digna e equilibrada em termos de rendimentos que consegue auferir?\u00a0\u00c9 um desafio grande.<\/p>\n<p>As empresas \u2013 ou os seus representantes, em termos das associa\u00e7\u00f5es patronais \u2013 deveriam ter a perce\u00e7\u00e3o de que prejudicam o pr\u00f3prio neg\u00f3cio, na medida em que os trabalhadores n\u00e3o est\u00e3o satisfeitos, se uma pessoa entra a ganhar o sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional, segue um percurso de qualifica\u00e7\u00e3o, e na empresa h\u00e1 pessoas que terminam o seu percurso profissional de 40 anos de trabalho sempre a ganhar o sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional, ou muito pr\u00f3ximo.\u00a0Sabemos que isso acontece, por exemplo, com as costureiras e com outros setores industriais semelhantes e \u00e9 um grande desconforto para o trabalhador, provoca-lhe car\u00eancias grandes. Se tem um filho para estudar ou fam\u00edlia com algum tipo de necessidade, se tem mais uma pessoa a cargo, se um familiar perde o emprego, caem imediatamente na pobreza por n\u00e3o terem o necess\u00e1rio para sobreviver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Poder\u00e1 ser um problema que se agrava ainda mais diante da situa\u00e7\u00e3o de muitas empresas na atualidade, onde a palavra de ordem \u00e9 \u201csalvar\u201d os postos de trabalho?<\/em><\/p>\n<p>Agrava-se, na medida em que n\u00e3o se prev\u00ea a melhoria das condi\u00e7\u00f5es para a contrata\u00e7\u00e3o coletiva, em que grupos diferentes de qualifica\u00e7\u00e3o podem ter sal\u00e1rios um bocadinho melhorados. A ideia \u00e9 essa, no nosso sistema de organiza\u00e7\u00e3o de trabalho. Como isso n\u00e3o acontece, mesmo em situa\u00e7\u00e3o de crise, que \u00e9 grave, e tamb\u00e9m econ\u00f3mica,\u00a0o sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional vai sendo atualizado, mas se os outros sal\u00e1rios n\u00e3o evoluem, este desafio \u00e9 enorme e tem consequ\u00eancias graves para os trabalhadores e para as suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Acentuando, nomeadamente, a precariedade\u2026<\/em><\/p>\n<p>Que \u00e9 um problema que se visualizou melhor com a entrada nesta crise sanit\u00e1ria e econ\u00f3mica, consequentemente, porque muitos trabalhadores em v\u00e1rias \u00e1reas tiveram de ir para casa, por n\u00e3o se poder trabalhar, pelo confinamento que existiu, e encontraram-se sem qualquer apoio, porque n\u00e3o tinham trabalho fixo com direitos. Aconteceu muito, nomeadamente na cultura, mas noutras \u00e1reas, em que os trabalhadores n\u00e3o tinham forma de recorrer a qualquer subs\u00eddio. Criaram-se algumas alternativas e possibilidades de acesso, mas que n\u00e3o resolveram o essencial, porque s\u00e3o valores irris\u00f3rios para quem tinha de pagar arrendamentos, por estarem deslocados noutra cidade, etc.\u00a0Isto permitiu detetar que, de facto, a quest\u00e3o da precariedade existia num grau muito superior \u00e0quilo que normalmente admit\u00edamos como existindo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Foram fragilidades que a pandemia destapou?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E agora \u00e9 preciso agir?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 preciso agir. Sabemos que em termos do Estado houve a tentativa de legalizar muitos dos prec\u00e1rios \u2013 que n\u00e3o se compreende muito bem, mas que o Estado tamb\u00e9m tem em grande quantidade -, e percebe-se agora, a esta dist\u00e2ncia, que s\u00f3 se resolveu uma parte reduzida do problema que existia.<\/p>\n<p>Ficamos preocupados quando num setor como o da sa\u00fade, cada vez que o pico da pandemia decresce h\u00e1 trabalhadores que s\u00e3o dispensados, porque j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios com tanta prem\u00eancia. \u00c9 preciso encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para isso. Hoje percebemos, com esta crise toda, que o setor p\u00fablico da sa\u00fade \u00e9 uma \u00e1rea fundamental para um pa\u00eds equilibrado quando \u00e9 preciso assistir a sua popula\u00e7\u00e3o, nomeadamente os mais carenciados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o pode ser um setor prec\u00e1rio a n\u00edvel do trabalho?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o pode ser e tem de se repensar bem.\u00a0Diferentes governos desinvestiram nesta \u00e1rea, os pr\u00f3prios Centros de Sa\u00fade que se foram encerrando em zonas mais remotas do pa\u00eds, h\u00e1 que repensar isso tudo.\u00a0\u00c9 necess\u00e1rio organizarmo-nos de outra forma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_206310\" aria-describedby=\"caption-attachment-206310\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-206310\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr2-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr2-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr2-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr2.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-206310\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Miguel Rato\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>A pandemia mudou muita coisa, at\u00e9 a forma como trabalhamos, e colocou-se a quest\u00e3o do teletrabalho.\u00a0H\u00e1 um decreto do governo que vai ser ainda discutido no parlamento, e poder\u00e1 sofrer altera\u00e7\u00f5es, mas do que j\u00e1 conhece, qual \u00e9 a sua opini\u00e3o sobre esta mat\u00e9ria?<\/em><\/p>\n<p>A LOC\/MTC promoveu o ano passado, a 7 de outubro, Dia do Trabalho Digno, uma videoconfer\u00eancia bastante participada, com bons t\u00e9cnicos a abordar esta quest\u00e3o, dizendo que pode haver teletrabalho, mas tem de ser trabalho digno.\u00a0A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o sermos contra o teletrabalho, mas que haja condi\u00e7\u00f5es dignas e que n\u00e3o venha sobrecarregar e criar complica\u00e7\u00f5es \u00e0 vida do trabalhador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ao fim de mais de um ano de pandemia isso ainda n\u00e3o est\u00e1 assegurado?<\/em><\/p>\n<p>Em Portugal, n\u00e3o.\u00a0N\u00e3o sei se noutros pa\u00edses isso j\u00e1 est\u00e1 bem resolvido, mas tem tido uma evolu\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida do que em Portugal, onde est\u00e3o agora a ser apresentadas v\u00e1rias propostas de decreto-lei para organizar alguns dos aspetos do teletrabalho.<\/p>\n<p>As coisas ainda est\u00e3o muito verdes, e\u00a0receio que estejamos focados naquilo que causa despesa ao trabalhador, nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho f\u00edsicas, em casa.\u00a0Mas, eu acho que a quest\u00e3o do teletrabalho \u00e9 muito mais do que isso: \u00e9 a falta de sociabilidade, a quest\u00e3o de se levar os problemas do trabalho para casa, e tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e ps\u00edquicas do trabalhador.<\/p>\n<p>Acho que j\u00e1 devia estar a\u00ed uma grande parangona h\u00e1 muito tempo: \u2018n\u00e3o mais do que 6 horas de trabalho \u00e0 frente do ecr\u00e3 em sua casa\u2019, e especialmente nesta altura, porque fomos obrigados a ir para casa. Quando j\u00e1 n\u00e3o for obrigat\u00f3rio ir para casa trabalhar, ent\u00e3o poder\u00e1 melhorar-se outro tipo de rela\u00e7\u00f5es de trabalho, de negocia\u00e7\u00e3o e de condi\u00e7\u00f5es. Mas,\u00a0a condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica, a sa\u00fade e a seguran\u00e7a no trabalho piorou com o facto de as pessoas estarem em casa\u00a0porque, no fundo, limitaram muito mais o seu espa\u00e7o de a\u00e7\u00e3o f\u00edsica.\u00a0Tudo isso devia estar em equa\u00e7\u00e3o, e parece-me que n\u00e3o est\u00e1. Est\u00e1 mais a quest\u00e3o econ\u00f3mica, que tamb\u00e9m \u00e9 importante, mas que pode n\u00e3o resolver o essencial destas quest\u00f5es do teletrabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em discuss\u00e3o est\u00e1 tamb\u00e9m a obrigatoriedade, ou n\u00e3o, do teletrabalho at\u00e9 ao fim do ano nos concelhos onde a pandemia assim o exija.\u00a0Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o sobre essa obrigatoriedade?<\/em><\/p>\n<p>Neste caso, como \u00e9 para combater a pandemia, sendo com equil\u00edbrio, estou perfeitamente de acordo.<\/p>\n<p>Sei de pessoas que est\u00e3o muito satisfeitas por terem tido essa op\u00e7\u00e3o de trabalhar a partir de casa, mesmo que as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o sejam as melhores, mas d\u00e1-lhes uma maior seguran\u00e7a que n\u00e3o contavam antes. Mas, tamb\u00e9m sei de pessoas que lhes causa grande transtorno estarem a\u00a0trabalhar a partir de casa, porque n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es: \u00e9 o cuidar dos filhos, \u00e9 o trabalho que \u00e9 exigente.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas coisas que ter\u00e3o de ser discutidas e aprofundadas: a quest\u00e3o da privacidade, saber at\u00e9 onde pode ir a intromiss\u00e3o da empresa, ou da entidade que contrata, e o trabalhador se poder defender, o direito a desligar do trabalho.<\/p>\n<p>Eu vejo,\u00a0nas minhas responsabilidades profissionais, com um pequeno descuido e l\u00e1 estamos a ligar \u00e0s pessoas fora de horas. Temos de nos consciencializar de que isso n\u00e3o \u00e9 correto.\u00a0\u00c9 uma exig\u00eancia para quem tem neg\u00f3cios, para empregadores e tamb\u00e9m para o trabalhador. E quando o trabalhador n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es para o exigir, temos de as criar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E sobre o Livro Verde sobre o Futuro do Trabalho, onde se prop\u00f5e que trabalhadores em layoff ou de empresas em crise, possam ser colocados temporariamente noutras com falta de pessoal. Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Na cultura portuguesa, e n\u00e3o s\u00f3, h\u00e1 muito o h\u00e1bito de culpar o trabalhador pela sua situa\u00e7\u00e3o. Culpamos os pobres porque s\u00e3o pobres, os trabalhadores porque n\u00e3o s\u00e3o trabalhadores, com as suas fun\u00e7\u00f5es, e acusados de subs\u00eddio-dependentes.<\/p>\n<p>Eu acho que\u00a0o Livro Verde sobre o Futuro do Trabalho est\u00e1 um pouco aqu\u00e9m do que era necess\u00e1rio abordar. O tempo pareceu-nos um pouco limitado para a reflex\u00e3o, e\u00a0receamos que possa abrir portas que n\u00e3o v\u00eam valorizar o trabalho e os trabalhadores, nem dar-lhes melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, de rendimento, motiva\u00e7\u00e3o. \u00c9 um desafio que se p\u00f5e com alguma prem\u00eancia: a continuidade da reflex\u00e3o daquilo que se quis dar por conclu\u00eddo.\u00a0\u00c9 necess\u00e1rio ir mais ao fundo dessas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o primeiro Livro Verde sobre o trabalho, n\u00e3o sabemos se ir\u00e1 dar num Livro Branco, para se aplicar ou n\u00e3o&#8230; Ainda h\u00e1 muito a discutir e dev\u00edamos ter esse tempo para mais gente se pronunciar sobre o assunto e fazer propostas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_206306\" aria-describedby=\"caption-attachment-206306\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-206306\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr6-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr6-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr6-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr6-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr6-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr6-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr6-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr6-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/americo-monteiro-rr6.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-206306\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Miguel Rato\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Na defesa dos direitos dos trabalhadores&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Claro! Achamos que est\u00e1 muito vago nesse assunto importante de ser um trabalho digno e protegido, como \u00e9 necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que espectativas tem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Cimeira Social Europeia, que vai decorrer no Porto? O que \u00e9 que seria um bom resultado, do ponto de vista da LOC?<\/em><\/p>\n<p>Eu tenho o privil\u00e9gio de saber como \u00e9 que as coisas est\u00e3o a ser organizadas: segundo me parece, as confedera\u00e7\u00f5es sindicais nacionais n\u00e3o v\u00e3o ter direito \u00e0 palavra, ser\u00e3o representadas pela respetiva Confedera\u00e7\u00e3o Europeia e os tempos s\u00e3o muito apertados para a discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Penso que \u00e9 para servir a imagem da Uni\u00e3o Europeia. Se ficar por a\u00ed, vai ser escasso.\u00a0Claro que v\u00e3o sair algumas medidas que n\u00e3o ser\u00e3o para piorar a vida dos trabalhadores. Mas, sabemos que esta quest\u00e3o social europeia vem para contrapor \u00e0 quest\u00e3o de ser uma uni\u00e3o s\u00f3 a pensar no econ\u00f3mico. E sabemos que dentro dessa Uni\u00e3o Europeia h\u00e1 muitos lobbies, a puxar cada um para o seu lado. Este, do social, tem hoje um pouco mais de influ\u00eancia e poder\u00e3o sair medidas interessantes. Mas, a Uni\u00e3o Europeia continua a ter muito de imagem, que depois n\u00e3o se repercute na reflex\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o que era necess\u00e1ria dentro da pr\u00f3pria UE.<\/p>\n<p>Na Cimeira Social tenho receio do \u2018show off\u2019&#8230; Pode surgir uma ou outra medida interessante, mas n\u00e3o tanto como era necess\u00e1rio nesta Europa, ao n\u00edvel da migra\u00e7\u00e3o, das condi\u00e7\u00f5es do trabalho,\u00a0de v\u00e1rios setores das diferentes sociedades europeias que est\u00e3o afastados, ou impedidos de chegar a um bolo que deveria ser mais bem dividido por todos.\u00a0N\u00e3o quer dizer que n\u00e3o venham a surgir medidas importantes para a Europa que somos hoje, e em termos de uma Europa social, que \u00e9 o que defendemos.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 coordenador da LOC desde junho de 2019. Esta crise sanit\u00e1ria veio condicionar o vosso trabalho? Tornou-o tamb\u00e9m mais urgente e mais presente junto dos trabalhadores?<\/em><\/p>\n<p>Nunca os trabalhadores precisaram tanto de organiza\u00e7\u00f5es como a LOC\/MTC\u00a0e outras que s\u00e3o fundamentais para uma sociedade participativa, cidad\u00e3 e, no nosso caso, uma sociedade que vai buscar as preocupa\u00e7\u00f5es do mundo e reflete-as a partir dos valores cat\u00f3licos e da pr\u00f3pria Igreja.<\/p>\n<p>Eu, quando assumi estas fun\u00e7\u00f5es, n\u00e3o estava nada a contar com uma coisa destas, com a pandemia! \u00c9 terr\u00edvel&#8230; Alguns colegas t\u00eam-me dito: \u201cn\u00e3o me queria ver no teu papel\u201d. Fic\u00e1mos todos muito mais isolados e algumas pessoas podem n\u00e3o resistir a estas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Durante o m\u00eas de abril reunimos com todas as dire\u00e7\u00f5es diocesanas. Estamos em fase conclusiva, faltam apenas tr\u00eas dioceses, e temos conseguido apercebermo-nos da realidade das dioceses em termos laborais e tamb\u00e9m dos nossos dirigentes, militantes e grupos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E que diagn\u00f3stico \u00e9 poss\u00edvel fazer?<\/em><\/p>\n<p>Vivemos situa\u00e7\u00f5es muito complicadas&#8230;\u00a0Um movimento como a LOC vive da proximidade, do afeto, do encontro para revis\u00e3o de vida. Claro que evolu\u00edmos o que n\u00e3o imagin\u00e1vamos nas liga\u00e7\u00f5es pela internet, videoconfer\u00eancias em diferentes sistemas. Mas isso n\u00e3o resolve o nosso problema que \u00e9 o afetivo, a proximidade, o darmos as m\u00e3os, o rezarmos juntos para sermos mais fortes no que \u00e9 preciso fazer.<\/p>\n<p>Movimentos como a LOC sofrem um grande problema, at\u00e9 em termos econ\u00f3micos. Todo o tipo de atividades que costum\u00e1vamos realizar para a participa\u00e7\u00e3o das pessoas, comunidades e par\u00f3quias, que davam pequenos contributos, nomeadamente no m\u00eas de maio, o m\u00eas da solidariedade, n\u00e3o podemos solicitar esse apoio e organizar atividades de forma\u00e7\u00e3o e comunh\u00e3o, onde as pessoas deixavam pequenos contributos financeiros que, apesar de muitos pequenos, dava para irmos existindo com melhores condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como vai viver este 1\u00ba de Maio e que oportunidade constitui para os trabalhadores afirmarem os seus direitos?<\/em><\/p>\n<p>Estamos um bocadinho melhor do que h\u00e1 um ano. Normalmente integramo-nos nas festas, nas manifesta\u00e7\u00f5es e concentra\u00e7\u00f5es dos trabalhadores, sem distin\u00e7\u00e3o, que se organizam pelo pa\u00eds. \u00c9 um tempo de festa, de desafio e de consciencializa\u00e7\u00e3o daquilo porque ainda falta lutar.<\/p>\n<p>O que apelamos \u00e0s pessoas \u00e9 que,\u00a0quem se sentir bem, pode participar com todos os cuidados e manifestar, dessa forma, aquilo que \u00e9 importante, que \u00e9 lutar pelos trabalhadores. Sem que se forcem a eles pr\u00f3prios, porque cada um tem de ter a sua consci\u00eancia, sem atacar aqueles que o fazem. H\u00e1 que reconhecer esse direito, e mesmo que alguns corram algum risco, \u00e9 conscientemente que o fazem.<\/p>\n<p>Sabemos que\u00a0os tempos do mundo do trabalho s\u00e3o complicados e se os trabalhadores n\u00e3o manifestam esta solidariedade e disponibilidade para defender o que \u00e9 importante defender, aproveitam-se mais ainda da situa\u00e7\u00e3o que vivemos para explorarem mais profundamente o trabalhador.\u00a0E \u00e9 importante dar a aten\u00e7\u00e3o a isso e a quest\u00f5es como o ambiente, os ecossistemas, o cuidar das nossas \u00e1guas, as energias alternativas&#8230; Os trabalhadores t\u00eam de pensar nessas coisas para que as suas empresas evoluam e o futuro seja mais garantido do que aquilo que todos receamos em rela\u00e7\u00e3o ao clima. O Papa Francisco alerta-nos com frequ\u00eancia: as coisas n\u00e3o est\u00e3o bem e \u00e9 preciso dar-lhes aten\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Am\u00e9rico Monteiro foi eleito coordenador da Liga Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica\/Movimento de Trabalhadores Crist\u00e3os em junho de 2019. A pandemia foi uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o esperava encontrar, lembrando que os trabalhadores precisam de organiza\u00e7\u00f5es como a LOC nestas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[712,247],"class_list":["post-206499","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-1-o-de-maio","tag-loc-mtc"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/206499","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=206499"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/206499\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=206499"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=206499"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=206499"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}