{"id":20608,"date":"2006-10-11T15:13:13","date_gmt":"2006-10-11T15:13:13","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/10\/11\/amor-sinonimo-do-desenvolvimento\/"},"modified":"2006-10-11T15:13:13","modified_gmt":"2006-10-11T15:13:13","slug":"amor-sinonimo-do-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/amor-sinonimo-do-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"Amor: sin\u00f3nimo do desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<p>Comunica\u00e7\u00e3o de D. Jorge Ortiga, Presidente da CEP, aos participantes do Encontro das Igrejas Lus\u00f3fonas <!--more--> 1 \u2013 \u201cN\u00f3s cremos no amor de Deus \u2013 deste modo pode o crist\u00e3o exprimir a op\u00e7\u00e3o fundamental da sua vida\u201d (D.C.E. 1). \u201cUma vez que Deus foi o primeiro a amar-vos (cf. Jo 4,10), agora o amor j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um \u201cmandamento\u201d mas \u00e9 a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro\u201d (Ib.1). Num tempo de ambiguidades e uma certa confus\u00e3o no interpretar o fen\u00f3meno religioso, o cristianismo \u00e9 interpelado a centralizar-se no essencial: uma vida resultado do amor de Deus Pai que s\u00f3 pode encontrar a sua verdadeira identidade no deixar-se possuir pelas exig\u00eancias desse amor para o visibilizar numa transpar\u00eancia que confunde ego\u00edsmo e indiferen\u00e7as. 2 \u2013 A Igreja, em todas as suas express\u00f5es, comunidade local, passando pela Igreja particular, at\u00e9 a Igreja universal na sua globalidade \u2013 deve assumir o amor como o primeiro dever. N\u00e3o basta que o fa\u00e7am os fi\u00e9is individualmente. Toda a comunidade eclesial tem este caminho. \u201cA Igreja, enquanto comunidade, tamb\u00e9m deve praticar o amor\u201d (D.C.E. 20). Duas verdades convergentes aparecem como conaturais ao ser do cristianismo. \u00c9-se crist\u00e3o pelo amor; \u00e9-se Igreja pelo amor. 3 \u2013 Caracter\u00edstica fundamental do amor pode ser a humildade e o sil\u00eancio. As coisas pequenas adquirem a mesma import\u00e2ncia que aquelas de grande alcance; o concreto do quotidiano pode parecer desapercebido e silencioso. Tudo adquire valor de imensidade se expressa o amor. 4 \u2013 Aparece, por\u00e9m, outra dimens\u00e3o. O mundo torna-se uma aldeia e os males avolumam-se exigindo respostas devidamente organizadas e estruturadas. O amor, regra geral, nasce do improviso. Acontece no momento que passa com a espontaneidade de quem escuta a voz de quem amou primeiro a sugerir o que deve ser feito. Sendo maravilhoso este hino da caridade no concerto inesperado, as car\u00eancias hodiernas est\u00e3o j\u00e1 verdadeiramente definidas e conhecem-se no seu dramatismo alucinante. Isto sup\u00f5e a concretiza\u00e7\u00e3o dum outro princ\u00edpio. \u201cO amor tamb\u00e9m precisa de organiza\u00e7\u00e3o, enquanto pressuposto para um servi\u00e7o comunit\u00e1rio ordenado\u201d (D.C.E. 20). A organiza\u00e7\u00e3o sup\u00f5e objectivos, meios e consci\u00eancia dos destinat\u00e1rios. Tudo numa interpreta\u00e7\u00e3o de discernir as causas dos males, um adiar respostas. Os estudos da mais variada ordem podem ser um alicerce dum trabalho devidamente organizado. Nunca poderemos ficar a\u00ed. Importa deixar-se partir conduzidos pelas asas do Esp\u00edrito para que as vidas n\u00e3o se percam ou encontrem limites no imediato das situa\u00e7\u00f5es. Isto sup\u00f5e uma organiza\u00e7\u00e3o da Igreja como resposta ao imediato ousando procurar chegar em primeiro lugar e a capacidade de estruturas est\u00e1veis com capacidade concreta sem gastar todos os dividendos com as pessoas que \u201cservem\u201d estas institui\u00e7\u00f5es. O importante \u00e9 a pessoa que sofre e os intermedi\u00e1rios s\u00e3o apenas isso. Se estes se procuram \u201cabastecer\u201d em vez de servir confundem-se com organismos onde falta o \u201cesp\u00edrito\u201d, ou seja, o amor. Trata-se dum problema s\u00e9rio que nunca nos pode tranquilizar. H\u00e1, ou pode haver, sempre surpresas. S\u00f3 um permanente exame de consci\u00eancia e confronto com os objectivos das institui\u00e7\u00f5es, com a coragem de rectificar ou de afastar mal intencionados pode dignificar o esp\u00edrito crist\u00e3o. Um amor organizado, e o que afirmo pode ser discut\u00edvel, deve assumir-se como diferente. N\u00e3o pode ser meramente filantr\u00f3pico; ter\u00e1 de ser ag\u00e1pico. S\u00f3 que diferente pode n\u00e3o querer dizer separado doutros servi\u00e7os. A identidade n\u00e3o se perde quando se assume a din\u00e2mica da incarna\u00e7\u00e3o. Ser capazes de estar com os outros, numa verdadeira parceria fraterna, oferecendo a nossa originalidade e recebendo as mais valias ou sinergias complementares. N\u00e3o basta uma rela\u00e7\u00e3o utilitarista ou oportunista. A\u00ed devemos ser o que somos e importa verificar se n\u00e3o podemos ou devemos dar a esses \u201ccompanheiros de jornada\u201d o nosso espec\u00edfico. 5 \u2013 Concluindo, recordo duas ideias\/s\u00edntese de Bento XVI. 5.1 \u2013 \u201cA natureza \u00edntima da Igreja exprime-se num tr\u00edplice dever: an\u00fancio da Palavra de Deus (Kerygma-martynia), celebra\u00e7\u00e3o dos Sacramentos (liturgia), servi\u00e7o da caridade (dakonia). S\u00e3o deveres que se reclamam mutuamente, n\u00e3o podendo ser separado dos outros\u201d (D.C.E. 25). Tudo orientado e de maneira igual para manifestar Deus como amor e\/ou o Amor de Deus. 5.2 \u2013 \u201cA Igreja \u00e9 a fam\u00edlia de Deus no mundo. Nesta fam\u00edlia, n\u00e3o deve haver ningu\u00e9m que sofra por falta do necess\u00e1rio. Ao mesmo tempo, por\u00e9m, a caritas-agape estende-se para al\u00e9m das fronteiras da Igreja\u201d (D.C.E. 25). O amor \u00e9 universal \u2013 dentro e fora da Igreja. A par\u00e1bola do Bom Samaritano \u00e9 paradigm\u00e1tica. \u201cMas, ressalvada esta universalidade do mandamento do amor, existe tamb\u00e9m uma exig\u00eancia especificamente eclesial \u2013 precisamente a exig\u00eancia de que, na pr\u00f3pria Igreja enquanto fam\u00edlia, nenhum membro sofra por passar necessidade\u201d (D.C.E. 25). Este encontro das Igrejas Lus\u00f3fonas tem esta motiva\u00e7\u00e3o. Tornar o amor for\u00e7a para um desenvolvimento integral \u2013 de todo o homem e do homem todo. A l\u00edngua pode ser um pretexto n\u00e3o para separar dos dramas universais mas por fortalecer os la\u00e7os dum amor vis\u00edvel entre n\u00f3s. Com o amor o desenvolvimento apressa-se e a paz e a harmonia permitem um alento especial para partirmos, como Igreja dum pa\u00eds ou colegialmente, ao encontro das coisas incompreens\u00edveis do mundo hodierno. <i>D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo Primaz<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunica\u00e7\u00e3o de D. 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