{"id":20611,"date":"2006-10-11T15:36:02","date_gmt":"2006-10-11T15:36:02","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/10\/11\/o-amor-de-deus-fundamento-do-desenvolvimento-humano-e-da-cooperacao\/"},"modified":"2006-10-11T15:36:02","modified_gmt":"2006-10-11T15:36:02","slug":"o-amor-de-deus-fundamento-do-desenvolvimento-humano-e-da-cooperacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-amor-de-deus-fundamento-do-desenvolvimento-humano-e-da-cooperacao\/","title":{"rendered":"O Amor de Deus, fundamento do desenvolvimento humano e da coopera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Confer\u00eancia de Cardeal Geraldo Majella Agnelo, no VII Encontro das Igrejas Lus\u00f3fonas <!--more--> <i>Irm\u00e3os no Episcopado,  Irm\u00e3s e irm\u00e3os<\/i> Sou grato pela oportunidade que me \u00e9 concedida de dirigir-me aos irm\u00e3os das diversas Confer\u00eancias Episcopais dos pa\u00edses lus\u00f3fonos, por ocasi\u00e3o desse nosso 10\u00b0 Encontro, sob o olhar materno da Virgem de F\u00e1tima. Agrade\u00e7o tamb\u00e9m a fraterna acolhida que nos \u00e9 proporcionada pelos irm\u00e3os bispos e pelo generoso povo de Portugal. O tema que me foi confiado \u00e9 \u201co amor de Deus como fundamento do desenvolvimento humano e da coopera\u00e7\u00e3o\u201d.  Esse tema nos coloca no centro da miss\u00e3o da Igreja e da motiva\u00e7\u00e3o mais profunda para nosso servi\u00e7o pastoral e eclesial aos povos que servimos. Dirige nossa aten\u00e7\u00e3o para o tema da ajuda fraterna entre Igrejas, nossa colabora\u00e7\u00e3o com organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, \u00f3rg\u00e3os de governos ou com ag\u00eancias da coopera\u00e7\u00e3o internacional na supera\u00e7\u00e3o da pobreza, na promo\u00e7\u00e3o do bem comum e na constru\u00e7\u00e3o de uma civiliza\u00e7\u00e3o do amor.  Quero me valer da inspira\u00e7\u00e3o que nos trouxe a Enc\u00edclica do Papa Bento XVI, \u201cDeus Caritas Est \u2013 sobre o amor crist\u00e3o\u201d (DCE), publicada na significativa data de 25 de dezembro de 2005, para colher dela sugest\u00f5es e propostas para uma colabora\u00e7\u00e3o sempre mais proveitosa entre nossas Igrejas, em benef\u00edcio do servi\u00e7o da caridade e da promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e da paz entre os nossos povos. Na sua Enc\u00edclica sobre o amor crist\u00e3o, o Papa nos ofereceu n\u00e3o s\u00f3 o programa de seu Pontificado, mas lan\u00e7ou uma vigorosa chamada a toda Igreja para centrarmos nossa a\u00e7\u00e3o evangelizadora na dimens\u00e3o da caridade, tra\u00e7o essencial de nossa identidade crist\u00e3. O amor de Deus e ao pr\u00f3ximo resume toda lei e os profetas, segundo a palavra de divino Mestre (cf. Lc 10, 27-28).  Al\u00e9m de unir o amor a Deus com o amor ao pr\u00f3ximo, Cristo nos deu seu novo mandamento: \u201camai-vos uns aos outros assim como eu vos amei\u201d (Jo 15,12). A partir da afirma\u00e7\u00e3o da centralidade do amor, o Papa nos lembra, a seguir, que esse amor, mesmo devendo come\u00e7ar em casa, ultrapassa fronteiras de ra\u00e7a, classe e na\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, que o amor crist\u00e3o \u00e9 universal. A par\u00e1bola do bom samaritano (cf. Lc 10, 25-37), diz a enc\u00edclica, nos ensina que \u201cqualquer um que necessite de mim e eu possa ajud\u00e1-lo, \u00e9 meu pr\u00f3ximo. O conceito de pr\u00f3ximo fica universalizado, sem deixar, todavia, de ser concreto\u201d (DCE, 15). Jesus se identifica com os necessitados e quer ser neles reconhecido e amado. \u201cSempre que fizestes isso ao menor dos meus irm\u00e3os, a mim mesmo o fizestes\u201d (Mt 25, 40). O Papa nos lembra, ainda, que o amor ao pr\u00f3ximo, em todas a suas formas, n\u00e3o pode ficar atr\u00e1s dos outros deveres da Igreja. Nas palavras da enc\u00edclica: \u201cA natureza \u00edntima da Igreja exprime-se num tr\u00edplice dever: an\u00fancio da Palavra de Deus (kerygma-martyria), celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos (leiturgia), servi\u00e7o da caridade (diakonia). S\u00e3o deveres que se reclamam mutuamente, n\u00e3o podendo um ser separado dos outros. Para a Igreja, a caridade n\u00e3o \u00e9 uma esp\u00e9cie de assist\u00eancia social que se poderia mesmo deixar a outros, mas pertence \u00e0 sua natureza, \u00e9 express\u00e3o irrenunci\u00e1vel da sua pr\u00f3pria ess\u00eancia\u201d (DCE, 25). A enc\u00edclica ainda explica o significado desse amor-servi\u00e7o como um amor que une a justi\u00e7a e a caridade, a a\u00e7\u00e3o por uma ordem social justa com servi\u00e7os concretos de assist\u00eancia e promo\u00e7\u00e3o, sobretudo aos mais pobres e necessitados. Recorda a rica tradi\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o caritativa da Igreja e de nossa Doutrina Social, recentemente reunida de modo org\u00e2nico no \u201cComp\u00eandio da doutrina social da Igreja\u201d, preparado pelo Pontif\u00edcio Conselho \u201cJusti\u00e7a e Paz\u201d. Afirma a seguir o amor ao semelhante \u00e9 dever de cada crist\u00e3o, mas encontra express\u00e3o organizada nas m\u00faltiplas estruturas de servi\u00e7o, tanto em estruturas administradas entidades eclesiais como em estruturas da sociedade civil e de governos. Enfatiza que o exerc\u00edcio da \u201ccaridade social\u201d na promo\u00e7\u00e3o do bem comum \u00e9 o campo privilegiado dos fi\u00e9is leigos, atrav\u00e9s de sua m\u00faltipla actividade profissional, inclusive no campo da pol\u00edtica (DCE, 29).  Como contribui\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da Igreja, em todos esses setores, o Papa aponta a purifica\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o, o despertar das for\u00e7as morais, a forma\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias, tudo isso animado pela for\u00e7a da f\u00e9 e alimentado pela ora\u00e7\u00e3o. O crist\u00e3o sabe que servir o pr\u00f3ximo \u201cn\u00e3o \u00e9 m\u00e9rito seu, nem t\u00edtulo de gl\u00f3ria&#8230; Essa tarefa \u00e9 Gra\u00e7a. Quanto mais algu\u00e9m trabalhar pelos outros, tanto melhor compreender\u00e1 e assumir\u00e1 esta palavra de Cristo: \u00absomos servos in\u00fateis\u00bb \u201c(DCE, 35). Esse amplo panorama do amor crist\u00e3o, como fundamento do nosso servi\u00e7o aos demais, a favor de um desenvolvimento sempre mais humano e ambientalmente sustent\u00e1vel, permite-nos visualizar melhor nossa coopera\u00e7\u00e3o enquanto Igrejas, nesse campo da ac\u00e7\u00e3o caritativa e social. \u00c9 com alegria e gratid\u00e3o a Deus que constatamos as variadas formas de ac\u00e7\u00e3o social existentes em nossas Igrejas e a colabora\u00e7\u00e3o dessas entidades entre si e com outros, somando esfor\u00e7os para o maior bem do nosso povo. S\u00e3o redes de Caritas, de pastorais sociais, Comiss\u00f5es Justi\u00e7a e Paz, associa\u00e7\u00f5es e obras sociais, em frequentes parcerias com \u00f3rg\u00e3os de governos ou com ONGS e movimentos sociais. A ac\u00e7\u00e3o caritativa das Igrejas se expressa em campanhas e servi\u00e7os, para atender situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia; para ac\u00e7\u00f5es estruturantes, que visam fortalecer a forma\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o do povo e garantir o seu acesso aos bens, materiais e espirituais, necess\u00e1rios a uma vida digna; para actividades de forma\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o para a justi\u00e7a, a reconcilia\u00e7\u00e3o e a paz. A Igreja do Brasil promove todos os anos a Campanha da Fraternidade, no per\u00edodo quaresmal, em torno de um tema relevante no campo social, buscando evangelizar pela pr\u00e1tica da solidariedade. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, os temas da Campanha da Fraternidade foram o tema da \u00e1gua (2004), a constru\u00e7\u00e3o de uma cultura da paz (2005, CF ecum\u00e9nica) e as pessoas com defici\u00eancia (2006). Para 2007, estamos trabalhando com o tema da Amaz\u00f3nia, em defesa dos povos que l\u00e1 vivem, com forte presen\u00e7a ind\u00edgena, da biodiversidade, da promo\u00e7\u00e3o de um desenvolvimento justo e sustent\u00e1vel e na busca de novas formas de evangelizar aquela realidade.  Preocupa-nos a persist\u00eancia da fome e da exclus\u00e3o social no Brasil. Em resposta \u00e0s car\u00eancias de tantas fam\u00edlias e comunidades, a Igreja lan\u00e7ou em 2002 um Mutir\u00e3o Nacional para a Supera\u00e7\u00e3o da Mis\u00e9ria e da Fome, que tem como lema: \u201calimento \u2013 dom de Deus e direito de todos\u201d. Esse Mutir\u00e3o ou a\u00e7\u00e3o coletiva voltou-se sobretudo para as camadas mais pobres, do interior e das periferias urbanas, buscando organiz\u00e1-los, construindo parcerias, combatendo o desperd\u00edcio de alimentos na sociedade e fomentando uma nova mentalidade de partilha e comunh\u00e3o. Atrav\u00e9s de uma parceria com um banco oficial, centenas de pequenos projetos puderam ser financiados no Nordeste do pa\u00eds. Em Minas Gerais, a C\u00e1ritas Brasileira gerencia um programa, em parceria com o governo do Estado e entidades da sociedade civil, o que viabilizou mais de 800 projectos de desenvolvimento local. Em S\u00e3o Paulo, o CEAT (Centro de Atendimento ao Trabalhador), administrado pelas quatro dioceses da metr\u00f3pole paulista, faz a intermedia\u00e7\u00e3o de trabalho para milhares de desempregados. Em outubro de 2006 opera com 10 unidades, onde oferece orienta\u00e7\u00e3o e treinamento.  A Pastoral da Crian\u00e7a, iniciada em Florest\u00f3polis, arquidiocese de Londrina, em 1982, e hoje est\u00e1 presente em 250 Dioceses do Brasil (de 268) e em outros pa\u00edses (como Angola), presta um servi\u00e7o inestim\u00e1vel \u00e0 sa\u00fade das m\u00e3es gestantes e das crian\u00e7as at\u00e9 seis anos de idade, sendo reconhecidamente uma das respons\u00e1veis pela redu\u00e7\u00e3o da mortalidade infantil no Brasil. Conta com uma rede de 240.000 volunt\u00e1rias, que cultivam uma forte motiva\u00e7\u00e3o espiritual. \u00c9 importante observar que a caridade crist\u00e3 se traduz em muitas formas de solidariedade social, na qual colaboram pessoas e entidades de outras confiss\u00f5es religiosas ou mesmo sem v\u00ednculos religiosos. Traduz-se tamb\u00e9m na colabora\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica, como tem sido as Campanhas da Fraternidade em 2000 e em 2005 e a a\u00e7\u00e3o da CESE (Coordenaria Ecum\u00eanica de Servi\u00e7o), com sede em Salvador da Bahia, administrada pelas Igrejas do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Crist\u00e3s do Brasil), que financia projetos sociais, com a ajuda da coopera\u00e7\u00e3o internacional. A a\u00e7\u00e3o social da Igreja permite ainda o di\u00e1logo aberto com o mundo leigo e com a cultura moderna, mostrando uma pr\u00e1tica solid\u00e1ria, voltada prioritariamente para atendimento das necessidades b\u00e1sicas, ambientalmente sustent\u00e1vel, em contraste com o consumismo, o desperd\u00edcio, a concentra\u00e7\u00e3o de riquezas, a degrada\u00e7\u00e3o ambiental e o ego\u00edsmo erigido em sistema.  Na linha ecum\u00e9nica quero ainda mencionar um fruto da Campanha da Fraternidade de 2004, com o lema \u201c\u00c1gua fonte de vida\u201d. Por iniciativa do CONIC, da CNBB e de Igrejas da Su\u00ed\u00e7a (Cat\u00f3lica e Igrejas Reformadas), foi assinada, em 22 de abril de 2005, uma \u201cDeclara\u00e7\u00e3o Ecum\u00eanica sobre a \u00c1gua como um Direito Humano e Bem P\u00fablico\u201d, que enfatiza a necessidade de garantir o acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel a todos, especialmente \u00e0s popula\u00e7\u00f5es carentes e o compromisso das Igrejas signat\u00e1rias de opor-se \u00e0s press\u00f5es pela privatiza\u00e7\u00e3o e mercantiliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos de \u00e1gua e das fontes de \u00e1gua pot\u00e1vel.  No campo social, afirma o Papa, \u201cpara o progresso rumo a um mundo melhor, \u00e9 necess\u00e1ria a voz comum dos crist\u00e3os, o seu empenho em \u00abfazer triunfar o respeito pelos direitos e necessidades de todos, especialmente dos pobres, humilhados e desprotegidos\u00bb\u201d (DCE, 30; Ut Unum Sint, n. 43). Outra frente em que se abrem grandes possibilidades de colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o dos leigos, chamados a serem protagonistas no campo ac\u00e7\u00e3o social. Antes de tudo, \u00e9 preciso lembrar que \u201c\u00e9 miss\u00e3o dos leigos configurar rectamente a ordem social, respeitando sua leg\u00edtima autonomia e cooperando, segundo a respectiva compet\u00eancia e sob pr\u00f3pria responsabilidade, com os outros cidad\u00e3os.(&#8230;) A caridade deve animar a exist\u00eancia inteira dos fi\u00e9is leigos e, consequentemente, tamb\u00e9m sua actividade pol\u00edtica vivida com \u00abcaridade social\u00bb\u201d(DCE, 29).  Urge capacitarmos sempre mais os leigos crist\u00e3os para o exerc\u00edcio de sua miss\u00e3o no campo social, pol\u00edtico e cultural. Diversas Igrejas t\u00eam experi\u00eancias nesse campo e podem colaborar com outras. De grande valia nesse campo \u00e9 o uso dos modernos meios de comunica\u00e7\u00e3o, r\u00e1dio, TV e internet, na transmiss\u00e3o de programas formativos e cursos \u00e0 dist\u00e2ncia. No Brasil, criamos recentemente um novo curso nessa \u00e1rea, a \u201cCentro Nacional de F\u00e9 e Pol\u00edtica Dom H\u00e9lder C\u00e2mara\u201d, em n\u00edvel nacional, em apoio \u00e0s 28 Escolas j\u00e1 existentes em n\u00edvel local. O Centro oferece um curso em n\u00edvel nacional, com parte das aulas dadas \u00e0 dist\u00e2ncia, a outra parte sendo presencial. Uma universidade prepara e veicula as mat\u00e9rias, de forma did\u00e1tica, para os alunos das escolas locais, que podem interagir ao vivo com seus professores, por via eletr\u00f4nica. Dentro do Projecto de Evangeliza\u00e7\u00e3o \u201cQueremos ver Jesus \u2013 caminho, verdade e vida\u201d (2003-2007), a CNBB elaborou uma s\u00e9rie de Cadernos de Doutrina Social da Igreja, buscando traduzir o ensino social crist\u00e3 para dentro da realidade do pa\u00eds. No combate \u00e0 fome e \u00e0 mis\u00e9ria no mundo, a Igreja se sente parceira dos Organismos das Na\u00e7\u00f5es Unidas e de outras entidades da coopera\u00e7\u00e3o internacional, actuantes em nossos pa\u00edses. Em diversas ocasi\u00f5es, os papas dirigiram mensagens \u00e0 FAO (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura), incentivando suas iniciativas e oferecendo apoio. Na c\u00fapula do Mil\u00eanio das Na\u00e7\u00f5es Unidas, realizada em setembro de 2000, os governantes de 191 na\u00e7\u00f5es-membros se comprometeram em um conjunto de objetivos e metas, voltadas ao combate \u00e0 pobreza, \u00e0s doen\u00e7as (especialmente a AIDS\/SIDA e a mal\u00e1ria), ao analfabetismo, \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o ambiental e \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o contra as mulheres, que ficaram conhecidos como os oito objectivos de desenvolvimento do mi\u00e9nio (ODM).  O primeiro desses objetivos \u00e9 \u201cerradicar a extrema pobreza e a fome\u201d; como meta desse objetivo, os estados se propuseram a diminuir pela metade os famintos no mundo, hoje estimados em 854 milh\u00f5es. Sem a coopera\u00e7\u00e3o de todas as for\u00e7as vivas da sociedade, e sem a colabora\u00e7\u00e3o das Igrejas, esse e os demais objectivos dificilmente ser\u00e3o alcan\u00e7ados. Dentro de alguns dias, a 16 de outubro, celebra-se o dia mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o, institu\u00eddo pela FAO em 1980, e que no corrente ano tem como tema \u201cFortalecer a Agricultura para Garantir da Seguran\u00e7a Alimentar\u201d.  Tenhamos a coragem de nos perguntar: como podemos tornar mais efetiva a participa\u00e7\u00e3o de nossas Igrejas na realiza\u00e7\u00e3o dos objetivos do mil\u00e9nio, e de tantas outras iniciativas a favor dos mais pobres e do bem comum? Bem sabemos que em nossos pa\u00edses h\u00e1 multid\u00f5es famintas e sem pastor, das quais o Senhor teve compaix\u00e3o (cf. Mc 6, 34). Tomemos como dada a n\u00f3s a ordem de Jesus aos seus disc\u00edpulos, que queriam despedir a multid\u00e3o: \u201cdai-lhes v\u00f3s mesmos de comer\u201d (Mc 6, 37).  Num mundo submetido \u00e0 ideologia neoliberal, em que os mercados e a viol\u00eancia se globalizaram, outra globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria, poss\u00edvel e urgente: a globaliza\u00e7\u00e3o da solidariedade, uma solidariedade universal (Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Sollicitudo rei socialis, 45), alimentada por uma nova \u201cfantasia da caridade\u201d, que busca n\u00e3o s\u00f3 a efic\u00e1cia, mas a capacidade de pensar e ser solid\u00e1rio com quem sofre (cf. Jo\u00e3o Paulo II, Novo millenio ineunte, 50). Com a for\u00e7a da f\u00e9 e do profetismo do Evangelho da caridade, sejamos arautos de uma nova sociedade, em que o ego\u00edsmo e a gan\u00e2ncia d\u00eaem lugar \u00e0 solidariedade e \u00e0 partilha, onde n\u00e3o haja mais famintos e necessitados (cf. Atos 2, 45) e onde, finalmente \u201cmiseric\u00f3rdia e fidelidade se encontrar\u00e3o, justi\u00e7a e paz se abra\u00e7ar\u00e3o\u201d (Sl 85,11).  <i>Card. Geraldo Majella Agnelo Arcebispo de S\u00e3o Salvador da Bahia Presidente da CNBB<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confer\u00eancia de Cardeal Geraldo Majella Agnelo, no VII Encontro das Igrejas Lus\u00f3fonas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[102,106,120,122,125,154,193,206,207,230,237,261,266,91,294,314],"class_list":["post-20611","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-agua","tag-angola","tag-bento-xvi","tag-brasil","tag-caritas","tag-crianca","tag-educacao","tag-familia","tag-fatima","tag-igrejas-lusofonas","tag-joao-paulo-ii","tag-missoes","tag-nacoes-unidas","tag-quaresma","tag-sacramentos","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20611","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20611"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20611\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20611"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20611"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20611"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}